Alturas

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Fragmentos de minutos praticamente incontáveis é o necessário para que minhas íris negrumes sejam lançadas à outrora.

Todos sabem que, à mim, é um vislumbre admirar cada passo torto da sociedade.

E que tal ato subtrai minha saciedade.

O vento gélido obstinava-se em suas próprias metas, tais quais eram invadir, de modo nem tão convidativo assim, o ambiente de iluminação miserável.

Lamentável, realmente lamentável.

Uma porcelana negrume é repousada sobre um cômodo pardo, emitindo um som côncavo.

A mistura de um nevoeiro e fumaça desperta de modo inesperado, espraiando o incomparável cheiro de cafeína à ambas narinas da jovem de cabelos flavescentes.

Um brilho, – aquecedor e fúlgido – torna-se de súbito decadente. Porém, por mais reles que fosse tal raio solar, denotou conveniência ao alumbrar os rabiscos babélicos de Deus, ou apenas as sardas da jovem de conduta acriançada.

Sua face não hesitava em rasgar-se num sorriso extasiante.

Fixava seu olhar num canto específico do lugar inestético, a todo momento, – em quanto seu rosto, era atingido pelo vento.

Entristeceu-se ao saber que o que deveria ser aviolado, era na verdade, de cromatização escarlate.

E que em sua vida não haviam desfechos, tudo era sempre empate...

O mesmo “bate-boca”, o mesmo “bate-papo”.

Sem o afago vindo de alguém afável; sem o sabor açucarado de um beijo inigualável.

Depois de muitas noites matrucando – e longas tragadas em seu cigarro dando – percebeu que há muito tempo havia sido expulsa do jogo do amor, sendo encaminhada à um novo, intitulado “Dor”.

Burlara todas as regras imagináveis,

Apaixonara-se por peças incombináveis.

Pobre criatura,

De alta temperatura.

Rompera-se a estrutura,

E acabara-se a cultura.

Restando somente a leitura,

Constatou sua conjuntura.

Sem muito à oferecer, tornara-se imprestável...

Correra até à mais altas das alturas,

Onde avistara o inimaginável.

—Juliane Brandão.

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