Almas-Vagantes

16 Capitulo XVI - Leite Derramado -


Notas iniciais
“Lembranças desagradáveis podem mudar uma mente por completo... Nem sempre podemos evitar o que queremos. Senn é obrigado a rever a noite em que sua mãe e Anih morreram pela primeira vez... A pior noite de sua vida...”.

Está acordando? – Escutou Senn, os olhos se abrindo lentamente para a realidade. – Bela adormecida!

Mas aquele não era nem de longe o Senn de antes... Era outro Senn.

Bela adormecidaa? – Insistiu Psycho, a voz graúda. – Não quer ver o seu presente de natal?

— Mas ainda não estamos no natal! – Respondeu Senn de forma irônica, os olhos embaçadíssimos como se ele tivesse miopia. – Não é mesmo?

Shá! Há! Há! Há! Há! Há! Há!— Gargalhou Psycho, os olhos risonhos. – Você não sabe brincar, my friend!

Senn estava sentado ao chão preenchido por um gramado encharcado pela chuva, recostando por atrás das costas o tronco de uma árvore. Ainda estava na floresta do Deus da Morte. Sua visão se estabelecia lentamente. Viam-se somente vultos brancos e coloridos totalmente embaçados. Lentamente os vultos foram tomando forma, até se revelarem.

Senn via a sua frente um vulto negro que parecia ser alguém revirando freneticamente o chão com um conjunto de magricelas árvores juntinhas à volta. A figura revirava o chão como se estivesse escavando-o. Foi então que Senn descobriu.

A figura era Psycho e...Ele de fato, não estava revirando o chão.

Lentamente Psycho foi tomando forma. Seus cabelos negros ligeiramente encaracolados foram se tornando mais nítidos. Seu rosto coberto por uma máscara macabra foi se tornando mais nítido a cada segundo. Seus olhos verde-esmeraldas se tornaram visíveis.

As folhas douradas das árvores que os rodeavam se tornaram mais claras. Já estava de noite. O céu agora limpo de nuvens se projetava por cima das copas das árvores. A lua brilhava intensamente, como uma gigantesca lâmpada incandescente redonda.A floresta se iluminava com a ofuscante e prateada luz da lua. As árvores se banhavam em luz prateada, ficando deveras mais mórbidas. O gramado que jazia ao chão se coloriu de um fraquíssimo verde-acinzentado, ficando deveras mais fúnebre.

Senn finalmente percebeu. Psycho não revirava o chão... Mas sim... O cadáver de Anih.

Anih estava jorrada ao chão a frente de Psycho com a barriga fissurada psicoticamente, mas do buraco não jorrava sangue. Seus olhos verdes agora desocupados. Anih estava morta novamente.

— Então... – Murmurou Psycho observando o buraco que ele havia feito na barriga de Anih. – Ela não tem órgão... Ela é totalmente oca por dentro... Como se...

— Ela é uma boneca-fusus! – Exclamou Senn irritadiço. – Não me lembro de ter o dado a permissão de abri-la!

— Entendo... Então alguém... Leu... – Raciocinou Psycho emblematicamente.

— NÃO ME LEMBRO DE TER O DADO A PERMISSÃO DE ABRI-LA! – Vociferou Senn totalmente possesso. A boca cuspindo raivosamente a cada palavra gritada.

— Ora, ora... – Caçoou Psycho, os olhos se rindo nos buracos da máscara. – Tente me castigar! Você é somente um covarde de qualquer forma! Nem pode me impedir! – Caçoou Psycho.

— CALEEE A BOCAAAA! – Se precipitou Senn em direção a Psycho raivosamente, os olhos negros enraivecidos. – MALDITOOOO!

Senn tentou acertar Psycho com diversos golpes, um diferente do outro, em cada parte que pode acertar, mas todos os golpes o atravessaram como se ele fosse feito de fumaça. “Parece que essa técnica não tem ponto fraco a golpes corpo a corpo” pensou Senn. Psycho deslizou para o lado oposto. Senn apanhou Anih do chão e abraçou-a como se dissesse adeus. Senn mirou a Psycho um olhar de ódio. Os olhos negros submergidos em cólera intensa.

Ops! – Disse Psycho teatralmente. – Parece que a matei sem querer! Sorry!... Mas calma aí... Ela já estava morta... Parece que a matei duas vezes...

Eis que o olhar de cólera desapareceu do rosto de Senn. Largou Anih ao chão gramado e abriu um sorrisinho diabólico no rosto.

— Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! – Gargalhou Senn psicoticamente. Os olhos aparentemente felizes. – Adorei o presente de natal... Mas... Eu ainda não te presenteei... Com... O SEU PRESENTE DE NATAL!

— Shá! Há! Há! Há! Há! Há! – Gargalhou Psycho orgulhoso. – Aprendeu a brincar? My friend!

— CALA A BOCA! – Estourou Senn. – SEU FILHO DA PUTA!

— O que disse? – Perguntou Psycho com cortesia. – Que indelicado! My friend!

— JÁ DISSE PARA CALAR A MALDITA BOCA! – Vociferou Senn demasiado possesso. Psycho se calou com expressão de curiosidade nos olhos. – Você matou tudo que para mim era precioso... Tudo que fazia minha vida fazer sentido! Mas finalmente chegou o momento de me vingar... Não pense que sou o mesmo covarde de anos atrás... Que você me fez lembrar pelo feitiço “lembrus”...

“Esse feitiço chamado de lembrus é um dos feitiços mais usados para tortura psicológica, pode ser usado para fazer a pessoa rever tanto memórias boas do passado, como também as mais psicóticas... Provavelmente você domina o estilo ‘psicologus’, não é mesmo?”

“Você é somente um filho da puta sádico... Mas felizmente você não poderá matar mais ninguém... Tive tempo suficiente nesse último ano para aprender feitiços para te matar e o ponto fraco na sua técnica. Eu nunca me importei com essa nova Anih... já me conformei... Ninguém que morre pode voltar à vida... Mesmo que volte como boneca-fusus, jamais será a mesma coisa que era antes da morte... A morte muda à alma...”.

“Mas chega de conversa desnecessária... Tenho assuntos a resolver... Então se não se importa... Podemos terminar logo com isso?”

Acha que pode me vencer? – Caçoou Psycho confiante. – My friend!

Senn abriu um sorriso psicótico mirando a Psycho um olhar assassino. Psycho juntou os dedos com a intenção de estalá-los, mas Senn se antecipou e estalou os dedos de sua mão direita primeiramente. – “Destroçus” – Conjurou Senn. GWAH!

A mão direita de Psycho se explodiu como uma bombinha. Dedos e sangue jorraram ao chão. Quase que imediatamente, Senn estalou os dedos novamente, mas agora os dedos da mão esquerda. GWAAAH!

A mão esquerda de Psycho se detonou, se destroçando. O gramado se cobrindo de sangue e dedos. Senn preparou os dedos e estalou-os ligeiramente de modo espetaculoso dez vezes seguidas, alternado as mãos em uma dança de mãos, pronunciando “destroçus”.

One! Two! Three! Four! Five! Six! Seven! Eight! Nine! Ten!— Contou Senn mentalmente.

— GWAAAAAAAAAAAAAAAAH! PAREEEEEE! AAAAAAAAAAH! PAREEEEEEEEEEE! – Implorou Psycho agonizando de dor, tendo seus membros sendo gradativamente destroçados.

Senn cessou. O rosto soado de exaustão. Aparentemente fazer tal feitiço desgastava o usuário. Psycho foi quase que completamente destroçado. O gramado se encheu das entranhas vermelhas de Psycho. Senn caminhou até Psycho orgulhosamente. E o mirou um olhar vingativo.

Não... “Cof!”... Adianta... “Cof!”... Chorar... “Cof!”... Sobre o leite... “Cof!”... Derramado...— Murmurou Psycho tossindo sangue em intervalos de palavras. O corpo quase completamente destruído, somente a cabeça continuava ilesa. O resto do corpo se encontrava psicoticamente destroçado. O gramado a volta de Psycho estava escarlate, coberto por uma camada de sangue e vísceras encarnadas. As árvores também foram atingidas por jorros de sangue escarlate. O sangue se misturava com a pálida luz da lua.

— Já lhe disse! – Vociferou Senn. – Não ligo que você matou a boneca-fusus Anih, estou me vingando por você ter matado ela e minha mãe antes...

Não era... “Cof!”... Isso que... “Cof!”... Queria dizer... “Cof!— Murmurou Psycho agônico, a máscara ensanguentada cobrindo o rosto cujos cintilantes olhos verde-esmeraldas agora sorumbáticos lentamente se fechavam.

Finalmente a vingança estava em mãos. Só precisava estalar os dedos e estaria concretizada. Mas por que seu corpo se negava a matar Psycho? Por que seu corpo tremulava com a ideia de matá-lo?

“Ele matou minha mãe! Ele matou Anih!” pensou Senn levemente enraivecido. “Por que estou fraquejando?! Por que estou com medo de matá-lo? POR QUÊ?!”.

Shá!... Há!... Há!... Há!... Há!... Há!...— Gargalhou Psycho de modo psicoticamente lento. – O que foi... “Cof”... Está com medo... ”Cof!”... De me matar?!

— Há! Há! Há! Há! Eu com medo? – Mentiu ironicamente Senn. – Antes que eu o mate! Vejamos que rosto se esconde por baixo dessa maldita máscara!

Máscara que... “Cof!”... Você copiou... “Cof!”... My friend! – Murmurou Psycho fracamente cuspindo sangue por trás da máscara em meio às frases.

— Como você sabe? – Indagou Senn. – Esteve me vigiando?!... Bem isto não importa de qualquer forma... –Disse Senn lentamente se aproximando de Psycho. – Quem será quem está por baixo dessa máscara?!

My friend... “Cof!”... Você sabe como... “Cof!”... Funciona o feitiço... “Cof!”... “Shinigame”? – Indagou Psycho com voz mórbida.

— Isto não vem ao caso no momento! –Vociferou Senn. Os cabelos negros cintilantes refletindo a luz da lua quase como um espelho.

— Você pode trocar... “Cof!”... Qualquer coisa por qualquer coisa de valor equivalente... “Cof!Cof! Cof! Cof! Cof!”... – Murmurou Psycho extremamente ferido. – Eu, por exemplo... “Cof!”... Troquei o cadáver de sua mãe... “Cof!”... Pelo cadáver de Anih... “Cof!”... Mas como Anih não estava morta... “Cof!”... O shinigame teve que matá-la... “Cof!”... Mas eu poderia pedir o que quisesse... “Cof!”... Qual coisa... “Cof!”... Desde que tivesse uma troca equivalente para oferecer!... “Cof! Cof! Cof! Cof!”...

— Não entendo! – Disse Senn, agora deveras próximo a Psycho. Os olhos negros assassinos. – De repente Psycho Killer decidiu ficar falante como um papagaio! – Aproximou lentamente a mão em direção à máscara de Psycho. – Não está com medo da morte?

A morte é apenas oprogresso da vida... “Cof!” – Murmurou Psycho com veemência.

Senn dissimulou não escutar. As brancas mãos trêmulas e receosas encostadas na máscara de Psycho. Sangue escarlate escorreu da máscara para os dedos finos de Senn.

— Esta máscara esteve na minha mente desde aquela maldita noite! –Articulou Senn. – Não entendo? Por que você me fez rever a morte de minha mãe e de Anih novamente? E após me fez rever quando o líder da Dark Birds me fez entrar para a organização?

“... Bem... Pouco importa agora... Chegou a hora de ver quem está escondido por trás da máscara!“.

Os dedos de Senn escorregaram até borda da máscara ensanguentada. Os olhos negros receosos. Enfim, a máscara atirou-se do rosto de Psycho. Os olhos de Senn se chocaram de psicose. O rosto em expressão assombrada e arrependida. Boquiaberto de sobressalto. Parecia estar olhando para um fantasma.

Tecnicamente estava.

Onde se encontrava a máscara revelou-se um rosto de pele macilenta, a testa coberta por cabelos negros longos ligeiramente encaracolados, olhos verde-esmeraldas drasticamente se encontraram com os olhos de Senn de forma melancólica. A boca deveras ensanguentada com sangue preto-escarlate.

— J-JOHN?! – Gritou Senn psicótico. – J-JOHN! NÃO PODE SER?! NÃO PODE SER?! NÃOOO PODEE SER!

— Não se culpe... Maninho... – Murmurou John, os olhos se esvaziando de vida.– É tudo culpa minha...

— P-por que você matou a mamãe?! – Perguntou Senn dramaticamente, os olhos se preenchendo de lágrimas prateadas. – P-POR QUE VOCÊ MATOU A ANIH?!

— Eu fui forçado... Se eu não matasse... Outros matariam vocês... – Murmurou John quase inconsciente. – Preferi matar... Assim poderia deixar... Pelo menos meu irmãozinho vivo...

“Anih no lugar errado na hora errada.”

— Mas por que iriam querer me matar? – Perguntou Senn, o rosto repleto de lágrimas. – Por que iriam querer matar a mamãe e Anih?

— Eu aceitei entrar para Dark Birds... Mas quando se aceita... Você é obrigado a matar todos os seus familiares... Ou eles matam... E pode ter certeza que eles não teriam piedade... – Murmurou Psycho melancolicamente. –Então eu... – Lágrimas melancólicas escorreram dos olhos de John. – Tive que... MATAR A MINHA MÃE... – John desmoronou em prantos.

“MAS EU JAMAIS PODERIA MATAR MEU IRMÃO!... JAMAIS!... FOI AI QUE... FRAQUEJEI... E NÃO MATEI VOCÊ”.

“Mas eles descobriram que eu havia deixado você vivo e... Prometeram te matar... Foi quando desertei da Dark Birds e te vigiei... Para que eles não o matassem... Mas eles estranhamente te convidaram a entrar para organização... Talvez para te fazer me matar...”

— Eu vou... – Murmurou Senn irritadiço, ajoelhando-se ao lado de John. – Matá-los! Eu juro! Maninho!

— Não! Não os mate! – Pediu John. – Eles são boas pessoas... O problema é o líder... Quando você deserta da organização... O líder obriga os membros a matar o desertor... Estou sendo perseguido há dias por um dos membros...

— Então matarei o líder! – Prometeu Senn.

— O líder é um mago das trevas mais poderoso que você possa imaginar... – Explicou John. – Ele é capaz de criar outros mundos e controla-los livremente... Nenhum mago na historia chegou perto disso... Suspeito que nenhum mago da era atual possa vencê-lo!

— Tenho uma pergunta... – Articulou Senn. – Por que você me atacou e me fez ver o passado novamente?

— Entendo... – Murmurou John, os olhos fracos e etéreos. –Primeiramente vou falar sobre o “lembrus”...

Lembrus é um feitiço extremamente avançado usado para fazer a vítima sofrer ou de mesmo modo ficar bem. Pode-se fazer a pessoa rever suas memorias mais felizes, como também se pode fazer a pessoa rever sua memorias mais melancólicas e psicóticas.”

“Fiz-te rever aquele dia... Para que você percebesse uma coisa... Não sei que você reparou... Mas... Eu estava chorando por baixo da máscara o tempo naquela noite...”.

Senn abruptamente se lembrou. Realmente. Psycho estava chorando durante toda aquela noite. Como nunca havia percebido? Psycho sempre estava com os olhos mergulhados em lágrimas prateadas.

Sempre.

“Se lembrou?” perguntou John. “Eu tentei fazer você lembrar... tentei fazer você perceber... Mas você nunca percebeu... que Psycho sempre foi John Hitachi... Desculpe ter lhe feito rever aquela noite... Mas eu não sabia como te dizer que... O motivo de eu ter matado nossa mãe... Eu iria morrer pelas mãos da Dark Birds de qualquer forma... Então preferi que o meu carrasco fosse... Você...”.

“Para isso, eu tinha que te deixar extremamente enraivecido, para que você me matasse... Eu tive que rematar Anih... Mas percebi que você tinha feito uma boneca-fusus com ela... Bem eu sei tudo sobre elas... Por que eu desenvolvi a primeira boneca-fusus...”.

— Você?! – Se surpreendeu Senn. Os olhos negros ressentindo de ter que se despedir de seu irmão novamente.

— Foi há...Muito tempo... Atrás... – Murmurou John, a boca se ensanguentando mais intensamente a cada frase. – Eu... Estou... Quase... Perecendo... Desculpe... Senn... Eu... Te... Amo... Maninho...

— Não morra... Por favor... – Exclamou Senn, acariciando as mechas de cabelos de John. – Eu não sou nada sem você... Maninho... Por favor... Não morra... Não morra... Posso fazer você viver... Posso fazer você viver com um feitiço regenerativo...

— Senn... – Murmurou John vagamente. – Não adianta... Chorar... Sobre o leite... Derramado... – disse John com carinhoso sorriso ensanguentado.

Adeus...”.

Os olhos verde-esmeraldas de John, agora morbidamente se acinzentando, se fecharam vagarosamente, o rosto ficando gradualmente mais pálido, até que por fim... John morreu.

— NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! –Gritou Senn de modo melodramático. Os olhos negros repletos de melancolia intensa. – JOOOOOOOOOOOOHN!

— FILHOOOS DA PUTAAA! – Gritou Senn destroçando uma árvore com um soco enraivecido. – FILHOS DA PUTAA! – Gritou Senn destroçando outra árvore. – FILHOS DA PUTAAAA! – Golpeou outra árvore, destroçando-a. – FILHOS DA PUTA! FILHO DA PUTA! FILHOS DA PUTAAAA! – Gritou Senn golpeando mais árvores. A cada golpe uma árvore se destroçava e despencava em direção ao chão.

Diversas árvores desabaram com um estrondo ensurdecedor a costas. Senn caiu de joelhos, o rosto preenchido de lágrimas com expressão de tristeza desmesurada. Novamente estava sozinho...

Novamente.

A lua melancólica iluminava o rosto entristecido de Senn. Os cabelos negros esvoaçando-se com a leve brisa daquela macambúzia noite. Folhas douradas caindo calmamente das copas das árvores em volta de Senn. Eis que abruptamente,Senn estralou os dedos. – “Destroçus” – Conjurou. Destroçando seu próprio rosto em um estampido aguçado. Sangue jorrou do seu rosto a esmo. O gramado cinzento se tornou seu caixão. Senn sequer gritou...

A dor que sentia, em nada se comparava a dor de ter perdido seus entes queridos.

Desabou sobre o gramado morbidamente cinzento. O rosto completamente destroçado, irrompendo sangue descomedidamente. Deitou-se sobre o gramado e finalmente...

Mergulhou na escuridão da morte.

Eis que alguém surgiu. Vindo em meio às sombras das árvores. Trajando vestes negras e uma máscara excêntrica repleta de esboços de cavalos marinhos azuis, nos buracos redondos os olhos castanhos penetrantes. Os cabelos castanho-escuros se esvoaçando por trás da máscara.

— Interessante! – Exclamou a figura. – Parece que o bocó do Senn se matou... Não era sem tempo... Ká! Ká! Ká! Ká! Ká! Ká!— Gargalhou a figura de modo extremamente excêntrico olhando para o rosto destroçado de Senn. –Affs! Devia ter se matado mais próximo ao castelo, terei que arrasta-lo por dois quilômetros... Que merda!...

A figura reparou em Anih e Psycho, ambos mortos. Seus olhos se passaram do buraco na barriga de Anih para o corpo deveras destroçado de Psycho.

— Nossa! Foi uma batalha em tanto! – Exclamou a figura, aparentemente surpresa. – Não sabia que a Anih era uma boneca-fusus... Que interessante!... A propósito... O mestre vai ficar feliz quando levar a ele o corpo de Psycho... Posso até dizer que fui eu quem o matei... Ká! Ká! Ká! Ká! Ká!... – Gargalhou. – É melhor não! Da ultima vez que mentiram para ele... Ele destroçou o cara...

A figura estralou os dedos. – “Aqua flutuos” – Conjurou. Do meio da palma da mão da figura surgiu-se um jorro de água cristalina, a figura apontou a mão para acima da cabeça e fez a água se acumular em três grandes esferas flutuantes de água. Abaixou a mão e fez com que as esferas de água descessem a meio metro do chão e se permanecessem flutuando no ar. Caminhou até cada um dos cadáveres e os arrastou até cada esfera e os aprisionou dentro delas.

Posto cada cadáver em sua devida esfera. A figura pôs-se a embrenhar na floresta em direção ao castelo. Os cadáveres morbidamente flutuando dentro das esferas de água cristalina. Os rostos mais pálidos que nunca, com expressão de quem fora morto afogado. Os olhos abertos em meio à água cristalina.

— Sempre restam ao Lucas K. “Horse” as tarefas difíceis e pesadas! – Reclamou a figura se embrenhando na floresta, as esferas de água o seguindo. – Sempre! Da próxima vez que ele me mandar fazer coisas desse tipo... Vou xingar aquele velho gagá! É melhor que ele me agradeça... Mas como ele sabia onde é que eu encontraria os corpos?... Vai saber... Nunca vou entender aquele velho biruta!