Altos e Baixos
8 Capítulo 8
Eu já falei pra vocês que eu me dou super bem com a minha mãe? Não? Lógico que eu não falei por que é mentira! Eu e ela nos odiamos desde o dia que ela descobriu da minha sexualidade. E agora estamos nós nos encarando há mais ou menos dois minutos na porta do meu apartamento.
- Não vai me convidar para entrar? – perguntou ela seca.
- Se você veio aqui, pra me xingar, pode dar meia volta. – respondi no mesmo tom.
Ela então atravessa a porta e senta-se numa das cadeiras da mesa da cozinha, não sem antes olhar pra casa e esboçar uma expressão enojada, como se a qualquer momento fossem sair ratos e baratas de todos os lugares.
- Então é aqui que você mora? Nessa espelunca? Francamente.
- Por que você não fala logo o que tem pra falar e vai embora?
- Isso é jeito de tratar sua mãe?
- Da ultima vez que você me encontrou junto com Lucas, a senhora deixou bem claro de que eu não era mais seu filho.
Ela estreita os olhos e eu posso ter certeza de que ouço o som de chocalho de cascavel.
- Eu... Eu vou fazer um café- disse Lucas percebendo a tensão que nós nos encontrávamos.
- Então – me sento de frente a ela – por quanto tempo eu ainda tenho que permanecer na sua indesejável presença?
- Serei breve, mais não por que você quer e sim por que tenho um compromisso daqui a pouco.
- Compromisso? Engraçado não sabia que um chá com um bando de velhas caducas e fúteis, fosse algum tipo de compromisso.
- Não deixarei me levar por suas ofensas.
- Que pena – murmurei revirando os olhos.
- Como você sabe meu filho chega de viagem hoje...
- Por seu filho você quer dizer meu meio irmão? – interrompo
- Sim. E ele não tem onde ficar...
- Você quer que ele fique aqui? A senhora tem certeza que tomou seu remédio hoje?
- Será que dá pra me deixar terminar de falar? – ela grita com o sotaque francês carregado.
— Humpf! – bufo
- Eu queria que ele ficasse lá em casa, mais ele insiste em não ouvir o que eu digo.
- Daymian não é mais nenhuma criança Sra. Sunrroad, ele já tem 30 anos e ainda me admiro como ele ainda não arrumou uma casa.
Lucas termina de preparar o café e nos serve, para logo depois se senta ao meu lado.
- Tem certeza que isso é café e não água de esgoto? – pergunta ela logo depois de beber um gole do líquido preto.
- Você não faz ideia de como que queria que fosse a segunda opção. – digo também me servindo da bebida quente. – Então Daymian quer ficar aqui em casa? Bom por mim tudo bem, desde que a senhora não fique nos fazendo visitas constantes.
- Não se anime, é por pouco tempo, até ele arrumar uma casa ou ser chamado pra mais uma viagem internacional.
- Com o que mesmo ele está trabalhando agora?
- Turismo.
- Bom, agora que já resolvemos tudo – me levanto da cadeira e me dirijo até porta – você já pode ir embora, certo?
- Papai Joseph, quem é essa senhora? – pergunta a voz doce de Clarisse, que aparentemente tinha acabado de acordar.
Vou até ela e a pego no colo.
- É só uma mulher que já esta de saída, não é?
-Quem é essa criança? – pergunta ela franzindo o cenho.
- Minha filha, agora vai embora! – Digo visivelmente impaciente já prevendo o que viria a seguir.
- Sua filha? Você extrapolou todos os limites dessa vez Joseph! – grita ela se levantando da cadeira — Eu não me importo que você desgraçe a sua vida, mais fazer o mesmo com essa menina é imperdoável. Ela não merece viver no meio dessa libertinagem que há dentro dessa casa.
- Quem é você pra falar que eu extrapolei? – gritei exasperado – Você era minha mãe, sua obrigação era me amar acima de tudo, mais bastou você descobrir a minha preferência por meninos pra você me botar porta a fora, como se eu fosse um cão sardento! E aliais é isso que eu vo fazer com você – a peguei pelo braço com força, abrir a porta e a coloquei pra fora – Saia daqui, saia da minha vida, eu tenho nojo de gente preconceituosa como você! – disse e bati a porta na cara dela.
Coloquei Clarisse no chão, desde que eu comecei a gritar a menina estava chorando, virei-me de costas para a menina, me segurando numa cadeira, enquanto Lucas a acalmava e a levava pro quarto.
- Ta tudo bem com você? – pergunta Lucas baixinho no meu ouvindo enquanto me enlaça com seus braços.
-To, é que... – me viro pra ele já com os olhos marejados – Porque que tem que ser assim? Por que ela me odeia tanto?
-Vai ficar tudo bem. – diz ele me abraçando enquanto eu afundava em seu peito chorando compulsivamente.
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Após passar algumas horas do ocorrido, e um pouco mais calmo, eu fui fazer o almoço das crianças já que essas acordaram há alguns minutos e estavam brincando no tapete da sala. Mesmo só tendo dois dias de convivência com Clarisse e Daniel, eu já tinha me apegado muito a eles, me sentia como se eles fossem meus filhos há anos.
Deixei a água esquentando e fui me sentar ao lado deles.
Era incrível e admirável a dedicação da pequena Clarisse com o irmão, a menina, deixou de lados suas bonecas para ficar brincando de carrinho junto com irmão. Aquilo era tão lindo que não pude deixar de sorrir.
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Já eram seis da tarde quando Lucas chegou, me levantei do sofá deixando dois sonolentos Clarisse e Daniel, e fui o receber.
- Oi amor. – disse dando um rápido beijo em seus lábios e desafrouxando a gravata dele – como foi no trabalho?
- Péssimo, você acredita que aquela cliente que eu te falei, disse que eu não tinha competência, só porque ela perdeu o processo?
- Nossa, e o que você fez?
-Falei poucas e boas pra ela e mandei se danar!
- Lucas...
- Eu já tava de saco cheio daquela mulher! – disse ele indo pra geladeira e pegando uma jarra de suco.
- Amor o jantar fica pronto em cinco minutos eu já vou esquentar.
- É que toda aquela confusão me deu fome! – disse ele – Amor agente tem que fazer compra hein?
- Eu sei.
- E onde estão as crianças?
- Dormindo. Quer que eu prepare seu banho?
- Depende – ele se aproximou de min colando meu corpo no dele – Você vai ta lá?
- Che... Não começa.
- Ok, mais depois você vai ter que me compensar – dito isso, ele da uma palmada na minha bunda e vai pro banheiro.
Sorrio e começo a colocar as panelas encima do fogão.
Estava arrumando a mesa quando o telefone toca.
- Alô?
- Alô
-Quem é? –pergunto achando a voz um pouco familiar.
- Um ruivo lindo e gostoso, também conhecido como seu irmão!
- Daymian?
- Sim, sou eu. Sentiu saudades? Mais que pergunta é claro que sentiu! E então como é que você ta?
- Bem e você?
-Ótimo! E seu namorado aquele viado?
- Day...
- Relaxa maninho, to brincando. Hein, tem algum problema de eu ficar na sua casa?
- Não, já conversei com Lucas hoje cedo.
-Mais como você sabia?
- Sra. Lawrence veio aqui.
- Tá de brincadeira? A cascavel foi ai? Pessoalmente?!
- Sim, por incrível que pareça! Você me deve uma ta.
- Pode deixar (risos) – ouço uma voz no fundo. – Maninho tenho que desligar. Depois de amanhã to ai.
- Que horas que você vai ta no aeroporto?
- Às 10h00min.
- Ok, então.
-Tchau.
-Tchau.
É pessoal, Daymian Sunrroad Lawrence está na área.
Notas finais
Pessoal gostaria também que vcs dessem ideias, pois como todos vcs se apaixonaram pelo casal (assim espero U-U) e eu também ficaria bem legal se agente trocasse umas ideias. Ah e se pudessem pensar em algumas musicas pra eles eu ficaria bem contente, já que to planejando botar algumas nessa fic.
Bjs, abraços,amassos e até o próximo cap!
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