Always at your side

36 O início de uma parceria


Notas iniciais
Boa noite!! Ainda estão sofrendo os efeitos da series finale de ontem? Gostaram? Nem acredito que vivi para ver Kate Beckett sendo mamãe ♥ Bem, desculpem-me pela demora, eu deveria ter aparecido aqui antes, mas ser estudante não tá nada fácil :( Enfim, consegui arrumar um tempinho para vocês. Obrigada por todos os comentários! Claramente melhores pessoas. Espero que gostem do capítulo, e tenham uma boa leitura!

Nós dois nos viramos ao mesmo tempo. Se me perguntassem, eu não poderia dizer com certeza se as portas do elevador acabaram de se abrir, ou se já estão abertas há um bom tempo. A única coisa que eu sei é que Gina Cowell está à nossa frente e nos encarando com uma expressão de choque e confusão. Apesar de ter me assustado, sequer tento me afastar do Castle, já que isso poderia causar a impressão de que estávamos fazendo algo errado, e agora temos que – tentar – esconder. Espero que ele diga alguma coisa, enquanto apenas a observo.

—Hey... – ele dá um passo para frente, e eu faço o mesmo. Vejo-o encostar levemente a mão no braço dela. – O que você está fazendo aqui?

—Recebi sua mensagem dizendo que “precisava” voltar à delegacia. Claro que fiquei preocupada. – ela começa a falar, enquanto segura as duas mãos dele. – Você estava demorando, e não atendeu as minhas ligações, então resolvi vir até aqui. – pausa. E então seu olhar encontra o meu. – Mas vejo que estava em boa companhia. Quem é ela?

—Detetive Kate Beckett. — resolvo responder, estendendo a mão para ela, com um pequeno sorriso nos lábios.

—Oh. — ela parece surpresa ao aceitar o meu cumprimento, retribuindo o sorriso. — Kate Beckett? — começa a alterar o olhar entre mim e o Castle. — Aquela Kate Beckett?

Pisco algumas vezes, sem entender.

—Você me conhece? – pergunto.

—Escreveu uma história junto com o Rick, não foi?

Ergo uma sobrancelha. Então ela sabe sobre mim? Quando respondo, meus olhos estão fixos nele.

—Sim. — faço uma pausa. — Mas cheguei à conclusão de que não fizemos um bom trabalho, porque ele decidiu não publicar. — completo, rezando para que ele perceba que esse não era o tom ou as palavras que eu realmente queria usar. Quero dizer, eu sei que o que escrevemos não foi apenas uma história, mas não posso deixar transparecer nada até ter certeza do que ela sabe.

—Está brincando? Aquilo ficou ótimo. Mas o Rick vive dizendo que está esperando pelo "momento certo" para publicar.

—Espero que esse momento chegue algum dia, então. — sorrio. E só então, volto a olhar para ela. — Fico feliz em saber que você aprovou, Gina.

—Oh, então você também me conhece?

—É claro! Não querendo parecer uma fangirl aqui, mas o Castle é um dos meus escritores preferidos, então, sim, eu sei uma coisa ou duas sobre a editora dele. Namorada, me desculpe. — completo.

—Interessante. Ele nunca me contou isso. Como vocês se conheceram? — apesar do seu tom, posso notar algo nas entrelinhas.

—Ham... — começo a tentar elaborar uma resposta, mas o Castle me interrompe.

—Na verdade, é uma longa história. Kate agora é a responsável por aquele assassinato que eu testemunhei. Foi uma surpresa para ambos. — faz uma pequena pausa. — Eu só estava aqui ajudando.

—Soa como uma daquelas boas coincidências. — ela diz, dando um pequeno sorriso antes de completar. — Podemos ir embora agora?

Como seus olhos estão grudados no Castle, não sei se está me pedindo permissão, ou questionando se ele quer ir embora. Nossos olhares se encontram, e ele parece estudar as duas opções.

—Na verdade, estávamos indo analisar mais uma pista...

—Esquece isso, Castle. — interrompo, ao ver a expressão da mulher à minha frente. — Não precisa me acompanhar, é o meu trabalho.

—Certeza?

—Claro. Gina, essa é a sua primeira vez em Londres? — olho para ela, que faz um movimento afirmativo com a cabeça. — Mais um motivo para saírem daqui a agora e curtir a cidade. — vejo o Castle abrir a boca para dizer algo, mas me adianto. — Vou ficar bem.

—Ok. Até mais, então.

—Foi um prazer te conhecer, detetive. — Gina diz, lançando-me um sorriso, enquanto começam a se afastar de mãos dadas.

—Igualmente. — respondo, observando-os.

Respiro fundo, pensando em tudo o que aconteceu nesse pequeno intervalo de tempo. Gina não me pareceu uma má pessoa. Pelo contrário, até. Ele está bem com ela, e ela claramente está ótima com ele. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não senti uma pontinha de desconforto parada na frente dos dois. Sei que não tenho o direito de julgar ou algo do tipo, mas se algum dia cheguei a ponderar que vê-los como um casal seria fácil, estava enganada.

Começo a caminhar em direção à saída, lembrando-me do que eu preciso fazer. Entro no carro, dou a partida. E tento esquecer que ele poderia estar aqui comigo, ocupando o banco do passageiro. Tento não visualizá-los juntos. Mantenho o foco.

*

Chego em meu apartamento por volta das 19h, e vou direto para o quarto em busca do meu notebook, para o caso de ser necessária alguma pesquisa. Levo-o comigo até a cozinha, colocando-o sobre a mesa enquanto tiro alguns minutos para preparar um pouco de café. Já com a xícara em mãos, e escorada na bancada, deixo meus pensamentos divagarem, mal acreditando que tudo isso possa estar acontecendo agora. Quero dizer, literalmente, quais seriam as possibilidades? Castle e eu nos reencontrando nessa situação?

Deixo-me voltar ao nosso momento no elevador, suas palavras, sua mão tocando o meu rosto, aquele abraço, e então... ele iria mesmo fazer algo ali? Ou talvez eu tenha interpretado errado. Foi incrível como depois de tudo, ele ainda conseguiu me acalmar, apesar de que — e aí vem a ironia — meu coração parecia estar querendo saltar do meu peito. Por todo esse tempo, pensei que ter que conversar com ele novamente seria complicado. Mas muito pelo contrário, foi algo que me aliviou. Aliviou ter a certeza de que, apesar dos pesares, nada ficou mal entendido, nenhum rancor foi guardado. Aliviou sentir que aquela conexão entre nós não morreu.

E então, veio a Gina. Ainda não saiu da minha cabeça o fato de ela saber quem eu sou. Como isso aconteceu? Porque realmente não consigo imaginar o Castle contando tudo para ela. E se ele o tivesse feito, ela não teria parecido tão amigável comigo. Faço uma nota mental de tocar no assunto com ele. Isso se chegarmos a nos ver novamente aqui.

Escuto a porta se abrindo, fazendo-me interromper meus pensamentos. Assim que a Lanie me vê, sozinha e com uma expressão de quem claramente estava bem distante, franze a testa.

—Onde está o Castle? – pergunta. O que, na mente dela, funciona como um “você está bem?”, nessa situação.

—Com a namorada dele. – respondo, bebendo um último gole de café, antes de me desencostar da bancada. Indo até a pia, agradeço por não ter que fazer contato visual, enquanto continuo. – Ela apareceu procurando por ele, e depois foram embora juntos.

—Isso é ótimo. – ela diz, fazendo-me encará-la.

—O quê? – começo a andar em sua direção. Percebo que ela me observa atentamente.

—Isso é ótimo, porque agora posso tirar todas as minhas dúvidas com você.

E então eu entendo.

—Lanie... – inicio o que seria um pedido para que a gente converse sobre isso depois, mas sou interrompida por batidas na porta.

—Está esperando alguém? – ela ergue uma sobrancelha.

—Não. – respiro fundo, já caminhando até lá. Abro a porta com certa urgência, pronta para dispensar rapidamente quem quer que fosse. Mas ao ver o Castle parado em minha frente, só consigo dizer uma coisa. E, felizmente, o meu tom não soa agressivo. – O que você está fazendo aqui?

Ele aponta para uma das mãos, mostrando-me o livro em que há não muito tempo atrás, eu o pedi que escrevesse uma dedicatória para a Lanie.

—Você esqueceu isso no meu carro. – diz, entregando-o para mim.

—Obrigada, eu acho. – digo, ainda sem entender o que ele está fazendo aqui. Ou como ele chegou aqui. – Não precisava ter se preocupado. Divirta-se. – completo, já me preparando para fechar a porta.

—Na verdade – ele dá um passo para frente. –, o convite para que eu te ajude ainda está de pé?

Por algum motivo, sorrio.

—Castle, não é aqui que você deve estar agora. A Gina não precisa de mais motivos para achar que eu e você... temos algo.

—Mas ela...

—Soube disfarçar. – o interrompo, completando com o meu pensamento. – Não pode simplesmente deixá-la.

—E eu não fiz isso. Ela encontrou alguns conhecidos, está com eles agora mesmo, em uma lanchonete próxima daqui. Não precisa de mim lá. Mas posso ser útil aqui. – faz uma pausa. – Ela sabe onde estou.

Com um suspiro, dou espaço para que ele entre.

—Por que você está fazendo isso? – pergunto, ao me virar. Nossos olhares se encontram.

—Além de eu realmente querer ajudar? Tecnicamente ainda estamos tomando café juntos. Eu não queria ser o responsável por interromper isso.

Apenas passo por ele, com um olhar que transmite a mensagem “estou falando sério”. Sei que está me seguindo. Assim que chegamos à cozinha, vou dizendo:

—Castle está aqui.

Lanie, que até então estava com a cabeça mergulhada dentro da geladeira, certamente procurando algo para comer, fecha a porta instantaneamente, alternando o olhar entre nós dois, até parar nele.

—Como ele chegou aqui?

—Obrigada por perguntar em voz alta. – digo, enquanto coloco o livro sobre a mesa.

—Eu segui você. – ele responde, olhando para ela.

—Você o quê? – sou eu quem pergunta, simultaneamente montando uma linha do tempo em minha mente onde isso seja possível.

—Eu te disse que estava em uma lanchonete próxima. Vi quando ela passou, lembrei que precisava te entregar o livro, e a segui.

—Que livro? – Lanie parece confusa.

—Seu livro. – ele rebate, fazendo-a franzir a testa.

—Eu comprei e pedi que ele dedicasse a você. – esclareço as coisas. – Achei que fosse gostar.

—E você estava muito certa. – ela se aproxima para segurar o livro com as próprias mãos, toda contente. Ficamos em silêncio enquanto ela lê o que está escrito. Deixa uma risada escapar no final, para só então levantar o olhar. – Obrigada por isso.

—Não foi nada. – ele sorri. – Então, vocês descobriram algo a mais sobre o caso?

—Não, na verdade iríamos começar agora. – respondo. – E eu ainda acho que você não deveria estar aqui. – faço uma pausa. – Mas, como sei que não irá embora até encontramos uma solução, ou mais perguntas sem respostas... Aceita alguma coisa? Café? Suco? Ou algo mais forte?

Começo a andar em direção à bancada, enquanto espero por sua resposta. Mesmo que ele não queira nada, tenho certeza de que eu irei precisar de mais uma boa dose de cafeína.

—Café é uma boa opção.

—Ok. Lanie?

—Eu passo. – responde.

Apenas faço um movimento afirmativo com a cabeça, enquanto sirvo as duas xícaras. Ao voltar para perto do Castle, estendo uma delas em sua direção, vendo-o pegá-la prontamente.

—Obrigado. – diz baixo, respirando fundo em seguida.

Isso me faz encará-lo com mais atenção. Noto que sua expressão mudou totalmente. Encostando levemente em seu braço, pergunto:

—Você está bem?

—Yeah, só estava pensando.

—Pensando...? — tento fazer com que ele continue.

—Vocês acham que se eu não tivesse aparecido, gritado para que aquele homem a soltasse, Laura ainda estaria viva? — deixa as palavras saírem, e posso perceber que essa pergunta vem o atormentando.

—O que te faz achar isso? — Lanie questiona, enquanto se senta à mesa. Repito a ação, e indico para que ele faça o mesmo, de modo que acabamos ficando um de frente para o outro.

—Bem, há minutos atrás estávamos considerando a ideia de que ela poderia estar guardando informações importantes. O que consequentemente nos leva a crer que, se isso for verdade, o assassino usou a agressão como forma de chantagem. — faz uma pausa. — E se ela não chegou a dizer, somente porque eu "interrompi"? E se ele fosse deixá-la viver se eu não estivesse no lugar errado, na hora errada?

—Então, basicamente, você está dizendo que ele só a matou porque entrou em “desespero” ao te ver lá?

—Basicamente.

Ela franze a testa.

—Não deveria ser ao contrário? Ele não deveria temer o fato de existir uma testemunha ocular e deixá-la viva por isso?

—Isso é loucura. — resolvo dizer. — Ele a teria matado de qualquer forma.

—Não era o que parecia até eu chegar lá. — Castle insiste.

—Exatamente. — minha voz sai um pouco mais alta do que eu pretendia, criando o efeito errado. — Quero dizer, Collins poderia até ter prolongado a chantagem se você não aparecesse, mas ele planejava matá-la de todo jeito. Caso contrário, me expliquem o porquê de ele estar carregando uma substância altamente tóxica no bolso.

—Então ele se chama Collins, certo? O assassino? É a segunda vez que você se refere a ele por esse nome.

—Malcolm Collins, sim. É o nosso único suspeito, e com boas razões. Mas apesar disso, não temos certeza. — respondo, sob o olhar atento da Lanie. Ambas sabemos que esse tipo de informação não pode ser simplesmente dado assim.

—Mas o que vocês têm é o suficiente para interrogá-lo?

—Quando o encontrarmos.

—E por que o seu tom me indica que não está tão otimista quanto a isso?

Mordo os lábios.

—É complicado. — faço uma pequena pausa. — Olha, Rick, eu sei que só está tentando ajudar, mas ainda assim, não posso jogar todas as informações da polícia sobre você.

—Mas ninguém vai ficar sabendo.

—Esse não é o ponto. E não era disso que estávamos falando. — respiro fundo. — Você não estava no lugar errado, na hora errada, tudo bem? Você fez com que o sofrimento dela durasse menos. Não há motivos para se culpar.

—Ela está certa. — Lanie concorda, lançando a ele um olhar compreensivo. — Se não fosse por você, poderíamos nem ficar sabendo que houve um assassinato.

—Acha que iriam apenas sumir com o corpo?

—Acho que dariam um jeito. — ela deixa os olhos pousarem sobre mim. — Podemos começar a considerar o fato de que a mulher mencionada naquele papel é você, Kate?

—Que papel? — Castle pergunta, fazendo-me fechar os olhos por alguns segundos.

—Ele não sabe? — seu tom demonstra surpresa. Uma surpresa do tipo “pensei que vocês fossem amiguinhos. Por que ele não sabe disso?”.

—Não. — respondo, e então direciono meu olhar para ele. — Lanie encontrou esse papel em uma das mãos da Laura enquanto analisava o corpo. Contém o endereço de uma cafeteria e uma mensagem que dá a entender que ela estava aqui procurando por alguém.

—E com "por alguém", ela quer dizer “por mim”. — ela adiciona.

Vejo-o franzir a testa.

—Não estou entendendo. — diz. — O que te faz pensar isso?

—Certamente não o fato de que elas eram praticamente da mesma família há alguns anos. — Lanie responde, ao notar no tom de voz dele a insinuação de que ela só chegou a essa conclusão porque costumávamos ser nora e sogra. — O endereço não é de uma cafeteira qualquer; Kate tem o hábito de ir até lá quase todos os dias. E também há aquela história com os DiLaurentis.

—Lanie... — intensifico o meu olhar.

—O quê?

—Que história? — Castle pergunta, alternando o olhar entre nós duas.

—Oh. — ela deixa o corpo se apoiar no encosto da cadeira. — Ele também não sabe sobre...?

—Não.

—Ok. — é tudo o que diz.

—Lanie, eu sei o que você está pensando...

—Só estou confusa. Não tenho certeza se sei exatamente o porquê de ele estar aqui. — desvia o olhar rapidamente para o Castle, antes de voltar a me encarar. — Como podemos desvendar isso juntos, se uma "parte da equipe" não faz a menor ideia do que estamos falando?

—Castle está aqui porque eu confio nele.

—É, você já disse isso.

—E porque ele estava lá, e porque ele pode ajudar.

—E isso. — faz uma pausa. — Você está escondendo algo de mim. Há algumas horas vocês eram apenas a fã e o escritor. E então, a policial e a testemunha. Quer esclarecer para mim o que vocês são agora?

—Ok. — digo, soltando a respiração. Mentir seria estupidez. Deixo meu olhar encontrar o do Castle, sustentando por alguns segundos. Não consigo ler sua expressão, mas ele não parece ser contra qualquer coisa que eu vá dizer, então deixo as palavras saírem. — Nós nos conhecemos em Manhattan. Somos... velhos amigos.

—Amigos? — ela questiona.

—Sim. Amigos. — uso uma entonação que espero ser o suficiente para que ela entenda o que eu quis dizer, e que nenhum detalhe será dado na presença dele. — Infelizmente ou não, nos reencontramos nessa situação. E você está certa, Castle precisa saber de toda “aquela história” com os DiLaurentis.

—Então você simplesmente irá contar?

—Não me sentir bem para compartilhar isso com ele, é uma opção com a qual não preciso me preocupar. — quando respondo, tenho os meus olhos presos nos dele novamente. E então, começo a narrar tudo o que aconteceu. Desde as minhas brigas com o Michael até a despedida da Laura. Ao terminar, completo. — Também acha que ela estava aqui por minha causa?

Ele tira alguns segundos para processar tudo o que ouviu.

—Eu vou precisar dar uma olhada no tal papel que encontraram com ela para poder responder a isso. – diz, por fim. Apenas faço um sinal afirmativo e me levanto para procurá-lo em meu quarto. Mesmo distante, consigo escutá-lo conversar com a Lanie. – Aqueles homens pareciam querer controlar a vida dela.

Foi o que eu disse. – ela responde. – Mas Kate não parece achar possível o que está acontecendo agora, ter relação com o que aconteceu no passado.

Eu não a culpo, seria loucura.

É. Mas é uma possibilidade. – pausa. – Então vocês dois... eram um casal? – ouvir essa pergunta me faz xingar a mim mesma por não fazer a menor ideia de onde larguei aquele maldito papel.

Algo como isso.

Me desculpe. É só que ela nunca falou de você. Quero dizer, do lado “não escritor de você”. Eu estou bastante... surpresa.

Nesse ponto, prestes a virar no corredor e interromper a conversa dos dois, paro para escutar sua resposta.

Ela irá conversar com você quando se sentir pronta. Kate é uma pessoa de tempo.

Acho que entendo o que isso quer dizer.

E só então apareço, dizendo:

—Acho que deixei ele cair no carro. – e vendo as duas expressões confusas à minha frente, completo. – O papel. Estou indo lá embaixo procurar.

—Precisa de ajuda? – Castle pergunta.

—Não, obrigada. – dou um pequeno sorriso. – Lanie, pode vir até aqui, por favor?

Com uma das sobrancelhas erguida, ela se aproxima de mim. Seguro gentilmente em seu braço, obrigando-a a fazer o caminho até a porta comigo.

—Nos poucos minutos em que eu não estiver aqui, tente não fazer perguntas sobre o que eu e ele tivemos, ok? – digo. – É um assunto difícil.

—Me desculpe, eu não sabia que você estava escutando.

—É, bem, Castle está certo. Eu sou uma pessoa de tempo.

—Ok.

—Ok.

Alguns minutos depois, reapareço na cozinha e entrego o papel nas mãos dele.

—Aqui está. – digo, antes de me sentar novamente.

Rapidamente ele lê o que está escrito.

—Bem... – começa. – Isso pode significar muitas coisas. Mas claramente essa é a prova de que alguém não queria que ela encontrasse quem quer que seja que tenha vindo procurar.

—Então você não acha que pode ser a Kate? – Lanie pergunta.

—Eu acho que é possível. – seu olhar encontra o meu. Ameaço dizer alguma coisa, mas ele se adianta. – Você precisa admitir que é uma opção. As coisas entre vocês terminaram estranhas. Ela parecia saber de algo sobre o marido e o filho, e a última coisa que fez foi te pedir desculpas antes de ir embora. A cafeteria é um lugar que você costuma ir bastante. E se pararmos para pensar, ela teria motivos para querer conversar com você.

—Mas por que agora?

—Eu não sei. E também não acho saudável ficar se torturando com esse tipo de perguntas enquanto não tivermos certeza. Ela poderia estar aqui por sua causa, mas ao mesmo tempo por outras inúmeras razões.

—Então fazemos o quê? Nada? – Lanie pergunta.

—Podemos começar colocando de lado a ideia de que a Sra. DiLaurentis estava sendo chantageada. Kate estava certa, ela iria morrer de qualquer jeito. E a julgar pelo “tenha cuidado” escrito nesse papel, com toda certeza ela não deveria estar aqui naquela noite. Foi uma atitude de risco e desespero. – faz uma pausa. – Bateram nela por punição. Como se fosse um “eu avisei, e agora você vai pagar por ter tentado fazer isso”.

—Ok, mas ainda assim é possível que ela soubesse de algo importante, certo?

—Possível e bem provável. Mas nesse caso, não é algo que só ela sabia. Todos os envolvidos sabiam. Menos a mulher pela qual ela estava procurando.

—E seguindo a sua linha de pensamento, quem quer que tenha mandado matá-la queria se certificar de que a mulher continuasse sem saber.

—Exato.

—Ok. – resolvo interferir, começando a me sentir um pouco mal com tudo isso. – Acho que deveríamos parar agora.

—Por quê? – Lanie pergunta. – Não concorda com a gente?

—Não, tudo o que vocês disseram soa assustadoramente possível para mim. Mas esqueceram de que minutos antes estávamos considerando que “essa mulher que não sabe de nada” sou eu? – respiro fundo, passando as mãos nervosamente pelo cabelo. – Podemos esperar até amanhã? Iremos voltar à cena do crime, talvez encontremos algo que possa nos dar uma pista concreta.

E antes que eu possa receber qualquer resposta, o celular do Castle começa a tocar.

—Acho que eu preciso ir embora. – ele diz, após encarar a tela acesa e rejeitar a ligação, já se pondo de pé. Faço o mesmo. – E como essa é a última vez que verei vocês aqui... Tchau, Dra. Parish. – completa, olhando para ela. – Foi ótimo poder teorizar com você.

—Tchau, Sr. Castle. – sorri.

—Eu te acompanho até a porta. – digo, já me virando. Mas ainda assim consigo captar o olhar preocupado da minha amiga para mim.

—Você está bem? – Castle pergunta a um passo para fora do meu apartamento, encarando-me com uma serenidade que me faz querer olhar em seus olhos pelo máximo de tempo possível.

—Não. Preciso de tempo para tentar processar tudo isso. – faço uma pausa. – Mas essa é apenas a Kate falando. A Detetive Beckett está no mínimo com uma dor de cabeça. Ela é bem durona.

Ele sorri.

—Tenho certeza que é. – e então se aproxima para depositar um beijo em minha bochecha, fazendo um arrepio percorrer todo o meu corpo. – Você vai ficar bem. – se afasta. – Me mantém informado?

—Vou tentar.

Digo, e vejo-o começar a se afastar. Acompanho os seus passos até sumir pelo corredor, com uma pergunta martelando em minha mente. Uma pergunta cuja resposta eu não conseguiria dormir sem ouvir. Rápidos minutos se passam, mas não saio do lugar. Ainda dá tempo de ir atrás dele, só não sei se eu devo. Mordo os lábios, tamborilando os dedos na parede. E tomando minha decisão, fecho a porta atrás de mim, começando a andar apressadamente pelo corredor.