Always
8 Chapter Seven - Nevermore
Notas iniciais
Apesar disso tento o máximo para concluir o quanto antes cada capítulo... E creio que vai ser difícil de finalizar este fanfic ainda neste ano (ô, se milagre acontecesse...).
Enfim, chega de jogar papo fora. Por fim chegou, a separação do Snape com a Lílian, aquela conversa de cortar o coração...
Capítulo sete, espero que se deliciam com a leitura.
E não se esqueçam de caixa de lenço, vai ser necessário.
Chapter Seven
“Nevermore”
“Se eu pudesse voltar no tempo, você ainda seria minha
Você chorou, eu morri
Eu deveria ter fechado minha boca, as coisas pioraram
Como se as palavras escorregassem pela minha língua, soaram estúpidas.”
Eu não estava conseguindo pensar em nada. A raiva, humilhação, ódio borbulhavam por todo o meu corpo só por estar a escutar aquelas risadas, e o constrangimento só piorava a situação. Principalmente pela presença dela.
Eu estava fora de mim.
– Eu não preciso da ajuda de sangue-ruim imundo com ela! – as palavras escaparam da minha língua e caíram direto no chão.
Vi os olhos dela arregalarem enquanto um denso silêncio cobriu o local, se enroscando e sobrepondo na minha garganta. Aquele fervor caótico drenou pelo meu corpo em um piscar de olhos, fiquei paralisado como se estivesse levado um banho de água fria.
Os grandes olhos verdes me admiravam em um completo silêncio, pude ver um brilho indecifrável, e o meu reflexo neles estava tão pasmo quanto a expressão dela.
– Bem... – o choque da sua face foi se transformando aos poucos em uma gélida expressão. – Não vou me incomodar no futuro. – disse calma, as suas palavras cravaram no meu peito.
– Não... – os meus lábios trêmulos se debateram para que se mexessem. – Não, Lílian... – a voz não saía, tentei negar com a minha cabeça, mas todos os meus músculos se enrijeceram diante da cena. Estava me sentindo ofegante, os ares estacam escapando dos meus pulmões. Escutei Potter rosnar algo ao meu lado enquanto apontava a varinha na minha direção, mas não consegui escutar as palavras e muito menos interpretá-las, a minha atenção estava totalmente dirigida à Lílian. Ela mal se quer olhava para mim.
Lílian... Lílian, por favor... Não faça isso comigo. Olhe para mim...
Olhe para mim...!!!
– Eu não quero que você o faça se desculpar! – a escutei rosnar para o grifinório. Ela havia gritado com fúria, mas pude ouvir claramente a voz dela tremer. – Você é tão desprezível quanto ele!!
As palavras se enterraram em meu peito, subitamente e com toda força. A dor era tamanha, indescritível que mal conseguia me manter direito em pé, as minhas pernas anunciavam a se despencarem a qualquer instante. O latejar do meu peito acompanhava o ritmo acelerado do meu coração, pulsando consigo o pânico por todo o meu corpo.
– Não... Não... – chacoalhei a minha cabeça para os lados em movimentos mal acabados. – Não, Lílian... – o tremor ocupava toda a minha, abafando a voz que debatia ao sair dentro dela. Porém ela estava tão concentrada no Potter, berrando com histeria que nem se quer notava a minha tentativa inútil de desfazer o mal entendido. – Lílian, por favor... – implorei para que ela pudesse me escutar, para que a voz chegasse até ela.
– Você me dá NOJO!!
Apesar de não ter sido dirigida para a minha direção, o meu corpo estremeceu ao escutá-la pronunciar aquelas cruéis palavras malditas.
As órbitas dos meus olhos ficaram ainda mais sobressaltadas ao notar que ela olhara finalmente para a mim, mas lançando um olhar que ela nunca havia me mostrado em toda a minha vida...
... Um olhar de puro desdém.
– Lí... – a minha voz falhou. Ela franziu ainda mais a testa enquanto os seus lábios tremiam por conter a raiva dentro de si, e simplesmente deu as costas e saiu às pressas do local. – NÃO...!! Lílian... LÍLIAN!!! — Gritei com fervor, desesperado ao ponto da minha voz queimar a minha garganta, obstruindo vários músculos de tão potente que fora, mas ela nem se quer olhou para trás, nem sei se ela conseguiu escutar pelo meu clamor. Tentei me desfazer de tudo que me mantivera preso, mas em um estalo de dedo a minha visão estava novamente ao revés.
Tiago Potter havia me suspendido de ponta cabeça no ar mais uma vez. Mesmo sendo inútil, eu tentei desfazer aquele feitiço, debatendo-me com todas as forças – uma tentativa ridícula, eu sei.
Mas eu tinha que sair daqui, eu não poderia gastar o meu tempo sendo ridicularizado. Eu precisava ir ao encontro de Lílian e desfazer esse mal entendido o quanto antes. Tenho certeza que eu vi um brilho escorrer pelo rosto dela.
– Me perdoe... – fechei os meus olhos, senti que algo me apertava por dentro. O sangue descia lentamente para a minha cabeça, e a cada pulsar que explodia dentro da minha cabeça a nítida expressão tristonha de Lílian queimava com mais intensidade na minha memória. – Me perdoe, Lílian... – balbuciei com fraqueza. Desta vez não foi Tiago, nem a Petúnia. Fui eu...
... Eu fiz você chorar.
– Vá embora daqui, Ranhoso!
– Daqui eu não saio. – retornei a repetir para a grifinória, o rosto dela contraiu ao respirar fundo, aborrecida.
– Ela não quer vê-lo. Sendo assim, por gentileza, vá embora – inspirei bem lento para não me descontrolar e mantive o ar preso dentro dos meus pulmões por alguns instantes. Retornei a soltá-lo somente quando voltei a abrir a minha boca.
– Já disse. Não me faça falar repetir a mesma fala, sua... – parei assim que a vi descolando os lábios, pronta para retrucar e atenta no que eu poderia ter insinuado. Engoli as palavras e os puxei de volta para a garganta. – Eu não sairei daqui até ver a Lílian – corrigi-me com calmaria forçada e dissimulada. – Dormirei aqui se for necessário...!
Não sei exatamente o que surtiu mais efeito: a minha insistência de quase meia hora ou essa ameaça de agora há pouco, uma única coisa clara era que a tal bruxa me olhou com assombro antes de sumir pela entrada do dormitório. Não sabia por certo se ela ficou cansada ou aborrecia com a situação desagradável, mas postei todas as esperanças para que ela estivesse ido chamar a Lílian.
O cansaço voltou a elevar dentro do meu corpo, começando pela dormência nas pernas que pouco a pouco se misturava com a fadiga. Os meus olhos estavam pesados, ardiam em intervalo de tempo o que me forçava a cerrá-las com força ao ponto de franzir a testa. Encostei as minhas costas com um grande baque em uma das paredes de pedras, notei que o retrato da Mulher Gorda me espionava pelo canto dos olhos e depois direcionava para cima, em uma expressão de desgosto. Contive o suspiro e tentei ignorá-la por não querer arrumar nenhuma confusão a mais, além disso, eu estava mentalmente esgotado para encarar mais um bate-boca.
A minha mente estava desgastada pelo mar de remorsos, as palavras e imagens iam e voltavam como se fossem ondas sorrateiras. Não importou por quanto que a busquei e a procurei, Lílian simplesmente desaparecera do campo da minha visão desde aquele incidente. Não sei exatamente se ela estava mantendo distância ou se estávamos nos desencontrando, apesar de a primeira opção me parecer mais coerente, de acordo com o desenrolar da tarde.
A sua busca não foi nada agradável para o meu estado emocional, pois a cada hora que passava mais aflição ocupava a minha mente. As últimas horas pareceram-me uma eternidade – uma tortura interminável.
A imagem daquela face assombrada não saia da minha cabeça, e volta e meia as suas palavras ecoavam dentro de mim.
– Você é tão desprezível quanto ele!!
Senti novamente uma forte pontada no meu peito, fazendo-me franzir ainda mais a testa. A dor só tendia a piorar, mantendo a minha respiração presa em punho invisível e contorcendo os músculos por dentro. Pressionei com força um ou dois dedos na área entre os meus olhos, esperando que pudesse me fazer distrair dessa dor profana.
Desprezível... Desprezível... Desprezível... Desprezível...
Os ecos se embaralhavam entre si feito uma assombração.
- Ca-ham...! – o pigarro da Mulher Gorda me fez desprender dos flashes de imagens, foi uma ajuda em tanto, porém a calmaria durou pouco pela irritação fervente começar a subir até a minha cabeça.
Suspirei devagar enquanto abria os olhos quase na mesma velocidade, a encarei com a antipatia e a mesma me lançava um olhar de desprezo, mas antes que eu pudesse pronunciar qualquer palavra ela fez um pequeno gesto com a cabeça para que eu olhasse para um dos lados.
A inesperada aparição da Lílian diante do retrato me fez quase cair com tudo no chão.
– Lí... – o meu coração subiu até a garganta, porém o sorriso murchou na mesma hora que notei quão frio o seu olhar estivera. E assim que os nossos olhares se encontraram ela fez questão de desviá-los rapidamente. Cruzou os braços e parecia extremamente aborrecida.
Não tenho nenhum direito de reclamar com a sua atitude, pelo contrário, eu deveria estar grato por ela ser generosa por estar aqui diante de mim mesmo depois daquilo, mas... Não posso. É inevitável de sentir essa pontada no meu peito.
– Me desculpe... – o murmúrio saiu abafado, poucos segundos depois engoli em seco enquanto cerrava os olhos. Direcionei a cabeça para baixo deixando uma pequena curvatura na linha da coluna, fechei com força os punhos contra a minha calça esperando que o tremor morresse logo. – Me desculpe – repeti um pouco mais alto.
– Não estou interessada. – falou curta e grossa. Fechei ainda mais os punhos, as unhas cravavam nas áreas mais macias dos músculos, o formigamento ocupava lentamente toda a área.
– Me desculpe! – insisti. Ergui o olhar com esperança insegura que talvez Lílian pudesse ter um pouco de compaixão, mas ela não teve dó em me cortar.
– Poupe seu fôlego – o olhar dela chegava a arder sobre a minha pele de tão intimidador que era. – Eu só saí porque Maria me disse que você estava ameaçando dormir aqui.
– Estava. Teria feito isso – corrigi-me na mesma hora. Ela retornou a suspirar, abaixando o olhar com a nítida tensão de aborrecimento, o que me fez engolir um enorme peso. Os músculos da minha garganta movimentavam trêmulos. Expulsei um pouco de ar que ainda restava e voltei a falar baixo. – Lílian, nunca quis chamá-la de sangue-ruim, simplesmente me...
– Escapou? – ela interrompeu-me, o monossílabo que ela despejara para fora dos lábios dela cortou a minha garganta em um cruel movimento, fazendo com que as palavras jorrassem dali com uma grande pressão.
O meu corpo estremeceu quando ela reerguera a cabeça, direcionando o olhar diretamente para os meus olhos. Tão concentrada, tão profunda, como se pudesse enxergar o meu interior por todo. Os olhos que normalmente lançavam um dócil sorriso agora estavam rígidos, indiferentes.
E impiedosamente os lábios dela começaram a se mover.
– Há anos dou desculpas para o que você faz. Nenhum dos meus amigos consegue entender sequer porque falo com você. Você e seus preciosos amiguinhos Comensais da Morte – não pude desviar o olhar, eu estava intimidado com as enxurradas de palavras, elas se envolviam pelo meu pescoço sem apertá-lo e lentamente entravam para a minha cabeça e lá sussurravam sem parar, produzindo ecos psicóticos. Não pude me mover até que as últimas palavras me atingiram em cheio, inconscientemente abaixei o olhar para um dos lados, como se eu me entregasse. Lílian abafou um pequeno riso sarcástico ao admirar a cena. – Está vendo, você nem nega!! – não demorou em Lílian me encurralar mais e mais com suas palavras, o meu corpo tremeu e encolheu rapidamente ao notar o aumento claro da voz dela. Lutei desesperadamente para me manter concentrado no chão de mármore desgastado, mordendo os lábios de tamanha vergonha que sentia de mim próprio.
Sentia dores horríveis no meu peito, e não era a Lílian que causava esse desconforto, mas sim as palavras que ela pronunciava – da verdade escrupulosa e sórdida sobre a minha pessoa.
Não tenho palavras para me defender, ou melhor, o que eu poderia dizer? Uma autodefesa preenchida com mentiras mal acabadas e desculpas esfarrapadas? Não negarei, Lílian tem toda razão no que acabou de dizer e ela foi precisa, rígida e cruel suficiente para me fazer refletir.
O meu maior desejo foi consumido, estou na casa da Sonserina como eu havia cobiçado desde que tenho a consciência, ou pelo menos em parcela... Talvez essa ambição havia me deixado completamente cego para não ter conseguido enxergar no desejo de Lílian. Ela gostaria de ter vindo para a Sonserina? Seria essa mesmo a escolha dela? São perguntas que nunca surgiriam naquela mente entorpecida de empolgação. Quem sabe se eu fosse mais sábio e menos idiota, quem sabe assim eu teria escolhido a Grifinória. Apesar de ir contra a minha própria natureza, era a única saída e a última esperança a ser depositada se eu quisesse ao menos permanecer ainda ao lado dela.
De um jeito ou outro ela começou a se distanciar de mim, e não importava o quanto ela negasse sobre isso ou dissesse que tudo estava bem, a dor agonizante de ser abandonado só confirmava o tal fato a cada dia que se passava, a cada momento que ela começava a dedicar em outras situações, outras pessoas. E o que eu fiz para servir de consolo? Simpatizar com os bruxos da minha casa era o que eu poderia ter feito para não ser “notado” entre os sonserinos. Criei um vínculo com alguns, mas nenhum em especial para chamar de companheiro, aprendi a rir das piores piadas de mau gosto, conviver com o humor negro era primordial, e acima de tudo, fui obrigado a enxergar o lado mais sombrio deles e conviver com isso. Tive que me entregar a essas circunstâncias, eu era forçado a enxergar como um sonserino, agir como um sonserino, pensar e falar como um sonserino, se não... Se não o que seria de mim no meio daquele ninho de serpentes peçonhento?
Eu estava traindo a amizade de Lílian e quem sabe eu mesmo por conta próprio estava procurando meios para me distanciar dela? Mas eu não consegui, eu não teria conseguido suportar nenhuma corrosão causada por aquele veneno, não aguentaria sentir a dor lacerante daquelas presas...
Eu fui um covarde, um tremendo de um covarde hipócrita que mal consegue lutar por algo que mais deseja neste mundo, é isso quem eu sou.
Rangi os meus dentes, as minhas mãos até esqueceram a sensação do tato de tão forte que eu as fechava. A ardência do meu rosto só piorava a cada segundo e todas as partes dos membros do meu corpo tremiam pela vergonha. Não conseguia encontrar nenhuma palavra dentro da minha boca, até elas estavam se debatendo para se esconderem entre a língua.
– Você nem nega que é isso que vocês pretendem ser! – ela continuou a jogar as verdades na minha cara com tom ofensivo e hostil. A sua voz tremia e falhava em pequenos intervalos, mas ela não parou por nenhum segundo. – Você mal pode esperar para se reunir a Você-Sabe-Quem, não é?
Abri a minha boca e ergui o olhar pelo puro ato de reflexo, mas hesitei logo em seguida, juntando os lábios e desviando novamente o olhar para os meus sapatos desgastados. Escutei um profundo suspiro bater contra o meu corpo, impaciente e alto. Um silêncio mórbido reinou sobre nós, até mesmo as chamas das velas estalavam em pequenos sons, o corredor estava assustadoramente vazio, nenhum fantasma se quer ultrapassava as paredes próximas. Eu estava prestes a delirar com tantas palavras prensando a minha cabeça.
Me desculpe. Não era isso que eu quis dizer. Eu fui um idiota. Eu não quis te magoar. Por favor... não me abandone.
Eram tantas palavras com tantas combinações diferentes, mas nenhuma delas era boa o suficiente para ser dirigida a ela. Não conseguia encontrar as palavras certas para poder expressar o que eu estava sentindo, muito menos para demonstrá-la e transmiti-la a ela.
Sob tanta pressão, tanto nervosismo a minha mente começava a entrar em um caos com a sequência de debates mentais interrompível. A cada segundo que passava o coração batia ainda mais rápido – tu-bum, tu-bum, tu-bum. TU-BUM! O ritmo constante estremecia o meu peitoral e a intensidade era tamanha que ecoava na minha cabeça. Parecia uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento.
Vamos, Severo. Diga alguma coisa, seja sincero consigo mesmo nem que seja a primeira e a última vez na sua estúpida vida.
Vamos, diga... DIGA!!
Foi no exato momento que eu criei a coragem e abri a minha boca, aquelas palavras congelaram o meu sangue em um único sopro.
– Não posso mais fingir. Você escolheu o seu caminho, eu escolhi o meu...
Algo...
... Senti algo afundando dentro do meu peito, apertando brutalmente o meu coração em um único fechar de mão, fincando as garras nos músculos e aprisionando o ar entre os dedos.
Uma frieza cadavérica se irradiou por todo o meu corpo, roubando os meus movimentos, congelando a minha expressão. A admirei rígido e com os olhos sobressaltados, horrorizados, incrédulos e amedrontados. As mãos estremeceram ao ver o olhar límpido e frio de Lílian, o qual estava direcionado para a mim e não encontrei nenhum fragmento de calor nele, somente um par de olhos de vidro que refletiam quais queres emoções sem deixar transparecer nenhuma delas. Senti o meu coração apertar.
– Não... – balbuciei muito fraco, sentindo a textura seca da boca. – Não... Escuta, eu... – o tremor das mãos começou a ramificar rapidamente feito uma parasita, feito um veneno. Ele caiu na corrente sanguínea e se irradiou rapidamente por todos os membros do meu corpo. – Lílian, eu não quis...
–... Me chamar de sangue-ruim? – as palavras se enroscaram na minha garganta ao tocar naquela tonalidade da voz dela. Ela enrijeceu a face por alguns segundos, parecia impaciente, decepcionada, frustrada... e o olhar dela se tornou ainda mais enigmático e confusos a meu ver. Apesar da frieza, ele queimava a minha pele, corroendo aos poucos, ao mesmo tempo parecia gritar algo com desespero, esperando que eu conseguisse entendê-la. – Mas você chama de sangue-ruim todos que nasceram como eu, Severo. Por que eu seria diferente? – ela deixou que uma emoção em específico transbordasse no meio da sua fúria: tristeza. E a voz soou-me fraca da mesma forma que ela falara, estremeceu e quase deixando uma lágrima escorrer pelo canto dos seus olhos.
Aquilo foi uma gota d´água para mim.
Dei alguns passos e ergui uma das mãos até a face dela. Eu não poderia ficar parado e assistir aquela menina se despedaçar na minha frente desse jeito, estremecendo, soluçando.
Foi quando guiei a minha mão para enxugar a face dela, senti um choque súbito e doloroso na palma. A admirei com assombro, ela só me devolveu um olhar de desprezo enquanto ainda mantinha a sua mão suspensa no ar.
– Não toque eu mim. – ameaçou, tentando se manter firme. Ela enxugou rapidamente as lágrimas com as mangas da blusa e retornou a falar com tremor. – Chega, não dá mais...
Uma onda de desespero chocou-se contra o meu corpo outra vez, me deixando desamparado no meio daquele mar de horrores. Balancei desesperadamente a cabeça para os lados, implorando para que ela não dissesse o que eu esperava pelo pior. O aperto sufocante do meu peito me mantivera mudo, impedindo para que nada pudesse escapar entre os meus lábios, tanto o ar quanto as palavras. Mais do que nunca as emoções se debateram dentro de mim, lutando para se manifestarem. Depois de notar nos meus movimentos ela também começou a gesticular fracamente, fazendo o oposto, afirmando com leves, mas claros acenos positivos com a cabeça.
– Eu falei, não falei? “Você escolheu o seu caminho, e eu escolhi o meu”? –
Relutei o quanto pude, debati com as minhas forças. Mas tudo era em vão.
Não. Escute, Lílian. Não diga isso... Por favor, não... PARE!!
As palavras subiam até a garganta, mas uma a uma padeciam e se tornavam em meras cinzas.
Ela me admirou e notou no meu desespero aparente, mas não fez absolutamente nada, permaneceu em silêncio, o par de olhos verdes não sorriam para mim.
– Até mais ver, Severo.
Foi a última frase que ela pronunciou antes de desaparecer pelo buraco do retrato. Em contra partida eu não consegui mover um músculo se quer, estava sozinho naquele corredor vazio... Sozinho.
A minha voz apodrecia dentro da minha boca, mas não conseguia parar de gritar por seu nome internamente.
Lílian... Lílian... Lílian... LÍLIAN...!!!
NÃO ME ABADONE, LÍLIAN!!!
Urgi tão alto, tão forte ao ponto de sentir os músculos da garganta se rompendo um a um. Mas eu sei... Estou ciente. Você não conseguiu escutar, não é mesmo?
Há muito tempo escutei algo a trincar, e olha no que resultou. Tudo estava despedaçado em milhares e em tão minúsculos pedaços que não havia nada e nenhum meio para consertá-lo.
Perdi a Lílian, os seus sentimentos, a sua presença, o seu sorriso... Tudo. Não dava para reverter a situação, não importava o quanto eu desejasse.
Irreversível.
... Nunca mais.
Notas finais
Espero que a minha escrita não tenha decaído. Está uma leitura fácil? Está chata? Eu poderia melhorar (sempre né, Yuu)...?
Será que mereço reviews? Preciso de incentivos, my dears.
Tomara que a quantidade de palavras tenham compensado por esse longo tempo que não atualizei.
ACEITO REVIES EM FORMA DE CRÍTICA CONSTRUTIVA. A ÚNICA COISA QUE PEÇO HUMILDEMENTE É QUE SEJA GENTIL c:
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