Anie caminhava aflita. Sentia em suas costas o cano da arma de seu agressor prestes a efetuar o disparo que tiraria sua vida. Os olhos do homem que a segurava pelo braço eram sombrios, ela nunca havia visto algo assim. Subiram pelo elevador do prédio. No segundo andar, as duas portas se abriram. O agressor, que havia se apresentado como Delta, guiara Anie até a porta de seu apartamento.

- Abre a porta! — ordenou Delta.

Anie pegou o molho de chave em sua bolsa, tirou a chave certa e abriu a porta. Ao entrarem, escutaram o som da musica vinda da sala. — Você me disse que estava vazio! Está querendo morrer? — Delta apertou mais o cano de sua arma contra as costas de Anie.

- Eu juro, não sabia que tinha gente.

Anie sentira mais medo agora. Aquele homem iria matá-la. Rebecca, sua irmã saiu da sala, encontrou surpresa Anie e um grande homem ao seu lado. Loiro, olhos azuis, bem bronzeado... O estilo ideal da Anie. Pensou.

- Anie? — disse surpresa. — Que saudade. Ei, pessoal, a Anie voltou! — gritou em direção da sala. — Espero que não se importe, mas decidi dar uma festinha para comemorar a formatura.

- Não, não me importo. — Anie respondeu fraca. Rebecca não consseguira ver, mas em seus olhos, ela gritava por socorro.

- Anie me prometeu me mostar o quarto dela, tem algum problema? — Delta lançou um sorriso desfarçado para Rebecca.

- Claro que não. Façam o barulho que quiserem.

— Ótimo. — Delta escondeu a arma em sua jaqueta. Empurrou Anie em direção as escadas e subiu com a garota trêmula para os quartos. Rebecca ficara olhando a irmã por algum tempo, mas depois voltou para a festa que acontecia na sala.

Delta e Anie entraram no quarto.

- Vá até o cofre! — ordenou ele.

Ela caminhou até o guarda-roupa e abriu uma das portas. Por trás das blusas penduradas em cabides, havia um pequeno dispositivo idêntico a uma câmera.

— Já sabe o que fazer!

- Não, por favor, deixe isso em paz! — Anie implorou, sabendo que não teria outra solução.

- Faça logo sua vaca! — gritou Delta.

Anie foi até o dispositivo e posicionou um dos olhos de frente a ele. Um raio vermeho passou pelo olho de Anie, e logo uma porta atrás do dispositivo se abriu. Delta empurrou a garota e foi até o cofre. Havia alguns documentos, dinheiro, fotos da família e uma pequena bolsa verde.

- Encontrei. — disse abrindo a bolsa.

Anie observou o homem analisar o conteúdo da bolsa com expressão sombria. É o fim. O fim do segredo. Pensou. Ela sentiu um remorsso profundo perturbála. Não consseguira manter seguro o projeto. Decepcionara seu avô. Tudo estava perdido. Não havia mais o que fazer.

- Anie, obrigado. — Delta olhou para a garota assustada. Acariciou seus cabelos loiros e pegou sua arma na jaqueta. — Pena que não pode haver testemunhas.

Um tiro, e uma vida se perdeu. Delta pegou seu comunicador no bolso de trás da calça.

— Missão cumprida. Já tenho O projeto em minhas mãos. O que devo fazer com os jovens que estão na casa? — Houve uma pausa para a resposta. — Tudo bem. Nos vemos daqui a pouco.

Delta desligou o comunicador.

Na sala, alguns faziam sexo no sofá, outros, injetavam drogas... Rebecca parecia não se incomodar com as cenas. Seu namorado a beijava e desabutuava sua blusa.

- Não é estranho fazer isso aqui na sala? — disse ela.

- Estão todos fazendo. Deixe disso.

Continuaram. Uma gota de sangue vinda do teto pingou no rosto de Rebcca.

- Tem sangue no seu rosto. — alertou o namorado.

Rebecca limpou o sangue com as mãos.

— Não, não é meu. — disse.

Na porta da sala, o homem loiro que estava com Anie, observara todos com atenção. Suas mãos estavam sujas de sangue.

— Onde está Anie? — gritou Rebecca.

Delta mostrou sua arma a todos.

- Meu deus, você a matou?

— Quero todos deitados com a cabeça no chão e as mãos nas costas. — ordenou Delta. — Agora!

Chorando e gritando, os jovens fizeram o que o homem maluco exigira.

— Quem obedecer, não morre.

Delta se aproximou dos 6 jovens deitados em fileira no chão e apontou sua arma para a cabeça de Rebecca.

- Oh, meu deus! Você disse que não iria nos matar! — gritou ela.

- Uma regra docinho, nunca confie em estranhos. — disse Delta. Ouviu-se 6 tiros. E alguns minutos depois, um assassino frio saiu do prédio, trazendo em seu rosto um sorriso sombrio.

- Foi dado o primeiro passo para a revolução