Always - HIATUS

2 Flores Desabrochando e Beijos Inocentes


- Me conta de novo. Como é Hogwarts? – Perguntou Lily. Ela e Severus estavam deitados na grama verde, debaixo da sombra da árvore de carvalho solitária onde eles costumavam se encontrar para conversar e brincar. O garoto sorriu diante da pergunta.

- O primeiro de tudo: Lá é muito grande. É um castelo, sabe? E minha mãe disse que fica na encosta de uma montanha. E tem um lago enorme com um lula gigante! Mas não precisa se preocupar porque ela é boazinha. – Disse, virando seu olhar para Lily. – E tem também uma floresta, mas lá você não pode entrar, porque é perigoso. E lá dentro também é enorme, com muitas salas e os dormitórios. E, a parte que você mais vai gostar... – Disse ele, fazendo um suspense no final. Lily olhou interessada. — ... Uma enorme biblioteca, tão grande que você não conseguiria ler todos os livros dela nem que quisesse.

Os olhos da ruiva brilharam. Ela, assim como Severus, adorava livros, gostava de se perder nas palavras e deixar a imaginação voar. Ela já tinha dito ao amigo que quando tivesse sua casa faria uma enorme biblioteca com poltronas vermelhas, para passar suas tardes livres.

- Sério? – Perguntou sorrindo. – Ah, Sev, Hogwarts parece tão encantadora! Espero que eu seja mesmo uma bruxa para ir para lá. – Disse. Lily chamava Severus de Sev desde que se conheciam: Segundo a garota, Severus era um nome muito sério para uma criança. O garoto tinha estranhado muito: Nunca tivera um amigo ou uma amiga, ainda mais um que lhe colocasse apelidos! Nem sua mãe o chamava diferente do habitual “Severus”. No entanto, ele tinha de admitir, ainda que internamente, que gostava.

- Você é sim, Lily. – Disse ele, baixinho, pegando uma das flores brancas que Lily havia feito florescer e colocando atrás de sua orelha. Ela sorriu.

Fazia mais ou menos um ano que os dois tinham se conhecido, naquele bonito dia de verão. Agora ambos tinham 11 anos e estavam cada vez mais ansiosos para a chegada da carta, principalmente Lily. Ela sabia que era uma bruxa: Severus havia confirmado tantas vezes e ela podia fazer botões de flores florescerem... Mas em seu íntimo, ela guardava o medo de ser normal e não poder participar daquele mundo pelo qual ela já havia se apaixonado.

- E as casas? Me fala de novo sobre elas.

- São quatro. Sonserina, a melhor casa de todas, é a casa dos honrados e ambiciosos. Grifinória é a casa dos arrogantes, Corvinal é a casa dos metidos a inteligentes e a Lufa-Lufa é a casa dos que sobram.

- Não foi assim que você me disse da última vez, Sev.

- Quem se importa com a divisão das casas? Eu já sei que vou para a Sonserina. Você bem que podia ir para lá também.

- Seria legal ficar na mesma casa que você. Mas não sei se a Sonserina seria a minha cara. Acho que vou acabar na Lufa-Lufa. — e cruzou os braços.

- Você nunca ficaria na Lufa-Lufa, Lils!

- Quem sabe? De qualquer maneira, eu nem sei nada sobre magia! Como é que eles sabem que você vai para uma casa?

- Você veste um chapéu. — disse. — e ele grita a sua casa.

- Tão simples?

- Eu ouvi dizer que ele também canta.

- Um chapéu que canta? Que legal!

- É, não é?

- Vamos dar uma volta de bicicleta? Você pode pegar a de Petúnia, hoje ela foi sair com aquelas amigas fofoqueiras dela. – Ofereceu Lily, sentando-se.

Petúnia não gostava, pior, odiava Severus. Na primeira vez que Lily o havia chamado para andar de bicicleta e ele havia dito que não tinha uma, fora pedir para Petúnia sua bicicleta emprestada. Sua irmã não gostava de andar de bicicleta: Usara a sua uma ou duas vezes e depois a largara, ainda nova, nos fundos da garagem. Mas mesmo não usando a bicicleta e só estava juntando poeira na garagem, recusou fervorosamente quando Lily a pediu emprestado para Severus. Lily, claro, esperou que saísse de casa antes de tomar a bicicleta emprestada com o consentimento de sua mãe, embora não de Petúnia. A relação de Lily com a irmã estava indo de mal a pior desde aquele dia em que ela havia mostrado o truque com a flor e conhecido Severus. Algumas vezes elas mal se falavam por semanas, não por falta de tentativa da parte de Lily.

Severus e Lily se levantaram, caminhando até a casa de Lily num silêncio confortável. A casa tinha dois andares, uma cerca branca que guardava um pequeno jardim de lírios e tulipas e um caminho de pedra que levava à casa com pintura branca-neve. Foram para os fundos da casa, na garagem, e pegaram cada um uma bicicleta. A de Lily era violeta, sua cor favorita, enquanto a de Petúnia, que Severus usava, era vermelha.

- Eu aposto que te venço na corrida, Sev. – Disse Lily desafiadoramente, um brilho divertido nos seus olhos quando ela deu um sorriso maroto, os dois já em cima das suas respectivas bicicletas na rua e prontos para andar.

- Ah! Só em outro universo, Lily! – Severus retrucou, um sorrisinho sarcástico no canto de seus lábios. Mas ele sabia que iria perder. Era assim sempre: Lily o desafiava, ele retrucava e aceitava e, mesmo podendo ganhar, ele sempre desacelerava no último segundo, deixando-a ganhar e lamentando forçadamente.

Lily olhou-o em desafio, um sorriso malicioso pintalgando seus lábios vermelhos.

- Até a casa dos Merryfield. – Disse, citando a primeira casa do bairro. – JÁ! – gritou apressadamente, começando a pedalar com toda a força. Sev só teve tempo de balançar a cabeça com um sorriso divertido antes de começar a pedalar também, passando Lily rapidamente e mandando um tchauzinho na hora. Em pouco tempo Lily chegou do seu lado, dando um oizinho. A casa vermelha dos Merryfield estava mais próxima e a ruiva, ao perceber, começou a pedalar com mais empenho. Severus se mantinha no nível habitual até ver que estavam a só alguns metros da casa, quando afrouxou as pedaladas, deixando-se ficar para trás enquanto Lily ia e passava a casa, levantando as mãos para o alto em comemoração.

- Eu ganhei! – Comemorou freando a bicicleta e desmontando. – Acho que de repente nos tele transportamos para outro universo, não é Sev? – Zombou.

- Tá, Lily, tá. É só por que o sol bateu no meu olho e eu me distraí. – Disse ele, se esforçando para parecer emburrado, quando interiormente estava sorrindo por ver Lily feliz.

Os dois se sentaram na calçada, Lily pegando alguns botões de flores e fazendo-os florescer. Em todos os lugares que Lily ia e tinham botões de flor, misteriosamente eles ficavam sempre saudáveis e bonitos, sendo verão, outono ou inverno. Se os adultos fossem mais observadores, poderiam ver esse pequeno milagre. Mas eles, sempre muito concentrados em seus pequenos problemas, suas pequenas vitórias e seus pequenos mundinhos, nunca deram importância às coisas encantadoras e misteriosas da vida como uma flor florescida fora de hora.

Depois de alguns minutos de silêncio Lily finalmente falou, brincando com um botãozinho de flor na sua mão, fazendo-o florescer e virar um botão de novo. Estranhamente, suas bochechas alvas tinham ganhado uma leve cor avermelhada.

- Eu sei que você me deixa ganhar quando nós apostamos corrida. – Falou ela, baixinho. – Obrigada. É muito gentil da sua parte. – Disse, dessa vez mais alto. Então, reunindo toda a sua coragem, se inclinou na direção de Severus e deu um beijo em sua bochecha, voltando rapidamente para seu lugar e baixando os olhos para sua flor, suas bochechas tão vermelhas que pareciam dois tomates maduros. Severus, ao seu lado, estava com as bochechas escarlates, embora a sombra de um sorriso estivesse em seus lábios.

- De-de nada. – Respondeu Severus, gaguejando e se amaldiçoando por isso.

- Eu tenho de ir para casa, Sev, Petúnia logo vai voltar e mamãe falou para estar em casa às seis. – Disse ela, observando o céu azul lentamente se colorindo de laranja. – Você me acompanha? – Perguntou, olhando para Severus. Ele percebeu que as bochechas de Lily ainda estavam um pouco rosadas. Severus apenas assentiu, a cabeça baixa, sem confiar na própria voz para responder.

Os dois montaram nas bicicletas, pedalando num ritmo tranquilo, diferente da corrida de antes e num silêncio confortável, embora uma pontinha de vergonha pelo momento que eles passaram ainda estivesse no ar. Tinha sido só um beijo inocente, claro, mas para duas crianças isso parecia uma coisa muito importante.

Severus sabia que amava Lily. Sabia disse desde aquele dia, em que Lily tinha ficado olhando-o curiosamente ao invés de ir embora com sua irmã mais velha. Quando ela tinha ficado para conhecê-lo, sem se incomodar com os boatos que o rondavam e sua aparência. Mas quanto a dizer a Lily o que sentia... Isso era uma coisa mais complicada. Ele esperava poder crescer com ela e que ambos fossem para a Sonserina, e que um dia ele pudesse falar sobre isso e eles ficassem juntos para sempre.

Lily, por outro lado, não sabia exatamente o que sentia por Severus. Ela era uma criança, afinal. Mas sabia que Sev era seu melhor amigo. Não se importava que todas as suas outras amigas e amigos tivessem parado de falar com ela quando começou a andar com Severus: Se não sabiam aceitar uma pessoa diferente, não queria mesmo ser amiga delas. Sabia que o que sentia por Severus era forte, mas não sabia definir. Imaginava que era amizade, mas não podia dizer com certeza.

Chegaram logo à casa de Lily, mais cedo do que Severus jamais poderia querer. Ele ajudou Lily a levar as bicicletas para a garagem antes de irem até a frente da casa, porque Sev tinha que se despedir, embora não quisesse dizer tchau.

- Então... Até amanhã. – Disse desajeitadamente, um leve sorriso cingindo seus lábios.

- Até amanhã, Lily. – Despediu-se ele, um leve rubor cobrindo seu rosto ao lembrar-se do beijo de Lily na bochecha e desejando que ela o fizesse novamente. O pensamento fê-lo ficar ainda mais avermelhado. Apressou-se em sair dali, acenando de costas, sua mente voltando para aquele beijo enquanto fazia o caminho de casa.

Notas finais
Segundo capítulo o/ E não teve atraso, viu?

Ah, essa fic tem uma nova beta, a Last Rose of Summer, que é a Roz, com quem eu criei as tramas do RPG no qual se baseia essa fic.

Bem, espero que tenham gostado. Me digam o que acharam!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.