Altos e Baixos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Nem tinha bem começado o dia e o barulho infernal do despertador tinha realizado sua função. Levantei – me e dirigi meu olhar para Lucas, parecia um anjo dormindo de tão sereno. Caminhei até o banheiro e tomei um banho revigorante, me enxuguei e fui pro quarto me vestir, coloquei uma blusa branca gola V, uma bermuda marrom simples e um chinelo, fui até a cozinha e peguei meus óculos escuros que estavam em cima da mesa, em seguida segui para a padaria.
Era de manhã cedinho e o sol tímido deixava o ar de Londres gelado ao passar pelos corpos das pessoas que estavam na rua, fui caminhando olhando as casas e os jardins que havia pelo caminho até chegar à padaria, o que não demorou muito já que esta ficava apenas a três quadras de onde eu e Lucas morávamos.
Entrei no estabelecimento e logo o cheirinho de pão de sal invadiu minhas narinas, fazendo meu estomago roncar. Fui direto aonde o cheiro me levava e pedi para que a mulher me vendesse quatro pães, como não tinha mais o mantimento na vitrine a simpática atendente foi pedir mais uma remessa de pães fresquinhos.
Enquanto esperava, comecei a cantarolar uma musica bem baixinho, não sei por que mais aquele dia, acordei mais feliz que o normal.
- Você tem uma bela voz – disse uma voz atrás de mim.
Virei-me e dei de cara com um rapaz de mais ou menos vinte e quatro anos, era alto e tinha um porte físico invejável. Possuía cabelos negros e olhos castanhos hipnotizantes, além da pele morena marcada pelo sol, vestia uma blusa vermelha e uma bermuda xadrez branca.
- Obrigado. – agradeci sorrindo
- E pelo visto não é só a voz. – agora quem sorriu foi ele e de uma forma totalmente sedutora.
Ok, ele definitivamente estava me passando uma cantada, a minha sorte é que Lucas não está aqui senão ele iria arrumar uma confusão a essa hora da matina.
- Agradeço o elogio mais, sem querer ser rude, sou comprometido – falei sério.
- Ou, desculpe não sabia.
- Tudo bem não tenha como você adivinhar.
- Podemos ser amigos então? Meu nome é Jefferson, Jerffeson Scarlet – disse ele estendendo a mão.
- Joseph Lawrence – disse pegando a mão dele.
- Senhor? – chamou a atendente que graças a Deus havia chegado – Aqui estão os pães que o senhor pediu.
- Obrigado.
Fiz a menção de sair da fila mais o braço forte de Jerffeson segurou o meu.
- Nós podíamos conversar qualquer dia desses, não acha?
- Não sei, sou uma pessoa muito ocupada, agente se vê por ai. – disse me desvencilhando da mão dele e indo em direção para o apartamento.
Amigos, sei! Amigos uma ova! Ele queria mais uma oportunidade pra dar em cima de mim! Espero que nunca mais encontre aquele sujeito, já pensou se ele me passa uma cantada na frente do Lucas? Meu casamento ia pra ruína.
Subi as escadas da entrada do apartamento e peguei o jornal que o jornaleiro deixou na porta, em seguida entrei em casa disfarçando o meu semblante irritadiço encontrando Lucas, com uma blusa larga azul e um samba canção com a mesma tonalidade, esparramado no sofá vendo televisão.
- Não foi trabalhar hoje não? – perguntei colocando o pão e o jornal em cima da mesa, que já estava limpa da bagunça de ontem.
- Não, houve um problema de vazamento no meu escritório e meu chefe me dispensou por três dias.
- Que sorte! – exclamei um pouco animado e fui fazer o café – Trouxe pão e peguei o jornal.
Ele então se levantou e sentou-se a mesa pegando o jornal e lendo as noticias. Lucas era um advogado administrativo exemplar, pegava sempre os casos de grandes empresas e os executava com perfeição. Quando estudávamos, mesmo sendo da turma dos populares, Lucas sempre fora um aluno exemplar. O sonho dele era virar engenheiro mecânico, mais a morte do tio o fez aceitar um cargo na empresa de forma provisória, e o provisório virou permanente e agora, Lucas estava prestes a ser promovido e ainda estava na lista para virar sócio da empresa.
Servi o café e me sentei de frente pra Lucas, o observando como ele era lindo. Jefferson poderia ser bonito mais não chegava aos pés dele.
Lucas tinha cabelos negros e curtos, olhos castanhos escuros inebriantes, os lábios carnudos e macios, a pele branca alva, músculos definidos e uma beleza singular.
Suspirei
- O que foi? – perguntou ele levando a xícara aos lábios e olhando pra min.
-Nada só aproveitando a paisagem.
Sim eu sou muito meloso.
- Por um momento eu achei... — ele se interrompeu – Esquece.
- O que? – quis saber.
- Achei que tivesse pegado um pouco pesado demais na noite passada, se é que me entende.
Se pegasse todo o vermelho do mundo e misturasse não chegaria a mesma tonalidade que o meu o rosto ficou.
-Lucas!
Chamei totalmente envergonhado o que rendeu uma série de risos vindo dele.
- Dez anos se passaram e você ainda cora com essas coisas. – disse ele se controlando.
-E qual o problema?
-Nenhum, aliais eu até gosto, — ele se inclina sobre a mesa e toca minha face acariciando-a – me faz lembrar de quando agente se conheceu.
Mirei seus olhos, maravilhado com a nostalgia que me abateu. A primeira troca de palavras, o primeiro beijo, o começo do namoro, a primeira vez, todas essas lembranças invadiram minha mente me fazendo sorrir.
- Joseph?
- Ah? Oi? O que foi? – perguntei após sair de meus devaneios.
- Você ficou ai parado me encarando e sorrindo.
- Eu só estava lembrando a época do colegial.
E quebrando o clima o infeliz do telefone me toca! Caramba, será que não se pode mais curtir o marido da gente sossegado não? Me levantei e fui atender.
-Alô? – perguntei impaciente.
- Oi Joseph, aqui é a Taylor, estou atrapalhando alguma coisa?
Não imagina, eu só estava tentando ter momento romântico com meu marido só isso – pensei
-Não, claro que não. Alguma novidade?
- Sim, conversei com a dona do orfanato Celtic, entreguei a papelada e ela disse que vocês podem ir lá para ver as crianças, entre as dez da manha e às cinco da tarde.
- Que bom Taylor obrigado, nossa o Lucas vai adorar quando eu falar pra ele.
- Não há de que. Tenho que desligar agora Erick acabou de chegar.
- Ok então, tchau.
- Tchau.
Desliguei o telefone e fui correndo pra cozinha contar a novidade a Lucas, o mesmo adorou e me pegou no colo me girando de tanta alegria. Depois, bem depois, a gente foi comemorar do nosso jeito né, afinal estávamos felizes.
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