Alvo Potter E O Mensageiro De Boráth
6 Má reputação
Notas iniciais
Mas enfim... Acho que não ficou tão ruim, e se ficou deem um desconto porque eu terminei de reescrever ele (pela milésima vez) ontem de madrugada! Tem uma surpresinha nesse capítulo... So, enjoy ^^
Aquele mês passou-se incrivelmente lento. Talvez porque os três Potter queriam realmente que passasse rápido, afinal, Lilí não via a hora de finalmente ir para Hogwarts, Alvo queria ir para Hogsmeade junto com o resto de sua turma, e Tiago... Bom, Tiago simplesmente estava polindo aquele distintivo todos os dias e estava louco para poder exercer seu trabalho como monitor na escola – coisa que Gina ainda estava muito preocupada. Alvo descobrira que ela mandara uma carta a Neville perguntando o que diabos ele estava pensando quando pôs Tiago como monitor, no dia seguinte que receberam o correio.
Com toda a euforia de saber que voltaria para Hogsmeade, Alvo esqueceu completamente do encontro com o garotinho de nome estranho, e resolveu nem tocar nem tocar no assunto Rita Skeeter, o que os pais pareceram ter entendido, pois evitavam comentar coisas sobre o Profeta Diário na frente dele – embora Alvo desconfiasse que a mãe tivesse que dar olhares ameaçadores a Lilí sempre que a garota abria a boca.
Mas mesmo com todo o apoio da família e mesmo depois do que o pai dissera, Alvo ainda tinha o artigo do Profeta Diário escondido embaixo da cama. Seus olhos cansados percorriam linha por linha todas as noites na esperança de encontrar algo diferente, algo que não o descrevia como um completo idiota, mas nunca mudava...
Na manhã do embarque, todos os Potter estavam animados com o dia do embarque e, para variar, atrasados. Se tinha uma coisa que Alvo realmente odiava, era se atrasar. E o problema maior era Gina...
– Sempre atrasados é claro! E a culpa é de quem? Minha? Não, é claro que não, a culpa é desse garoto preguiçoso que dorme mais que a cama e... Você está me imitando, Tiago Sirius Potter?
– Não, mae! É claro que não! Jamais! – Tiago se apressou em dizer.
A mãe lhe deu um cascudo de leve na cabeça e Tiago fez uma careta. Logo veio Harry carregando a mala de Lilí.
– Filha, por que sua mala está tão pesada? O que você está levando?
–Nada, pai! Só o necessário! – a ruivinha respondeu.
– Lilí, o Mr. Putty não precisa ir... – disse o pai retirando um enorme urso de pelúcia da mala da garota, mas a filha deu um muxoxo e o recolocou na mala. – Tudo bem, então... Tiago, vamos ver a sua...
– Ah... Não, pai, já tenho quinze anos! Posso fazer a mala sozinho, né?
Harry o ignorou e começou a abrir a mala. Tiago deu um sorriso nervoso a Alvo, e este bem podia imaginar o porque...
– Um saco de bomba de bosta? – perguntou Harry erguendo o saco.
– Por Merlim! – exclamou Tiago surpreso. – Como isso foi parar aí?
– Boa tentativa, mocinho, mas se não foi você então quem colocou isso aí? O Alvo?
Todos se olharam por um momento e depois caíram na gargalhada. Alvo não achou aquilo nem um pouco engraçado. Por que era tão difícil de achar que ele poderia levar uma coisa daquelas para a escola? Tudo bem que para começar ele nem fazia ideia do que fazer com aquilo, mas isso não o impedia de nada...
– Alvo, a autorização para visitar Hogsmeade está com você? – perguntou Gina.
– Tá aqui, mãe. – ele respondeu.
– Tem certeza? – retorquiu ela erguendo o papel.
Gina fez o filho verificar a mala pelo menos mais umas cinco vezes, o que ele achou totalmente desnecessário já que os pais podiam mandar por coruja qualquer coisa que ele esquecesse, mas é claro que ele nem tentou dizer isso para a mãe, pois se Alvo aprendera algo com os dias de embarque era sobre não irritar a mãe. Gina vivia dizendo que precisava de uma folga dos filhos, mas quando estes iam para Hogwarts ela sempre ficava uma olha de nervos. Hoje, em especial, ela estava ainda mais irritada, talvez pelo fato de que os três estivessem indo de uma vez só para Hogwarts.
– Por que ela não pode simplesmente chorar como as outras mães? – perguntou Tiago, após Gina dar chilique por causa de um quadro torto na sala.
Alvo sabia muito bem o porque Gina nunca fora do tipo muito sentimental que chora por qualquer coisa, era durona, e gritar era o jeito de demonstrar que estava meio chateada com a situação.
Ketwch, por outro lado, estava em prantos na hora da despedida.
– Meus pequeninos... Ketwch vai sentir saudades, ah vai... Se Ketwch pudesse Ketwch ia junto com eles...
– Não se preocupe, Ketwch, vou te chamar sempre que tiver vontade de comer aquele sanduíche de manteiga de amendoim que só você sabe fazer.
– Nem pense nisso, mocinho, Ketwch não é sua empregada particular.
Tiago revirou os olhos e saiu arrastando os pés para o carro; Alvo encolheu os ombros para os pais e seguiu o irmão; Lilí veio saltitando logo atrás; após Harry guardar as malas e Gina acomodar-se no banco, eles partiram.
Londres estava radiante naquela manhã. Um céu azul intenso e um lindo sol brilhante por de trás de algumas nuvens, nem parecia um dia primaveril. Até mesmo a natureza parecia estar animada naquele primeiro de setembro.
Quando o carro parou, Lilí saiu correndo para pegar um carrinho. Tiago se espreguiçou e deu um enorme bocejo. Alvo pegou a gaiola com Clatinie – que piava irritada por ter tido que ir no porta-malas – e seguiu até a plataforma.
– Tudo bem, Lilí, agora você sabe o que fazer é só... – começou o pai, mas a filha o interrompeu.
– Pai, já atravesso essa barreira há quatro anos! – ela disse, corando e fazendo sinal com a cabeça para uma família bruxa que também se aproximava.
– Ah, já entendi... – disse o pai, revirando os olhos. – Ok, pode ir...
Tiago deu uma risadinha e fez sinal positivo para a irmã que, de um impulso só, desapareceu entre as barreiras nove e dez. Alvo não pode deixar de ficar um pouco chateado com aquilo. Esperava que Lilí que era menina ficasse com um pouco de receio de atravessar a barreira, afinal ele mesmo tivera que ir com o pai. Tiago pareceu ler seus pensamentos, pois passou gingando com o carrinho e deu um sorriso de lado para Alvo, que retribuiu com uma careta. Após Tiago também desaparecer, Alvo pegou embalo com o seu carrinho e, quando não havia trouxas passando, ele fechou os olhos e atravessou a barreira.
A primeira coisa que viu quando pôs o pé para dentro da nova plataforma foi uma multidão de pessoas simplesmente congelarem e olharem para ele, num silêncio total. A mesma coisa acontecera no ano anterior, porém dessa vez as pessoas pareciam assustados ao invés de admiradas.
Tiago e Lilí que estavam mais a frente olharam para trás, mas os olhares não estava sobre eles, e sim sobre Alvo, que não tinha reação alguma a não ser ficar parado com as bochechas mais vermelhas do que nunca. Foi preciso que o pai, que acabara de atravessar a barreira, desse um tapinha em suas costas para que ele andasse. Os cinco Potter andavam lentamente pela plataforma, e aos poucos as pessoas foram voltando a fazer o que estavam fazendo, mas ainda assim os olhavam de canto de olho e cochichavam. Harry fingia não estar acontecendo nada, Alvo tentava imitá-lo, porém não com tanto sucesso...
– Não sabem que é falta de educação cochichar? – perguntou Tiago, atrevido.
–Tiago! – guinchou a mãe.
– Que foi? Eles estavam cochichando sobre o seu filho! – justificou-se o garoto. Alvo sentiu uma forte vontade de dar meia volta e voltar para a estação dos trouxas, lá pelo menos as pessoas não o olhavam como se ele fosse um animal sujo no meio dos limpos. Até mesmo Clatinie estava incomodada com a situação: não parava de piar indignada da gaiola.
– Ei... Harry! – disse uma voz conhecida. Alvo se virou e viu o tio Percy junto com a família e um homem que ele nunca havia visto. Eram praticamente as únicas pessoas que não pareciam estar cochichando sobre Alvo.
– Ãh... Percy! Como vai? – perguntou Harry forçando um sorriso.
– Ah, ótimo, Harry! Conhece o Sr. Helton? É do departamento de Transportes Mágicos.
O Sr. Helton era um homem meio gordo com cabelos ralos anormalmente pretos para sua idade; ele estava usando uma capa de viagem completamente preta e usava sapatos ridículos feitos de um tecido colorido e enrugado.
– Prazer! – Harry estendeu a mão e o Sr. Helton apertou, porém seu olhar estava sobre Alvo. Os olhinhos negros mirando o garoto atentamente e um sorriso maníaco que arrepiou os pelos da nuca do garoto.
– Então a Molly embarca esse ano? – perguntou Gina, quebrando o silêncio que se formou, ao que Alvo ficou grato. O Sr. Helton soltou a mão de Harry e, desviou o olhar de Alvo. – Lilí também...
– Ah, sim! – respondeu Percy. – Audrey e eu estamos muito felizes com o embarque da Molly, temos certeza de que ela irá adorar, e é claro, estávamos discutindo a Casa que seria mais adequada para ela, achamos que será Corvinal...
– Ou talvez Grifinória. – a menina disse. – Por mim uma das duas...
– É, mas o importante é que você terá alguém para conversar mesmo que não sejam da mesma casa, não é, Molly? – perguntou Audrey. – Lilí e você podem ficar juntas lá!
Lilí deu um sorriso torto de quem não aprova muito a ideia e Gina lhe lançou um olhar feio.
– Ah, Harry, já ia me esquecendo! Estamos regulamentando os padrões da nova linha de vassouras de corrida da Dacos, gostaria de dar uma olhada? – perguntou Percy, ansioso.
– Eh, claro, eu eh... Ah, olhe lá! Acho que o Rony está nos chamando! Então fica para uma outra hora, Percy...
Eles se despediram e Tiago foi o caminho inteiro reprovando o pai por não ser um bom exemplo para os filhos ao mentir, porém o pai conseguiu cala-lo com dois galeões. Tio Rony e tia Hermione já haviam chegado. Rosa e Hugo já estavam com as vestes de Hogwarts. Rosa até mesmo já segurava a autorização para Hogsmeade nas mãos, e Hugo mexia incomodado na roupa.
– Mãe, preciso mesmo vestir isso agora? Eles vão rir de mim! – disse o garoto.
– Claro que precisa! – respondeu a mãe ajeitando a gola da veste. – Assim pode aproveitar cada segundo da viagem e... Pronto! Você está uma graça!
– Ele está parecendo um velho! – riu-se Tiago.
Alvo e Lilí deram uma gargalhada e as bochechas de Hugo coraram. Rony revirou os olhos e desabotoou todo o uniforme deixando à mostra o suéter Weasley com um grande H bordado, depois bagunçou todo o cabelo do filho.
– Agora sim... Bem mais descolado, não acha? – perguntou ao filho, que se olhou e depois sorriu.
Tio Rony e tia Hermione conversaram com eles normalmente, Alvo adorou esse novo plano de fingir que nada estava acontecendo. Infelizmente, o apito logo soou. Alvo se despediu dos tios e dos pais, porém, antes de entrar no trem, a mãe o puxou pelo braço:
– Eh, Al... Cuide para que o Tiago não abuse do poder...
– Pode deixar! – disse ele rindo.
– E cuide da sua irmã, viu?
– Tudo bem, mãe.
Ele entrou no trem um segundo antes deste começar andar, e foi andando pelos corredores. Enquanto passava, algumas pessoas colocavam as cabeças para fora da cabine e o olhavam torto, alguma cochichavam e outras até apontavam. Alvo ficou meio nervoso, mas seguiu em frente. Deu graças a Deus quando achou a cabine de Alvo e Carlos.
– Até que enfim, cara! – exclamou Carlos quando ele entrou. – Como você está? Tem novidades?
– Ah, não... Bem, só... Eh, aquilo... – ele respondeu, meio sem jeito.
– Ah, sim... Claro... – disse Carlos que, pelo visto, também já ficara sabendo do fiasco no Profeta Diário. Ele provavelmente estava querendo saber mais sobre aquilo, pois ficou olhando para o amigo em expectativa, mas Alvo não queria falar sobre aquilo, não hoje.
Fez-se longo silêncio incômodo depois de Alvo colocar a mala no maleiro e sentar-se. Carlos olhava de um para outro e Rosa abriu a boca para falar pelo menos cinco vezes, mas tornou a fecha-la.
– Podemos ficar aqui? – perguntou Lilí à porta da cabine, junto com Hugo. – Tiago está com os monitores, a cabine do Louis está cheia e não vamos ficar com Dominique.
– Legal saber que somos a sua última opção... – debochou Alvo, abrindo a porta. Ficou extremamente feliz pela chegada dos dois ter quebrado o silêncio. Se tinha uma coisa que ele gostava sobre estar com os amigos era que nunca falavam dele. Era um dos únicos momentos em que Alvo não era o centro do assunto.
Lá pelo meio da tarde, Alvo saiu para dar uma volta – o que era só uma desculpa para ver como Tiago estava se saindo como monitor. Passou pela cabine de Fred, onde ouviu pequenas explosões; pela de Louis, que estava na mesma que Amy – que, por sinal, acenou para Alvo – e de Molly; e, por fim, viu Tiago tentando usar o distintivo de monitor como forma de pagamento pelos doces que a mulher do carrinho vendia.
– Mas, minha senhora, você não está entendendo! – replicava ele – Eu sou monitor! Estou a serviço da escola!
– Sim, meu jovem – respondeu ela num tom impaciente -, mas isso não o dá o direito de levar os meus doces de graça!
Tiago deu um muxoxo.
– Vou ter que rever os meus direitos com o Neville... – resmungou ele.
– Deixa de ser pão-duro! – retrucou Daniella. – Ah, oi, Al!
Alvo acenou de volta e, quando viu que duas garotinha que iam comprar doces foram embora ao ver que ele estava ali, o garoto revirou os olhos e foi embora. Várias outras cabeças saíram para fora da cabine para dar uma espiada nele, outras até trancavam a porta com medo. Ele apressou o passo, mas para o seu azar, Malfoy e seus fiéis escudeiros – os irmãos Jofrey e Dominique – saíram de uma cabine – Alvo quase caiu para trás ao ver a cara de lagarto dos Jofrey aparecerem do nada em sua frente — e bloquearam seu caminho.
– Ora, ora, ora! Falando no diabo... – comentou Valéria. Alvo se espantou ao ouvi-la falando, geralmente os fiéis servos deixavam apenas Scorpius se manifestar.
Scorpius deu uma risadinha e Alvo fez uma careta.
– Potter, o que faz aqui? Achei que tinha ido para Azkaban, loucura é crime, sabia? Não ficou sabendo do Sirius Black? Dizem que deu risada quando foi preso. Mas vai ver a Rita estava certa e a loucura é hereditária...
– Sirius foi preso injustamente. – defendeu Alvo. – E não era louco. Nem eu.
– Uh... – debochou o garoto olhando para os amigos. – Mas então, Potter, você deve estar feliz agora? Apareceu no jornal outra vez... Mas que coisa, hein? Logo você que era o mocinho da sociedade bruxa... Agora é o novo louco!
Alvo sentiu o sangue subir a cabeça quando alguns saíram das cabines para ver a confusão. Ele se sentia incomodado com aquilo, mas Scorpius, o contrário, parecia se divertir.
– Cadê o Cattér e a Weasley? Fugiram de você? – prosseguiu o loiro, ainda mais encorajado com os comentários de “Veja como ele está com medo!” – Acho que nem eles nem o seu irmão quiseram se contaminar, hein? E por que essa cara, Potter? Vai chorar? Que foi tem medo de...
Fez-se uma grande pausa. Não. Definitivamente não fora Alvo quem fizera aquilo. Dar um soco em cheio direto na cara de Malfoy só porque ele estava o provocando simplesmente não condizia com os tipos de atitudes de Alvo Potter. Porém, Scorpius estava se segurando na porta de uma cabine, na qual ele cambaleara com a força do soco, e seu nariz sangrava; também o punho de Alvo ainda estava erguido, mesmo com a forte dor latejante que tomara conta de sua mão direita. E Alvo? Alvo estava parado, atônito, tentando entender como aquilo acontecera.
Somente quando Marcel partiu para cima dele, em revanche, foi que o garoto se mexeu e protegeu o rosto com os braços. Por uma fração de segundo, ele sentiu uma dor lancinante em seu cotovelo, e quando abriu os olhos viu que o garoto também macura a mão com o contato dos ossos. Durante um segundo fez-se total silêncio e depois disso o corredor inteiro explodiu numa grande algazarra. Uns faziam “ooh”, e outros olhavam assustados para ele, e outros ainda perguntavam “ele é mesmo o Alvo?”.
– Quem foi que bateu no meu irmão? – destacou-se uma voz na multidão que, ao se aproximar, Alvo notou que pertencia a Tiago, que vinha acompanhado de Daniella.
– Foi ele quem bateu! – esganiçou-se Dominique apontando para Scorpius, que ainda estava com a cabeça para cima tentando estancar o sangramento.
– Não estou aqui para brincadeiras! – resmungou Tiago emburrado, olhando para a aglomeração de alunos e procurando um culpado. – O criminoso se apresente, por favor! Sou um monitor ocupado, tenho mais o que fazer!
– Fui eu! – disse Alvo, um pouco mais alto que um sussurro. Tiago ergueu a sobrancelha, mas ao analisar bem a “cena do crime”, ele pareceu dar-se por convencido, pois disse a Scorpius: — Você, vai colocar alguma coisa nesse nariz se não quer ter uma hemorragia e perder cinco pontos!
– Por que? – perguntou Scorpius, a voz fanha.
– Porque eu quero! – respondeu Tiago como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do universo.
– Sou da sua Casa! – contrapôs o garoto, era a primeira vez que Alvo o ouvia admitir aquilo em público.
Tiago que já havia dado às costas para ele, virou-se novamente e, após pensar por um tempo, respondeu:
– Vou pensar em uma punição para você. – Scorpius revirou os olhos e saiu acompanhado dos irmãos Jofrey e Dominique que ia abrindo caminho pelos alunos. – E você vem comigo, mocinho.
Apenas o tom de voz que o irmão usou acompanhado do “mocinho” deu uma incrível raiva em Alvo, que teve vontade de lhe responder malcriadamente, mas não queria dar outro showzinho na frente de todos. Seguiu o irmão e a Daniella até o vagão dos monitores. Alvo nunca havia estado lá. Era um compartimento bem grande levando em conta o fato de que era apenas para oito pessoas. Alvo entrou com os dois em uma cabine mais para o final e atirou-se em um banco, apoiando o rosto nas mãos.
– O que diabos você fez, garoto? – perguntou Tiago, fechando a porta. Alvo ergueu o rosto.
– Pelo visto bati nele, né? – disse ele com o máximo de ironia que conseguiu reunir em sua voz trêmula. – Ele me provocou, eu só não consegui me controlar, foi quase inconsciente e...
– Ah, sempre é... – disse Tiago com um sorriso bobo no rosto. Depois, voltando à cara séria, continuou: — Mas você extrapolou, cara! Vou deixar passar dessa vez, mas só dessa!
Quando viu que o irmão não estava brincando, Alvo revirou os olhos e saiu dali. Vários olhares assustados e cochichos o acompanharam de volta a sua cabine.
– Cara, o foi isso?! – Carlos praticamente gritou quando ele pôs um pé para dentro.
– É, achei que você fosse covarde. – disse Lilí. Depois, dando-se conta do que dissera, acrescentou: — Eh, não covarde, só não muito corajoso, hum... Ah, vocês entenderam!
Hugo deu uma risada.
– O que aconteceu, Al? – perguntou Rosa. – Não deu pra ver a briga, o corredor estava lotado.
Alvo atirou-se no sofá ao lado de Lilí, deu um suspiro e contou a eles. Fez questão de enfatizar bem que dera o soco num súbito impulso e que fora Marcel quem se machucara sozinho.
– Mas isso é bom, não é? – perguntou Hugo.
– Ah, é realmente ótimo. – respondeu Alvo. – Agora além de louco eu sou um cara malvado que bate nas pessoas.
– Isso mesmo! – exclamou Carlos com um dedo apontado para Alvo, que olhou-o sem entender. – Agora eles tem medo que você meta um soco no primeiro que atravessar seu caminho, ninguém mais vai zombar de você!
– Bom, por esse lado...
Alvo sentiu-se grato por eles não tocarem mais no assunto – embora Carlos sempre tentasse fazer perguntas sobre a cara que os alunos fizeram quando ele bateu em Scorpius, mas Rosa sempre o calava com olhares feios.
Pouco antes do fim da tarde, duas meninas pouco mais velhas que Alvo passaram pela cabine deles e uma delas e uma delas exclamou:
– Olha lá, é novo valentão!
– Não fala alto! – guinchou a outra, e as duas saíram apressadas.
Alvo tentou não parecer muito preocupado na frente dos amigos, porém a palavra “valentão”fora como um tapa na cara. Com certeza Scorpius exagerara as coisas, pois ele já batera no garoto no ano anterior – e apanhara o dobro depois — e nem por isso as pessoas ficaram com medo dele. Porém “bater”em Marcel fora a gota d’água que contribuiu para que Alvo se tornasse um valentão.
O trem parou logo quando anoiteceu. Os garotos saíram da locomotiva e foram até a plataforma de Hogsmeade, onde cumprimentaram um Hagrid sorridente.
– Outro Weasley então, eh? – disse ele a Hugo. – E você está a cara da sua mãe, Lilí! Tudo bem, eu vejo vocês depois, garotos!
Hugo e Lilí foram com Hagrid e os outros seguiram o caminho até os testrálios. Todos os alunos estavam meio afastados do trio – fato que Alvo fingiu não perceber – com exceção de Matt e Fred.
– E vocês ainda não veem os cavalinhos? – perguntou Fred.
– Testrálios. – corrigiu Rosa. – E não,. Não vemos.
– Ah, que pena... Como é solitário ser um bruxo extraordinário. – cantarolou Fred, que ainda achava que somente grandes bruxos fossem capazes de ver testrálios. Alvo, Carlos e Rosa se entreolharam rapidamente, todos pensando na teoria da ruiva sobre o porque do garoto poder ver os animais.
A pequena viagem no coche foi bem quieta. Matt parecia um pouco chateado, talvez por Tiago e Daniella não estarem ali.
– Hogwarts. – sussurrou Alvo ao, finalmente, parar em frente ao grande castelo.
O Salão Principal estava barulhento, porém, quando Alvo entrou, fez-se uma breve pausa. O garoto procurou andar normalmente – embora tivesse quase certeza de que estava parecendo um idiota balançando os braços com força – e olhar para frente, onde encontrou o olhar de Neville, que conversava com a professora Margarete. O diretor sorriu e piscou, aparentemente não muito interessado na conversa. Alvo seguiu andando lentamente e sentou-se bem na ponta da mesa da Grifinória.
– Até aqui tudo bem. Acho que eles até esqueceram da briga, foi só a euforia do momento – disse Rosa, sentando-se ao seu lado.
Mal o garoto assentira e Anita Parkinson, uma garota da Sonserina, gritou:
– Olha lá, o novo valentão! – ela fez questão de apontar para Alvo, que não sabia como reagir aos olhares e risos.
– É, ou não... – debochou Carlos. Carlos o olhou feio e o garoto ergueu as mãos em rendimento.
Felizmente, alguém cutucou Alvo, tirando sua atenção dos alunos.
– Olá, garotos! – disse o Prof. Denóires sorridente. – Eh, Alvo, posso falar com você?
O garoto e seguiu-o, grato por não ter que ficar sob o olhar dos outros. O professor o puxou para um lugar um pouco mais afastado dos demais.
– Alvo... Eu preciso saber exatamente o que você viu em Godric’s Hollow. – disse ele.
– Eu... Eu vi Bob Rondres.
– Não me diga! – riu o professor. – Quero saber o que ele fez! Como ele apareceu?
– Bom, a primeira vez foi na casa de Batilda Bagshot. Ele simplesmente apareceu e depois sumiu, aparatou eu acho. E depois também o vi no bar de Baddy. Ele estava passando pela rua, acho que sabia que eu o veria. Então eu saí correndo e ele sumiu outra vez! Mas dessa vez foi diferente, ele não aparatou, só... Sumiu.
– Estranho... – disse o professor coçando a barbicha ruiva. – Não existe feitiço de transporte além da aparatação...
– Acha que ele usou magia negra?
– É possível... – Denóires suspirou, depois pôs a mão no ombro do menor. – Escuta, Alvo... Sei que seus pais, Neville e toda sua família está dizendo a você para não se preocupar e relaxar, mas eu não penso assim. Sabemos que Rondres está à solta e que sim, quer a sua cabeça em uma bandeja de prata!
– Muito animador... – resmungou Alvo revirando os olhos.
– Garoto, você está sendo otimista demais! Rondres não vai desistir de ver você morto, Alvo! E você precisa usar a cabeça: o que você vai precisar para vencer Rondres?
Alvo pensou por um tempo, depois respondeu:
– Um exército bruxo, provavelmente...
– Exatamente! – concordou o professor. Alvo não entendeu. Achou que Denóires iria corrigi-lo dizendo que o que ele precisaria era de anos de treino com os melhores aurores que existisse. – Não vai derrotar Rondres sozinho, nem seu pai conseguiu derrotar Voldemort sozinho. Você vai precisar de amigos, Alvo, e essa não é uma boa hora para ser o novo valentão, mesmo que Scorpius tenha merecido.
– Eu... O quê...? – o garoto começou, mas de repente se dera conta do que o professor falara. Como ele sabia? Porém, assim como todas as vezes, o professor apenas piscou. Aquilo deixou Alvo ainda mais irritado do que já estava. Podia ser brincadeira, mas elenãoera um valentão. Porém o que Denóires falara sobre Rondres... Aquilo deixou Alvo com a cabeça cheia. Foi preciso que Rosa o cutucasse, pois ele nem estava prestando atenção na Cerimônia de Seleção. Hugo e Lilí vieram para a Grifinória, ao que Tiago fez apenas uma cordial comemoração – o que era muito,muitoesquisito para o garoto.
Para continuar o comportamento estranho, quando estava levando os alunos até o dormitório, Tiago ralhou com uma garotinha por conversar:
– E você fique quieta! Acha que só porque é quase minha prima vou te dar moleza?
– Desculpe... – ela murmurou.
Era Natalie Dursley que – Alvo achou muito estranho ao notar – fora para Grifinória. O que era bem estranho, pois a garota não fazia muito o tipo corajosa. No entanto, desde que o Chapéu Seletor mandar ele próprio e Scorpius para a Grifinória, ele estava começando a duvidar de sua lucidez.
Sua cabeça pesada e as pernas doloridas o obrigaram a ir direto para a cama. Passou por Scorpius, mas fingiu que não viu. Já tivera confusões demais por hoje...
– Boa noite, Al! – murmurou Carlos antes de sumir debaixo dos edredons.
Alvo atirou-se em sua cama, virou para o lado e respondeu:
– Boa noite...
Ele dormiu logo. Teve sonhos agitados, um deles sobre Bob Rondres, porém Alvo nem se dera ao trabalho de tentar acordar, precisava descansar, pois teria um longo dia amanhã com sua nova má reputação...
Notas finais
O próximo capítulo TÁ PERFEITO! Simplesmente perfeito, o nome é O Novo Tiago, e eu tenho certeza que vocês vão amar, porém, talvez demore um pouco pra postar porque eu não sei quando o meu pc vai voltar ao normal e talz...
Mas mudando de assunto agora, eu postei uma nova fanfic HPPJO, se vocês quiserem ler, aqui: http://fanfiction.com.br/historia/388817/Memorias_De_Bruxas_Semideusas
Bjs ^^
Fale com o autor