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2 Chapter One - The Reason
Notas iniciais
O capítulo foi inesperado e não ocorreu como eu pensei... BUT, aqui! O trecho da música pertence a Hoobastank, da música 'The Reason'.
Boa leitura!
Chapter One
“The Reason”
“Eu encontrei uma razão para mim.
Uma razão para começar de novo.
E a razão é você”
A minha vida não é uma das melhores que alguém poderia ter.
Uma esposa humilhada pelo próprio marido, um marido que agredia a sua própria esposa. Para completar um filho dos ambos que nasceu e cresceu vendo a mesma imagem, repetindo as mesmas cenas dia pós dia – gritos do pai, choros da mãe. Gritos do pai, choros da mãe... Uma criança solitária que sempre fazia a mesma pergunta.
Por que eu nasci?
Não recebia mais do que exigências e palavras grotescas dele. Não ganhava mais do que prantos dela. Para que finalidade eu nasci nesta família em ruínas?
Uma bruxa casar-se com um trouxa... Foi o pior erro que ela poderia ter cometido.
Mas se não fosse por essa união desgraçada eu não existiria.
Então assim seria melhor. Preferível seria escuridão a imagens claras, uma existência do nada a vida infeliz... Mas tudo mudou ao encontrá-la. Somente por tê-la visto.
Sempre dava um jeito de fugir daquele lugar, o quanto mais longe possível, por mais demorado que fosse me permitido. Sentia-me preso ali feito um prisioneiro ao seu cativeiro, um local escuro e frio, sem um pingo da imagem de uma casa. Não havia nada de lareira aconchegante, uma mãe sorridente, um pai carinhoso... Era apenas um edifício pequeno, imundo, escuro e frio. Mais do que uma família parecíamos três vultos presos ao local.
Os caminhos até lá eram sempre longos e custosos, os meus pés ficavam mais pesados a cada passo que tentava dar, e mais a minha consciência gritava:
– Pare. Pare... PARE!!!
Ficava a imaginar que cena iria encontrar, se eu chegasse cedo demais seria do trouxa fazendo escândalos, se fosse tarde demais era dela caída em um canto ainda mais escuro, guinchando e lágrimas escorrendo do seu rosto.
Que novas feridas ela terá ganhado hoje? Seriam piores do que as de ontem?
Será que trouxa está mais controlado, ou será que ele estaria insatisfeito e viria deixar mais marcas roxas em mim?
Ficava pensando por minutos na entrada, mas no final eu voltava ao meu presídio sendo pela vontade própria ou pelo uso de força bruta dele.
Nunca pensei que no meio de uma trajetória obscura como aquela eu iria encontrar algo tão extraordinário como... Ela. Ainda me lembro perfeitamente dos passos que escutei e os risos que os acompanhavam, assustado acabei por me esconder, e a imagem restrita que pude captar entre os arbustos ofuscou a minha visão, preenchendo-me completamente, invadindo o meu interior com ousadia, atiçando aquele meu desejo tolo de criança – Família.
Um pai aparentemente carinhoso ao centro, uma mãe aparentemente sorridente ao lado do tal e duas meninas à frente. Uma delas estava um pouco atrás, apesar de não escutar com clareza acreditei que estava reclamando da outra a frente, uma garota de longos cabelos de cor acaju tão intenso como o sol do entardecer que a iluminava, não consegui enxergá-la bem, mas os risos dela me deixaram... fascinado. Ela andava no ritmo que mais era do seu agrado, saltitava e rodopiava como se estivesse dançando, mas o que me deixou realmente boquiaberto foi no momento que pude perceber nas flores dos gramados – sem a presença de vento elas se movimentavam freneticamente da direita à esquerda, das folhas a pétalas, e quando a garota saltou mais uma vez uma dúzia delas saiu da terra e voou até rodeá-la, acompanhou aos movimentos giratórios e pareceu dar a garota tempos a mais para continuar girando... e flutuando.
Eu estava tão pasmo quanto a outra garota, porém tão fascinado quanto os dois adultos que nada faziam a não admirarem a dança, e a garota de cabelos acaju apenas continuou a rir, os seus pés tocaram no asfalto com leveza, porém as flores continuaram lá, parados ao redor da garota como se mãos invisíveis estivessem as segurando.
– Para com isso!! – garota horrorizada guinchou. – Mamãe, fala para ela parar!!
– Por que Túnia? Não são lindas? – garota sorridente pegou uma das flores flutuantes e a esticou até a outra. Por momentos pude perceber na curiosidade que surgia na face da outra, mas não demorando muito ela contorceu a sua face e com um único movimento arremessou a flor no chão com uma tapa. O sorriso da garota de cabelo acaju sumiu na mesma hora. — Túnia!
– N-Não... – a voz dela ficou engatada na garganta. – Não quero uma flor esquisita como essa!! – gritou com histeria e na mesma hora a mãe dela a reprimiu.
– Petúnia! Isso não é uma coisa que se fale!
A tal de Petúnia apenas franziu mais a testa e apertou os lábios enquanto olhava para a flor caída no chão com intensos brilhos nos olhos, mas logo um tom vermelho foi colorindo a face, uns pavios saltitavam, os seus lábios tremiam como as suas mãos e com um movimento brusco ela pisoteou a flor. No mesmo momento as outras flores flutuantes se despencaram no chão e só pude escutar um grito de horror.
– TÚNIA!!!
– Eu não gosto... Não gosto disso!! Eu detesto isso!!! – Petúnia falou aos gritos dando olhada na flor pisoteada, os seus lábios tremeram mais uma vez e saiu correndo. Vi o pai suspirando profundamente e depois de fazer um cafuné na garota de cabelos acaju ele saiu atrás da Petúnia.
Ela se ajoelhou e juntou a flor morta em suas mãos, os seus ombros tremiam e em intervalos curtos o corpo dela se chacoalhava.
– Querida... Não se preocupe – falou a mãe ficando de joelhos também, a mão se dirigiu até as pequenas costas da garota e fez leves carícias. Quando ela ergueu a cabeça em direção da mãe pude ver lágrimas escorrendo, ambas se abraçaram fortemente e apenas senti um aperto em meu peito. – Vamos, Lílian. O papai já deve ter acalmado a sua irmã.
A garota afirmou com um leve aceno de cabeça enquanto soluçava, juntou uma por uma as flores imóveis, mas no momento em que ela os soltou no gramado eles caíram com leveza, as suas raízes se fixaram mais uma vez na terra e voltaram a flores comuns. As duas sorriram, dando as mãos para se rumarem. Os meus pés não me obedeceram quando dei um passo para frente e quase que a garota me viu por notar nos barulho dos arbustos, apesar dela procurar algum animal no meio deles os seus olhos se encontraram com os meus... Eram verdes profundos... A mãe dela deve tê-la convencido que fora um vento, pois logo elas continuaram a caminhar pelo asfalto já iluminado pelos postes. O único que ficou parado era eu, abismado, boquiaberto... Surpreso.
– Então ela também é uma... – sussurrei, as emoções se debatiam com tanta voracidade no meu interior que as minhas mãos estavam tremendo. As imagens que eu vi não eram alucinações... Ela é uma também. Ela também tem os mesmos poderes que a minha...!
Aquela sensação de algo borbulhar dentro de mim, a queimação, a inveja que eu senti ao ver uma família intacta... Desapareceram. O imenso vazio dentro de mim por relembrar no vínculo desgraçado que tenho com eles, a solidão que isso me provocava logo foram preenchidos por... Novas emoções. Nunca havia sentido tais como essas... São quentes, confortadoras, me deixam inquieto.
Sempre pensei que o meu coração era um enorme pedaço de pedra, oca e fria, pois nunca o senti bater, e só sabia que ele existia por muitas vezes ele provocar dores e apertos insuportáveis – Mas eu estava enganado... Ele está batendo... Eu estou o sentindo.
– Lílian... – falei o nome dela. Baixo para ninguém ouvir, alto o suficiente para marcar em minha mente.
Esse nome... Ela seriao motivo para eu abandonar os dias mortos para finalmente começar a viver. Ela seria a minha razão para buscar a tal chamada... Vida.
Notas finais
Espero que tenha sido do agrado...!Aceito comentários e críticas!Até o próximo capítulo!
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