Almost Valentine
3 The Hell No Can Wait
Notas iniciais
O barulho da música alta invadia a casa, mesmo de meu quarto, era possível sentir o cheiro forte de bebidas, drogas e... Sexo.
Bufei irritada, quando percebi que seria impossível tentar ler qualquer coisa naquela casa. Coloquei os fones de ouvido, peguei o notebook e entrei em um site de jogos online.
Eu sei, isso é estranho para uma garota de dezessete anos.
Mas veja, sou uma garota de dezessete anos, solitária, com apenas dois amigos, um quarto feito de posteres de séries sobre vampiros e, é claro, um site de joguinhos online.
Não é muito impressionante que meu lugar "preferido" na escola, seja a lata de lixo... É claro que eu sou obrigada a conviver com ela, mas de alguma forma, pelo o menos ela me acolhe.
Papai e mamãe me mandaram um e-mail, dizendo para eu me comportar com Jeremy. Caroline e Jake estavam "assistindo" um filme.
E eu... Estava trancada em meu quarto, ouvindo uma cama ranger, o som no ultimo volume e os gritos histéricos de garotas fúteis que devem, no mínimo, ter consumido até o último litro de álcool e foram parar na cama de meus pais.
Como já disse várias vezes... Minha vida é magnificamente, incrível.
Em meu diário, as folhas se resumem em como me empurraram no chão, ou como quebrei mais um osso... Ou como Damon Salvatore "esbarrou" em mim, quando eu estava no telhado.
Acho que já devo ter mencionado o fato de ele ser um psicopata demente.
Em outras páginas, releio sobre meu amor platônico por Klaus Mikaelson. Meu professor de literatura.
Um dos únicos motivos para eu ainda frequentar aquela maldita aula.
Sim, eu tenho uma queda por ele.
Uma queda? Você tem um tombo do ultimo andar de um prédio de quinhentos andares.
Tudo bem, pode até ser mais que uma quedinha... É só que, ele tem aquele jeito cafajeste, mas honesto. E o sorriso... Aquele sotaque, então. Ele é a combinação perfeita de homem perfeito, com perfeição.
Isso não fez sentido, eu sei... O fato é que... Bem, ele é perfeito.
Se ele não fosse meu professor...
Não diga isso, ele pelo o menos sabe seu nome.
Não sei como é possível, mas o som da parte de baixo da minha casa aumenta, assim que a música Blurred Lines começa a tocar.
Eu poderia ligar para a policia, ou causar um curto circuito... Ou tirar a tomada do som e mandar todo mundo sair.
O que causaria em você tendo que dormir em uma árvore... Sem um braço.
Okay. Isso é verdade.
Mas não deixa de ser uma injustiça... Essa é a minha casa.
Não Elena... É a casa do Jeremy.
Rolo os olhos.
Até eu mesma sou contra mim. Isso deve ser algum tipo de maldição.
Tiro os fones e me levanto da cama, visto um roupão cor de rosa e enfio os pés em uma pantufa de coelhos... Cor de rosa.
Não, rosa não é minha cor preferida.
Eu nem sei porque meu quarto é cor de rosa.
Respiro fundo, antes de girar a maçaneta e ser rodeada pelo o furacão de músicas eletrônicas.
Como eles conseguem ao menos pensar com a música nessa altura?
A primeira visão que tenho, é a de Katherine Pierce, no meio de Stefan e Kol. Demorei um pouco a notar que o vestido dela -que já não escondia muita coisa- estava no meio de sua cintura.
Isso é nojento.
É impossível, as coisas ficarem pior do que já estão.
O percurso até a cozinha, era lotado por garotos bêbados e drogados, casais se agarrando em algum canto, garotas também... E eu podia jurar que tinha alguém fazendo uma orgia dentro do banheiro.
Respirei fundo, quando coloquei os pés na cozinha.
O que fez-me arrepender, já que toda a fumaça que ali tinha, foi parar em meus pulmões.
Juro que se alguém de fora visse, juraria que a casa estava em pegando fogo.
– Se perdeu, princesa? — Lembra quando eu disse que era impossível ficar pior? Então, eu retiro minhas palavras.
– Caso não tenha notado, essa é a minha casa. O que significa, que eu moro aqui... Eu sei que é informação de mais para o seu cérebro naturalmente danificado entender, mas... Enfim. — Sorrio sarcástica para ele.
Sei que quando o respondo dessa maneira, estou pedindo para que ele me amarre em um poste e me torture pelos os próximos anos de minha vida, mas não consigo evitar. Ele é insuportavelmente irritante.
– Talvez eu deva te arrastar para um dos quartos dessa casa, e te mostrar como o meu cérebro funciona. — Ele me prensa contra a geladeira, me encurralando com os braços.
Ele é tão lindo, que as vezes me esqueço que foi possuído pelo o espirito do próprio diabo.
Sabe aquela frase... Ninguém nasce mal, as pessoas só escolhem seguir esse caminho... Ou algo parecido.
Bem, de qualquer forma, se eles tivessem conhecido Damon, saberiam que essa frase não tem nada de verídica.
– Talvez eu devesse arrancar esses seus lindos olhinhos e pendurar na minha cabeceira. — O empurro, sabendo que poderia morrer só por falar com ele.
Por incrível que pareça -Ou não- Eu não o odeio.
Já cheguei até a gostar dele, uma vez... Antes dele me empurrar do telhado, é claro.
É tipo aquela história, a Bela e a Fera... Só que no caso, seria a fera e a fera.
– Deveria tomar mais cuidado, princesa. — Ele me lança um sorriso cafajeste.
Tiro algumas coisas de dentro da geladeira, ignorando totalmente o fato de estar no mesmo cômodo com a pessoa que poderia tirar meu coração do peito e esmaga-lo na minha frente.
Sim, ele era esse tipo de cara... Tão ruim quanto parece.
Talvez pior...
Não vou comentar sobre a vez que meu próprio irmão me trancou em uma sala com esse encapetado.
Meu próprio IRMÃO.
Ele é, praticamente, a puta de Damon.
E não, Jeremy não se importa com o fato de termos o mesmo sangue quando me agarra e me joga dentro de uma lata de lixo, ou quanto tenta me empurrar para cima de um de seus amigos, como se eu fosse uma das vadias a quem ele dá dinheiro para fazer o que bem entende.
Não é tão ruim quanto parece... É pior.
– Te faço uma visita mais tarde. — Damon suspira contra minha orelha, quando estou deixando a cozinha.
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