Alvo Errado
4 Capítulo 3- Vida nova.
Notas iniciais
07 de abril de 2015
Acordei super cedo hoje, sonhei que eu estava em uma praça e então do nada começou a cair chocolate do céu. Bizarro eu sei, mas não se controla sonhos, até porque se isso fosse possível a Alicia estaria em todos os meus.
Levantei meio sonolento, fui até o banheiro lavei o rosto e me olhei no espelho, dei um sorrisinho e voltei para o quarto. Terminei de pegar as coisas e fechei as malas. Então desci até a recepção e fiz o check out.
Quando cheguei no hospital uma alegria tomou conta de mim, vi a Alicia fora daquele quarto pela primeira vez em 17 dias. Ela estava linda, usava um vestido florido e um casaco preto. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados o que deixou ela ainda mais encantadora. Ela estava um pouco tímida, eu também estava, mas tentei puxar conversa.
–Como se sente saindo finalmente do quarto e vendo o mundo aqui fora? –perguntei.
–Acho que agora sei como um detento se sente ao ser livre da cadeia. –todos riram.
Ajudei o pai dela a colocar as malas no meu carro e então seguimos viagem. Era realmente bem longe. Apesar de ser no mesmo estado, dá mais ou menos 3 horas de carro.
Ela se despediu dos pais e entrou no carro, dei um aceno para eles e comecei a dirigir.
–Caramba, quanta coisa mudou por aqui, eu não me lembro daqueles prédios, nem daquela casa, nem daquel... CARAMBA QUE CARRO LINDO, eu nunca tinha visto um. Ele é tão bonito, é modelo novo? –ela começou falando
Eu ri e falei:
–Não, esses carros foram lançados já faz quase dois anos. Fizeram muito sucesso quando foram lançados mas agora já perdeu um pouco a fama.
–Nossa eu perdi muita coisa mesmo. Não vejo a hora de você me contar todas as novidades.
Eu apenas ri e então acabou o assunto. Aquele silêncio só estava piorando as coisas então liguei o rádio.
Estava tocando Let it go, aquela música do filme Frozen. Eu e a Alicia costumavamos cantar muito essa música. Ela não podia ouvir que já começava a dançar e a gente “soltava as frangas”. Mas dessa vez ela não fez nada, fiquei assustado e olhei para ela com uma cara que não deve ter sido nada boa.
–O que foi? Esqueceu alguma coisa no hotel? –ela perguntou meio sem jeito.
–Vo..vo...cê não vai cantar?
–Cantar o que? –ela realmente estava perdida.
–Alicia, você não conhece essa música que está tocando?
–Não, eu deveria?
Voltei os olhos para a estrada, tentei não demostrar minha tristeza, eu só quero a minha Alicia de volta, é pedir muito?
–Você ama essa música, quero dizer amava. É confuso eu sei. Enfim, a gente sempre cantava juntos. A primeira vez que ouvimos foi no cinema, essa é a música de um filme que a gente gosta muito. Me lembro que quando fomos comprar pipoca nesse dia ficamos roxos de tanto rir porque uma senhora ficou encarando a gente se beijando.
–O que? A gente se beijou?? –ela me olhou assustada, foi ai que percebi a besteira que eu tinha deixado escapar.
Eu não estava pronto para dizer que a gente namora. Ainda não.
–Nãão. Quer dizer, não como você está pensando. É que a gente tinha acabado de se encontrar então nos demos beijos na bochecha de cumprimento sabe?
–Aaaah sim –ela riu, não sei o que ela pensou quando achou que tinhamos nos beijado, só sei que ela ficou surpresa.
As músicas da rádio foram o único som durante um bom tempo. A cada música que eu sabia que antes ela gostava meu coração doía mais. Ela nem sonhava que um dia gostara daquelas músicas.
E falando em sonhar ela dormiu por uma boa parte do caminho, o que foi melhor porque eu realmente não sabia como ter assunto com ela.
Parei o carro em um restaurante desses de estrada, não quis acordar ela então entrei rapidinho e comprei algumas coisas. Voltei para o carro e continuei seguindo o nosso caminho.
Alicia acordou quando faltavam mais ou menos 10 minutos para chegarmos, a estrada perto da casa era bem bonita mas bem deserta também. Há uns kms tinham algumas casinhas e alguns animas no meio do caminho. Mas agora só tinham passarinhos, alguns ratos e muitas árvores.
Finalmente chegamos e já era de tarde, levamos 5 horas para chegarmos por causa do trânsito. Avistei a casa e então pedi para a Alicia apertar o botão que estava no porta luvas para abrir o portão da casa. Estacionei o carro e já fui pegando as malas. A Alicia disse para pegarmos depois mas eu sabia que não poderiamos ficar para fora da casa depois do por do sol.
Quando acabamos de arrumar tudo já era de noite. A Alicia tinha pedido para ver o por do sol mas eu não deixei, ela ficou meio chateada mas eu já tinha trancado tudo então ela não podia fazer nada.Comemos alguns bolinhos que comprei no restaurante e fomos para os nossos quarto porque estavamos muito cansados.
Ficamos em quartos separados, mas assim que deitei minha cabeça no travesseiro ouvi barulhos de passos da Alicia vindo em direção ao meu quarto, sim eu conheço o som dos passos dela. Olhei para a porta e lá estava ela, pedindo para ficar comigo até ter sono porque estava ouvindo barulhos que estavam a deixando com medo.
Eu disse que era só o vento e que ela não devia se preocupar, mesmo eu sabendo que não era só o vento. Mas eu sabia que não era preciso se preocupar, nada de mal aconteceria desde que ficássemos em casa.
Mas ela não quis saber se era só o vento ou não, ela estava quase chorando de medo então me sentei na cama e ela deitou a cabeça nas minhas pernas. Fiquei passando a mão nos cabelos dela para tentar acalma-la.
–Me conta uma história? –ela pediu.
–Que tipo de história?
–Uma que tenha acontecido, com a gente.
Pensei em todas as coisas que tinhamos vivido juntos, segurei as lágrimas e comecei a contar sobre um dia qualquer. Mas ela não ficou acordada o suficiente para me ouvir chorando. Pelo menos eu achei que não.
Os barulhos eram realmente assustadores, principalmente quando se sabe que não é só o vento.
Acabei pegando no sono mesmo com aqueles sons horrives.
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