Os ossos estalavam minha alma

Ah! sangue abençoado e desalmado!...

Uma noite com ela nos braços,

minha boca solta uma respiração moribunda, ela,

falecida agora acorda,

beija meu espírito, o sangue flui dos nossos

lábios,

noite fantasmagórica, nós, entre luxo e poeiras,

o século acaba, agita suas asas,

um mundo perpétuo nossas almas,

a escuridão contempla a valsa, sombras,

lentidão nossos corpos,

a noite um canto negro de anjos...

Assombro, o castelo falecido,

silêncio sem passos,

gelo nas nossas veias, chamas de um

êxtase mortuário,

ela se esconde dos vivos, os vivos jamais a olharam,

eu abrilhanto seu mofo,

ela fulgura seu éter,

o mundo não está aos nossos pés,

a solidão rumina,

o sangue pende das nossas bocas,

nos salvamos iguais enquanto a vida desmaia,

estamos repletos e imortais,

a morte entre nós mexe o ar,

nossas vidas se contemplam,

respiramos, todos os túmulos se abriram pra

nos ver derretidos,

o sol jamais nascerá de novo,

sugamos nossas almas enquanto nossos

corpos dormem nos túmulos de outrora, isso

é uma aurora vampiresca e tragicamente ausente

de sol, nossa hora é noturna,

os violinos do céu são os únicos que nos escutam sem

uivos ou murmúrios bestiais, incrédulos da luxúria assexuada.

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