Alternative
19 Capítulo 19-Anniversary
Notas iniciais
- Obrigada. –eu disse ao Ichigo enquanto voltávamos para a escola.
— Não precisa agradecer por isso. – ele falou.
Quando voltamos para a escola, fomos direto para a sala de aula tirar Ginnosukem e Kon de nossos corpos, mas eles não estavam mais lá.
-Ué, onde eles foram?-falei, dando meia volta para procurá-los no pátio.
— EU VOU MATAR O KON!- Ichigo disse e saiu correndo como um louco. Eu me assustei. O que ele queria dizer?
O pessoal na sala- pelo menos os que podiam nos ver- estavam me olhando agora. Eu corei, e saí correndo dali logo.
Ichigo estava nos fundos, e já estava xingando o Kon.
-O que houve? –eu perguntei para a Ginno.
— Ele tentou me agarrar. –Ginno falou calmamente.
Foi a minha vez de xingar o Kon, pegando ele pelo pescoço.
— NÃO ENCOSTE NO MEU CORPO!- eu gritei.
-Ei, ei, mais cuidado com o meu corpo. –Ichigo falou.
-Ela... ela disse que eu podia! –Kon falou.
Eu me virei para Ginno, que estava fingindo não ouvir.
— ISSO É VERDADE?
-Você não disse que não podia,nyah...
-ESTOU DIZENDO AGORA! Não faça essas coisas quando estiver no meu corpo! Imagina se o...alguém visse!
O que eu tinha acabado de quase falar? Eu ia falar “imagina se o Ishida visse”? Que...que bobagem.
-Não acredito que esses dois fizeram isso. Imagina se alguém visse a gente e...
Ichigo e eu nos entreolhamos e não pudemos evitar.
-BLERGH!-dissemos em uníssono.
Imaginar eu e o Ichigo fazendo algo do tipo era nojento. Não que ele fosse feio e essas coisas, mas eu estava começando a considerá-lo um amigo.
À noite estávamos todos em uma lanchonete. Orihime tinha mesmo levado a sério o plano de comemorar o meu aniversário, tanto que estavam todos lá, até mesmo o Ishida, quem eu tinha pensado que jamais iria.
— O que foi aquilo hoje à tarde?- Orihime perguntou.
-Aquilo o que? –eu disse,com meus olhos arregalados.
— O Kurosaki-kun...
-Ah, não foi nada, Inoue-san!- Ichigo a interrompeu.
-Pareceu ter sido. — Ishida disse. –Itoshiki-san, o que aconteceu?
Eu corei. Não ia falar pra ele. Nem pra niguém.
-Risu, por favor. –eu falei, corada.
— É, Risu, o que aconteceu? –Keigo falou.
— Não foi nada gente! É só que o Kon e a Ginnosukem sumiram! –falei.
-Quem é Ginnosukem? –Honshou perguntou.
-Meu konpaku.
— Hehe, imagino o que eles... — Keigo começou a falar, mas Ichigo lhe deu um soco tão forte que o mesmo quase desmaiou.
— A Kuchiki-san não gostaria nada disso, não é mesmo, Ichigo?- Mizuiro falou.
Ichigo fez uma cara assustadora, mas não bateu em Mizuiro.
-Quem é Kuchiki-san?- perguntei.
-É a namorada do Ichigo!- Keigo falou, levando mais um soco.
-Ela foi a primeira shinigami que conheci. Ela que me deu e depois devolveu meus poderes.- Ichigo falou. –Se não fosse ela, eu nunca teria sido shinigami.
-Ahhh... vocês só falam disso! Estamos num aniversário, dá pra falar de outra coisa? –Honshou estressou.
-Ela tem razão. Vocês só falam disso.- Tatsuki falou.
-...- Sado suspirou.
-Já sei! Vamos jogar!-Orihime falou.
Ninguém concordou com ela.
-Sabe, por que a gente não canta já que viemos a um karaokê?- Tatsuki falou.
-Uh? Aqui tem Karaokê?- Orihime falou confusa.
— Está escrito na entrada, Inoue. –Ishida disse.
-Ah...haha... eu não vi.
-Eu vou primeiro! – Keigo pulou de onde estava para o Karaokê. Como era meio da semana, estava vazio, e ele foi logo começando a cantar uma música esquisita.
-Credo! Ele canta mal demais!- Honshou disse.
A sessão de Karaokê continuou. Conversamos sobre tudo também, evitando falar sobre shinigamis. No fim, até me obrigaram a cantar só porque eu era a aniversariante. Acho que nessa hora fiquei mais vermelha do que pimentão. Os únicos que não cantaram de modo algum foram o Ishida e o Sado. Aliás, o Sado quase não tinha falado nada.
-Ah, acho que devíamos ir para casa também. — Orihime falou.
Keigo, Mizuiro, Honshou e Tatsuki já tinham ido embora; eles tinham horário para chegar em casa. Já estava tarde, enfim.
-Sim, é melhor mesmo.- eu disse.
Nós pagamos nossas partes da conta, e saímos. Estava frio.
-Inoue-san, eu vou te levar para casa. –Ichigo disse.
-A-ah,não precisa...- Inoue falou.
-Claro que precisa, está tarde. Além do mais, o Sado vai com a gente uma parte do caminho.
Inoue estava corando. Ela gostava do Ichigo, e isso era altamente perceptível. Só que também dava para se ver claramente que ele não retribuía este sentimento.
-Itoshiki-san.- Ishida disse. Ele tinha acabado de sair da lanchonente, já que era ele quem estava terminando de fechar a conta.
— É Risu. -eu disse, baixo. Ele tinha me assustado chegando daquele jeito.
-Hm. Eu vou te levar em casa. –ele falou.
— O-o que?N-não precisa... –eu disse. Estava agindo igual à Orihime. Droga, isso pareceria outras coisas. Ou era?
— Tudo bem, não me importo. Vamos.
Nos separamos dos outros três, indo para outra direção.
-Ishida-kun. –eu disse. Queria puxar assunto. – Yoruichi-san me falou um pouco sobre os Quincy. Não acho que os shinigamis estavam certos, mas também não acho que vocês estavam.
-O que você acha então?-falou, sem desviar o olhar.
-Com certeza haveria um jeito das armas que vocês usam serem convertidas para a purificação, e não para matar os hollows. Você sabe o que acontece se desequilibrarmos os mundos. — eu falei. Talvez ele não gostasse de ouvir isto, mas eu queria saber o real motivo dele odiar os shinigamis. Certo, eles tinham sido extintos por shinigamis, mas foi em outros tempos, e por arrogância.
-Você acha que eu não deveria odiá-los só porque foi há muito tempo atrás e nós não quisemos ouvi-los, mas esquece que foi arrogância da parte deles. Desde quando eles podem controlar o mundo?-ele falou mais do que eu esperava ouvir. – Por que quer tanto saber por que eu odeio os shinigamis?
-Porque eu sou shinigami. Você me odeia por isso? –perguntei.
-Eu já disse antes; não considero você uma shinigami.-ele disse.
Pelo menos ele não me odiava.
-Eles deixaram o meu avô morrer. -Ishida falou, depois de algum tempo em silêncio.
-Como assim deixaram?
-Meu avô era do tipo que queria os Quincy e os Shinigamis lutando lado a lado. Claro que isso era impossível para os shinigamis. Um dia ele foi atacado por vários Hollows. Mesmo que os shinigamis soubessem, não vieram ajudar. O deixaram morrer, e só apareceram duas horas depois.
Então era isso. Ele culpava os shinigamis pela morte do avô dele. Talvez fosse mesmo culpa deles. Mas Urahara-san disse que a Soul Society mudou depois da ultima batalha, então será que isto ainda aconteceria se fosse hoje?
Nós andávamos em silêncio, mas várias coisas passavam pela minha cabeça. Por que eu era uma shinigami? Eu tinha feito isto só para sobreviver? Eu deveria aceitar minha morte e ter um novo começo na Soul Society? Nesses últimos dias aqui em Karakura, não me sentia ficando mais forte, mas eu podia sentir que eu tinha mais do que aquilo. Queria saber mais, lutar mais, me fortalecer mais. Queria ser um prodígio, não só mais uma. Então por que eu não melhorei nada lutando todos os dias por duas semanas?
-Ai!
Eu acabei tropeçando numa rachadura no chão, de tão distraída, mas o Ishida me puxou pelo pulso. Eu não ia cair, de qualquer jeito, por que ele tinha que tocar em mim? Ao mesmo tempo em que eu olhei para onde a mão dele segurava meu pulso, ele me soltou, e pareceu ter corado. A iluminação não deixava eu ter certeza.
–Preste mais atenção por onde anda. –ele disse, voltando a andar sem olhar para mim.
-Desculpe.
Voltamos a andar como se nada tivesse acontecido. Realmente, nada aconteceu, por mais que eu achasse que sim. Ele só achou que eu ia cair e me puxou de volta. Só isso. Lamentável, sou tão inútil ao ponto de precisar de alguém para me segurar quando eu tropeço...
-Bem...hum,Risu.- Ishida falou,quando chegamos em frente a loja do Urahara. –Até amanhã.
-Até. –eu disse,entrando em casa e indo para minha cama.
Por que eu sou tão fraca?
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