Almas-Vagantes

1 Capítulo 1 - Como escapar da Gaiola? –


Notas iniciais
“Estamos dentro de uma gaiola, que necessita-se de um pouco de esforço para sair. Escolha se você prefere continuar ignorante ao mundo dentro dessa gaiola com outras pessoas ignorantes, ou prefere sair dela com um pouco de esforço e plainar pelo céu mais azul e passar em meio às nuvens enquanto comtempla o mais belo arco-íris... O que preferes?” Alves, Gabriel R. 2016.

Qual será meu verdadeiro nome?Swift. Tais palavras perturbavam Swift todos os dias. Todos nos pessoas comuns cheias de afazeres temos nossas próprias rotinas mesmo que improvisadas. Acordamos, vamos ao emprego, almoçamos, continuamos a trabalhar, dormimos, acordamos. Esta é a rotina mais comum nos últimos anos. Mas a rotina de Swift era digamos ferozmente mais agitada que a nossa. Ele acordava por meio de alarmes que eu acho que você adoraria trocar pelo seu, da qual você odeia. Este alarme era dotado de um tipo de capacete que é colocado sobre sua cabeça. Quando der a hora de despertar, ele liberará uma corrente elétrica de pelo menos 1000 Volts. Mas não se preocupe você provavelmente não morrerá, confesso que dói um bocado, mas pelo menos você não terá vontade de continuar a dormir.

Após seu acordar eletrizante, caminhava sobre os corredores do orfanato que são cobertos de um tapete vermelho imundo e se sentava sobre as mesas de madeira apodrecidas e empoeiradas no pátio do orfanato e esperava seu irmão Null acordar. Viver nesse orfanato não era nada antialérgico, tudo era empoeirado, sujo, velho e as paredes já estavam cinza de poeira, mas como ninguém tinha pedido para que alguém limpasse, Swift achava isso normal. Somente ele e seu irmão continuavam nesse lugar no ultimo mês. Seus antigos coleguinhas morreram ao serem submetidos sob o teste de evolução, feito por seu mestre Kronus. Para ele não importava muito, eles só me enchiam mesmo, disse Swift quando morreram.

Null adorava ser acordado pelo Eletro-Despertador, Aguentava ficar até meia hora com o despertadortocando em seus ouvidos, aposto que este despertador não é mais irritante que o seu. Após ser despertado se sentava ao lado de Swift no pátio e se silenciava em pensamentos. Após alguma espera, encontrava-seum homem de capa cinza na borda e azul fraco no meio que envolviam seu corpo,esta figura também usavaum capuz que acabava por escurecer seu rosto, suas mãos eram magras e brancas com grandes unhas. Sempre que ele ia aparecer primeiro escutava-se um barulho de movimento de seda contra o ar. Este homem disse chamar-se Kronus uma vez quando Swift perguntou, alias o único que falava geralmente era Swift, Null dizia alguma coisa quase que nunca. Kronus colocava sobre a mesa duas maçãs e após desaparecia, todos os dias. Saboreavam tal maçã, mal sabiam da existência de outros diversos sabores, mas já que não sabiam de tal existência não tinham motivo para reclamar.

Após isso, Kronus reaparecia e os levava a uma sala vazia e os deitava em camas de hospital. Kronus fazia diversos testes como eletrização, dor, impacto, mutilação, todo qualquer tipo de teste. Kronus é um cientista aplicado ou talvez somente um psicopata. Mas Kronus tinha de certo modo uma genialidade. Conseguira fazer com que Swift e Null se regenerassem sem fazer um pouco de esforço sequer. Também conseguira fazer com que eles perdessem sentimentos humanos e o sentido “Tato” perdendo assim a dor. Mas alguns sentimentos humanos jamais poderão ser apagados da essência, mas Kronus estava ciente disto. Conseguiu com que Swift e Null não sentissem, mas dor por meio de ondas elétricas que aplicou sobre a área cerebral responsável pelo tato e sensores de dor. Já a regeneração acelerada foi conquistada por meio de outras técnicas até agora desconhecidas.

Mas como todas as bênçãos são recebidas por trocas ou sofrimentos de mesmo valor, este poder tem o preço de que o usuário não deve conter sentimentos, já que o tato tem grande conexão com os demais sentimentos e sentidos. Kronus acabou por estabelecer seis sentimentosproibidos específicos a partir de testes com Swift e Null que ele chamava de Teste de Evolução, eles são: a alegria, piedade, empatia, insegurança, medo e amor. Quando o usuário estiver com tais sentimentos em ativo dentro de si, partes específicas do cérebro se ativarão, quando estas partes cerebrais são ativadas, automaticamente, os poderes de regeneração e imunidade de dor são desativados. Como pode ver tal poder é uma faca de dois gumes. O motivo de esse poder somente funcionar quando os seis sentimentos proibidos estiverem desativados, é que o tato e os sensores de dor podem ser desativados, mas se houver uma faísca de alguns dos sentimentos proibidos no cérebro, já basta para que sejam reativados.

Swift e Null ficavam sob testes constantes até o anoitecer, sem descanso e sem o direito de reclamar. Embora não sentissem dor alguma, ainda assim os testes eram extremamente desagradáveis. Eram aplicadas sobre eles, ondas elétricas, eletromagnéticas, ultravioletas, dentre outras. Era também, amputados dedos dos pés das mãos para testar o tempo de regeneração, que era de 1 segundo nos primeiros dias, e atualmente eram de 0,01 segundo. Eram amputadas partes do corpo mais importantes, tudo foi registrado em uma tabela bem elaborada:

Relatório de Regeneração (Parte um)

Parte do Corpo Tempo De Regeneração (segundos)

Dedos dos pés 1,00

Dedos das mãos 1,00

Pés 2,00

Mãos 3,00

Pernas 15,00

Braços 15,00

Costelas 30,00

Coração 100,00

Outros órgãos internos 60,00 a 95,00

Olhos* ∞

Cérebro* ∞

*Impossível de se regenerar

Foram elaborados mais de vinte relatórios de regeneração, todos os outros órfãos que passaram pelo orfanato de Kronus acabaram por morrer no Teste de Evolução exceto Swift e Null. Kronus é um sádico insano que somente via os órfãos como objetos de teste, como ratos de laboratórios.

Após os diversos testes, Kronus os levava até seus quartos sujos e empoeirados como era o orfanato todo, Kronus não parecia ligar para poeira, e simplesmente os trancava. O quarto ainda continha diversas camas que estavam vazias já que seus antigos donos morreram. Swift e Null se deitavam cada um em sua cama que ficavam em lados opostos no quarto e observavam geralmente o teto enquanto pensavam sobre suas essências e o motivo de existir, Swift sempre pensava “eu somente existo para os testes de evolução? Qual o sentido de ficar dia após dia sob tais testes?”, Swift já havia perguntado isso a Kronus certo dia em meio ao Teste De Evolução, mas ele o respondeu rispidamente:

— Tais testes são producentes para humanidade, considere-os como uma evolução da humanidade, não quer que a humanidade evolua? Não seja egoísta.

Swift se perguntou “o que quer dizer humanidade?”, se calou e teve que se contentar.

Embora estivessem no mesmo quarto, Swift e Null quase não se falavam, obvio que Swift tentou conversar com Null algumas vezes, mas ele não o deu atenção. Swift então se levantou e caminhou até ele e o disse:

— Null... Você já se perguntou alguma vez que existe um motivo para existirmos?

Null continuou de olhos fechados como se estivesse dormindo ainda, mas não estava,Swift continuou:

— Nunca ficou curioso para ver a sala que Kronus chama de Sala De Profanação Da Mente?

Null não vendo alternativa para que Swift o deixasse em paz o disse com sua voz suave e um pouco rouca:

— No dia em que você perguntou para ele sobre esta sala ele disse que jamais poderíamos ir nela e que se fossemos em tal sala teríamos nossas mentes destruídas.Por isso ele a chama de Sala De Profanação Da Mente. Ele ficou tão preocupado com sua pergunta que nunca passamos novamente na frente da sala com ele, como normalmente fazíamos.

Swift o disse feliz por ter recebido uma resposta:

— Não está curioso para vê-la? Por que ele teria uma sala assim? Sendo que ela destrói a mente, ele não devia ter tido sua mente destruída então?

— Talvez ele somente não queira que víssemos... Talvez somente ele possa ver o conteúdo dessa tal sala... Admito que esteja muito curioso... – Respondeu Null.

— Me ajudará a ir vê-la? –Disse Swift empolgado.

— Okay... Mas terá que obedecer minhas ordens... Caso Kronus nos pegue tentando ir a esta sala, ele com toda certeza nos fará ir para Sala Da Reflexão, ninguém que foi a esta sala voltou... – Responde Null com ar de líder.

— Claro! Farei tudo que me pedir – Responde Swift feliz por estar tendo uma conversa tão longa com alguém.

Swift caminha até a porta do quarto e abre-a. Observa o corredor que era estreito e cheio de portas, sendo que a maioria das salas eram proibidas, não vê nenhum sinal de Kronus e diz:

— Nada de Kronus! O que faremos?

— Não se preocupe tenho um excelente plano! – Diz Null com ar de confiança.

— Qual seria este plano? Posso saber? – Replica Swift.

Null o ignora e caminha até uma das camas que não estavam sendo usadas, levanta o colchão e arranca um pouco de espuma. Swift se pergunta sobre as intenções de Null ao arrancar a espuma do colchão. Null coloca a espuma de colchão na quina da porta impedindo assim que a porta feche.

— Para que fazer isso? – Diz Swift ainda em duvida.

— Kronus desenvolveu o seguinte sistema, a porta pode ser aberta facilmente por dentro, mas necessita de técnicas exclusivas a Kronuspara abrir por fora. Resumindo, se sair do quarto temporariamente quando Kronus não estiver vendo, ele pode facilmente descobrir isso. Como não conseguiríamos abrir a porta após sair do quarto, teríamos que ficar vagando pelo orfanato, quando ele abrisse a porta do quarto e não nos encontrasse no quarto, significaria que fugimos ou fomos investigar algo, em qualquer uma das duas seriamos colocados na Sala da Reflexão. Este sistema foi colocado em todas as portas do orfanato exceto nas portas de entrada e saída. Nessas portas o sistema fica ao contrario, as portas são facilmente abertas por fora, mas somente podem ser aberta por dentro por Kronus. – Respondeu Null.

— Então você colocará a espuma na quina da porta do quarto, impedindo assim com que a porta se feche, tornado o sistema de portas inútil. Já que como a porta foi aberta e permaneceu aberta, não necessitara da técnica de abertura da porta. Mas se caso não soubéssemos desta técnica... Seria realmente problemático. – Responde Swift Intrigado.

— Vários acabaram morrendo, mas somente descobri isso após dois antigos órfãos que viviam aqui tentaram fugir, mas como não conseguiram fugir por causa do sistema de portas, decidiram voltar para o quarto, mas a porta estava aparentemente trancada, eles gritaram tentando a abrir. Mas estranhamente quando os outros que estavam dentro do quarto tentaram, abriram a com facilidade, foi quando descobri que com a cooperação poderíamos facilmente fugir e voltar. Mas mesmo assim, fugir daqui era impossível mesmo com cooperação. E havia o risco de Kronus pegar alguém nos corredores ou mesmo vir verificar o quarto e descobrir que alguém fugiu e ninguém o comunicou, deduzindo que todos agiram juntos para escapar do quarto, resultando na transferência de todos para sala de reflexão, matando a todos. – Diz Null com expressão de seriedade.

— Entendo, quer dizer que se apenas um de nos fugisse não seria a melhor escolha, já que Kronus pegasse você nos corredores ou viesse no quarto verificar e não o encontrasse, acabaria na morte de nos dois da mesma forma. Então não importa como, sair do quarto acaba na probabilidade de morte de alguém. – Diz Swift pensativo.

— Mas o sistema de Kronus tem uma fraqueza. Se colocarmos uma espuma de colchão na quina da porta e fugirmos, Se Kronus vier verificar o quarto e não nos encontrar, podemos dizer que fomos procura-lo para perguntar sobre os testes de evolução, embora não seja plausível, Kronus terá que aceitar já que somos suas preciosas ultimas cobaias. Mas se ele nos pegar dentro da sala de profanação da mente, não teria desculpa que nos fizesse continuar vivos – Diz Null com confiança em seu plano.

— Teremos que tentar então... – Diz Swift sem medo da morte, já que sua vida não tinha sentido, Swift tinha visto nessa sala uma possível motivação para viver.

Eles colocaram a espuma na quina da porta como o planejado e foram ao corredor. Logo ao saírem do quarto sentiram um vento frio e gélido em suas espinhas acompanhado de um péssimo pressentimento. Null pensa “Será que ele tem mais algum tipo de sistema da qual não conhecimento... Não importa! Agora já é tarde!”. Null olhou para os dois lados do corredor e caminhou para direita. Swift permaneceu parado por um instante, mas quando percebeu que Null já estava quase a cinco passos de distância, caminhou um pouco travado e sentiu como se estivesse sendo observado.

Mas qual seria a verdadeira motivação para Null estar pela primeira vez motivado a fazer algo a ponto de falar com Swift abertamente. Null jamais se comunicava ou demonstrava vontade disso. Por que de repente começou a fazer tal coisa? Será que esta sala representa a Null a mesma coisa que representa para Swift. Null está escondendo o motivo de querer ir para esta sala, talvez por simples orgulho. O verdadeiro motivo de Null querer a esta sala foi despertado por Kronus em seu interior. Em um dos Primeiros Testes de Evolução, na época em que Kronus não havia desenvolvido a Regeneração acelerada, Kronus amputava os dedos dos pés de Null e observava o sangramento por alguns instantes. Após estralava o dedo polegar com o indicador e murmurava algo baixo e logo após os dedos dos pés de Null começava a se regenerar rapidamente. Embora as memorias dessas épocas já estejam muito vagas, Null se perguntou varias vezes como tal coisa era possível.

Certo dia, Null se feriu mordendo seus dedos da mão esquerda, estralou os dedos como Kronus fez, mas nada aconteceu. Pensou então “Como seria possível? Kronus deve saber algo que eu não sei... O segredo de estar nas palavras que ele murmurou naquele dia”. Permaneceu pensando sobre isso por vários dias. Estava quase se esquecendo do assunto quando Swift perguntou sobre a Sala de Profanação da Mente para Kronus que pareceu ficar preocupado com a pergunta e os proibiu de entrar na sala. Null então pensou “Será que a resposta está nesta sala? Provavelmente se eu ou Swift descobríssemos sobre os poderes dele, poderíamos ter alguma chance de escapar, por isso ele nos proíbe, mas tem algo faltando nessa historia...”.

Embora ainda tivesse algumas duvidas, decidiu pensar numa maneira de ir a tal sala, mas não havia pensado em nenhuma forma de realizar tal feito. Até que Swift disse a ele, “Nunca ficou curioso para ver a sala que Kronus chama de Sala De Profanação Da Mente?”, isso acabou por despertar uma ideia na mente de Null. Tudo que Null queria, era aprender os poderes de Kronus e finalmente se libertar de suas torturas diárias fugindo do orfanato. Para ele o modo de fazer isso estava dentro dessa sala.

Os corredores começaram a apresentar uma neblina suave, Swift fica aflito e sussurra:

Null... Será que Kronus descobriu?

Null o ignora e continua a caminhar. Swift começa a se sentir horrível, nunca havia sentido nada parecido com isso, será que era medo. Não, era uma aflição com doses de paranoia e covardia. Null percebe que Swift estava estranho e pensa “por que ele ficou assim após sair do quarto? Deve ser algum efeito do sistema secundário de Kronus”. Chegam ao fim do corredor e viram à esquerda. O orfanato era imenso, continha torres pelo menos umas cem salas e um porão. Era um castelo. Seria fácil se perder neste orfanato. Mas Null se lembrava do caminho claramente, teve chances necessárias para decorar, Kronus os levava para o Teste de Evolução passando pelo corredor que tinha uma sala com caveiras e correntes negras decoradas com flores de aço na porta, que era a tal sala de profanação da mente.

Chegam ao deste corredor e viram novamente à esquerda e finalmente chegam ao corredor que tinha a tal sala. Os tapetes deste corredor eram negros diferentes dos outros corredores que tinham tapetes vermelhos. Neste corredor a neblina esta mais intensa, dando um ar de obscuridade. Null avista a sala e se empolga, Swift estava nervosíssimo, tanto que até tremia as mãos freneticamente. Finalmente chegam à frente da sala. Null observa a porta da sala por instante por receio de abri-la. Swift começa a tremer mais intensamente. Null coloca a mão direita na maçaneta da porta que era em forma de caveira e a gira lentamente. A porta se abre rangendo.

Tudo que havia desta sala eram diversos livros de todos os tipos de capas e tamanhos. Null se decepciona. Swift foi o único que pareceu gostar. Mesmo nunca ninguém ter os ensinado a ler, eles sabiam fazer, você se lembra de como aprendeu a falar? O aprendizado de leitura de Swift e Null segue esta mesma logica, eles não se lembram de como aprenderam, só sabem.

Null então percebeu, mas quem disse que a resposta não está aqui, pensou com um pouco euforia. Revirou diversos livros procurando por algo que pudesse lhe dar a resposta que ele procura, mas não encontrou. Swift pegou o primeiro livro que viu. O titulo do livro eraEnigmas Das Nuvens. Na capa havia vários pássaros voando em direção a um pôr-do-sol violeta. Este livro era aparentemente um conjunto de historias infantil. Swift se interessou e o abriu.

Historia I

“Pássaros Sem Nome”

Eram uma vez dois pássaros entristecidos.

Eram uma vez dois pássaros sem nome.

Era uma vez uma gaiola que os prendia.

O motivo de não escaparem era que não tinham visão

O que era visão? Para que servia?

Certo dia um homem os ofereceu a visão

O homem disse

Se quiserem ver somente digam sim

Se quiseres pensar me chamem a qualquer momento

Usando a palavra “Thanatos”

Um dos pássaros negou, mas o outro aceitou.

O pássaro que obteve a visão logo pode ver o céu

Mas o homem aparentemente havia sumido

Sentiu que devia sair da gaiola e voar

Mas não poderia deixar seu irmão para trás.

Decidiu insistir para ele obteste a visão com o homem também

Mesmo com muita insistência o seu irmão não aceitava.

O irmão decidiu chantageá-lo

Disse se que ele não se cedesse

Ele mergulharia no abismo que envolvia a gaiola, se matando.

O irmão pressionado a tal chantagem teve que ceder

O irmão que podia ver gritou “Thanatos”

Para que o homem aparecesse.

De repente apareceu uma figura horrenda com peles cinzentas

Dedos finos com unhas enormes, pernas finas com uma calça em trapos.

Seu tronco era magricela e podia-se até contar as costelas

Esta figura estava segurando um saco preenchido de caveiras empoeiradas

Aparentemente esta figura era o que eles pensavam ser um homem

Ela os disse com a exata voz do homem

Decidires mudar de ideia jovem pássaro?

O pássaro que podia ver se amedronta com a aparência da criatura

E sequer conseguia dizer uma palavra de uma silaba

O pássaro cego diz que aceita obter a visão

A figura coloca as mãos finas e cinzentas na boca

E retira dois olhos de dentro dela

Coloca os olhos no rosto do pássaro que não podia ver

Cedendo a ele a visão.

Logo quando abre os olhos pela primeira vez

Já os fecha, pois vê a terrível aparência da criatura.

A criatura com ar de insatisfeita os diz

Agora devem me pagar pelo o que receberam

Pegarei suas duas asas

A criatura arranca as duas asas dos dois pássaros e as devora.

A criatura completa dizendo

Se quiseres trocar mais alguma coisa, chameis.

Os pássaros mesmo podendo ver não podiam sair de suas gaiolas

O pássaro que chantageava teve uma ideia

Devia trocar a vida de seu irmão para obter suas asas novamente.

O pássaro chamou a criatura e disse a ela

Troco à vida de meu irmão pela devolução de minhas asas

A criatura gargalha e aceita

O Pássaro foi chantageado foi devorado pela criatura

Após as asas do pássaro que chantageava reapareceram em seu devido lugar

A criatura desapareceu sem oferecer novas trocas.

O pássaro que chantageava não pareceu sentir arrependimento

Saltou para fora da gaiola e lançou vôo

Tudo que via por dias eram nuvens e mais nuvens

Nada de árvores, nada de terra, nada de sol.

Continuou voando sem rumo em direção ao horizonte

Mas nada encontrava.

Mergulhou para tentar encontrar o chão

Mas nada encontrou.

Tudo que parecia existir eram nuvens.

O pássaro que chantageava gritou pela criatura

Mas nada aconteceu.

Por que a criatura não o estava respondendo?

O pássaro já não suportava voar

Suas asas já haviam perdido metade das penas

Cansou e mergulhou em direção ao chão

Mas para sua surpresa

Desta vez encontrou terra e morreu.

A criatura devorou seu cadáver

E expeliu pela boca outra criatura

Que ela nomeou de Shini

Uma criatura que se esconde nas sombras

E se transforma em outras.

Swift se perturba após ler tal historia e percebe que esta historia pode ter vários significados. Null não encontra nada que pudesse lhe interessar, só tinha livros sobre janelas e portas em sua maioria e alguns contos infantis.

— Acho que devemos voltar Swift, em breve vai amanhecer... – Diz Null com muito tedio e decepção.

Swift concorda se levanta e coloca o livro em seu devido lugar.

Percebem que já não havia mais neblina nos corredores. Com um mau pressentimento, Null começa a correr. Swift estranha, mas decide correr também. Ao chegar à frente da porta do quarto obtém uma psicótica surpresa. A porta do quarto estava fechada.

Notas finais
“Kronus é o que chamamos de um cientista psicopata, ele sonha em provocar a evolução humana, ele criou um orfanato com a intenção de usar órfãos como objetos de teste, um desses testes é o Teste De Evolução. Swift e Null são dois órfãos que vivem no orfanato de Kronus, eles são os únicos que conseguiram sobreviver aos diversos testes de Kronus, por meio deles obterão a imunidade à dor e a regeneração, tudo que mais desejam e escapar do orfanato. Kronus implantou diversas técnicas nas portas, Swift e Null decidem escapar e procurar respostas para seus anseios na sala de profanação da mente, Swift lê uma historia infantil que o intriga e Null somente fica entediado. Mas ao tentarem voltar para seus quartos descobrem que seus planos falharam e a porta estava trancada. O que se deve fazer neste tipo de situação? Será que Null tinha um plano alternativo? Será que o sentimento de Medo os dominará? Anulando assim o poder de regeneração e imunidade a dor... Quais as verdadeiras intenções de Kronus ao implantar um sistema de portas facilmente desvendável?”.