Always At Your Side - Season 2
15 Will you marry me?
Notas iniciais
Mais um hoje...
Bom o momento na qual amamos... O Título já diz tudo... Quem não sabe o que significa Marry me? Ninguém né...
Boa leitura...
Acompanhem a fi da minha amiga... É Delena viu!
http://fanfiction.com.br/historia/269129/The_Reason/
Damon estacionou no meio fio, de frente a um restaurante que aparentou ser muito familiar para Elena. Tendo certeza que o reconhecia, a jovem se esgueirou pelo banco, tirando o cinto de segurança para olhar melhor para a fachada do lugar. Como um flashback, a morena logo se lembrou de onde estava e não conseguiu disfarçar um muxoxo desaprovador. Foi ali que conheceu Elisabeth e ela não estava nem um pouco interessada em reviver a primeira conversa que teve com a mulher que a odiava.
– Okey!_ Elena enrugou a testa e virou-se para o namorado. — Essa é sua surpresa?
Damon tirou o cinto de segurança e esfregou os olhos. Começava a sentir a fadiga dominá-lo.
– Elena, você acha mesmo que eu te levaria para jantar nesse restaurante?
– Não sei! Ele deve ser importante para você de alguma forma. — Elena deu de ombros disfarçando a decepção. De tantos lugares, ele tinha que escolher aquele?
– Não, meu amor, eu não a levaria para comer justamente no lugar que tive um atrito com a minha mãe. E, a probabilidade de encontrá-la com meu pai aí dentro hoje, é altíssima. Não lhe causaria tamanho desprazer. — disse Damon dando um meio sorriso.
– Foi o que imaginei a princípio. Seus pais devem gostar muito de lugares badalados — afirmou ela, voltando a dar atenção para a entrada do restaurante.
– Na verdade, só minha mãe. Ela gosta de se aparecer, caso você não se recorde. — Damon respirou fundo e também encarou o restaurante. Lembrava como se fosse ontem a sua ida para aquele lugar ao lado de Elena. Ele não fazia ideia do que o aguardara e nem imaginara que aquela cena seria um alerta sobre a quebra do seu relacionamento com os pais.
– Certo! — Elena juntou as mãos voltando a ficar ansiosa. — Aonde você vai me levar então?
Damon sorriu enquanto remexia os próprios bolsos à procura de algo. Elena teve sua curiosidade atiçada, mas preferiu ficar quieta e não questionar absolutamente nada. Ele estava com a testa enrugada e ela pode jurar que o namorado respirou aliviado ao perceber que o que procurava ainda estava seguro no seu casaco.
– Você logo vai saber. — Damon abriu a porta do carro e saiu. Bambeou um pouco para trás por causa de uma breve vertigem. — Vamos! Acho que você vai gostar de onde irei te levar.
– Eu só não gostei dessa bambeada de perna, Damon Salvatore. — Elena saiu do carro e se apressou a dar a volta para não correr o risco de ser atropelada. -Você está bem? Mesmo?
– Estou sim! – Damon alisou a testa se recompondo. — Evitei tomar meus remédios para não ficar sonolento e dormir no meio do nosso encontro. Deve ser por isso que tive uma tontura.
– Não gostei dessa sua explicação — retrucou Elena com a testa enrugada.
Ele colocou o dedo indicador na ruga formada na testa da morena.
– Não olhe para mim desse jeito.
– Eu olho para você do jeito que eu quiser Sr. Salvatore.
– Vai ficar brava?
Ela sorriu relutante, e lhe deu um beijo na bochecha.
– Você só me deixa preocupada, Damon Salvatore.
– Certo! Agora, pare de me chamar pelo nome completo.
Elena abraçou Damon pela cintura na tentativa de afastar o frio. O vento forte dava a impressão que seu corpo estava sendo atingido por milhares de facas.
– Ainda me pergunto como minha irmã sobreviverá de vestido com essa ventania dos infernos. — comentou Elena afastando os cabelos que insistiam em ficar no seu rosto.
– Sua irmã vai sair de vestido? — indagou Damon não disfarçando um riso.
– Meredith e sua bipolaridade. Algo inexplicável. — Elena revirou os olhos, divertida. Afastou-se do namorado e, juntos, começaram a caminhar. — Ela estava nervosa com a reunião familiar ao lado dos Diniz e preocupada com a relação com a futura sogra. Ela me disse que ela não é um amor de pessoa.
– Espero que você tenha dado alguns conselhos para ela. — Damon deu um beijo no topo da cabeça de Elena. — Por que você merece um premio por aguentar minha mãe.
– Meredith sabe lidar melhor do que eu com esse tipo de situação. Ela é muito durona no quesito sentimentos. Se a mãe de Paul der um cutucão, ela dará outro em seguida. Minha irmã deveria me dar conselhos sobre como-aguentar-sua-sogra-sem-cometer-um-assassinato.
Eles riram, caminhando lado a lado pela rua pouco movimentada. Elena pode ver outros casais perambulando e se viu em cada um deles. A morena se sentia incrível ao lado de Damon, como se estivessem no começo do namoro, sem as partes conturbadas. Não havia nenhuma preocupação para aquela noite que prometia ser a mais especial da sua vida. Queria aproveitar cada instante, cada riso, cada minuto em silêncio para gravá-lo na memória para sempre. Ela tinha certeza que aquele encontro seria único. O homem que amava estava ao seu lado e era o que importava. Poderia estar passando o réveillon no hospital com ele, mas o relevante seria eles estarem juntos, como deveria ser. Ambos precisavam um do outro e, depois da notícia que a doença do rapaz entrara em remissão, deveriam se apoiar um ao outro mais do que nunca para prosseguir caminhando juntos.
– Ok! — de repente, Damon parou de andar fazendo Elena tropeçar. — Opa, desculpe!
Ele a acudiu pelos ombros enquanto Elena ria.
– Faz muito tempo que não tropeço. É sinal de que estou tendo uma recaída. — Elena ajeitou as vestes, cessando o riso e fitando o namorado. — Por que paramos?
Damon virou o corpo de Elena de maneira que ela ficasse de frente para ele.
– Lena, eu quero que essa noite seja especial para nós dois. Desculpe-me por ter acelerado as coisas ao falar com o médico para saber do meu estado de saúde, mas eu precisava ter feito aquilo. Não fiz com a intenção de estragar esse dia que passei a semana inteira organizando. Seja o que acontecer mais para frente, eu quero que você se lembre desse dia com muito carinho.
Elena pousou a mão que estava protegida com uma grossa luva no rosto do namorado. Ele inclinou a cabeça para sentir melhor aquele toque que o aqueceu por inteiro.
– Eu fui rude em não ter compreendido o que você queria, Dam. Eu que tenho que te pedir desculpas. Eu só estava com medo, apavorada com o que poderia acontecer. Ainda mais sabendo que seu bom humor anda bastante limitado._- Elena explicou, abaixando a mão e tocando a ponta do nariz de Damon. — Se a notícia fosse boa ou ruim, eu estaria ao seu lado do mesmo jeito. Eu te amo, Dam. Você fez a coisa mais impossível do mundo: Conquistou-me. Então, te devo algum respeito.
Ele a envolveu nos braços, afundando o rosto nos cabelos morenas dela, que exalava aroma de rosas. O rapaz sentiu as mãos pequenas de Elena lhe tocar a nuca enquanto ela aproximava mais o corpo do seu. Pode sentir o coração da namorada batendo mais forte e gostou daquela sensação. Nunca pensou que conseguiria conquistá-la, nem mesmo quando voltara para NY meses atrás. Ela sempre foi muito inalcançável e, compartilhar aquele momento com a mulher que sempre quis, era tão surreal quanto estar doente. Se fosse em uma situação normal, Damon estaria ao lado de Stefan, curtindo o último dia do ano enchendo a cara em alguma balada e, talvez, ficando com algumas garotas perdidas na festa. Para sua sorte, as coisas mudaram e ele estava ao lado dela, a pessoa que transformou sua vida para melhor, fazendo-a ter mais sentido. Com ela, Damon aprendeu o que significa ter um amor de verdade.
– Eu também amo você, Lena — ele se afastou, dando um beijo rápido nos lábios de Elena — Eu sempre amei você na verdade, a senhorita que complicava meu trabalho.
Ela sorriu, enlaçando sua mão com a de Damon.
– Eu tinha que bancar a difícil para ver você se humilhar para mim — brincou ela erguendo as duas sobrancelhas ao mesmo tempo. — Acredito que não estaríamos aqui se você não tivesse voltado para NY.
– Não, não estaríamos — concordou Damon com um pequeno aceno de cabeça. — Foi a melhor decisão da minha vida ter voltado. Ganhei a garota dos meus sonhos.
Elena ficou na ponta dos pés e deu um beijo na ponta do nariz de Damon.
– Demorou, mas ganhou. — ela riu de maneira que seus olhos castanhos brilharam. — Agora, Salvatore, qual é o plano?
Damon apoiou as duas mãos em cada ombro de Elena e a virou para que ela visse que estavam de frente para um pub. Mesmo com as mãos protegidas pela luva, ele sentiu os músculos dela se contraírem e por, meros segundos, temeu que a morena fosse dar alguma resposta negativa.
– Você está brincando comigo, Damon Salvatore — ela se virou com as mãos em cada lado do rosto, em choque.
– Não, não estou — negou ele, ainda apreensivo.
– Sério mesmo que você me trouxe aqui? — Elena ainda expressava todo o seu choque com as mãos apoiadas no rosto.
– E tinha outro lugar? — Damon alteou uma sobrancelha, tentando manter uma expressão falsamente séria. — A não ser que você queira jantar naquele restaurante e ter a sorte de encontrar minha mãe e...
Elena pulou para cima de Damon colando seus lábios nos dele. O beijou com carinho, acariciando seu rosto, sentindo o corpo tremer com o vento frio que batia nas suas costelas.
– Esse lugar é perfeito — sussurrou ela ainda com os lábios próximos dos dele.
– Vai querer entrar? — perguntou ele, segurando-a pela cintura.
– Você jura que não?
Ela o puxou pele braço e caminhou até o pub. Apoiou a mão sobre a porta de vidro e a empurrou com gentileza, entrando no recinto. Olhou brevemente para todas aquelas mesas. Riu baixo ao ver as garçonetes vestidas com o mesmo uniforme roxo e usando o gorro exótico na cabeça da mesma cor. Nada tinha mudado a percebeu, sorrindo sozinha. Damon a observava, feliz com a reação dela.
Elena não sabia, mas ele tinha passado a última semana elaborando um roteiro para o último dia do ano, a fim de surpreendê-la. Contou com a ajuda de Tyler, Matt e Stefan, que refrescaram sua mente inúmeras vezes sobre alguns pontos que marcaram o namoro. O pub foi uma memória facilmente revivida mentalmente, pois o lugar tinha marcado a sua relação com a morena. Damon soube que ela também se lembrou do lugar, pelo olhar sonhador dela e a sensação de pura nostalgia.
Quando compartilharam um momento ali, ela estava em um período de indecisão sobre sua vida que ganhou um pique mais acelerado com o retorno de Damon à cidade. Ambos tentavam firmar uma amizade e esquecer os momentos embaraçosos que compartilharam na adolescência, mesmo que um grande muro permanecesse entre eles. Elena sempre temeu uma proximidade maior com o garoto que se dizia apaixonado por ela, pois pressentia que um afeto maior surgiria. Por ter plena noção que seus sentimentos por Damon se tornavam mais fortes, ficou com medo, mas permitiu que ele apertasse o botão correto, conquistando-a por completo. Era estranho, e ao mesmo tempo revigorante, estar de volta aquele pub que fez parte da história do seu relacionamento.
O pub estava quente e lotado, cheio de grupos de amigos que riam alto e tomavam suas cervejas; havia também casais que tentavam passar despercebidos dentro do recinto compartilhando beijos e palavras discretas. As garçonetes corriam de um lado para o outro tentando dar conta da quantidade de clientes e isso a fez se perguntar como eles conseguiriam um lugar para se sentarem, já que todas as mesas pareciam ocupadas.
– Damon, onde...
Elena olhou para trás e procurou o namorado no meio da muvuca. Ele tinha se afastado, indo falar com quem parecia ser a gerente, e logo voltou com um sorriso de orelha a orelha.
– Vem comigo!
Ele a puxou pela mão para o fundo do recinto. Lá estava uma mesa solitária, com duas cadeiras frente a frente esperando por eles.
– Achou que não tinha pensado na possibilidade de ficarmos em pé até meia-noite, certo? — indagou Damon, pegando os cardápios que lhe fora dado pela garçonete e passando um para Elena.
– Nossa que namorado esperto. — Elena pegou o cardápio e o abriu. Não deu muita atenção, pois estava mais interessada em olhar para Damon. — Eu ainda não acredito que você ressuscitou esse lugar.
– Eu tenho uma memória de elefante, Elena.
– Você é lindo! — ela deu uma piscadela para Damon, largando o cardápio sobre a mesa para tirar as luvas.
Damon sorriu e abaixou o cardápio. Perdido em pensamentos, começou a vasculhar os bolsos mais uma vez atraindo o olhar da namorada.
– O que tem no seu bolso? — perguntou Elena com a testa enrugada. Ela apoiou os cotovelos na mesa, intencionada a dar uma espiada no que Damon parecia procurar.
– Meu remédio — Respondeu Damon, ajeitando o casaco. — No final da noite não posso esquecer-me de tomá-lo.
Elena abaixou os braços e permaneceu com a testa enrugada. Algo na voz dele expressava mentira, mas preferiu não abrir um alarde por causa de uma suposição. Sem demora, ela resolveu fazer seu pedido e Damon também. Elena para variar pediu duas fatias de torta de morango, um mouse de chocolate, um milk-shake de creme e um café. Damon apenas pediu duas fatias de pizza de mussarela e um refrigerante. O rapaz ficou abismado ao ver a namorada pedir uma grande quantidade de doces e uma quantidade de café realmente assustadora. A jovem percebeu que ele conseguiu ficar mais chocado que Stefan quando estava na confeitaria horas atrás.
– Você realmente vai conseguir comer tudo o que pediu? — Damon perguntou assim que a garçonete foi embora.
– Eu estou com fome — respondeu Elena esfregando o nariz. Surpreendeu-se ao lembrar que não tinha vomitado ainda. — Faz mais de horas que comi alguma coisa.
– Você ao menos teve um almoço decente?
– Sim, tive. Minha mãe se ocupou dessa parte. Estou me sentindo dentro da história de João e Maria. Sua sogra aderiu o regime de engorda, atuando como a bruxa malvada.
– Palmas para minha sogra. Ela tem que te engordar mesmo. Gosto de você magrinha, mas prefiro ter carne para apertar — brincou ele, dando um bocejo. Seu relógio biológico avisava que estava morto de cansaço.
– Minha mãe e você se merecem — afirmou Elena junto com um gesto de cabeça, observando Damon bocejar. — Você realmente está bem?
– Estou sim. Não precisa perguntar isso a todo instante, amor — assegurou Damon com sinceridade. — Já é bem tarde e você sabe que fico cansado. Pena que não tem nenhuma cama aqui para que eu possa tirar um cochilo.
Elena sorriu e puxou uma mão de Damon a fim de acariciá-la e tirá-lo da sonolência. Ficaram se olhando por alguns segundos, quietos, até Damon quebrar o silêncio, dizendo:
– Escute: eu sei que não é um jantar à luz de velas, mas eu queria que o local tivesse certa importância. Espero de verdade que tenha gostado da primeira surpresa.
– Primeira surpresa? — perguntou Elena, arregalando os olhos.
– Você terá direito a mais surpresas.
– Você quer me matar do coração até meia-noite, sinto isso. — Elena meneou a cabeça negativamente. — Aposto que essas surpresas foram inspiradas com o auxílio do Stefan.
– Stefan me ajudou em uma das surpresas assim como Matt e Tyler. Seus melhores amigos. Matt foi responsável por essa. Ele que reservou a mesa para mim, pois não estava em condições de sair de casa.
A morena apertou a mão de Damon com gentileza. Só de pensar que ainda tinha mais surpresas pela frente, sentiu um frio na espinha. Se a primeira estava sendo formidável, o que seria dela com relação às outras? A mente de Elena se calou com a chegada dos pedidos. Ela não poderia ficar mais feliz com uma xícara imensa de café seguida de uma boa dose de morangos e a presença do namorado. Que a sua médica não ficasse sabendo daquela refeição bagunçada, pois ela puxaria a sua orelha por estar se alimentando incorretamente.
– Você não poderia ter escolhido lugar melhor, Dam — Elena pegou o mouse de chocolate e comeu como se nunca tivesse comido um daquele na vida. — Eu superquero te beijar agora.
– Pode vir me beijar quando quiser. Meu corpo sempre está pronto para você.
Com um pouco de dificuldade, Elena se esgueirou pela mesa, inclinando o corpo para frente. Damon facilitou o processo, sentando na ponta da cadeira, recebendo um beijo com gosto de chocolate da namorada.
– Você é o melhor namorado do mundo.
Damon riu e começou a se servir. Partiu o pedaço de pizza ao meio e deu a primeira dentada. Sentiu-se nas nuvens, da mesma forma que Elena, que ainda devorava o mouse com extremo gosto.
– Eu lembro que te liguei no dia que você me trouxe aqui. — Elena limpou os cantos da boca com o guardanapo, com uma expressão reflexiva. — A gente se chamava de Salvatore e Gilbert ainda.
– Nos encontramos no metrô — lembrou Damon tomando um gole do refrigerante. — Quando cheguei a casa e relembrei do ocorrido, comecei a rir sozinho. Se eu realmente quisesse te encontrar na estação jamais aconteceria.
– Quando te vi descendo a escada rolante me senti dentro de um filme. Sério! — Elena riu do próprio comentário com Damon e depois se acalmou. Deixou escapar um suspiro ao olhar para o namorado. — Quando te reencontrei e passamos a nos ver com frequência, algo dentro de mim me alertava que acabaria me apaixonando por você. Eu poderia fugir, mas eu não estava conseguindo. Você sempre me encontrava.
– É mesmo? — Damon sorriu de canto, feliz em ouvir as palavras de Elena — Eu voltei a NY intencionado a te conquistar. Stefan não acreditava que estava motivado a isso. Eu sempre dizia que pouco importava se eu te reencontrasse. Uma mentira ridícula!
Ele apoiou os braços na mesa, respirando fundo. Encontrou aqueles olhos castanhos vívidos, atenciosos ao seu discurso, e continuou:
– Quando nossa relação começou a evoluir, deixei o mar correr. Não queria forçar a barra como sempre fazia. Naquela época, ainda tinha esperanças que você fosse gostar de mim sem se sentir pressionada. Acho que minha tática deu muito certo. Deveria tê-la usado antes. Eu só não esperava que nosso reencontro fosse marcado com a minha pessoa caindo dentro do lixo. Essas coisas só acontecessem comigo, nunca vi.
Ambos riram alto sem se importarem com as pessoas que estavam ao redor. Os outros clientes estavam mais preocupados com seus companheiros de mesa, tornando a presença deles completamente insignificante.
– Foi um grande retorno, Dam. Ninguém conseguirá fazer algo igual. Nunca!
Damon dera outra mordida na pizza, deixando sua mente vagar à procura de informações referentes ao encontro que tiveram naquele pub. Relembrar todos aqueles fatos o fazia ter certeza que tinha feito alguma coisa certa antes de cair doente em cima de uma cama.
– Acho que aqui tivemos nossa primeira conversa séria. — Damon olhou para os lados enquanto levava o guardanapo até a boca. — Você estava meio triste nesse dia e não queria falar comigo de jeito nenhum.
– Você sempre foi insolente em querer saber alguma coisa da minha vida — disse Elena com um ar zombeteiro.
– Se não fosse pela minha insolência, você não estaria aqui hoje. — retrucou Damon com a testa enrugada.
– Só estou aqui por causa do seu corpo, que fique bem claro.
Ele deixou uma risada esvair dos seus lábios enquanto observava Elena terminar de comer uma de suas tortas. Ela bebericou o café com toda a delicadeza que tinha e Damon viu suas bochechas ficaram vermelhas. Olhá-la, sorrindo para ele, o fez perceber que era o cara mais sortudo do mundo.
– Você se arrepende de alguma coisa, Lena? Sabe... Ter deixado eu te beijar ou qualquer outra coisa do tipo. — Damon tentou entender porque fez aquela pergunta, pois ela simplesmente saiu de seus lábios. Sabendo como a morena era sincera, poderia esperar uma resposta arrebatadora que, talvez, não estivesse pronto para ouvir.
– Aonde você quer chegar com isso, Damon? — perguntou Elena, confusa.
– Elena, nós não sabíamos o que íamos enfrentar quando começamos a namorar. Qualquer pessoa em uma situação normal teria me largado por causa da minha doença. — Damon deu de ombros, parecendo preocupado. Ele notou que tinha que saber aquela informação, pois ela influenciaria na maneira como ele encerraria a noite.
– Eu não sou qualquer pessoa e não me arrependo de nada, Damon — respondeu Elena com firmeza. — Eu escolhi ficar ao seu lado porque amo muito você. Não foi por pena ou qualquer coisa do tipo. A única coisa que me arrependo é ter sido imatura com seu pequeno caso com a April. Éramos jovens e eu nunca te dei bola a ponto de querer alguma explicação. Não deveria ter surtado tanto, pois não tínhamos nada quando você ficou com ela.
– Você é ciumenta por isso surtou.
– Foi mais insegurança do que ciúmes, Dam. — Elena olhou para o prato, escolhendo o que comeria a seguir. Pegou o um brigadeiro e deu uma grande mordida.
– Insegurança do quê? — perguntou ele, interessado.
Ela terminou de mastigar e se recompôs.
– Sua mãe sempre quis uma modelete como nora e eu nunca fiz esse requisito. April é linda, anda bem vestida e é de boa família. Senti-me desvalorizada, só isso. Damon pegou a mão de Elena e a acariciou.
– Elena, você é a morena mais linda que já conheci. Na verdade, a única, pois eu te amo desde que nos cruzamos na escola. April não se compara em nada com você. Ela não tem seu caráter, sua disposição e uma risada com um som para lá de bizarro.
Elena dera um tapa na mão de Damon entre risos.
– Você está caçoando da minha risada?
– Ela é alta e contagiante. A reconheceria de longe.
Elena alteou as duas sobrancelhas, sorrindo.
– Você é um bobo de tão fofo que é. – Disse ela. Aproveitou para retomar a conversa. — E você, se arrepende de alguma coisa?
– De não ter te conquistado antes — respondeu Damon, sem demora. — Eu deveria ter lutado mais por você, assim teríamos curtido mais nosso relacionamento.
– Dam, a doença nos aproximou mais. — Elena lançou um olhar incisivo na direção do namorado.
– Como também nos afastou. — Damon afirmou com simplicidade.
– Mas agora está tudo bem — assegurou Elena. — Está tudo bem!
Damon se moveu na cadeira, ajeitando as costas. Elena realmente estava focada no lado positivo da sua situação e preferiu não debater com um argumento que ia contra ao que ela acabara de dizer. Não queria bombardeá-la com seu negativismo. Isso era algo particular que só ele remoia por dentro.
– Posso te fazer outra pergunta?
Elena consentiu com um aceno de cabeça, pois estava com a boca cheia.
– Como você consegue tomar café como se fosse água? Confesso que costumava beber para tentar me manter acordado, mas é horrível.
A morena desatou a rir tomando todo o cuidado para não se engasgar com a comida.
– Não vejo graça em refrigerante — ela limpou a boca mais uma vez, ainda rindo. — Você não vai pedir nenhuma informação minha em troca de um gole de café, certo?
– Dispenso! — Damon olhou para a xícara da namorada cheio de desaprovação. — Meu filho vai nascer viciado em cafeína.
Elena largou o croissant no mesmo instante à menção do bebê. Endireitou-se na cadeira e juntou as mãos como se fossem cantar parabéns.
– Hoje o Aron faz três meses e uma semana.
Os olhos de Damon brilharam.
– Gente, eu esqueci completamente que hoje é dia 31. Desculpe meu amor, minha cabeça estava nas nuvens.
– Isso porque você disse que tem uma memória de elefante.
– Ok! Muito justo!
Damon puxou a cadeira para ficar sentado ao lado de Elena. Cuidadosamente, colocou a mão sobre a barriga dela, acariciando muito mais pano do que a pele dela e sussurrou um feliz aniversário. A barriga de Elena aparentava maior do que as das grávidas normais de três meses. Mas Elena parecia não reparar. O coração da morena começou a bater mais forte e ela teve que dar atenção a alguma outra coisa para não abrir um berreiro dentro do pub.
– Aceitou a ideia de ser um menino, foi?
– Não! — ela negou com a cabeça, apoiando sua mão sobre a de Damon. — Eu gostei do nome. Aron.
– Você vai ao médico no próximo mês?
– Sim, tenho consulta marcada daqui três semanas. E enfim saberemos o sexo.
– Quero ir junto!
Elena segurou o queixo do namorado com o dedo polegar e o indicador, lhe dando um beijo rápido e carinhoso.
– Você deveir junto, meu amor — frisou Elena, sorrindo. — Queria que você fosse todos os meses comigo, mas não podemos esquecer do seu tratamento. Minha gravidez pode ser colocada em segundo plano, por enquanto.
– As duas coisas são importantes, Elena, e estão andando juntas. Eu quero muito melhorar para poder te fazer companhia decentemente. Não suportaria saber que você está em casa, sozinha, cuidando do bebê enquanto estou no hospital.
A mente de Elena dera um estalo. Lembrou-se da sua tarefa ao lado de Stefan e afastou a mão que estava sobre a de Damon, pois elas começaram a suar de ansiedade embaixo da luva.
– Dam, preciso te contar uma coisa. — Elena virou um pouco o corpo para o namorado para receber sua atenção. Damon continuou a acariciar sua barriga, distraidamente.
– O que foi?
– Eu não te contei o motivo verdadeiro de ter saído com Stefan hoje. — Elena mordera o lábio inferior quando Damon erguera a cabeça para olhá-la.
– Você está me traindo com ele?
Elena lhe dera um tapa no ombro fazendo-o rir.
– Besta! — ela respirou fundo e continuou. — Eu fui visitar uma casa que me apaixonei ao lado do seu melhor amigo. Eu precisava dele para me ajudar.
– É aquele flat que você comentou?
– Não, é uma casa, na verdade. — Elena passou a língua nos lábios sentindo o gosto adocicado impregnado neles. — Eu fechei contrato com Davis. Isso quer dizer que temos um lugar para morar. Oficialmente.
Damon esticou a coluna, abobalhado com o que Elena acabara de dizer. Seu cérebro começou a processar a informação de maneira tão rápida que o fez ficar zonzo por alguns segundos. As palavras se perderam na sua boca, travando-o para pronunciar a resposta que ela aguardava, entregue ao pânico.
– Nós temos onde morar? — repetiu Damon, pausadamente.
– Vai brigar comigo? — perguntou Elena, receosa.
Ele a puxou delicadamente pela nuca e a beijou. Elena apoiou as duas mãos no rosto do namorado, retribuindo o beijo com mais intensidade, sentindo o ar lhe faltar conforme investia contra os lábios dele. Sentiu cada parte do seu corpo ficar mais quente, pegando fogo, desejando-o quase desesperadamente.
– Elena, você me assusta às vezes.
– Stefan disse a mesma coisa — ela acariciou o rosto de Damon, apoiando sua testa na dele. — Podemos ir lá se quiser. Só precisamos pegar as chaves com Davis assim que ele voltar para NY.
Damon sorriu afastando os cabelos do ombro de Elena.
– E ela é bonita? A casa, quero dizer.
– Ela é linda! — Elena respondeu, empolgada. — Tem quatro quatros, uma sala de estar espaçosa, uma varanda sensacional. Oh! Dam! Eu estou tão feliz que não vejo a hora de mudar para lá. Que minha mãe me perdoe, claro!
– Eu quero conhecer essa casa para ontem — alegou Damon sentindo a empolgação de Elena dominá-lo. — Ainda bem que eu tenho uma mulher bem resolvida ao meu lado. Demoraria anos para encontrar um lugar para morarmos.
– Foi o que falei ao Stefan e ele tentou me amedrontar. Como se você fosse arrancar minha cabeça. — Elena revirou os olhos, afastando-se dele. Voltou a tomar seu Milk-shake. — Eu sou a mulher da relação e tenho a voz ativa.
– Você também é ativa em outras coisas, se é que me entende.
Elena enrubesceu com o comentário do namorado que, ao perceber o que tinha feito, lhe deu uma mordida na bochecha.
– Você está muito tarado hoje, senhor Salvatore. — Elena levou o guardanapo à boca, apertando-o contra seus lábios. Ela deixou a mente vagar para longe, dando um pulo da cadeira ao lembrar-se de um momento muito particular que Damon e ela compartilharam dentro do pub. — Damon, já que estamos aqui, precisamos renovar nossa promessa.
Ela largou o guardanapo na mesa, pega pela nostalgia ao observar um casal muito feliz sentado em uma mesa próxima da que eles estavam. Lembrou-se que quando estava no pub com Damon, pela primeira vez, eles tentavam entender um ao outro. Elena estava aos pedaços, sem acreditar que algum dia sairia do buraco que se enfiara. Estava frustrada com o emprego e sua vida familiar se despedaçava aos poucos, principalmente por estar brigada com Meredith. Sua mente enviava imagens do quanto Damon aparentava traços da futura doença, pálido e desanimado, como se estivesse depressivo. Boa parte do que ela conquistara talvez ele também, foi devido à promessa que fizeram juntos: De nunca desistirem de seus objetivos.
– Estamos rumando para uma nova luta, Dam, e precisaremos ser fortes. -Elena ergueu o dedo mindinho na direção dele. Ela fez uma expressão sapeca, fazendo Damon sorrir.
– Mentira que você está fazendo isso.
Damon ficou com a voz engrolada e ergueu seu dedo mindinho. Com um clarão, seu cérebro o lembrou do dia que fizeram uma promessa sem garantia que daria certo. Ele não era íntimo de Elena na época e sua vida estava toda bagunçada. Ficou emocionado com a atitude da namorada em ter recordado um dos momentos que ele guardou com carinho em seu coração.
– Sim, estou! — ela mantinha o dedo mindinho erguido. — Não vamos desistir, Dam. Mesmo que eu precise falar com o papa, você vai ficar melhor e lutaremos para que isso aconteça. Juntos. Promete?
– Eu não vou desistir, por que não quero ver você desistir.
Elena enlaçou seu dedo mindinho com o dele e silenciou. Seus olhos ardiam por causa da emoção e pelo fato de Damon ter repetido as suas palavras que foram ditas meses atrás, exatamente daquele jeito.
– Eu te amo, Damon. Quase desesperadamente.
Damon apoiou a testa na de Elena e afagou seus cabelos enquanto ouvia a respiração fraca dela.
– Acredite, não mais que eu — confessou Damon lhe dando um beijo na testa.
Ela se endireitou na cadeira e afastou o prato que ainda tinha um pedaço de bolo.
– Quer comer mais alguma coisa? — perguntou Damon, segurando a mão dela.
– Estou satisfeita! — respondeu ela dando um suspiro satisfeito. — Você nem comeu direito.
– Eu comi alguma coisa mais reforçada antes de ir te buscar. Não se preocupe! Eu precisava estar com a barriga cheia para o remédio não me derrubar mais tarde. Afinal, alguém tem que te guiar para a segunda parte da surpresa.
– E o que seria essa segunda parte? — perguntou Elena, curiosa.
–Você vai ver!
Damon chamou a garçonete que os atendera e solicitou a conta. Depois de ter pagado, voltou a enfrentar o frio nova-iorquino com Elena nos calcanhares. Ao consultar o relógio, percebeu que eram mais de nove horas da noite e que deveria correr contra o tempo se quisesse concluir as surpresas que preparou para ela até meia-noite.
Eles entraram no carro e Elena correu para ligar o aquecedor. Damon tirou as chaves do bolso da calça e ligou o motor. Tirou as luvas e esfregaram as mãos uma na outra a fim de esquentá-las antes de começar a dirigir.
– Eu posso dirigir na volta? — perguntou Elena. Preocupada com Damon. — Para te poupar! Você parece que vai cair de cara no volante.
– Aceito a proposta! — concordou Damon dando um sorriso, colocando as mãos no volante e dando partida.
Damon dirigia muito devagar e estava feliz em estar dentro do seu carro, liderando a direção. Desde que ficara doente, Elena era praticamente a responsável por levá-lo ao hospital todos os dias, isso quando Stefan fazia esse favor pegando seu automóvel emprestado. Sentira falta daquela sensação de estar no controle e, por mais que ainda não estivesse em condições cem por cento boas para pegar a estrada, ele estava sendo cauteloso, pois sabia que um desastre poderia acontecer.
O casal ficou quieto durante boa parte do percurso. Elena olhava pelo vidro a agitada de NY, tentando adivinhar para onde seu namorado a estava levando. Aos poucos, se afastavam do centro, deixando lojas e restaurantes para trás. Uma agitação tomou conta do seu peito, queimando, atiçando mais sua curiosidade. Aquele vazio estranho que sentia em horários distintos, veio à tona, fazendo-a tamborilar os dedos sobre a perna, inquietos.
– Toda essa pressão das suas surpresas irá me render uma barra de chocolate, combinado? — avisou Elena cortando o silêncio. Damon riu.
– Quantas barras você quiser, meu amor — Damon freou perante o sinal vermelho. Esticou o corpo desajeitado na direção da namorada e beijou sua bochecha. — Aonde vamos, tem inúmeras.
– Ain! Damon! Conte-me aonde vamos, vai!
Ela implorou, mas foi ignorada por Damon. Ele voltou a dirigir e seguiu pela grande avenida aguentando os resmungos da namorada. Isso o divertia, pois estava causando o que esperava.
– Damon — chamou Elena fazendo bico — Pelo menos me dê uma dica.
Damon a ignorou mais uma vez estacionando o carro de frente para um grande portão preto, um pouco enferrujado. Elena viu muitas luzes do outro lado, ouviu um barulho de música e observou uma fila imensa diante do que parecia ser uma bilheteria. Ao cair na real, a jovem sentiu o coração bater na garganta.
– O parque de diversões... — Elena tirou o cinto de segurança e se esgueirou pelo banco. Pode reconhecer que aquelas luzes pertenciam à roda gigante.
– Não era tão difícil adivinhar onde eu estava te levando, Elena — Damon tirou sarro, se livrando do cinto de segurança também.
– Damon, você vai acabar me matando antes da meia-noite — avisou ela, rindo. — Meu Deus! Você é um grande safado.
Damon gargalhou com gosto dando um tapa no volante.
– Eu sou inteligente, admita. E eu não vou deixar que você morra. Talvez, isso aconteça quando a hora outra surpresa chegar. — assegurou Damon em um tom divertido.
– Enquanto eu estiver comendo as minhas barras de chocolate, tentarei adivinhar o que virá a seguir.
Damon a viu sair do carro com um sorriso maroto nos lábios. Antes de fazer o mesmo, vasculhou os bolsos mais uma vez e respirou aliviado. Começou a se sentir nervoso por causa da terceira surpresa que poderia terminar de maneira desagradável. Só de imaginar Elena saindo correndo do parque, sentiu um soco no estômago que lhe rendeu um rápido mal-estar. Daria tudo certo, pensou ele saindo do automóvel. O máximo que aconteceria era levar um tapa certeiro na cara.
– Precisamos pegar a fila? — perguntou Elena com a voz chorosa. Odiava filas.
– Eu disse que sou inteligente, Elena. — Damon tirou a carteira do bolso e a abriu. Tirou os dois ingressos e ergueu para a namorada ver. — Comprei hoje de manhã.
– Você está me saindo como uma grande caixinha de surpresas, Dam. Literalmente! — Elena esticou os pés e deu um beijo no rosto dele. — Vamos entrar! Quero minha maçã do amor.
– Mas você não me disse que queria um chocolate?
– Isso também.
Ele riu.
Elena pegou a mão de Damon e o arrastou para dentro do parque de diversões, da mesma forma que o puxou para dentro do pub. O local estava mais lotado que o esperado e notaram que havia fogos de artifício prontos para serem disparados nas extremidades do local. Enquanto metades da população nova-iorquina ao lado de inúmeros turistas. Ela estava ali, voltando a ser criança, no meio de uma bagunça divertida ao lado da pessoa que amava.
– Por onde vamos começar? — perguntou Damon, apertando um pouco a mão da namorada.
– Bem... Infelizmente por causa da minha condição, não há muitos brinquedos que eu possa ir. — Elena apontou para a barriga, soltando um muxoxo. — Mas se você quiser que eu vomite nessas crianças lindas, sem problemas.
Damon riu passando o braço pelo ombro da namorada puxando-a para mais perto. Sentia-se mais acordado, injetado de adrenalina pela animação das pessoas no parque e pelo que o aguardava daqui a algumas horas.
– Eu lembro que encontramos Stefan, Lexi e April aqui. Eu ri demais no carrinho bate-bate.
– Eu arrasei dirigindo — lembrou Elena, gargalhando, cheia de orgulho. — Eu até aceitaria ir, mas teria que fazer rota de fuga para ninguém bater no meu carro. Seria sem graça.
– Vamos procurar algo mais light para fazer, que tal?
– Eu tenho uma ideia.
Eram dez horas quando Damon e Elena começaram a explorar os brinquedos acessíveis do parque. Por causa da gravidez da jovem, eles não puderam ir aos mais radicais, mas ela não se importou por ter certo medo de altura. Os minutos foram se passando muito rápido conforme curtiam um ao outro. Eles nem se importaram em molhar as pessoas ao redor tendo em posse armas de água que ganharam em uma das tendas de tiro ao alvo. Pela primeira vez em muito tempo, ambos agiam como o casal que costumavam ser, uma dupla que encontrava motivos para sorrir por qualquer coisa e que conseguiam deixar os problemas de lado.
Eles nem viram os ponteiros marcarem onze horas. E, ela estava ao lado do namorado vendo-o tentar acertar aros em torno de uma garrafa. Ela ria enquanto ele ficava furioso ao perder pela segunda vez.
– Dam, esquece — disse Elena, prendendo os cabelos que estavam encharcados.
– Eu não vou esquecer. — Damon deu um soco de leve no balcão gostando de ser desafiado. — Mais uma vez.
Elena suspirou e ocupou o banco ao lado da tenda.
– Damon, o persistente.
Ele lhe lançou uma piscadela e voltou a jogar os aros nas garrafas. Ela ergueu o olhar para o alto e viu o relógio, cujos ponteiros se aproximavam da meia-noite. Sentiu os músculos enrijecerem ao cair na real que aquele era o último dia do ano. O último dia daquele ano que quase a destruiu por completo e a fez perder Damon. Intimamente, desejou que a virada acontecesse logo para poder abrir uma página em branco e escrever um novo capítulo da sua vida.
– Aqui!
Elena se assustou ao dar de cara com algo peludo ocupando todo seu campo de visão. Ao erguer a cabeça, se dera conta que era um enorme urso de olhos azuis.
– Em nome dos velhos tempos — disse ele, coçando a nuca. Fazia tempo que ela não o via ficar embaraçado.
– Own! Mais um para ficar ao lado do Delena. — Elena pegou o urso e o abraçou forte.
– Delena — perguntou Damon, confuso.
– Sim, o nome do primeiro urso que você me deu. Eu dou nome às coisas, Dam — explicou Elena como se fosse à coisa mais normal do mundo. (N/A: A autora também. Até meu chinelo tem nome haha...). — Ele se chama Delena porque representa a junção dos nossos nomes. Damon e Elena, igual à Delena.
– Se nosso bebê for uma menina, ela se chamará Delena.
– Também não é para tanto, Damon.
Damon riu abismado com a mente inspiradora da namorada e sentou-se ao lado dela. Repetiu o mesmo gesto de Elena e prendeu sua atenção no relógio que marcava onze e quinze. Começou a sentir uma comichão sacudi-lo por dentro, fazendo-o ficar inquieto.
– Está tudo bem? — perguntou Elena, observando-o.
– Sim, está — assegurou Damon automaticamente, como se tivesse sido programado para dar aquela resposta.
– Você parece ansioso — comentou Elena, como não quer nada, abraçando o urso com mais força. Queria se aquecer, pois sua roupa estava semi molhada.
– Eu estou ansioso para o ano novo chegar. — mentiu Damon fazendo de tudo para não encará-la. Se fizesse isso, ela o pressionaria até que ele revelasse qual seria a terceira surpresa.
– Só isso? — insistiu Elena, com a testa enrugada.
– Só isso!
Eles ficaram sentados, em silêncio. Observavam as pessoas se aglomerarem aos poucos perto do relógio, pois teriam um ângulo melhor para assistirem a queima de fogos. Algumas crianças berravam para os pais, perguntando se podiam ir a outros brinquedos, mas eles negavam ou diziam que os filhos iriam mais tarde, pois temiam que fossem perder algum lance da virada do ano. A morena imaginou como seria daqui para frente. Sem dúvidas, traria o bebê naquele parque para se divertir.
Elena ergueu os olhos para o céu e não viu nenhuma estrela. Ele estava muito escuro, talvez, coberto pela neblina. O frio tornava-se mais insuportável conforme ficava mais tarde e ela fazia um grande esforço para não ranger os dentes. Apoiou a cabeça no ombro de Damon e cerrou os olhos, feliz por tudo estar tão perfeito. A única coisa que a jovem temia era a tal da terceira surpresa, que agitava seu coração a bater cheio de ansiedade.
– Quer ir à roda gigante? — sugeriu Damon dando um beijo no cocuruto de Elena.
– Seria uma boa ideia — concordou Elena, erguendo a cabeça.
– Vamos então!
Eles se levantaram e rumaram para a fila do brinquedo preferido de Damon. Não foi nenhuma surpresa ao constatarem que ela estava grande, mas o fator não gerou o desânimo do casal. Ambos ficaram agarrados, conforme andavam a passos lentos, procurando se aquecer um no outro.
– Me lembra de nunca mais brincar de jogar água quando você estiver com roupas claras. – Disse Damon emburrado. A camisa de Elena estava semi molhada e o seu sutiã preto de renda aparecia perfeitamente. Fazendo muitos jovens e alguns homens a olharem. Elena deu um riso abafado.
– Esta com ciúmes, Damon? — questionou ela risonha.
– É claro. Não gosto desses homens a olhando.
Elena riu.
– Vai me dizer que não gostou do meu visual sexy? – disse Elena de uma forma sensual.
– E claro que eu adorei... Mas não quero que desejem o que é meu. — respondeu emburrado. Ela riu de seu comentário.
Era dez para a meia-noite quando eles finalmente conseguiram seus lugares na roda gigante. Elena sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao lembrar que o brinquedo era um pouco grande, o que significava que iria mais alto do que imaginava. Ao fechar o trinco do cinto de segurança, seus tímpanos foram dominados por um zunido indicando que o passeio foi iniciado.
– Odeio altura! — comentou Elena mordendo o lábio inferior.
– E por que está aqui sua boba? — indagou Damon, desacreditado. — Isso porque te perguntei antes.
– Porque meu namorado vai me dar segurança quando a nossa cadeira ficar lá no alto. — Elena evitava olhar para baixo. O vento tocava seu rosto, lhe dando um pouco de conforto.
Cinco para a meia-noite. Damon percebeu que estava com o tempo quase esgotando.
– Elena, eu preciso te falar uma coisa. — Damon, virando o rosto para a namorada. Sua voz expressava certa urgência e isso fez Elena lhe dar total atenção.
– O que foi, Dam? — Elena perguntou, preocupada. Ela viu a sombra de ansiedade no rosto do seu namorado, a mesma que viu quando estavam sentados no pub e no banco do parque.
– Lena, eu sou péssimo com discursos, mas tentarei fazer melhor do que isso.
Um solavanco mais forte agitou o brinquedo. Damon se dera conta que a roda gigante tinha empacado, com a cadeira da qual estavam na metade do percurso.
– Não olhe para baixo — pediu Damon vendo Elena arregalar os olhos de susto. — Olhe para o céu!
A morena engoliu em seco e fixou seus olhos no céu negro, acalmando-se aos poucos. Só de saber que não estava com seus pés em solo firme, sentiu suas mãos suarem por debaixo das luvas. Um minuto para meia-noite. Damon estava nervoso. Começou a contagem regressiva.
– 10... 9... 8... 7... 6... 5... 4... 2... 1... – E os fogos explodiram. De repente um avião passou e jogou um grande cartaz. Que a todos ali poderiam ver. Um cartaz de Damon na qual ele pediu a Tyler para realiza-lo.
Elena estava surpresa, boquiaberta, se sentia feliz. Muito feliz. Ela estava quase enfartando.
Ele dizia: “Elena, eu amo você. E eu sei que você é a mulher da minha vida.”
– O que você quer dizer com isso, Dam? — ela estava com certa dificuldade para respirar. Elena não sabia se era por causa da tensão de estar no alto ou se era pela forma como Damon a olhava.
– Apenas olhe para lá — ele disse e ela obedeceu.
O avião saiu e apareceu outro que dizia: “Eu esperei muito tempo por você e tenho certeza que meu lugar é ao seu lado. Eu quero ter a chance de te fazer a pessoa mais feliz do mundo.”
Damon respirou fundo, observando aqueles olhos castanhos que brilhavam de pânico olhando o céu negro. O avião saiu e entro um terceiro.
E ele dizia: “E eu quero compartilhar minha vida com você, Elena. Se possível, para sempre.”
– Dam... — Elena fechou os olhos e os abriu no mesmo instante. A ideia, aquela ideia voltou a sua mente com força total.
– Apenas olhe, Elena. – ele disse nervoso. E ela assim fez.
O terceiro saiu e o quarto apareceu. E no cartaz dizia:
“Eu sei que não somos tão maduros ainda, mas tudo o que já passamos até aqui só prova o quanto somos fortes, o quanto somos feitos um para o outro. Você é a mulher da minha vida, será a mãe do meu filho... Eu não consigo viver sem você, Elena. Por isso, eu quero que nós nos tornemos um casal de verdade, oficialmente por assim dizer.” Nisso o avião saiu.
Ela sentiu um solavanco no estômago. A vozinha, aquela vozinha que a alertou que se apaixonaria por Damon, voltou a atormentar seu cérebro, avisando o que viria a seguir. O quarto avião saiu e mais nenhum apareceu. Elena assustou-se com mais um fogo de artifício e nele estava escrito o que ela pensava que demoraria algum tempo para acontecer.
Ele dizia: “Elena Gilbert, você aceita se casar comigo?”
Elena olhou para Damon. E ele vasculhou o bolso. O mesmo bolso que ele vinha fuçando desde o começo daquele encontro. De lá de dentro, tirou uma caixa de veludo vermelha e a abriu diante dos olhos da morena que permanecia estática. De repente a imagem deles apareceu no telão e todos do parque os assistiam. – Então Elena Gilbert, você se casaria comigo?
Ela deixou os olhos irem de encontro à caixa vermelha, que continha um lindo e simples anel de noivado, com uma pedra que ela não conseguiu reconhecer qual era devido ao nervoso que a desconcentrava. Estava assustada por todos a assistirem. E ansiando por sua resposta.
– Damon, eu... — ela não sabia o que falar, parecia que estava sufocando.
– Se você não quiser, eu...
– Cala a boca! — ordenou ela com a voz fraca. Ela levou as duas mãos a cabeça, piscando algumas vezes para ter certeza que aquilo que estava acontecendo era real. — Não diga bobagens, por favor!
– E então?
Ela encarou aqueles olhos azuis. Não conseguia acreditar que aquilo tudo estava acontecendo. Jamais imaginou que a terceira surpresa seria um pedido de casamento, em um passeio na roda gigante. Seu corpo tremia por inteiro e a jovem pode ver que Damon estava tão assustado quanto ela. Estava surpresa por ele ter feito tudo aquilo para pedi-la em casamento.
– É claro que... – ela parou — Eu aceito! — ela apoiou suas mãos sobre as de Damon com medo que ele derrubasse a caixa de veludo. — Eu aceito casar com você, Damon Salvatore.
Damon sorriu, o sorriso mais feliz da sua vida inteira. Ela deixou um riso nervoso e gutural sair da sua garganta e ecoar escandalosamente. Todos que assistiam gritaram deixando Elena envergonhada. Elena levou a mão à boca e pensava que aquilo não poderia estar acontecendo. Só poderia ser um sonho.
Cuidadosamente, Damon pegou a mão esquerda de Elena e tirou a luva felpuda que a protegia contra o frio. Tirou o anel da caixa e, lentamente, para deixar aquele momento gravado na memória dos dois, colocou o anel de noivado, cujo brilho reluziu sobre a luz que iluminava completamente o céu.
– Eu te amo, Salvatore. — Elena olhou para o anel, abobalhada. Estava noiva. Noiva de Damon Salvatore.
– Eu também te amo, Gilbert e futura Sra. Salvatore. — Damon acariciou seu rosto e inclinou a cabeça para encontrar aqueles lábios frios, trazendo-os para um beijo quente e apaixonado.
Elena retribuiu o beijo expondo todas as emoções que afloravam na sua pele. Tocou o rosto de Damon, temendo que seu coração saltasse pela boca, enquanto o céu queimava em luz e fogo, como se celebrasse a união e o amor daquele casal que, naquele instante, estava no topo do mundo.
Continua...
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