Altharian: The Resistance

14 Capítulo 13 - Jovens faíscas


Quando sai da cabana, com Ruby ao meu lado, observei o que parecia um campo de refúgio. Havia cerca de cinco cabanas um pouco menores, uma fogueira estava no meio do círculo que era a Abrigada fervendo algo em uma panela. Não era um simples círulo de cabanas, vi equipamentos tecnológicos montados e sendo usados por altharianos rebeldes, rádios de comunicação, hologramas que mostravam locais da floresta, como câmeras. Eram tão parecidos com humanos...

Parei quando vi a tal senhora conversando com um grupo de rebeldes, estes, armados com armas nada parecidas com lâminas ou as armas de fogo humanas. Ela estava com as feições mudadas, talvez não tinha ganhado boas noticias, mantinha uma posição forte diante deles, era a posição que deveria tomar quando a hora chegasse. Segui indo em sua direção. Quando fiquei ao seu lado, os rebeldes me olharam – homens e mulheres em formas altharianas. A senhora os despachou para uma tal “frente de batalha” e virou-se para mim quando saíram.

– Senhora...

– Oliha. Devia estar descansando, jovem.

– Não temos tempo. A Resistência não sabe onde estou, devemos contatá-la e...

– Eu já resolvi isto. Agora, volte para a cabana, fique lá. Não me dê trabalhos extras, por favor.

– Com quem, acha que está falando? – disse Ruby.

– Com garoto que acaba de passar pela transição e ainda não está totalmente treinado. Não com você. Acha mesmo que é simples assim? Comandar. – Ela voltou o olhar para mim – Retorne para a cabana, fique lá, fora de vista. Não estamos em uma boa situação aqui, deve ficar seguro até alguém vir buscá-lo. – fitou-me por instantes e saiu.

Não era preciso que me mandasse novamente. Voltamos para a cabana. Ruby agora estava vermelha de raiva e eu... Bem, estava com ódio. Mas por saber que em parte, a senhora, Oliha, estava certa. Era verdade que já sabia usar uma lâmina, e bem, como dizia Ruby, porém, batalhar não era só isso. Ainda não sabia qual a natureza de meus poderes e não receber nenhuma revelação sobre isso me desanimava.

Ficamos ali, esperando. A jovem ruiva de mais cedo, passou para nos deixar comida, mas foi breve.

Já era noite quando realmente não consegui ficar no cômodo.

– O que vai fazer? – Perguntou Ruby, enquanto me via vestir meu capuz dado por Yukin.

– Sair. Esperar aqui me fará louco.

– Ótimo. – Ela fez o mesmo.

Quando estávamos prontos, olhei para Ruby antes de sair. Ela me deu um sorriso, era como se já tivéssemos quebrado regras juntos. Andamos tentando não ser notados. E conseguimos.

Paramos em um local da floresta quem achamos relativamente seguro. Não sabíamos como estava a zona entre “Rebeldes versus Império” por ali, então decidimos não nos afastar muito do campo de refúgio.

Eu observei o local, as plantas eram estranhas, mas bonitas. Uma diversidade esplêndida parecia dar a mínima para calor, frio, umidade, o clima em si. Olhei para Ruby. Tínhamos passado por um bocado já em tão pouco tempo. O deserto. As noites geladas em fileiras de montanhas de areia branca. A Vila. Agora estamos em uma floresta, em um acampamento rebelde, pelo que havia entendido, lutando por esta zona.

Nossa aventura juntos havia começado desde quando ela pulara do fogo em uma aura negra e matara meu agressor. E desde aquele momento eu olhava para ela com algo...

– Está fazendo de novo.

– O quê? – eu notei, estava observando-a novamente. – desculpe.

– Okay. – Ela andou até uma árvore enorme, com raízes verdes tão grossas que ela pode sentar em uma e ficar ali. – Acho que sempre vou notar.

– Por que eu não disfarço. É, sei. – Rimos, gostei de escutar o som sair dela. – Então, o lance de companheirismo entre você e Andrew... É algo,... Romântico?

– O quê? – ela riu alto – Não, não. É como, bem, você e a humana, ao menos da sua parte...

Silêncio – constrangedor.

Talvez fosse obvio assim? Não, não podia ser. Eu fitei seus olhos azuis. Eu não sabia direito o que Sammy sentia por mim, mas estava começando a perceber o que sentia por Ruby. Então, notei a luz vinda da escuridão da noite na floresta. Não demorou a ouvirmos os sons, mesmo não vindo do refúgio, eram os sons de Soldados, Rebeldes, tiros e outros mais. Era uma batalha.

– Vamos.

Eu segui o som. Sabia que não devia, mas foi o que fiz. Ao chegar ao local, pude ver: uma “linha de frente” feita com troncos e pedras, rebeldes atiravam contra soldados do Império que estavam em sua própria linha, feita de máquinas, parecidas com tangues quadrados, e alguns soldados que seguravam escudos e atiravam.

Observamos entre as folhas, vidrados. Os tiros, lasers vermelhos, voavam de um canto a outro, atingindo um aqui e outro ali. Soldados e rebeldes ganhavam cada vez mais feridos e mortos, mas estava na cara, nossas forças não resistiriam por muito tempo.

– Temos que avisar aos outros. – falei.

– Eles já devem saber. – murmurou Ruby.

Mas saímos do local indo para o refúgio. Quando chegamos, a jovem ruiva nos abordou dizendo que não devíamos ter saído.

– Leve-nos a Oliha. – ela deve ter raciocinado rápido, pois não recusou.

Seguimos a jovem até uma cabana, da qual não tinha percebido. Era pequena e dentro havia uma mesa com um holograma do que devia ser a zona em que estávamos. Pontos vermelhos marcavam uma boa parte do mapa. Não precisava muito para saber o que significava.

A velha senhora falava com outro holograma, que se encontrava em sua escrivaninha, eu reconheci Mason.

– A Ordem é de retirada – disse ele para Oliha.

– Minha senhora – disse a jovem ruiva.

Entramos, realmente, na cabana. Oliha nos olhou, e o holograma nos foi direcionado, fazendo possível que ele nos enxergasse.

– Caleb, – Mason não parecia estar de férias, ou que acabara de receber uma ótima massagem – tenha a razão de seguir as regras que lhe forem dadas, até chegar à base da Resistência. Enquanto a você, Ruby, saberá no que acarretará o equivoco que teve na travessia do portal. Oliha, sabe o que fazer.

E foi tudo. O Holograma de Mason apagou e a senhora nos olhou por cima de onde ele estava havia poucos minutos.

– Não temos muito tempo, então sejam rápidos. Existe um ponto de encontro, mandarei um grupo com você até lá.

– A ordem não é de retirada? – perguntou Ruby, com um tom acusador.

– Sim, mas primeiramente a vocês. Lutaremos aqui enquanto pudermos. Não resta tempo, venham.

***

A fila do cinema estava lotada. Andrew estava agora com um copo de refrigerante de uva e pipocas. Era impossível não sentir vontade de rir quando ele esboçava um sorriso. Era estranho, devo admitir. Então eu notei algo nele tocar, não era o celular.

– Tenho... Com licença. – disse ele, passando-me as pipocas e saindo.

Okay, estávamos perto da bilheteria, e a fila estava relativamente longa, ele não precisaria sair de perto se o que tivesse tocado não fosse um comunicador de Altharian. Com informações de Cal. Sai da fila, seguindo-o.

– Ótimo. Mas não podem culpá-la, isso não a prova como espiã. Não. Ela está bem agora. Okay, Okay.

Quando ele desligou e virou, quase bateu comigo.

– Então não tem entrado em contato com eles?

Ele perdeu a cor.

– Sam, eu posso explicar...

– Não quero explicações Andrew, quero informações.

A noite no cinema foi por água baixo, mas era por algo importante. Paramos em uma lanchonete e pegamos uma mesa. Já era meio tarde, então não havia muitas crianças ou famílias por volta.

– Ruby passou o portal com Cal. Ela teria que o levar para base, mas não aconteceu. – Ele moveu-se mais para frente na cadeira, colocando os braços sobre a mesa e me fitando. — Eles acharam que como possível espiã, ela teria o levado para o Império, eu quase acreditei nisso. Mas tivemos informações deles em uma vila, chamada Abliogh. Passaram dias andando por Altharian. Até que recebi a notícia que chegaram a uma zona de Rebeldes. Estão lá agora.

– Mas... – Eu pude ver em seus olhos que havia algo para um “mas”.

– Esta zona corre perigo. É um dos alvos fracos de nossa batalha. – Ele estendeu a mão, tocando a minha – Eles vão conseguir Sam, Sammy.

Será? Cal estava em meio a uma zona de risco. O Império não tinha nada especial para ele, a não ser uma morte rápida. Qualquer um poderia fazer isso e levar seu corpo como sinal para o fracasso Rebelde.

Eu sabia que não era de muita utilidade, porém estava decidida.

– Eu sei que vão, mas não vou ficar aqui. Você vai me levar a Altharian, Andrew, mesmo que tenha que lhe torturar para que o faça.

Notas finais
Next> "A nave ziguezagueou antes de bater forte contra um muro de árvores. Uma nova explosão ocorreu, deixando claro que não haveria sobreviventes."