Alternativos
1 Supondo que...
Notas iniciais
Realidade alternativa (ou universo paralelo) são realidades auto-contidas separadas que coexistem com a nossa própria. Essa realidade, em separado, pode variar de tamanho a qualquer outra coisa, literalmente. Um novo e completo universo (ou vários, formando um multiverso).
Supondo que... em outra realidade, um outro espaço, Marinette e Adrien nunca tenham recebido seus miraculous, supondo que os poderosos amuletos nem se quer existam nesse espaço, supondo que o modelo apesar de muito esforço, não tenha convencido Gabriel, a deixa-lo frequentar o colegio e que nos seus últimos três anos sozinho, ele tornou-se um garoto frio e arrogante, esquecendo como é importar-se com algo ou alguém além de sí mesmo, simplificando, um babaca.
Adrien Agreste e Marinette Dupain Cheng não se conheceram na época da escola, não tornaram-se parceiros e não lutaram contra akumatizados juntos, ela apenas terminou o colegial e foi para faculdade e ele, bom, fez 18 e saiu de casa, mudou-se para um pequeno apartamento no lado menos favorecido de Páris. Hoje, nesse momento, ambos estão na mesma estação, sentados no mesmo banco, esperando o mesmo ônibus.
"Droga..." — Pensou Marinette, sem paciência. – "Vou me atrasar, eu vou me atrasar!" Com licença... — Perguntou, cutucando o loiro, concentrado no celular, ao seu lado, tão impaciente quanto a mesma, que a mirou, aborrecido. – São 13:45, os ônibus estão 15 minutos atrasados e...
— E dai?— Interrompeu. – Eu tenho cara de motorista, supervisor ou qualquer coisa do tipo?— Respondeu, calmamente, voltando o olho ao aparelho.
Grosso— Resmungou. – Estava tentando puxar assunto e só. – Você, talvez, esteja pensando (torcendo, provavelmente), torcendo para que o destino trate de mudar a situação ou que algo mágico junte os dois... mas não, 15 segundos e o ônibus chegou, ambos entraram e apenas por falta de lugares vagos, dividiram um assento. A garota desceu após um tempo e nunca mais houve outro encontro dos dois, ela, infelizmente, foi morta em um tiroteio perto da faculdade dois dias depois e ele, uma overdose aos 21. Ponto.
Conceitualmente podem existir infinitos "universos paralelos", sendo que em cada um desses universo paralelo, as pessoas podem ter uma vida muito parecida ou muito diferente do que estamos acostumados no universo que habitamos.
Pelo menos nessa realidade.
Em uma uma outra existência, Marinette e Adrien ainda sim não recebem seus Miraculous porém quase todo o resto ocorre do mesmo jeito que em nosso universo, exceto a cena do guarda-chuva, assim sendo, a "pequena quedinha" da garota pelo modelo francês, não existe, ao invés disso, uma pequena rivalidade cresceu entre ambos e talvez, ate um certo ódio.
Marinete se dirigia empolgada a sala 03, reservada semana passada para ela e sua melhor amiga, Alya Cesarie, com a intenção de terminar um importante projeto de biológia, ambas conversavam tão animadamente que ao entrar no local, tardaram a perceber que já havia alguém lá.
— Me seguindo Dupain Cheng?— Pronúnciou-se o garoto loiro, rindo, acompanhado por seu melhor amigo Nino Lahiffe, que riu junto. Estavam mexendo em um tipo de maquete, aparentemente.
— Adrien Agreste...— Emitiu em tom de desprezo. – O que faz aqui?
— A sala é nossa, Nino reservou.
— Não mesmo, eu reservei essa sala há tempos, para nós duas.
— Não, a lacuna estava vazia na Quinta.— Defendeu-se Nino.
— Nino...— Adrien encarou o amigo, preocupado. – Hoje é sexta.
— Opa... Foi mal.— Murmurou para o amigo.
— Vaza!— Ordenou Alya.
— Olha, o seu trabalho está quase pronto e nós nem começamos, será que...— Dessa vez, Marinette que deu risada.
— De modo algum!— Disse.
— Marinette...
— Não, Adrien!— Cortou. –Dá próxima vez não deixe para última hora, não vou pagar o pato.
— Qual foi!— Disse Nino, entrando na conversa. – Isso é...
— Esquece Nino — Interrompeu, Adrien. – Vamos. – Pegando suas coisas com a ajuda do seu amigo e dando a entender que estavam prestes a ir, porém, perto da porta, ele cochichou. – A azulada não vai mudar de ideia— Uma coisa sobre esta Marinette, é que ela detesta ser chamada de "azulada". Por um impulso impensado, um espirro de tinta, acabou por acertar o cabelo loiro e perfeitamente escovado de Adrien, que logo o devolveu, começando assim, um tipo de batalha de tintas.
• • •
— Não acredito nisso!— Gritou Gabriel Agreste, depois de ter sido insistidamente (até demais) requisitado na escola, com o pretexto de que o seu filho começara uma guerra de tinta.
— Pai, eu...
— Nem mais uma palavra, Adrien!— Interrompeu, voltando a gritar. – Escute, você perdeu um dia inteiro e o diretor me disse que a entrega do projeto de biológia é para amanhã, não sei como vai fazer mas caso não termine, eu lhe tiro da escola e você volta a ter aulas particulares em casa. — "Acontece que ele nem começou como vai terminar?" se perguntou, Marinette, que espiava tudo de longe. – Entendeu?
— Eu... Entendi, pai.— Por algum motivo maluco, Marinette não sentiu mais rancor de Adrien, naquele momento, ela sentiu pena.
• • •
No dia seguinte, apesar de muito esforço, Adrien não conseguiu terminar seu projeto (ou começar), supostamente, seria esse seu último dia na escola.
— Agreste! — Chamou alguém de longe.
— Marinette?— Sussurrou confuso, reconhecendo a voz da colega.
— Pegue. – Disse, lhe entregando uma maquete nova e terminada.
— Seu projeto?— Perguntou.
— Não, seu projeto.— Adrien a encarou, incerto.
— Apenas fique. – Sorriu – Foi minha culpa, você não ter terminado aquele, já coloquei seu nome e o de Nino.
— Marinette, eu...
— Não aceito não, como resposta.
— Não é isso. Só que eu não sei como agradecer mas por que?
— Apenas fique, Adrien! — Respondeu irritada. – e parando de me chamar de "Azulada" já é o suficiente.— Disse saindo, provocando um grande sorriso no loiro.
Como é aquele ditado?
"Ódio e amor, andam lado a lado".
A ideia de universos paralelos tem sido discutida em várias séries de televisão, geralmente como uma história única ou episódio num enredo mais abrangente de ficção científica ou fantasia.
Desta vez, esta última vez, tanto Marinette quanto Adrien receberam seus miraculous, houve a cena do guarda-chuva, ambos são parceiros no combate ao mal e amigos na escola, porém... Nessa realidade, após Chat noir ter sido dominado pela flecha do Dislocœur (Cupido negro), Ladybug não conseguiu salva-lo e algo aconteceu, contudo, não foi o beijo, isso que mudou, o beijo não aconteceu.
— Ladybug..— murmurou, Chat. Já livre do controle de Dislocœur, aparentemente. – O que eu fiz...— A heroína não estava bem, não há narração no mundo que descreva seu estado naquele momento, ao que parece, causado pelo Cataclismo do seu parceiro. Sua pele, mais branca que o normal, mudara de cor em questão de segundos, seu cabelo azul, escurecia ainda mais a cada momento. – Não... Por favor... – Ela começou a se destransformar e uma pequena Kwami vermelha juntou-se a eles, tão péssima quanto a sua portadora. – Mari-Marinette...— disse surpreso, não tardou até o mesmo revelar-se também. O modelo a agarrou e a abraçou, soluçando e cheio de lagrimas, afundou sua cabeça no peito dela que não respirava mais. – A culpa é sua. – Levantou-se, referindo-se ao Dislocœur que riu, satisfeito. Seu Kwami, Plagg, assistia a cena estático, sem ideia do que fazer. A borboleta roxa aproximou-se de Adrien e sabemos o que elas significam. O garoto esquecera completamente de que aquela era apenas mais uma das vitimas de Hawk Moth, que Kim, seu colega, estava por baixo do terrivel Dislocœur. Chat Blank só sentia vontade de vingança.
Razão e sentimento, dois universos paralelos que se chocam em constante desacordo. A razão nem sempre nos agrada, o sentimento nem sempre nos traz felicidade, porem mesmo em total contrariedade sempre estarão interligados.

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