Notas iniciais
Amanda, você morreu? Então, querido leitor, eu não morri, mas minha criatividade sim. Sim, sim, eu sei que tinha dito que nas férias era muito certo que eu voltaria como sempre estive, mas, na verdade, tenho várias justificativas pra este enorme período que passei sem atualizar a fic, na maioria problemas pessoais, e acho que isso acabou resultando num bloqueio criativo. Tipo, tinha realmente tirado de cogitação continuar com essa fic. No entanto, hoje, sei lá porque, acordei me lembrando do futuro que eu tinha planejado pra esses personagens e fiquei com muita vontade de escrever. Pra me motivar ainda mais recebi um review de um leitor dizendo que ainda tá esperando pelos capítulos :') Enfim, essa volta acabou sendo melhor do que eu esperava, não achei que ia conseguir retomar com o mesmo ar que eu tava quando parei, mas me surpreendi porque até tive mais ideias pra o desenvolvimento. Mas é isso, agora é só ler e ver o que acontece com Alvo, Rosa e Scorpius u.u

Alvo estava extremamente concentrado no barulho das ondas, tentando fingir que sua única preocupação era adivinhar qual delas chegara mais perto do fim da areia. No entanto, os soluços de Rosa misturados com os protestos desesperados de Malfoy, estavam tornando sua tarefa quase impossível.

Enquanto se balançava rapidamente como um – o que já o descrevia muito bem – louco, o garoto tentava respirar fundo e imaginar estar em outro lugar.

– Não podem me prender! Sou Scorpius Malfoy! MALFOY! Reconhece este sobrenome? Minha família não se mete com esse tipo de coisa, somos do alto escalão, eu devia estar...

O grandão que os levara até o lado de dentro do pub – que já estava a um bom tempo dando olhares zangados como advertência a Scorpius – passou um dos braços pelo ombro do garoto e com o outro tapou sua boca. Ignorou completamente os gritinhos do loiro e voltou a falar em francês com o barman que estava atrás do balcão de bebidas. Falavam sobre algo sério, mas o barman não parecia dar muita atenção para o que quer que o guarda estivesse dizendo. De vez em quando eles davam olhares furtivos aos garotos, mas era só.

Por mais frustrado que estivesse, Alvo sabia que se ia sair dali, o seu tempo era curto. Esquadrinhou todo o recinto (havia um que outro cliente, mas nenhum parecia ter sequer notado a presença deles) e fixou seu olhar na porta, onde agora dois guardas estavam supervisionando. Não havia outra saída visível... A não ser, talvez, a janela. É, a janela era a solução, dava para um corredor que possivelmente teria saída para o lado contrário da praia. Olhou para Scorpius e viu que não haveria um modo de chamar o garoto rapidamente, então decidiu que nem tentaria, afinal, certamente ele daria um jeito de escapar daquele lugar pelo seu nome. E sua prioridade no momento era sua irmã e Carlos, ele chegara tão longe... Não poderia parar agora.

Estalou os dedos, tentando chamar a atenção de Rosa, mas a prima não parecia estar enxergando qualquer coisa à sua frente e apenas chorava. Alvo bufou, irritado, e levantou-se, iria sozinho mesmo.

– Tudo bem, podem me seguir – o grandão voltou com Scorpius (ele ainda estava segurando o menino fortemente para evitar mais gritos) até o banco onde estavam os dois, fazendo Alvo congelar.

Qualquer chance que tinha de fugir acabara de se esvair de suas mãos agora. Derrotado – muito embora ainda houvesse uma chama dentro dele que não o permitia aceitar que estava tudo acabado (provavelmente porque a ideia de ser preso aos treze anos em um país que não fosse o seu nunca estivera em cogitação) -, Alvo deu os primeiros passos por onde o grandão lhe apontou, seguido por Rosa e seu rastro de lágrimas.

– Qual é exatamente o crime? – perguntou ele, seguindo obediente por um corredor estreito e não muito iluminado.

– Todo e qualquer cidadão que mostre qualquer tipo de envolvimento com Marchan Bernard tem uma passagem só de ida para trás das grades – grunhiu o maior, se esforçando para fazer Malfoy arrastar os pés.

– Mas quem é ele? – Alvo se virou, e logo se arrependeu, voltando a andar rapidamente, pois o homem também parou e parecia pronto para lhe dar um bofetão.

Dessa vez não houve uma resposta concreta, apenas uma risadinha de desdém. Alvo concluiu que quem quer que fosse, Marchan não devia ser lá um sujeito muito decente, se até mesmo três garotos fossem presos ao mencionar seu nome. Achou que o bruxo grandão devia estar pensando que ele estava se fazendo passar por vítima para tentar escapar. E também se sentiu muito zangado ao imaginar o por que Brubock o mandara procurar por alguém cujo simples nome era capaz de tal estrago.

O fim do corredor deu para uma sala pequena com apenas um alçapão e nada mais. O grandão fez sinal para Alvo abri-lo e o garoto obedeceu. E, ao levantar a pesada portinhola, sentiu um forte cheiro de podridão penetrar suas narinas. Era escuro lá embaixo e havia uma escada para descer. O garoto olhou hesitante para o bruxo, mas o olhar intimidador que recebeu como resposta foi o suficiente para que se inclinasse e começasse a descer. Rosa veio logo depois, mas foi preciso mais alguns minutos para que Malfoy fosse forçado a descer, seguido pelo bruxo.

Alvo teve poucos segundos para notar que o lugar onde se encontrava era uma sala subterrânea com vários outros guardas tão grandes quanto o que os acompanhava, antes desse murmurar alguma coisa e sua visão escurecer. Não havia desmaiado. Era um feitiço de vendagem, provavelmente.

– O que houve? Estou cego? Oh, meu Deus, perdi a visão, estou cego! – gritou Scorpius, o desespero evidente em sua voz.

– Quieto, pirralho — vociferou o guarda, e Alvo foi empurrado para junto dos dois, onde foram conduzidos. Foram sempre reto, abriram portas e passaram pelo que parecia ser outro corredor estreito, mas o sentido era sempre em frente. Havia pessoas de ambos os lados do corredor, que murmuravam coisas enquanto os dois iam passando. Ele ouviu alguém gritar algo como “sangue novo no pedaço, ainda cheiram a leite!”, mas mal terminara a frase e fora silenciado com o lançamento de um feitiço. Continuaram andando...

– Parem – ordenou o guarda, batendo nas costas de Alvo.

Os três pararam imediatamente. Alvo sentiu sua varinha ser confiscado e presumiu que a dos outros também. Houve o barulho de chaves, e o guarda começou a falar em francês com outro guarda. O som de grades se abrindo e, com a delicadeza de um coice de cavalo, Alvo, Rosa e Scorpius foram jogados para dentro, onde recuperaram a visão.

Era uma sela de prisão.

Limpinha demais para o que se imagina de uma sela. Não muito grande. Paredes de pedra, dois beliches de cada lado, um criado-mudo antigo. Alvo viu o guarda que os trouxera até ali fazer um sinal para o que estava a postos na grade. Alvo também viu Brubock sentado no chão em um canto mais afastado.

***

Enquanto Rosa e Scorpius ainda estavam digerindo a ideia de serem presos – Rosa ainda derramando lágrimas e Scorpius (que parecia estar fazendo um esforço enorme para não fazer o mesmo) torcendo o nariz para o cheiro de terra e podridão que estava impregnado no local -, Alvo já havia passado por alguns estágios básicos que um garoto de treze anos passaria em tais condições. O primeiro foi a perplexidade de ver ali uma das últimas pessoas que ele esperava encontrar no momento. Depois foi a aceitação, até porque sua vida havia dado um giro tão grande que ele já não duvidava de mais nada. Logo depois veio a torrente de xingamentos, pois estava claro que toda essa confusão era unicamente culpa de Brubock, principalmente pela parte de Marchan Bernard. E, depois de se acalmar um pouco (e não ter mais argumentos além de “você fez isso com a gente” e “veja o que você causou”), o estágio atual era Alvo parado brutamente em frente ao garoto, os braços cruzados e feições duras, ouvindo sua explicação.

E Brubock falou.

Disse que esse tempo todo estava tentando ajudar. Disse que era o mensageiro de Boráth, e explicou o que era isso (muito embora Alvo tivesse viva em sua memória a aula de Runas Antigas onde ele aprendera na marra que Boráth significa “tempo”). Contou que cada grande nacionalidade bruxa era especializada em um determinado meio mágico. O da França era as “vias temporais”, isto é, tudo que envolve a magia do tempo. Desse modo, era responsável por prever grandes tragédias que podem ser evitadas para o bem não só da comunidade bruxa francesa, como de toda a humanidade. No entanto, em uma determinada época entre o retorno de Voldemort e a Batalha de Hogwarts, o Ministro da Magia francês, ao ser informado da previsão da grande possível tragédia que estava por vir, tratou de comunicar o Ministro da Magia inglês daquela época, Cornélio Fudge. Que, por sua vez, se recusava a acreditar em tal vidência, o que deixou o francês muito ofendido. Esse foi o começo de muitas rixas entre Reino Unido e França, que resultaram na separação do acordo moral que fazia a França contribuir com sua leitura das vias temporais para todo o Reino Unido.

Deste modo, ele, o Mensageiro de Boráth, estava altamente proibido de ajudar quem quer que fosse de nacionalidade inglesa. Porém, Brubock achava estupidez essa divisão entre os países, e tinha grande simpatia por Alvo, por isso viera o ajudando todo esse tempo. Ele também explicou que estava indo tudo muito bem, até que fora descoberto por seu chefe, Frontin, e mandado direto para a prisão.

– Sabe, Sr. Potter – disse ele, com ar de quem lamenta -, a primeira vez que em que lhe apareci, eu havia visto os planos de Bob Rondres...

– Planos? – interrompeu Alvo, que de repente ficara ainda mais interessado. – Quais os planos dele?

– Naquela época... – prosseguiu Brubock, com calma. – Por alguma razão que não consegui entender... Veja bem, nem mesmo o Mensageiro de Boráth pode compreender tudo, as vias temporais são complicadas, nós apenas temos o dom de ver um pouco além... Mas por alguma razão, Rondres queria mudar sua imagem. Seu pai já foi visto como um louco ao alegar a volta de Voldemort, acredito que Bob tenha tentado o mesmo com você.

– Por que ele faria isso? O que ele ganharia?

– Bom, na minha visão, com a sociedade despreparada seria o momento mais vulnerável para ele atacar. Isso, somado ao fato, de que o novo queridinho que dava esperanças ao povo, o que querendo ou não você conseguiu fazer em um momento como esse, estando com sua imagem manchada, não teria mais um símbolo da luta contra o mal. Além, é claro, de isso machucar você de uma maneira intensa, deixando você próprio vulnerável.

Alvo apenas concordou com a cabeça, porque fazia sentido. E ele lembrou da primeira vez que viu Rondres, na casa abandonada de Batilda Bagshot... Aqueles olhos azuis... E ele viu que o bruxo fazia coisas terríveis por diversão. E seu ódio aumentou ainda mais. E isso doeu, porque não era um sentimento do qual ele se orgulhasse.

Deu um longo suspiro e fechou os olhos, apoiando as mãos no topo da cabeça.

– Está tudo uma bagunça agora... – murmurou, sentiu os olhos queimarem. — Tudo tão bagunçado... E é minha culpa, minha culpa...

– Oh, não, por favor não diga isso, senhor... – pediu Brubock, rapidamente. – Se a culpa é de alguém este alguém sou eu. Jamais pretendi lhe causar tanto mal... Eu via tanta coisa... Tantas tragédias em universos paralelos das vias... Não entendia qual delas ia acontecer... Só queria ajudar... Queria evitar... Achei que o melhor método de fazer isso era lhe dar avisos... E foi aí que violei a principal regra do Mensageiro de Boráth: não intervir por sentimentos. Os sentimentos interferem muito em nosso trabalho... Não deveria ter intervindo no que já estava destinado para ser, talvez não fosse tão horrível como acabou sendo... Mas cada vez que eu tentava as coisas pioravam, e eu sabia que era responsável por isso...

– Seus avisos... – Alvo disse, depois de um longo silêncio. – O que você queria dizer? Os sonhos... Você me avisou sobre Rondres levar Carlos e Lilí... Não podia ter evitado?

O rosto de Brubock se contorceu de repente.

– Eu... Eu não via uma maneira de ajudar... As vias me mostravam que você era o único que podia evitar... Foi o que tentei fazer...

Scorpius e Rosa estavam sentados na cama beliche em silêncio, apenas ouvindo e observando. Malfoy não entendia bem do que estavam falando, mas até mesmo ele sabia que não era o momento de interromper.

– E em Hogwarts? – tornou Alvo, incapaz de desviar os olhos da parede de pedra à sua frente. – Você disse para eu ter cuidado com o que me procurava em Hogsmeade. Disse para eu não confiar em nada que viesse muito fácil. Era um sinal para me alertar quanto a Aberforth e McLaggen, certo?

– Sim, senhor. McLaggen é um comensal da Morte e Aberforth é o chefe dos embarcadores. Um ótimo homem, porém agora na velhice os comensais acham que podem convertê-lo. Sabe, se parar para observar, ele traria um bocado de produto contrabandeado que teria uma boa serventia para o pessoal de Rondres.

– Aberforth é um embarcador? – perguntou Alvo, perplexo. E, quando disse isso, notou a profundidade deste fato. – Aberforth é Hector?

– É este o codinome que ele usa – afirmou Brubock. – Bom, temi que você fosse se encontrar com ele, e queria você o mais longe possível de qualquer um que pudesse ter um envolvimento com bruxos das trevas.

Alvo pensou sobre McLaggen. Realmente suspeitava que ele fosse um Comensal da Morte, principalmente depois de Rosa ter aberto a possibilidade de o colar que o bruxo lhe mostrara como intimidação fosse uma espécie de nova Marca Negra. E por falar no colar...

– Aquele amuleto que você usa – disse Alvo, de forma acusadora. – O símbolo atrás dele.

Brubock não pareceu entender o que aquilo importava, pois franziu o cenho, e apertou os olhos.

– É o símbolo da magia francesa – respondeu, mesmo confuso. – A varinha apontada para o relógio, simbolizando o controle das vias temporais.

Se Alvo não estivesse completamente exausto e já frustrado o bastante, teria soltado um longo “ah”.

– McLaggen mostrou este símbolo em um colar para mim em Hogsmeade – explicou Alvo, achando que era seguro contar isso a Brubock, visto que ele não era um Comensal. – Achei que fosse algo como a nova Marca Negra...

Brubock concordou, lentamente.

– Você não está necessariamente errado – contestou, vendo o ar sem graça do garoto. – Como você deve saber, Rondres já morou na França. Alguns comensais usam este símbolo por vontade própria, acredito que para mostrar de quem é a fidelidade deles. Não exatamente ao país, mas a seu representante, neste caso, Rondres...

Fazia sentido. Tudo o que Brubock havia falado fazia sentido. Tudo se encaixava.

– O que você sabe sobre os Comensais? – dessa vez foi Scorpius quem perguntou.

– O que você quer saber? – perguntou Brubock, pacientemente.

Scorpius pensou um pouco antes de responder:

– Meu pai... Ele pode... – começou, hesitante, provavelmente com medo do que falar explicitamente que seu pai era um Comensal da Morte (muito embora isso já estivesse mais que evidente para Alvo e Rosa) poderia lhe causar.

– Marchan Bernard é um Comensal, não é? – Alvo resolveu cortar a pergunta de Malfoy, já que este parecia realmente ocupado pensando em uma maneira de perguntar.

– Sim, senhor – respondeu Brubock, dando um longo suspiro. – Foi burrice minha ter dito para procurarem por ele. Mas se o achassem, certamente achariam Rondres. Fui ingênuo ao ignorar que a segurança francesa é muito rígida, como você viu.

Rígida talvez não fosse bem a palavra certa para expressar o quanto o sistema era severo, tão rigoroso à ponto de prender três garotos por simplesmente mencionarem um nome.

– Ao levar seu amigo e sua irmã, todos acharam que ele estava fazendo isso para atingir. Algo como uma barganha, você por eles – retomou Brubock, calmamente, pois viu que o garoto ainda estava montando as peças em sua cabeça. – Mas o que eu vi através das vias... Acredito que ele tinha um motivo para pegar sua irmã. É quase como se ele precisasse dela para algo muito importante...

– Está dizendo que ele pretende usa-la de algum modo?

– É o que me parece – assentiu o Mensageiro. – Mas não consegui ir além nesse futuro, não está claro para mim. É como um ritual, algo que ela fosse um elemento ou algo assim... Não sei explicar... Mas sinto isso... Já seu amigo... Com ele é diferente. O que me parece é que ele não deveria ter sido levado. Quase como se fosse um erro... Algo não planejado... Mas que depois acabou servindo... Não está claro o porquê...

À esta altura a mente de Alvo já estava complicada o suficiente para que ele pudesse tentar entender o que nem Brubock entendia nessa história. Ele ainda estava aceitando tudo o que acabara de ouvir. E, de repente, notou que estava muito cansado. E resolveu se deitar. Não sabia ao certo se aquilo era viável devido ao que estava acontecendo, mas suas costas doíam o fazendo não pensar muito no que era certo em qualquer ocasião que fosse.

E Alvo dormiu. E, depois de um tempo, Rosa e Scorpius também dormiram. Brubock, no entanto, se manteve acordado. Seu olhar repousava sobre a sela à frente deles...

O tempo é algo curioso. Tão curioso que, às vezes, não podemos ou devemos alterar. Há quem acredite que tudo está destinado. Há outros que dizem que somos nós mesmos quem escrevemos nossos destinos. De qualquer maneira, o tempo é um “brinquedo” perigoso. A partir do momento em que mexemos nele, estamos abrindo várias vias temporais, cada uma com um universo paralelo diferente. No entanto, peculiarmente, às vezes todas essas vias podem acabar tendo o mesmo final.

Notas finais
Então, se você ainda tá acompanhando, por favor, deixa um review pra mim saber o que está achando. Mas é isso, acredito que agora vou postar o outro em breve (desse vez esse breve será breve mesmo u.u), então podem ficar tranquilos que acho que dessa vez essa fanfic vai fluir :')