Always
1 Bem-vindos a Volterra
Eu estava completamente perdida. Bem, na verdade, nós dois estávamos. Josh, meu irmão mais velho, e eu aproveitamos o dia nublado e chuvoso para passar pelas ruas de Volterra despercebidos, e batemos na porta daquele antigo castelo sem saber o que nos esperava do outro lado. Quer dizer, sabíamos que estava cheio de ‘gente como nós’, mas o que eles pensariam quando vissem em seu castelo dois jovens vampiros nômades pedindo abrigo? Agora não importava mais, uma moça, mais especificamente, uma humana muito bonita, de pele escura, magra e alta, abrira rapidamente a porta ao ouvir o toque da campainha. Percebi sua ‘condição’ graças ao cheiro. O cheiro do sangue humano ainda era algo que me atraia muito e, não vou dizer que quando uma leve brisa bateu contra ela, jogando sob nós o seu ‘perfume’, eu não tive vontade de atacá-la, mas depois de tantos anos utilizando toda a minha força de vontade para me tornar uma vampira vegetariana, eu consegui me segurar. Para Josh era mais fácil. A forma como ele se aproximava de humanos e parecia não ter vontade de beber seu sangue era invejável.
O nome da tal mulher que nos recepcionara era Gianna. Pelo menos, era esse o nome que constava em seu crachá. Quando nos viu, ela abriu um grande sorriso e, sem fazer uma pergunta se quer, nos convidou para entrar no castelo. Eu sempre fui muito tímida e, por isso, deixei que Josh entrasse em minha frente e me puxasse pelo braço para que eu entrasse também. Antes de tomar qualquer providência, Gianna fechou com delicadeza as antigas portas do castelo e virou-se para nós. Percebi que ela parecia um pouco ansiosa, parecia estar organizando seus pensamentos para decidir o que nos perguntaria primeiro. Enquanto isso, fiquei parada olhando para ela e imaginado se ela sabia o que nós éramos para estar tão relaxada diante de nossa presença. Quando o silêncio começou a ficar um pouco contrangedor, ela finalmente disparou:
– Sejam bem-vindos ao castelo dos Vultori! Aposto que os dois estão aqui para pedir para entrar para a guarda ou algo assim, não é? Tenho certeza de que nossos mestres terão o maior prazer em recebe-los aqui!
Quando ela começou a falar até fiquei assustada com o nível de empolgação em sua voz, mais não deixei que isso ficasse evidente. Josh percebeu o susto que tomei quando apertei seu braço e então, ele decidiu nos apresentar para a recepcionista, para tentar fazer com que eu me sentisse um pouco mais a vontade, se é que isso era possível.
– Obrigada,ah..Gianna. Meu nome é Josh e essa é minha irmã, Catherine. Nós viemos até aqui porque, bem, queríamos nos unir ao clã. Não temos família nem amigos vampiros, somos só nós dois no mundo, e gostaríamos de aprender mais, hum...sobre nós, entende? – disse ele em um tom suave e delicado.
– Mais é claro que sim meu querido, tenho certeza que para todos será um prazer ter dois jovens como vocês entre nós. Mais antes de leva-los até nossos mestres para saber se podem ficar, preciso que me diga: quantos anos tem sua irmã?
– Bem, ela tem 96, mais foi transformada com 16.
– Perfeito! Vou pedir para que Felix os anuncie.
Quando Gianna perguntou minha idade, já sabia a razão. Quando ainda era humana, meus amigos me diziam que eu tinha carinha de criança e, quando me olhou, ela deve ter imaginado em algum momento que eu era uma criança imortal. Eu sabia muito pouco sobre crianças imortais, apenas que cria-las ia contra as leis dos vampiros e que, um vampiro que quebra as regras, acaba morto. É, acho que eu sabia o essencial. Para minha sorte, eu não era mais considerada uma criança imortal com 16 anos, apenas aqueles transformados antes dos 13 anos eram. A única coisa que me aborreceu um pouco naquele dialogo entre meu irmão e a secretária foi ela imaginar que eu tinha menos de 16 anos, quer dizer, eu pareço tão criança assim?
Enquanto ficava imaginando quantos anos eu aparentava com a minha ‘carinha de criança’, Gianna foi chamar Felix como havia dito. Os dois foram até a recepção para que ele levasse a mim e Josh até o salão em que os ‘mestres’ estavam. Felix era muito grande, alto e forte, como se fosse um guarda costas, já sua pele era pálida como as nossas. Ele estendeu a mão para meu irmão para cumprimenta-lo e então disse olhando para Josh:
– Sigam-me. Levarei os até a sala dos Vultori. Quando chegarem lá, expliquem a eles exatamente o que vieram fazer aqui, eles não gostam de enrolação.
Josh assentiu com a cabeça e, segurando em minha mão como para garantir que eu não iria sair correndo pelo castelo, fez o que ele havia dito. O tom de voz de Félix me parecia um tanto o quanto rude, mas pouco me importava no momento, estava um pouco nervosa para conhecer os Vultori. Chegamos então na porta que dava para o salão onde eles estavam. Félix virou-se para nós e disse:
– Esperem um momento, vou anuncia-los.
Dessa vez, o tom de sua voz pareceu mais suave, como se tivesse se arrependido de ter sido tão frio da primeira vez que falou conosco. Fizemos como ele mandou e ficamos aguardando do lado de fora. Logo ele saiu do salão e fez um sinal para que nós entrássemos. Segurei firme na mão de Josh, que percebeu que eu estava um pouco nervosa, e então entramos. O lugar era amplo, tinha uma arquitetura antiga e muito bonita e, ao fundo haviam gigantescas prateleiras de livros. Diante das prateleiras havia uma mesa e três enormes cadeiras; apenas duas das cadeiras estavam ocupadas, uma por um homem muito alto, de longos cabelos negros que tinha uma expressão serena e um pouco cansada, ele tinha um rosto longo e estava com um livro nas mãos ao qual lia superconcentrado, e na outra cadeira, estava um homem de estatura mediana, cabelos na altura do queixo que tinham cor de bronze, olhos vermelhos e também parecia muito concentrado no que lia. A terceira cadeira estava vazia, mais ao lado dela, de costas para nos estava um homem baixinho, na verdade, apenas uns 5 centímetros menos que eu. Ele também tinha cabelos negros, porem os seus iam apenas na altura dos ombros. Como só podia ver suas costas, não pude reparar em mais detalhes que o diferenciasse dos outros dois vampiros sentados nas cadeiras. Félix, que adentrou o salão novamente, atrás de nós, pigarreou levemente para que os três notassem nossa presença. Isso fez com que o mais baixinho deles se virasse para nos encarar. Enquanto os dois que estavam sentados ficaram apenas olhando, o menor veio até nós com ansiedade e logo se apresentou:
– Olá meus queridos, permitam que eu me apresente, sou Aro, e estes são Caius – ele apontou para o homem de cabelos mais curtos. – e Marcus. – agora apontava para o homem mais alto e de expressão mais serena. — Gostaria de saber seus nomes.
– Meu nome é Josh, e esta... — Josh apontava para mim para me apresentar até que Aro o interrompeu.
– Por favor, deixe que ela me diga. Então querida, qual é o seu nome?
– Sou Catherine.
Naquele momento, decidi derrubar a tensão que me dominava. Pensei que minha timidez pudesse fazer com que os Vultori também pensassem que eu poderia ser uma criança imortal, apesar de minha altura e feições dizerem o contrario na minha opinião. O dialogo então continuou.
– Muito bom, muito bom. – disse Aro em um tom meio sinistro, que parecia ser o seu normal. – Catherine, querida, me permite?
Aro estendeu sua mão em minha direção em forma de comprimento, eu esperava que ele fizesse isso para meu irmão. Quando ele pediu permissão, achei estranho, afinal era só um aperto de mão, questão de educação...bem, era o que eu pensava. Retribui estendendo-lhe a mão, mas ao invés de um comprimento, Aro colocou a outra mão sob a minha e foi então que tudo começou...
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