Almost Valentine
15 You not alone
Notas iniciais
Elena
Damon havia parado o carro, foi o momento em que parei de pensar em Jeremy e nos outros abutres que estavam dentro de minha casa sozinhos, e devo enfatizar, "sozinhos". Uma voz em minha cabeça me dizia para deixar as preocupações de lado, esquecer de tudo, apenas naquela noite. Esquecer do ódio mútuo de Caroline e J.P pela minha pessoa, esquecer que meus pais adiaram a viajem deles e que agora Damon estava morando em minha casa, esquecer que meu irmão mais novo quer fazer um inferno em minha vida e esquecer, por um segundo que fosse, que isso tudo não passa de uma grande e assustadora mentira.
Talvez, naquele momento, ou pelo menos pelo resto daquela noite, eu quisesse fingir que minha relação com Damon não era fingimento, que em algum instante da minha vida, entre ele me jogar em uma lata de lixo e obrigar suas discípulas a afogarem minha cabeça na privada, ele se tocou de que talvez, pudesse me amar ao invés de travar uma guerra eterna comigo.
O que diabos estamos falando? Ingerimos suco tóxico ou inalamos muita fumaça de seja lá o que for que Jeremy estava fumando.
Droga. Ele tinha que ser ele? Não podia ser outra pessoa, alguém menos atraente e menos propicia a fazer eu me apaixonar...
– Por que estamos aqui? — Pergunto, depois de algum tempo em silêncio. Eu mal havia reparado no lugar para onde ele havia me trazido. Sabe aqueles filmes românticos clichês aonde tem um barranco, um carro e uma super lua? Era quase isso, exceto a parte de estarmos, muito provavelmente, invadindo o terreno de alguém.
Eu podia ver a cidade toda, e nem havia saído do carro ainda. Eu falei sério quando disse que era cena de filme. Eu enfatizo o "aqueles filmes românticos clichês".
– Quando minha mãe morreu... — Ele disse, olhando para a frente. Nem parecia o megalomaníaco que havia me empurrado de um telhado. Parecia Damon, o homem por trás da fera. — Eu encontrei esse lugar e desde então eu venho aqui quase todos os dias... Eu acho que é a coisa mais clichê e que todas as garotas esperam que o cara fale, mas é a primeira pessoa que trago aqui.
Maldito veneno Salvatore. Maldito que me impregnava a pele e esvaía-se para dentro de mim, maldito que me tocava a alma sem ao menos tocar-me o corpo. Eu nunca o amaria, pois o repudiava, nunca o desejaria, pois o amaldiçoava... Eu nunca me enganaria, porque menti em relação a todos os tópicos acima.
– Na verdade ninguém espera que você, Damon Salvatore, o sucessor do diabo para governar o inferno, diga isso para uma garota. — Falo, fugindo dos meus pensamentos que, sem dúvida alguma, me carregariam para um mar profundo de trevas e solidão.
– Não estraga. — Ele sorri. O maldito sorriso que me fazia deseja-lo nu. – É calmo aqui.
– Nunca pensei que diria isso... Mas eu me sinto... — Procurava as palavras certas para colocar no meio daquela frase. É que "bem" e "feliz" eram duas palavras fora de contexto, sem sentido e inadequadas para serem usadas em uma frase referente a um sentimento meu por Damon. – Me sinto... Diferente.
– Diferente bom ou diferente ruim? — Ele sorriu, creio que pela forma que falei.
– Diferente. — O olhei, sorrindo para ele da maneira mais... doce? Eu não dou sorrisos doces. Eu sou gótica, eu gosto das trevas. — Diferente do tipo, eu gosto de estar aqui... Sem precisarmos encenar ou atuar, ou nos ameaçar de morte.
Ele balançou a cabeça sorrindo. Voltamos ao silêncio mórbido, que chegava a entrar na minha garganta e me fazer engasgar e querer vomitar solidão.
– Por que nunca fala dela? — Pergunto, de repente. Me encolhendo no banco e sentando-me de lado, de modo que pudesse olhar para ele. — Da sua mãe... por que não fala dela?
Damon não respondeu a pergunta. Apenas ficou encarando a nossa paisagem digna de um romance do Nicholas Sparks. Respeitei se silêncio, entendendo que aquele era um assunto... delicado.
Sai do carro, me distanciando um pouco, olhando para Mystic Falls, que agora parecia ser tão pequena quanto uma casa de bonecas. Eu nasci em Mystic Falls, essa é minha casa... E eu me sinto tão longe de casa agora.
– Quando descobriram o câncer, eu me lembro de correr pra casa, pra saber se ela estava bem... — Só notei que Damon estava ao meu lado, quando ouvi sua voz. — Então eu passei a correr pra casa todos os dias, só pra saber se ela ainda estava viva. Eu a vestia, lia pra ela, dormia ao lado dela... Ela era a única que se importava. Eu penso que... se eu não falar sobre ela, talvez eu não precise sentir que... Sentir falta dela. Sentir que ela realmente se foi. — Ele deu uma risada seca. — Ela era o centro de todo o meu mundo, e ela morreu, e eu tive que ficar sozinho porque meu pai... Tinha outros assuntos para resolver.
Ele estava se abrindo para mim. Estava me mostrando sua fraqueza, seus medos... Fantasmas. Ele não era um monstro frio e sem coração, era apenas um homem, com frio e com um coração partido.
Existe uma grande chance de eu sair completamente quebrada desse jogo. Mas a verdade é que eu já estou quebrada há algum tempo, e por mais incrível que possa parecer, ou não... É ele quem está repondo as minhas peças.
Eu não sabia o que fazer, ou o que dizer. Tomei a única atitude que eu pensei que deveria tomar naquele momento. A única atitude que não era programada ou esperada, nada que ele e até mesmo eu esperasse de mim mesma. Eu o beijei. O beijei sem culpa e sem medo, sem me preocupar em ser rejeitada ou atirada daquele penhasco. Eu o beijei, porque seu beijo era como uma droga para a minha insanidade, a porta para a minha libertação, para o outro mundo, a outra realidade.
Senti sua mão em minha cintura, agarrando-me á seu corpo como se eu pudesse fugir a qualquer momento. Eu não iria. Não poderia. Porque queria sentir a textura de seus lábios, queria fazer uma planilha imaginária sobre cada parte de seu corpo que gostaria de tocar, queria calcular quanto tempo podia ficar sem respirar, enquanto nossos lábios estivessem unidos, queria nos dar um número, uma porcentagem indefinida de números infinitos, começando por 0. Porque existem uma eternidade entre o 0 e o 1, existe um infinito... E aquela a palavra certa para nos descrever naquele momento. Eramos infinitos.
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