Alpha: O mundo antes de Divergente
1 Capítulo 1
O som do despertador me faz acordar antes mesmo que os raios de sol irritem meus olhos. Bato a mão do lado da cama à procura dos meus óculos que sempre ficam na mesa de cabeceira dela. Colocar os óculos logo pela manhã virou algo tão automático quanto escovar os dentes, pentear o cabelo e bocejar. Não que eu precise usar óculos, a minha visão é perfeita, é que aqui na Erudição aparência é tudo. A maioria das pessoas que não precisam de óculos acabam aderindo a esse acessório. Comecei a usar apenas pra ter mais cara de “nerd” que é o que se espera de um membro da Erudição. Acho essa coisa de ser taxado de tal coisa só por fazer parte de tal grupo, ridícula, mas vai falar isso pra quem criou as facções a mais de cem anos atrás.
Escovo os dentes, lavo o rosto e molho o cabelo. Quando olho no espelho nunca sei se reconheço o reflexo que vejo nele. Tenho sardas que dão um bom contraste a minha pele tão clara, meus olhos são grandes e castanhos e meus cílios tem mania de roçar as sobrancelhas quando eu abro muito os olhos, meu cabelo é cacheado e fica de uma cor bonita no sol, meio castanho dourado, só que como aqui tudo é aparência ele sempre fica preso à um coque bem firme atrás da cabeça. Nunca sai de casa sem o coque, os óculos ou a roupa rígida da Erudição, então nunca sei se essa menina que parece ser tão descontraída que vive na frente do espelho pela manhã é a mesma que me acompanha durante o dia nos meus afazeres.Prendo o meu cabelo, visto minha calça mais confortável, uma camisa branca e um suéter azul, coloco meu sapatênis, porque ao contrario da maioria das meninas daqui, eu odeio usar salto ou sapatilha, então ele é meu melhor amigo. Pego minha bolsa e meus livros e corro até a cozinha para tomar café. O meu café da manhã não é um tanto quanto normal. Meus pais são cientistas da Erudição, eles amam Biologia e Genética enquanto eu amo a área de exatas, números me dão segurança de algo fixo, Biologia e suas derivações pra mim são extremamente entediantes. Como cientistas eles pesquisam vários tipos de soro que podem ser usados em seres humanos, os soros da Franqueza e da Amizade os intrigam mais do que tudo. Então basicamente durante o café os dois ficam parecendo duas crianças falando das coisas maravilhosas que seus brinquedos novos fazem, só que nesse caso são os soros. Eu como distraidamente enquanto eles falam sobre as dosagens de cada produto químico que eles usaram no dia anterior, aquele papo pode até me entediar, mas mamãe fez hoje mousse de maracujá e não há nada que estrague essa sensação de estar no paraíso. Estou tão perdida em meus pensamentos que não ouço eles me chamando.- Naomi minha filha, você está me ouvindo? – pergunta minha mãe. – Parece estar perdida em uma galáxia distante.Meus pais sempre fazem piadas relacionadas aos planetas e galáxias porque desde pequena sou apaixonada por eles, a vida lá fora, as estrelas, a lua, o sol, tudo me fascina e me faz imaginar o tamanho do nosso mundo.- É minha filha, está em qual planeta hoje amor, Plutão? – meu pai da uma risada gostosa. Sempre invejei essa risada dele, despreocupada.- Não pai – tive que rir disso. – Só estou pensando.- Preocupada com o seu teste de aptidão filha? – meu pai soa mais curioso do que preocupado.- Não pai, é só mais um teste não é? Testes são moleza pra sua super gênio mirim – falei apontando cenicamente para a minha cabeça.- As vezes esqueço que você cresceu querida, e que se tornou minha super gênio mirim que não tem medo de testes, só isso – ele me puxa e beija o topo da minha cabeça escondendo um sorriso.Eu amo os meus pais, embora eu não veja muitos pais demonstrando afeto pelos filhos pelas ruas da cidade, acredito que tenho os melhores pais desse vasto universo. Eu estava amando aquele momento em família até que ouço uma voz masculina gritar o meu nome na porta do apartamento.- Tenho que ir, George e Victória estão me esperando, hoje não podemos nos atrasar.Me despeço dando um beijo em cada um, pego meus livros, minha bolsa e vou em direção à porta. Assim que a abro vejo os rostos dos meus melhores amigos me esperando na porta com suas próprias pilhas de livros nos braços.- Naomi querida. — ouço meu pai me chamar.- Sim Pai?- Eu te amo – diz ele com um sorriso terno no rosto.- Eu também te amo.
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