Altharian: The Resistance

11 Capítulo 10 - Adeus


Cal iria me deixa. Eu estava tão perdida que não havia parado para pensar que isso iria acontecer. Eles estavam numa reunião no quarto de Robert, onde Alicia estava ainda na cama, ferida. Mason voltou e estava planejando fazer com que Cal fosse levado o mais rápido possível para a tal base. Sentada no sofá da sala, só quem estava ao meu lado era Andrew, novamente.

– Como é lá? – perguntei.

– Em Altharian? Bem, não muito diferente daqui... Temos muito mais verde e sabemos lidar com o crescimento e respeito ao nosso planeta. É como se fosse uma terra de outra galáxia.

– Então por isso vocês parecem tanto com a gente?

– Talvez.

Silêncio, mais silêncio. Eu já estava me perguntando se todos haviam morrido dentro do quarto quando eles saíram. Primeiro Robert, Mason e Arielle. Depois de uns instantes, Cal desceu as escadas.

Cal usou a tática que sempre usávamos para nos afastar, me fitou e levantou a sobrancelha, balançando levemente a cabeça para o lado. Eu o segui quando saia da casa pela porta dos fundos entrando em um jardim aberto, rodeado pelas árvores perto da casa. Ele parou quando já estava na grama, virou-se e me abraçou. Sem dizer nada. Então era assim. Ele iria mesmo embora, não para outra cidade, outro país ou ao menos continente. Era a porra de outro planeta em uma porra de outra galáxia. Provavelmente, estávamos em nosso último abraço, na última vez em que iria vê-lo.

– Você vem? – ele perguntou quase como um pedido. Eu poderia ir com ele, lutar por um povo que não era o meu, me encaixar no destino que não era meu... Não. Eu tenho que ficar aqui. Onde é meu lugar. Viver minha vida, com minha mãe, entrar em uma faculdade, encontrar um cara pelo qual eu seja correspondida, ter minha independência. Casar, ter filhos, ser feliz e morrer feliz. Não podia ver seu rosto, mas sabia que ele estava fazendo aquilo. Chorava sem demonstrar, tentando, por mais difícil que fosse não chorar. – Você vem?

– Cal, eu não posso...

– Claro que pode! – ele se desfez do abraço e segurou meus braços. – Eu não vou sem você Sammy...

– Vai! Não é assim Cal, eles esperam por você. Sempre esperaram.

– Adam pode liderar eles...

– Eles não sabem se Adam está mesmo vivo! Um líder é só o que eles precisam. De você e você vai.

Então ele me soltou aos poucos, sua mão deslizando levemente minha pele enquanto o fazia. E fitei Cal como não tinha feito antes. O cara que eu gostava. Eu realmente estava apaixonada por ele, não havia mais dúvidas. Não era somente um amigo a quem estava dando adeus, era a quem eu amava.

– quero que me prometa uma coisa... – ele balançou a cabeça, confirmando, mesmo confuso. – Quero que prometa que vai conseguir.

– Claro...

– E mais, quero que prometa que não vai me seguir quando eu der as costas e for embora. – ele pareceu ainda mais confuso, mas confirmou novamente.

Então eu deslizei minha cabeça para frente, encontrando seus lábios. Eram mais macios que imaginei e eu me deliciei como nunca tinha feito antes com nenhum outro garoto. Era idiotice pensar nisso, mas era o primeiro beijo de Cal, e eu o tinha dado. Senti suas mãos, tive medo de ele estar querendo me separar de si, mas ele tocou minha face, enquanto nossas bocas dançavam unidas. Eu estava leve. O gosto de suas lágrimas misturava-se com o beijo. Então me afastei, levemente, abrindo os olhos. Vi Cal, parecendo tão confusamente inocente com os olhos fechados apreciando o primeiro beijo.

– Sammy, o que foi isso? – ele sussurrou, abrindo os olhos.

Ele não sabia o que eu sentia, então. Era tarde. Virei e sai do local, no mesmo momento em que lágrimas começaram a cair de meus olhos. Ele não veio atrás de mim.

***

Quando voltei a raciocinar, Sammy já estava saindo. Poderia tê-la seguido e quebrado minha promessa pelo simples fato de ela me dever alguma explicação depois desse ato. Eu não a segui, nem eu sei o porquê. Talvez fosse algo do qual me arrependeria para sempre...

Ouvi Andrew falar algo atrás de mim. Eu não poderia deixar isso assim. Eu fui em direção de Sammy, em direção da estrada pela qual ela estaria andando agora, mas Andrew me segurou pelo braço.

– Me solta, você não sabe de nada... – disse.

– Você não sabe de nada. Eu desconfiei.

– Sai! Eu tenho que falar com Sammy!

– Não, não tem – ele me olhava com uma autoridade que nunca vi em seus olhos. – Não acha que será pior se você for atrás dela? Para falar que não sente o mesmo e depois, dá mais um adeus, mas deixando agora ela com a informação que o que ela fez não mudou nada o que sente por ela?

Ele estava certo. Eu só queria saber o que levou Sammy a me beijar, mas não sinto nada por ela, nada que me faria agir assim, nada que me faria beijá-la. Eu a amava como minha melhor amiga, como uma irmã.

Estávamos no carro de Robert, mas quem dirigia era Andrew. Arielle ia ao lado dele. Alicia tentou me afagar, mas só quem poderia fazer isso era Robert, que havia passado um braço sobre meus ombros e estava sentado a minha direita. Eu dava olhadelas para Alicia do meu lado, sentindo-me um pouco culpado de não tê-la deixado tomar uma posição de mãe. Mason e Ruby vinham atrás de nós. Eu me peguei tentando sentir Sammy através de ligação, mas só ela pode fazer isso, eu sabia.

Ao chegarmos à clareira e descermos do carro. Mason e Ruby já estavam lá, sabe-se lá como. Eu havia sido encontrado neste local, porém ele era novo para mim. Era escuro pelo fim de tarde, das árvores altas que circulavam o local, deixando pouca luz entrar. Um círculo de símbolos queimados ladeava uma fenda. Esta era a clareira. O local de energias sobrenaturais mais próximo de nós. Então, a simplicidade da coisa me surpreendeu. Um portal foi convocado, senti uma pressão e luz saiu da fenda, mostrando-nos a ida para Altharian, eu não sabia o que esperar.

– Você não pode ir só. Andrew venha com Caleb – disse Robert. – nós vamos à frente para certificarmos que está tudo bem.

Então Robert entrou e em seguida Arielle. Quando Ruby ia, segurei-lhe pelo braço, ela só me olhou, mas parou. Mason e Alicia se foram e só restamos nós três.

– O que você quer? – perguntou a garota.

–É lógico...

–Quero que Andrew fique.

– O quê? – disse Ruby.

– Não posso deixar Sammy só. Eu... Eu não posso. E tenho q ter certeza que voltarei a vê-la.

– Então é só pela humana? Não, ele vem conosco.

– Se ele não ficar eu não vou. – me voltei para Andrew – Por favor, estou confiando ela á você...

Silêncio.

– Okay – alívio me percorreu com a resposta. – Só acabe com o Império e volte para buscá-la.

Não respondi. Ruby lhe deu um abraço e murmurou para ele que era um imbecil filho da mãe. Ele riu. Eu não sabia como demonstrar o quanto estava grato, então o abracei rápido. Então nos afastamos dele, indo em direção a luz portal da fenda. Ruby segurou-me a mão, ela ia me guiar.

Eu não sabia o que esperar da Resistência. Talvez quando chegássemos houvesse vários rebeldes, e eles erguessem suas armas e gritassem ruivos de alegria e afronta ao Império, pela chegada de seu líder. Talvez fosse apenas nós andando uma ponte de ferro até uma porta enorme que dava a entrada da base. Ou talvez fosse uma saída como a entrada, uma fenda de luz. Eu não iria saber.

Quando o frio da travessia do portal me deixou, abri os olhos e cai de cara em dunas de areia. Girei caindo e gritando, não conseguindo parar. Ouvi Ruby gritar e soube que Algo dera errado.

Eu parei no fim da descida onde a duna branca dava, ergui-me – com dor pelo corpo – tirando o máximo de areia que podia dos locais de onde eram possíveis no momento. E fitei Ruby, fazendo o mesmo não muito longe de mim.

– O que houve? – gritei.

– Eu... Eu estava dividida.

– O quê?

– Dividida – disse ela arfando, aproximando de mim e verificando meus danos. – Tinha que pensar em um local que estive ido e que quisesse para usar o portal. Mas eu... Estava dividida, pensava em dois...

– Então nos trouxe para metade dos dois?

– Não sei, bem, é uma teoria. Temos que sair daqui, logo.

Ela olhou o local e eu também o fiz. Estávamos em um deserto. Cheio de dunas brancas e vento quente, não havia sinal de vida, não havia sinal de água. Realmente tínhamos que sair dali ou morreríamos logo.

Notas finais
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