Always at your side

24 Entre razões e emoções


Notas iniciais
Oláaa pessoas!! Espero que todos estejam bem, e recuperados de tudo o que aconteceu no capítulo anterior nknsksnksn Aliás, muito obrigada por todos os comentários, é sempre bom e importante para mim saber o que vocês estão achando da história; e obrigada a todos que estão acompanhando também! Isso não estaria aqui se não fosse por vocês, certo? ♥ Dessa vez vamos ver o que aconteceu com cada um depois de 'seguirem seus próprios caminhos'. Então, vamos à leitura!

P.O.V. Castle

"Castle, me escuta. Eu não quero que você pense que eu quis te usar, que eu menti para você em algum momento sobre o meu sentimento, seja nos meus gestos ou nas minhas palavras. Eu quero que você saiba que o que eu sinto é verdadeiro, é forte e é uma das melhores coisas que eu já senti na vida, por causa de você. Se eu pudesse, ficaria aqui por você. Mas isso não é apenas sobre mim. Eu nunca quis te machucar. Eu só preciso que saiba disso."

A voz dela ecoa em minha mente por todo o caminho. Flashes de tudo o que acabou de acontecer começam a me atingir em cheio. O modo como ela parecia estar perdendo o chão sob seus pés quando começou a falar. As lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Seus lindos olhos perdendo o brilho que eu havia me acostumado a ver. Eu só queria poder segurá-la em meus braços, segurá-la bem forte e pedir que parasse de chorar porque estava sendo difícil vê-la daquele jeito. Tão vulnerável, tão... indefesa. Eu pude ver a urgência em seu olhar, o medo que ela tinha de que eu agisse exatamente como agi. Mas descobrir que ela está indo embora, não era nem de longe o que eu imaginava ouvir, e isso me afetou muito. Eu estava pronto para oficializar tudo entre a gente, pronto para abrir o meu coração e dizer tudo o que eu sinto por ela. Tudo o que ela despertou em mim, tudo o que ela me fez perceber. Eu estava pronto para enumerar todos os momentos que passamos juntos, cada simples momento, nos quais eu me apaixonei um pouco mais. A ideia de tê-la ao meu lado todos os dias, de poder abraçá-la sempre, entrelaçar nossos dedos, olhar em seus olhos, escutar sua voz e a sua risada, me maravilhar cada vez mais com o seu jeito de enxergar o mundo, estava começando a ganhar forma em meus pensamentos. E então, isso foi simplesmente tirado de mim quando eu pensei que iria se tornar mais forte. Eu podia ver uma mistura de desespero e tristeza em seus olhos a cada palavra que dizia, e aquilo estava me matando por dentro. Mas por outro lado, também tenho certeza de que ela podia ver a decepção estampada nos meus, a cada palavra que eu ouvia. A decepção que me fez dizer tudo o que eu disse, fingir ignorar as suas palavras, dar as costas a ela e vir embora. Eu não consegui acreditar — e ainda não consigo -, que ela preferiu esperar, a me contar toda a verdade antes. Foi como se um vazio enorme tivesse crescido dentro de mim novamente; o vazio que ela havia preenchido. E eu realmente não sei definir como me sinto em relação a isso. Quero dizer, deveria doer tanto assim?

Entro no loft com a intenção de ir diretamente para o meu escritório. Eu preciso pensar, e sempre consigo fazer isso lá. Minha cabeça está girando, os pensamentos não me deixam em paz, e não tenho vergonha de admitir que a vontade de chorar agora seja grande. Deixar tudo sair junto com as lágrimas. Dizem que alivia, e essa seria uma boa hora para saber se é verdade.

_Pai, você está bem? — escuto a Alexis dizer, mas sua voz está distante, e por alguma razão não me importo em responder.

Continuo o meu caminho, passando pela sala, e quando estou prestes a entrar no escritório e fechar a porta, vejo a mão de alguém me impedir de fazer isso.

_Richard, o que está acontecendo? — minha mãe diz, olhando-me com um ar preocupado.

_Nada.

_Você acabou de passar por mim e pela Alexis como se sequer existíssemos. Me ignorar, ok. Mas a sua filha? Você nunca fez isso. — ela intensifica o olhar sobre mim, me analisando. — Esteve chorando?

_Não. — faço uma pausa. — Mãe, eu estou bem. — dou as costas para ela, e continuo meu caminho para dentro do escritório, sentando-me no sofá. Ela vem atrás de mim e faz o mesmo.

_Ah, é? Então o que você está fazendo aqui, enquanto deveria estar pedindo a Katherine em namoro? — apenas olho para ela, ficando em silêncio. — Ah meu Deus, ela disse não?

_Na verdade, eu não cheguei a perguntar.

_Não?

_Não. E acho que isso nunca vai acontecer... — digo baixo, sentindo uma vontade enorme de poder mudar essa realidade.

Ela parece perceber o meu estado, pois segura a minha mão entre as suas.

_Oh, Kiddo... — respira fundo — Quer me contar o que realmente aconteceu?

_Eu...

_Ela contou a você que está indo para a Inglaterra, não foi pai? — Alexis aparece, escorando-se na porta.

Ambos olhamos para ela surpresos, cada um pelos seus próprios motivos.

_Inglaterra? — minha mãe pergunta, alternando o olhar entre nós dois.

_Você sabia? — digo, dirigindo-me à Alexis.

_Ela me contou na biblioteca um pouco antes de descobrir que eu era sua filha. Eu não disse nada a você porque, bem... — ela deixa a frase no ar. — Quando você nos contou que pretendia namorar com ela, tentei tocar no assunto, mas...

_Tudo bem. Você não tinha como adivinhar e, não importa quais tenham sido as circunstâncias, eu precisava ouvir isso dela.

_Você vai ficar bem? – ela pergunta baixo, e posso ver a preocupação em seu olhar.

Apenas olho para ela, não conseguindo dizer nada. Não é um assunto que eu queira a envolver, ou conversar sobre.

_Alexis, querida, você pode nos dar licença por um minuto? — minha mãe diz, e ela acena afirmativamente com a cabeça, saindo e fechando a porta em seguida. Respiro fundo, sabendo do interrogatório que virá a seguir. — Filho...

_Ela está indo embora, mãe. — me adianto, tentando me acostumar com o que essas palavras significam, ao mesmo tempo em que as escuto sair da minha boca. — É isso.

_Como assim indo embora?

_Ela... – engulo em seco. – precisa ir para a Inglaterra, estudar e se preparar para ser uma detetive, como sempre quis. Parece que ela recebeu uma proposta, e aceitou, porque é uma grande oportunidade.

_E isso é motivo para que vocês dois não estejam mais juntos agora porque...?

_Porque isso aconteceu antes de nos aproximarmos, e ela não se preocupou nem por um instante em me deixar saber. Mesmo vendo que eu estava me apaixonando, mesmo sabendo que... — paro de falar, e recomeço. — E porque ela está partindo em oito dias.

_Oito dias? — ela respira fundo, fazendo uma longa pausa. — Ela contou tudo hoje?

_Sim.

_Então... acabou?

Fico alguns segundos em silêncio.

_Não vejo como podemos continuar, não é? Eu não a odeio por estar indo embora, é só... é só que eu apenas sinto que somos tão bons juntos, entende? E é por isso que estou sentindo como se...

_O mundo desabasse sobre você?

_Bem próximo disso.

_Vai falar com ela novamente?

_Eu preciso. Por um lado porque ainda tenho que voltar à biblioteca, e por outro porque eu simplesmente preciso...

Ela respira fundo.

_Existe alguma chance de ela não fazer essa viagem, talvez continuar o que está fazendo por aqui?

_Eu acho que não.

_Alguma chance de... você ir para lá com ela? – ela busca o meu olhar de um jeito que eu não consigo desviar.

_Eu não posso. Quero dizer, não agora, não em oito dias. Eu também tenho uma carreira que não pretendo perder. Você sabe que eu preciso colocar tudo nos eixos agora, me estabilizar.

_E essa estabilização não iria vir do livro que você estava criando com a Katherine? – ela pergunta, e sei que não pensou muito na escolha das palavras. Meu olhar deve denunciar que eu não esperava/queria ouvir isso agora, porque ela rapidamente completa. – Me desculpe.

_Tudo bem. – dou um sorriso fraco. – Não é algo que eu vou poder ignorar, afinal.

_Você precisa de um momento sozinho?

_Sim, por favor. – vejo-a se levantar, aproximando-se para depositar um beijo em minha testa. – Você vai ficar bem.

_É... Só preciso pensar um pouco. Obrigado, mãe. – seguro a mão dela em sinal de agradecimento.

_Sempre.

Observo-a se afastar, e sair fechando a porta atrás de si. Deixo meu corpo relaxar no sofá, e fecho os olhos, tentando fazer com que pelo menos um segundo ela saia da minha mente. Começo a repassar a conversa que acabei de ter, o que acaba trazendo a memória do que a Kate disse para mim.

“Se eu pudesse, ficaria aqui por você. Mas isso não é apenas sobre mim.”

E então, o que eu disse para a minha mãe.

“Ela... precisa ir para a Inglaterra, estudar e se preparar para ser uma detetive, como sempre quis.”

Percebo que eu estava errado. Nem sempre ela quis ser uma detetive. Ela me disse isso quando fomos àquele supermercado. Me disse que tudo mudou quando ela completou 18 anos, e me lembro que naquele momento passou pela minha cabeça que ela também já havia me dito que seu pai morreu quando ela tinha essa mesma idade, quando fomos ao Bryant Park pela primeira vez.

“Mas isso não é apenas sobre mim.”

Então sobre quem poderia ser? Eu sei que existe algo que a impede de se entregar totalmente, de ser feliz totalmente. Eu percebi isso mesmo que em nenhum momento tenha falado com ela. Eu podia ver suas barreiras, seus medos, suas dúvidas, em meio ao brilho dos seus olhos, embora eu não tenha desvendado o porquê por trás disso. Mas estava lá. Ainda está. E por algum motivo, eu ansiava ajudá-la com isso de alguma forma. Afinal, o que a faz ser tão objetiva quanto a fazer parte da polícia? Logo ela que poderia ter tantas outras profissões, que confessou para mim que essa não foi a sua primeira opção? Algo aconteceu.

E seria isso sobre a morte de seu pai?

***

P.O.V Beckett

Ainda fico mais algum tempo no parque, sentada no banco em que estávamos, antes decidir chamar um táxi. Já dentro do carro, digo o endereço ao motorista, e resolvo ligar para a Maddie só para ter certeza de que ela ainda está no meu apartamento.

_Oi, Kate. – escuto-a dizer sem a mesma animação de sempre. Sinto as lágrimas voltarem aos meus olhos antes mesmo de ela perguntar algo. Devido ao meu silêncio, ela continua. – Kate, ainda está aí? Você está bem?

_Estou aqui, eu... – minha voz falha, e um soluço indesejado escapa pela minha garganta. Recebo um olhar desconfiado/preocupado do motorista pelo retrovisor, o que me faz virar o rosto para a janela instintivamente. Recomeço a falar, ainda mais baixo. – Você ainda está na minha casa?

_Sim, eu disse que te esperaria aqui. – ela diz, e já posso perceber a mudança de tom em sua voz.

_Ok, ótimo. Vou precisar da sua companhia agora.

_Você já está vindo para cá?

_Sim... estarei aí em poucos minutos.

_Ok.

_Ok.

Encerro a ligação, e encosto a cabeça no vidro da janela, segurando o choro apenas por não querer causar uma situação estranha. Fecho os olhos, deixando meus pensamentos me levarem para todas as suposições que sou capar de criar no momento: de que ele me odeia, de que eu posso estar cometendo um erro, e de que ele não vai querer me ver novamente, apesar do que disse antes de me dar as costas. E para falar a verdade, não sei se eu consigo encará-lo novamente. Ver aquele olhar estampado em seu rosto novamente é algo que eu não desejaria nunca. A decepção, a mágoa, a ausência do carinho e da admiração com que ele me olhava, e ao que eu já havia me acostumado.

E meu Deus, ele iria me pedir em namoro! Ele estava planejando dar esse passo comigo, provavelmente até pensando no quanto ele se importa, no que ele sente por mim, e em como ele queria que isso fosse recíproco, enquanto eu pensava em como dizer que estou indo embora. Eu não posso sequer imaginar o que isso causou nele, o quanto isso o afetou, e me sinto mal, muito mal por isso. Eu quebrei o coração dele e não sei se um dia ele vai se curar. Eu quebrei o coração no processo, e tenho certeza de que não irei me curar. Porque o que eu perdi hoje, é algo que nunca será substituído. Eu apenas sei disso.

Quando menos espero, escuto o motorista dizer que chegamos ao destino. Abro os olhos e consigo ver o meu prédio lá fora. Entrego o dinheiro à ele e desço, sem prestar muita atenção no caminho que já estou mais do que acostumada a percorrer, ainda presa em meus pensamentos. Abro a porta, e após dar poucos passos para o interior, consigo ver a Maddie escorada na bancada da cozinha, aparentemente preparando algo para comer. Assim que me vê, ela vem até mim, abraçando-me antes de dizer qualquer coisa. E isso é o suficiente para que eu deixe as lágrimas rolarem novamente.

_Ei... – ela sussurra, passando a mão levemente pelo meu cabelo, antes de me puxar para a sala e me fazer sentar ao seu lado no sofá. Tenta enxugar minhas lágrimas com uma das mãos antes de me dar outro abraço rápido. Nos afastamos o suficiente para que eu possa olhá-la nos olhos. Sinto meu peito subir e descer rapidamente, enquanto tento conter a vontade de chorar, e os soluços que já vinham com tanta facilidade.

_Não prenda isso dentro de você, Kate... – ela diz. – Deixe tudo sair, e a sensação de alívio virá depois.

Depois de alguns segundos, consigo dizer, em um tom de voz baixo, muito baixo:

_Eu não acho que o que eu estou sentindo possa aliviar de alguma forma.

_Ele reagiu tão mal assim?

Desvio o olhar, balançando a cabeça.

_Eu não sei, eu... não consigo julgar a reação dele agora. – respiro fundo, voltando a olhar para ela. – Quanto mais tempo passávamos juntos, mais eu tinha certeza do que ele pretendia fazer. Eu não podia deixar, e... quando contei tudo, ele admitiu para mim.

_Admitiu que ele iria...

_Sim. – a interrompo, sabendo qual seria a sua pergunta. – Ele disse que estava pronto para fazer isso, que eu o fiz se sentir pronto... E eu simplesmente destruí tudo. Ele provavelmente está me odiando agora.

_O que ele disse sobre você estar indo embora?

_Nada, ele... apenas quis entender toda a história, me ignorou completamente quando tentei convencê-lo de que apesar de tudo o meu sentimento é real, perguntou em quantos dias estou partindo e simplesmente... me deu as costas. – ela me lança um olhar que pode ser considerado de tristeza e pena. Respiro fundo. – Eu não posso culpá-lo, afinal.

_Acha que ele vai querer ter outra conversa com você? Quero dizer, ele foi pego de surpresa, provavelmente agiu por impulso. Talvez queira conversar com mais calma...

_ “Parece que as coisas entre nós agora vão ser apenas profissionais”, foi o que ouvi dele. Ele disse que não me odeia, deu a entender que ainda podemos nos falar, mas eu não acredito nisso. Eu sei que eu o magoei, eu vi em seus olhos...

Ela busca o meu olhar, tentando me confortar.

_Talvez ele não seja do tipo que guarde mágoas de alguém.

Dou uma risada fraca, desviando o olhar.

_Mas não é apenas isso, você sabe. Ele queria que eu passasse a fazer parte da vida dele. E quanto mais eu penso nisso... – paro de falar.

_Kate...

_O que foi que eu fiz, Maddie? Por que está doendo tanto?

Ela abre a boca para dizer algo, mas é interrompida por leves batidas na porta. Meu coração dispara e olho para ela assustada, com uma expressão interrogativa. Ela apenas balança a cabeça negativamente, como se respondendo à pergunta que eu não me atrevi a fazer.

_É a sua mãe. – ela diz, completando baixo. – Provavelmente.

_Minha mãe? Por que ela viria aqui?

_Porque eu a chamei. – vejo-a se levantar, preparando-se para ir até a porta. – Eu só pensei que... você gostaria de conversar com ela, e ela gostaria de conversar com você também.

_Obrigada. – é tudo o que digo.

Fecho os olhos com força, respirando fundo, para me acalmar um pouco. Segundos depois, vejo minha mãe aparecer na sala junto à Maddie. Levanto-me, e ela vem até mim, dando-me um abraço apertado e demorado.

_Oi. – digo baixo.

_Oi. – ela sussurra de volta.

_Eu vou... deixar vocês a sós. – escuto a Maddie dizer.

Afasto-me da minha mãe o suficiente para olhar para ela.

_Você está indo embora?

_É...sim. – ela faz uma carinha triste. – Poucos minutos depois que encerramos nossa conversa pelo telefone, recebi uma ligação do meu pai. Ele disse que eu preciso resolver algumas coisas sobre o meu ‘novo lar’ em D.C. ainda hoje, e o mais rápido possível porque “o meu atraso consequentemente o atrasa também”. – posso perceber que ela contém um pouco a animação ao falar disso. Dou um pequeno suspiro, seguido de um “ah”. – Mas – ela completa, alternando o olhar entre mim e a minha mãe. – posso ficar mais um pouco se você quiser.

_Não, tá tudo bem, Maddie. Se você perder a chance de se mudar para esse apartamento porque eu te mantive aqui, eu nunca vou me perdoar. É do seu sonho que estamos falando. – dou um pequeno sorriso. – Além do mais, você trouxe a minha mãe até aqui. – me aconchego mais a ela. – Muito obrigada mesmo.

Ela vem até mim para dar um beijo em minha bochecha, e um abraço rápido.

_Eu te ligo mais tarde. – sussurra. – Prometo. – e num tom de voz mais alto, completa. – Até mais, Johanna.

_Até, querida. E boa sorte. – minha mãe diz, lançando-lhe um pequeno sorriso.

Vemos ela sair, e tudo que escuto depois é a porta bater. Volto a me sentar, dessa vez com a minha mãe ao meu lado, e um silêncio se instala entre a gente, enquanto ficamos apenas nos encarando: eu tentando achar um meio de começar a falar sem que um nó se forme em minha garganta e as lágrimas me interrompam, e ela me dando esse tempo, respeitando; tentando me acalmar apenas com o olhar. Agradeço-a mentalmente por isso. E alguns minutos depois, começo:

_O quanto a Maddie te disse pelo telefone? – pergunto, observando as nossas mãos entrelaçadas.

_Não muito. Ela apenas disse que você tinha tomado a decisão certa, que estava voltando pra casa, e... seria bom eu estar aqui.

_Ok. – digo, balançando a cabeça antes de levantar o olhar para ela. – Então... hum, sim, eu contei tudo para o Castle hoje.

_Como ele reagiu?

_Como o esperado... – deixo a frase no ar, e sei que ela entende o que eu quis dizer. Respiro fundo antes de continuar. — Ele... planejava me pedir em namoro hoje, mãe.

Vejo uma pontada de surpresa em seu olhar.

_Como é?

_Eu sei, ainda estou tentando processar isso também. Você consegue imaginar o quanto isso deve estar o destruindo agora? Porque toda vez que faço isso sinto como se... – paro de falar, voltando a olhar para baixo. – Acho que não importa mais, não é?

_Como você descobriu? Quero dizer, que ele pretendia...

_Por causa de tudo o que ele fez, todo aquele enigma, e o local para onde ele me levou. Eu percebi que ele tinha planejado tudo do início ao fim, não tinha como aquilo ser apenas um encontro. E eu não poderia deixá-lo continuar, então apenas o impedi. — engulo em seco, sentindo os olhos arderem. Minha voz falha quando continuo. – Pedi que ele me levasse ao Bryant Park e...

_Bryant Park? – ela me interrompe, e sei exatamente o que está pensando.

_Você sabe que eu sempre me sinto mais confiante quando estou lá, algo naquele lugar simplesmente me acalma, e ao mesmo tempo me dá forças... E foi lá que eu consegui colocar toda a verdade para fora. Em meio às minhas lágrimas, e o olhar decepcionado dele sobre mim, ele acabou confirmando o que eu já sabia: ele estava pronto para oficializar a relação que tínhamos criado.

_Meu Deus, eu nunca iria imaginar que... – ela para de falar, parecendo pensar um pouco antes de recomeçar. – Você pretende procurá-lo de novo? Talvez deixar claro seus sentimentos, motivos...

_Oh, eu fiz isso. E ele não pareceu ligar muito.

Ela me olha como se não acreditasse no que acabei de dizer.

_Castle não me parece ser o tipo de homem que vê a mulher por quem claramente nutre sentimentos fortes chorando e abrindo seu coração em sua frente – apesar de ser uma situação... complicada –, e simplesmente “não liga muito”.

Diga isso às pessoas que viram ele simplesmente me dar as costas minutos depois, tenho vontade de dizer, mas sei que não tenho o direito de me atrever a pensar assim.

_Ele pode ter ido embora sem dizer nada sobre isso... – ela continua, como se lesse os meus pensamentos. – Mas acredite, se ele viu sinceridade nas suas palavras, isso teve efeito sobre ele. Além do mais, você realmente disse a ele o motivo de isso estar acontecendo, de vocês terem que se separar assim?

Ela me pega de surpresa. Eu não pensei em contar ao Castle sobre o meu pai, e nem sei se conseguiria.

_Mãe...

_Disse? — ela interrompe o que seria alguma explicação que ela não está muito interessada em ouvir. Sua intenção é outra, e ela vai chegar lá.

_Não. Eu disse que isso não é apenas sobre mim. — respondo.

Vejo-a respirar fundo, intensificando o olhar, antes de perguntar:

_Então você vai realmente abrir mão da relação de vocês? Que, eu sei e você também sabe, poderia dar muito certo?

_Como se eu tivesse outra opção. — digo mais baixo.

_E você não tem?

_Mãe, eu não posso desistir agora. Você sabe disso.

_Eu sei, e juro para você que faço o meu melhor para tentar entender. Mas, Kate, por que você não consegue deixar essa história para trás? Já faz anos que tudo aconteceu. Por que você não tenta viver um pouco, não tenta se libertar disso, como eu fiz?

_Como você pode me perguntar isso? Mãe, eu estava lá. – seguro a mão dela um pouco mais forte, trazendo-a até a região da minha barriga onde guardo aquela cicatriz, fazendo-a senti-la. — Eles fizeram isso comigo. Me feriram, me usaram como chantagem para tirar algum tipo de informação do meu pai, e mataram ele na minha frente.– sinto as lágrimas voltarem com força, e não as impeço de rolar. À medida que falo, vejo a expressão dela mudar, quase implorando com o olhar para que eu pare de falar. — Então não, eu não vou tentar viver um pouco e aceitar o que eles colocaram no relatório do caso. Eu sei que você conseguiu seguir em frente, mas, não quer mesmo saber o porquê de isso ter acontecido com a gente?

Ela apenas balança a cabeça.

_Não se segue em frente depois de algo assim acontecer na sua vida, Kate. E não é questão de querer ou não saber o porquê. Escuto você falar como se de alguma forma eu não me importasse tanto com o que houve. – sua voz falha, e percebo que mesmo não sendo minha intenção, minhas palavras causaram um impacto diferente nela. — Você estava lá com ele. E eu estava aqui, esperando vocês para um jantar que nunca apareceram. Eu estava aqui todos os dias que se seguiram, chorando, passando noites em claro, imaginando todas as coisas horríveis que a mente de uma mãe e esposa desesperada é capaz de imaginar. Com medo de que a polícia não os encontrasse vivos. Eu quase perdi vocês dois. Você não sabe o quanto tive medo de não te ver acordar naquele hospital...

Ela faz uma longa pausa, e durante esse tempo eu não consigo dizer nada. Ela nunca havia falado essas coisas comigo, sobre como ela de sentiu, sobre o que ela passou. Sinto meu coração afundar ainda mais, só de pensar em seu sofrimento. Eu me lembro de que ela não lidou muito bem com tudo isso no começo, mas meu estado não era o dos melhores para poder ajudá-la. Foram momentos difíceis, e eu prefiro não trazê-los à memória.

_E então você acordou... — ela continua, dando um sorriso fraco, e vejo lágrimas brotarem em seus olhos. — E acho que ter você comigo, foi motivo o bastante para que depois de sofrer muito por isso, eu tentasse viver. Eu aprendi a aceitar que eles não vão descobrir quem fez todas essas coisas horríveis a vocês. E eu tenho medo de que se você desenterrar essa história, algo ruim possa te acontecer.

Então era isso. Ela está com medo por mim.

_Mãe... — me aproximo mais dela, segurando seu rosto entre as mãos. — Nada vai acontecer comigo, ok? — e então lhe dou um abraço apertado, tentando passar a mensagem de que tudo o que ela disse teve efeito em mim, e essa sou eu tentando confortá-la e dizer que a entendo. Em seguida me afasto, enxugando minhas lágrimas. — Eu preciso que acredite em mim, que confie em mim. É isso o que eu quero fazer.

Ela dá uma risada fraca, desviando o olhar.

_Você deve estar me achando uma boba por dizer tudo isso agora. Mas é que ao mesmo tempo em que eu sei que ir para a Inglaterra é motivo de felicidade para você, não quero jogue aquele outro tipo de felicidade fora, entende? – diz, e posso sentir que em algum momento Castle vai voltar a fazer parte dessa conversa.

_Você acha que eu estou fazendo isso agora? – faço à ela a pergunta que venho me fazendo repetidamente.

_Eu não posso dizer. O que importa agora é o que você acha. E então?

_Acho que também não posso dizer. – digo, soltando a respiração junto com as palavras. – Acho que... no momento, o que eu realmente sei é que quero fazer valer a pena a chance que me foi dada. Me tornar o que eu quero ser.

_Você tem certeza, filha? – ela pergunta, e é como se tivesse um pedido de desculpa implícito junto com as palavras, por de certa forma estar me questionando de novo. Mas por mais que ela pense que sim, não me incomodo. Ela é minha mãe. Se não se preocupasse comigo, aí sim, teríamos um problema.

Apenas a encaro por alguns segundos, antes de me levantar e ir até o meu quarto. Pego o meu notebook e o levo até a bancada da cozinha, colocando-o sobre ela.

_O que você está fazendo? – ela pergunta confusa, vindo em minha direção. Digito algumas coisas rapidamente, e então viro a tela para ela. – O que é isso?

_Isso sou eu, dizendo para você que sim, eu tenho certeza. Acabei de mandar um email para o Diretor Fray. A minha "carta" de aceitação. — respiro fundo, quase sentindo alívio por finalmente ter feito isso. — Agora é definitivo.

Uma pontada de surpresa passa pelo seu olhar.

_E quanto ao Castle? — ela pergunta, depois de algum tempo, como se esperasse que eu fosse falar com ele de novo antes de fazer isso.

Nossos olhares se encontram, e deixo meus pensamentos divagarem por alguns minutos. Talvez eu tenha feito isso por impulso, para mostrar a mim mesma que essa é a minha realidade agora. Mas não é como se ter outra conversa com ele fosse mudar o que eu fiz, fazê-lo esquecer disso, ou me impedir de ir embora. No fim, não temos mesmo como ficar juntos agora.

Dou um pequeno sorriso, por ter pensado na palavra “agora”, como se algum dia isso fosse acontecer. Sinto uma única lágrima descer pelo meu rosto, e acabo por não conseguir respondê-la.