Always.
1 Capitulo Unico.
Notas iniciais
Minha primeira one shot Snape x Lily, espero que gostem :3
Um homem caminhava cabisbaixo pelas ruas de Godric's Hollow. Apesar das roupas de trouxa, não passava despercebido; estava vestido totalmente de preto, das botas que calçava nos pés até o grosso cachecol que cobria a boca e o grande nariz; seus cabelos eram muito negros e oleosos, e caíam como uma cortina sobre seu rosto, deixando apenas um pequeno espaço por onde se viam seus olhos, negros como besouros. Severo Snape se parecia com um ponto negro no meio de um mar branco.
No bolso do casaco, ele segurava firmemente a varinha e um pedaço de pergaminho amassado. Já viera a Godric's Hollow várias vezes, mas nenhuma por um motivo tão especial quanto este, e, provavelmente, não iria mais voltar ao vilarejo. Não depois do que acontecera duas semanas atrás.
Pelo que ouvira, ela estava grávida do segundo filho, e não precisava ter morrido. Deu a vida pelo garoto Potter, que sobreviveu, sabe-se lá como. Foi tirado das ruinas da casa por Hagrid, o guarda-caça de Hogwarts, e levado à casa dos tios trouxas. Mas o menino, Harry Potter, não importava. Agora nunca mais iria ver aqueles olhos verdes magníficos, ou o balanço dos longos cabelos de um acaju vibrante, ou ouvir sua doce voz, ler sua delicada caligrafia, ou qualquer outro tipo de contato com Lily Evans.
O motivo pelo qual esperara duas semanas para ir visitar sua sepultura era simples e vergonhoso; não possuia coragem. Ver seu túmulo seria como admitir a si mesmo que tudo teria acabado, e que seu único amor se fora, pra sempre. Mas, agora, já não havia mais como adiar este encontro.
Agora já alcançara a praça, próxima ao cemitério, onde havia um memorial de guerra. Claro, poderia ter aparatado logo na entrada dele, mas queria ter um tempo para pensar antes de...
E parou de súbito em frente ao que antes era um memorial de guerra. No lugar do obelisco, havia uma estátua em tamanho real de três pessoas. A mais alta era um homem de cabelos despenteados e óculos de aro redondo, abraçando a cintura de uma bela mulher de cabelos longos, que, por sua vez, carregava um bebê quase idêntico ao pai, exceto pelos olhos. Mesmo no concreto, sabia que aqueles olhos eram de um verde tão vibrante quanto os de Lily, por conta de seu formato. Sim, os olhos eram idênticos.
Por um instante, ficou momentaneamente perdido, então voltou a andar. Às suas costas, a estátua voltou a ser o simples memorial de guerra.
Agora, já via o portão do cemitério. Só estava à uma rua de distância, e, então, atravessou-a e entrou no cemitério.
Claramente, ele era limpado com pouca frequência; as lápides estavam cheias de neve, as velas quebradas ou tombadas, e, as flores, mortas.
Dumbledore lhe explicara com exatidão o caminho até o túmulo dos Potter, e, enquanto caminhava, cruzou com o de Kendra e Ariana Dumbledore. "Porque onde estiver vosso tesouro, aí estará também vosso coração" mais uma das citações de Dumbledore.
E, então, poucas fileiras atrás do túmulo da mãe e irmã de Dumbledore, encontrou. "Aqui jaz Tiago e Lily Potter. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte".
Postou-se em frente ao túmulo e, apontando a varinha para ele, limpou-o. Conjurou, também, lírios, e colocou-os cuidadosamente sobre o túmulo.
Sentiu algo molhado e gelado escorrer por seu rosto, e por um segundo pensou que estava chovendo, até perceber que eram suas lágrimas. Uma após outra, elas caíam por seu rosto até o túmulo de mármore, onde logo estariam congeladas.
Depois de tanto suplicar, de tanto implorar ao Lorde das Trevas que a deixasse viver... se nem ele, seu melhor Comensal da Morte, conseguira um único vestígio de solidariedade ou misericórdia, nenhum outro conseguiria.
E o Lorde das Trevas também poderia ter escolhido os Longbotton. A profecia citava claramente um menino nascido no final de julho, e, no caso, haviam dois, e Lord Voldemort poderia ter escolhido Neville, mas, para sua total tristeza, escolheu Potter.
Agora as lágrimas caíam com tanta violência que ele teve de se apoiar no frio mármore para não cair. Os soluços silenciosos sacudiam violentamente seu corpo, e seus olhos estavam cerrados, mas não impediam as lágrimas de caírem.
Ainda chorando, apanhou o pedaço de pergaminho em seu bolso, e abriu-o. Em sua própria caligrafia, um bilhete para Lily estava escrito, contando-a seu amor. Planejava entregá-lo à ela neste mesmo mês, mas...
Abriu um pequeno buraco na terra abaixo da neve, depositou dentro o bilhete. Ele agora estava enterrado junto à sua amada.
Agora já exausto, arrasado e confuso, Severo ajoelhou-se em frente ao túmulo.
– Eu te amo, Lily — sua voz saiu rouca e falhada.
Secou as lágrimas do rosto, ergueu a mão trêmula da varinha, e murmurou:
– Expecto Patronum!
E o animal prateado irrompeu da ponta da varinha, fitando-o. Todas suas lembranças felizes eram relacionadas à Lily, tanto que seu Patrono era o mesmo que o dela, uma corça, que agora mirava atentamente o túmulo, como se lesse os dizeres gravados nele.
Quando aproximou a mão da corça para tocar em seu rosto, ela evaporou, deixando sua mão trêmula a tocar o ar congelante em Godric's Hollow.
Foi nesse momento em que ele percebeu que amaria Lily para sempre.
Notas finais
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