Almas-Vagantes

9 Capitulo IX - Mentes Psicóticas {Parte I} -


Notas iniciais
--------------------------------- Parte IV: “A Saga Sombria de Senn” Capítulos 9 - 10 —----------------------------- “Como você já deve ter percebido, eu pessoalmente gosto de aprofundar a historia de personagens que considero interessantes e mudar de núcleo. Vocês devem ter percebido (Obviamente perceberam) que no começo narrava-se a historia de Swift e Null, então o autor que vos fala, mudou o núcleo drasticamente para Peter Riddle. Não sei se agradou ou desagradou alguém, mas vocês já reviram Null no capítulo anterior a esse. Então sem mais delongas, apreciem pequena saga de Senn Hitachi”.

Em um fúnebre lugar longínquo, aos arredores de Sky Gray, jaz um jovem de cabelos lisos negros que cobre totalmente sua testa em franja, e olhos tão negros quanto seu cabelo, que se nomeia de Senn Hitachi. Senn faz parte de uma organização.

Ele mora em um castelo sombrio e frio junto aos demais membros da organização da qual ele é membro. Na maior parte do tempo, pode-se encontra-lo na biblioteca daquele lugar. Escrevendo para si mesmo. Seus companheiros de batalha riem de tal hábito.

Senn não tem um bom relacionamento com ninguém de sua organização.

Todos os membros dessa organização obrigatoriamente usam máscara. A máscara de Senn é peculiar. É uma máscara branca de formato oval com dois buracos redondos para os olhos e uma boca com grande sorriso psicótico vermelho.

A maior do tempo, Senn fica na biblioteca do esconderijo lendo livros. Lê de tudo. Mas seu maior passatempo é escrever. Escreveu mais de mil paginas que jamais foram lidas por ninguém. Mas dentre esse número gigantesco de paginas, estava sua autobiografia de suas lembranças que ele adquiriu até aquele momento. Com o titulo:

***

“Minha autobiografia peculiar”escrita por: Senn Hitachi.

Vou lhe contar minha historia. Devo lhe avisar. Eu não tive uma vida nada agradável até o exato momento.

Nunca saberei o que me fez me tornar no que sou hoje. Eu sou uma pessoa grandemente diferente da pessoa que um dia eu já fui. O exemplar Senn Hitachi pueril de anos atrás. Para lhes dar um exemplo de tão pueril eu já fui, lhes direi. Eu quando criança viviadesenhando desenhos de mim e minha família feliz, sempre sorrindo: abaixo de árvores; sobre gramados verdes vividos; em campos floridos; em um simples jantar e feliz. Mas nada disso era existia, era apenas um purodelírio infantil. A realidade era simplesmente um pesadelo para uma criança.

Meu pai era como você pode imaginar. Um bêbado violento de merda. O tipo mais desprezível de ser humano. Nunca compreendi o porquê de minha mãe ter gostado tanto de um merda como meu pai. Todos os dias era a mesma cena perturbadora. Quando de dia meu pai era quieto e pacifico. Almoçava a mesa conosco normalmente, raramente dizia algo para elogiar ou para simplesmente se comunicar com sua mulher e filhos. Tudo que ele fazia era xingar e reclamar da comida.

Essa comida está uma bosta! Deveria ter ido comer na rua! Lá servem comidas mais saborosas que essas para os mendigos!— Gritava ele quase que todos os dias. Dava vontade de responder para ele a altura de suas injúrias.

Então coma na rua seu bêbado de merda!—. Mas isso me custaria um dente e um olho roxo, então eu deixava de lado.

A tarde era um paraíso, já que meu pai estava trabalhando. Minha mãe me contava historias, brincava comigo e com meu irmão, John, que na época tinha 12 anos. Era realmente divertido. Minha mãe era o tipo de mãe doce e gentil que todo tipo de filho desejaria. Ela jamais me bateu ou sequer levantou a voz. Tudo que ela geralmente fazia quando eu ou meu irmão fazíamos alguma coisa errada, era conversar calma e manipuladoramente.

Minha mãe era tudo que eu mais prezava no mundo. Eu daria minha vida por ela ou por meu irmão John.

John era o suplente de pai, que eu aos 6 anos de idade escolhi. Ele era realmente um irmão gentil. Já que não comíamos muito, ele me dava metade de seu almoço, mesmo sabendo que passaria fome durante a tarde. Já que nosso pai devorava mais de 70% da comida que minha mãe preparava. Como um porco faminto. Mesmo sendo uma quantidade gigantesca de comida, o maldito do meu pai ainda reclamava que minha mãe tinha feito uma miséria de comida.Egocêntrico. John sempre se sacrificava por mim. Mesmo comigo negando, ele insistia até que eu cedesse.

Quando estava frio, ele me dava sua coberta e ficava sem (Já que só tínhamos uma coberta para cada em nossa casa). O que acabava fazendo-o ficar resfriado.

Não se preocupe maninho! Eu vou ficar bem— Dizia ele.

Éramosdemasiadopobres, sendo que o único que nos sustentava era nosso pai. Ele trabalhava de ferreiro. E após o trabalho ele se embriagava em barzinhos miseráveis repletos de bêbados ignorantes, perto de seu serviço. Saia de lá cambaleante e repleto de uma raiva incompreensível. Logo quando ele chegava em casa, despencava seu ódio em minha mãe como um maníaco. Eu meu irmão não podíamos fazer nada a não ser se esconder em baixo de nossas camas.

Por favor, não tentem fazer nada... A mamãe não saberia o que fazer se ele ferisse um de vocês... Eu amo vocês mais que a mim mesma... Então, por favor...— Dizia minha mamãe chorando sempre que John dizia que ia tentar impedir que meu pai batesse nela.

Então só nos restava, chorar abaixo daquelas camas empoeiradas. Chorávamos, chorávamos, chorávamos, chorávamos, chorávamos. Escutando o psicótico som de minha mãe gritando e chorando no quarto ao lado... Além dos sons de ele a derrubando de um lado ao outro no quarto, estrondosamente. Era uma sensação realmente sorumbática. Meu coração se apertava mais e mais a cada som de minha mãe se chocando contra o chão, a cada soluço melancólico de minha mãe que já não conseguia chorar.

Todos os dias essa cena psicótica se repetia. Ao fim, meu pai não satisfeito, o rosto transpirando como um porco, vinha ao nosso quarto procurando-nos para nos surrar como fizera com nossa mãe. Mas como ela era uma anta de merda, pelo simples fato de estarmos encobertos abaixo da cama, ele não nos encontrava. Para nossa sorte.

Quando ele se cansava de nós procurar. Decidia ir dormir, psicoticamente, ao lado de minha mãe, mesmo ele tendo acabado de espancá-la, era como se ele se esquecesse do que tinha acabado de fazer. Talvez ele tivesse algum tipo de deficiência cerebral. Mas para mim isso significava que ele era nada mais do que um maldito psicopata sádico. Eu planejava mentalmente matá-lo, mas eu nada mais era que um covarde.

Mas meu irmão John não era. Na época eu não tinha certeza, mais eu desconfiava que John estivesse maquiavelicamente planejando uma devida vingança ao meu maldito pai.

Os anos se passaram.

Já estava com quatorze anos e John com vinte anos. Mas nada havia mudado, meu pai continuava a bater em minha mãe diariamente. Até que em uma maldita noite enluarada. John decidiu impedi-lo. Estávamos como normalmente ficávamos durante a noite, abaixo das camas, amedrontados. Mas nesse dia John não aguentou de raiva. Seus olhos verdes esmeralda se encheram de ódio. E em um piscar de olhos ele estava abrindo a porta do quarto e correndo pelo corredor em direção ao quarto de nossos pais. Lembro-me daquela cena perfeitamente. Eu o via naquele momento em câmera lenta por causa da adrenalina que circulava por meu sangue. Seus cabelos negros longos ligeiramente encaracolados esvoaçavam. Quase gritei para impedi-lo, mas isso não iria impedi-lo, iria somente chamar a atenção de nosso pai, estragando o elemento surpresa que provavelmente John desejava usar. Eu sabia disto e contive. Eu o via sorrindo. Era um sorriso gentil e confortante, mas era infelizmente um sorriso de despedida.

Meu pai o espancou até a morte naquele dia... Minha mãe não pode impedi-lo já que mal podia se mexer de dor... E o covarde que vos fala, nada fez... NADA FEZ... Meu pai arrastou o corpo ensanguentado de John pela casa até a porta e continuou arrastando-o, até chegar àmargem do Rio de Hades... E lá jaz meu irmão, no fundo daquele maldito rio de suicidas.

Nada mais fui que um covarde de merda.

Meu pai não voltou para casa naquele dia. Minha mãe dormiu abraçada comigo, ficamos escondidos no armário escuro de meu quarto até o dia amanhecer. Mas para nossa surpresa, pai estava deitado à cama de seu quarto, alagado em lágrimas. Parecia que tinha se arrependido de ter matado John. Mas minha raiva por ele havia florescido em campos verteis. Criei por ele ódio e desejo vingativo. Nunca mais o olhei com os mesmos olhos a partir daquele fatídico dia. Acho que meu pai percebia a raiva em meus olhos. Mas ele sabia que merecia tal coisa.

Algo estranho parecia ter se apossado da alma de pai. Ele não mais falava, não mais reclamava, não mais batia. Parecia um acriançado sem lógica. O que ele estava planejando? Seria terminar o serviço? Matando a mim e minha mãe... Mas isso não acontecerá. Minha mãe parecia morta por dentro.

Eu prefiro que me matem a matarem o meu filho — Com certeza, qualquer mãe falaria isso que tivesse que escolher. Pelo menos a maioria das mães.

Após a morte de John, minha mãe se mantinha enfurnada no armário de meu quarto, se destruindo em lágrimas de melancolia e auto-ofensas. Eu não sabia o que fazer. Não havia nada que eu pudesse fazer. A não ser trazer John de volta dos mortos. Mas isso era totalmente impossível. Pelo menos eu achava que era impossível.

Minha casa estava obscura e com os choros de tristeza e arrependimento, ora de meu pai. Ora de minha mãe. Minha mãe já não comia mais. Nem mesmo o meu pai parecia com fome. Os dois começaram a emagrecer tragicamente. Perderam pelo menos vinte quilos em mês. Minha mãe parecia ter entrado em um estado de depressão profunda. Quanto tempo mais para que a depressão que estava a dominando resultasse em seu suicídio? Eu me perguntava todos os dias. Não pense que eu não tentei reanima-la de alguma forma. Tentei tudo que estava ao alcance. Embora eu também estivesse mais que entristecido. Peguei flores no jardim para ela e ofereci a ela,

Para melhor mãe do mundo— Disse. Ela fingiu um sorriso e quando eu me afastei, desabou em prantos novamente.

A única vantagem na morte de John. Foi que isso pareceu despertar algum tipo de arrependimento no coração de meu pai. Talvez ele tivesse problemas mentais graves e não conseguia se controlar quando bebia. E quando percebia o que havia feito em suas crises psicóticas, se arrependia em prantos. Eu nunca percebi na época, mas em todas as manhãs meu pai acordava com o rosto inchado de tanto chorar durante a madrugada. Talvez ele não conseguisse se controlar. Se isso for verdade, não posso martiriza-lo pelo o que ele fez quando não tinha controle de si mesmo. Ele realmente não se controlava?

Certo dia fiz um desenho de mim abraçado a ela e meu irmão abaixo da grande árvore vivida do nosso quintal, que eu demasiadamente gostava de desenhar em meus desenhos repletos de felicidade fantasiosa. Mas só a fez empiorar. Após mostrar a ela aquele desenho feliz, ela não conteve a tristeza em seu peito e chorou melancolicamente, mesmo jazendo a minha frente. Ela estava tentando fingir não estar depressiva naquela época. Mas aparentemente não era boa em fingir. Foi quando percebi.

Não podia fazer nada para ajudá-la.

Meu pai estava demasiado pior que minha mãe. A dor já o tinha corroído por dentro quase que completamente.

Eu matei meu filho... Eu matei meu filho... Eu sou um... Monstro... Eu sou... Um monstro...— Ouvi-o resmungando aos prantos durante a noite. Não demorou muito. Ele se matou.

O Suicídio começa por dentro. A pessoa só comete o suicido quando já morreu por dentro.

Com uma corda amarrada no pescoço. Sufocou-se. Pendurado a um dos galhos da árvore feliz de meus desenhos. Suas últimas palavras provavelmente foram:

Desculpe John...

Minha mente entrou em estado de psicose ao ver aquela cena perturbadora. Exposta ao sol como uma carne de vaca em uma fazenda macabra. Gritei o mais alto que minhas cordas vocais puderam aguentar. E meu joguei em minha cama, debulhado em lágrimas. Embora ele fosse demente e psicótico, ainda assim, era o meu pai.

Pensei que isso seria um golpe duro para minha mãe. Que isso resultasse em seu suicídio. Que parecia estar sendo cogitado por ela há dias. Mas isso não aconteceu. Pelo contrário, quando ela o viu, morto e impotente, pendurado a uma árvore de modo desprezível. Ela pareceu feliz. A vida estranhamente voltou aos seus olhos.

— Mãe você está b-bem? – Perguntei assustado com a cara atemorizante que ela fazia, ela parecia metade melancólica e metade satisfeita. –M-mãe?!

— Nunca estive melhor... – Respondeu-me ela feliz de modo psicótico. – Vamos entrar... Senn, querido.

Aquilo me assustou. Como alguém encararia isso de modo tão frio como ela estava encarando? Ilusão... Psicose... Insanidade... Psicopatia... O que estava a dominando naquele momento?

Um detetive de polícia foi a nossa casa naquele mesmo dia para investigar a súbita morte de meu pai, Jonas Hitachi.O detetive era demasiado excêntrico. Ele não era muito mais velho que eu o meu irmão John. Seus cabelos estavam bagunçados de modo insano e seus olhos estavam marcados por olheiras que indicavam sua insônia.

— Me chamo Kokoro Andrews— Disse ele dando-me a sua mão em comprimento. –Seu pai era importante para você?

Eu não o respondi. Somente o respondi com um olhar de frieza.

— Talvez ele não tenha sido uma pessoa boa, afinal. – Disse ele enrolando uma de suas mechas de cabelo negro com os dedos, enquanto observava calculista o cadáver perdurado de meu pai oscilando de um lado ao outro na árvore. –Isso deve ser um dos motivos que o levaram a morte. O desprezo de seus familiares.

Eu me virei de costas, sem dizer adeus e me retirei daquela cena de suicídio horrendamente fedorenta. Ele conversou mais um pouco com minha mãe e foi-se, lavando consigo o cadáver de meu pai para autopsia completa.

Desde daquele dia, não fui com a cara de Kokoro.

A minha vida escolar não era nada agradável. Minha vida em geral era uma merda. Para mim a escola era tão ruim quanto ficar em casa ouvindo xingamentos de meu falecido pai. Sempre foi a mesma coisa. Eu chegava à escola, sentava-me na minha carteira ao fundo da sala, debruçava-me sobre meus braços e dormia. Obviamente que prestava devida atenção às aulas. Mas somente em aulas que necessitassem disto. A maioria das aulas da oitava serie eram fáceis de mais.Ninguém jamais demostrou interesse em ser meu amigo desde o maternal. Eu nunca consegui entender o porquê. Eu era tão excêntrico assim?

O recreio era um verdadeiro inferno mental. Eu tinha que aguentar os diversos olhares de repulsa direcionados a mim. Talvez eu fosse isolado, pois não puxava assuntos interessantes com ninguém. Senn o aluno avulso. Mas o que eu podia fazer? Nunca conseguia imaginar um assunto devidamente interessante. Eu parecia ter algum tipo de bloqueio mental a me socializar com os demais alunos. A solidão é uma atroz amiga. Minha mente me perturbava mais intensamente quando estava solitário. E isso se intensificou ainda mais com a morte de meu irmão e meu maldito pai.

Estava à beira da desesperança.

Eu, mesmo que fantasiosamente, via as outras pessoas em cores monocromáticas. Como se fizessem parte de um filme antigo. E me via em cores. Era realmente divertido imaginar esse efeito. Mas o pior da escola vinha na saída. James e seus amigos me batiam violentamente. Não sei o motivo. Talvez porque achavam que eu fosse um antissocial fracassado. De certo modo tinham razão. James era demasiado mais forte que a mim e tinham-se também seus malditos cúmplices, então não dava para tentar derrotá-lo. Talvez ele estivesse descontando em mim suas frustações. Um dia ouvi, sorrateiramente, alguém comentar sobre o violento pai de James. Entendo! James deve me ver como um modo de subtrair a dor interna,eu pensei.Mas após a morte de meu irmão. Não conseguia mais suportar tal coisa.

Certo dia na saída... Fui preparado para matar James. Roubei um canivete que era usado para apontar lápis do estojo de alguém da minha sala. Se ele tentasse me açoitar eu iria matá-lo sem pensar duas vezes. Então, ao soar o sino de saída, meti a minha arma no bolso e caminhei calmamente até a saída. Eu sempre era obrigado a ir a um beco próximo à escola pelos cumplices de James para ser covardemente espancado. Mas nesse dia isso não iria acontecer. Fingi estar totalmente impotente como sempre fazia. E fui jogado no beco sem saída. Aquele lugar já era muito bem conhecido por mim. Era estreito e sujo, totalmente abarrotado por lixos da escola e caixotes. Lá era minha área de expiação. Os cumplices de James permaneciam a única saída daquele lugar para que eu lá permanecesse. Mas nesse dia eles fugiram, quando me viram empunhar um brilhante canivete. Nunca vi James tão pressionado e assustado, como se nunca imaginará que um dia aquilo pudesse acontecer. Furei com raiva seu olho esquerdo, como vingança. Ele caiu em agonia, ensanguentando o chão.

James não morreu, embora eu estivesse disposto a fazer tal coisa. Ele provável inventou uma desculpa tola para seu pai, por exemplo: Cai e furei o olho em um caco de vidro que estava no chão.

No outro dia, James apareceu na escola com um tapa-olho branco sobre o olho esquerdo. Mirou-me um olhar de temor quando passou por mim no corredor. Fiquei satisfeito comigo mesmo. A partir daquele dia, jamais, James ou seus amigos chegaram perto de mim ou se referiram a mim. Mas não recomendo isto que eu fiz a ninguém, eu podia ter morrido ou matado.

Minha vida começou a ser medianamente agradável. Minha mãe estava como era antes da morte de meu irmão John. E isso era realmente assustador. Como ela tinha superado a morte de meu irmão tão rápido. Não tinha se passado nem um ano da morte de meu irmão. Ela estava me assustando. Vivia cantando musicas melosas em tom sombrio. E só de vê-la empunhando facas para cortar verduras para o jantar, já era motivo para me assombrar. Ela parecia estar sempre sorrindo e cantarolando para toda parte. Diga-me, não seria estranho que seu irmão morresse e depois de menos de um mês sua mãe ficasse sorrindo e cantarolando para todo o lado? Seria perfeitamente normal que ela ficasse em luto por um ano ou mais.

Aquilo me assustava.

— Mãe você não está mais triste... – Perguntei a ela certo dia. – Com a morte do maninho, John?

— Quem é John? – Respondeu-me com olhar confuso. – Não conheço nenhum John.

Foi quando descobri o motivo de sua felicidade súbita.

— E do meu pai Jonas? – Perguntei de imediato. – Se lembra dele?

— Quem? – Respondeu-me ela ainda mais confusa. – Quem são essas pessoas, filho?

Ela tinha se esquecido de meu pai e meu irmão abruptamente.

Minha mãe com toda a certeza tinha se adentrado em algum tipo de psicose. Mas não era nada maligno tecnicamente. Pelo menos, ela não estava tentando se suicidar. E isso já era gratificante para mim. Deitamos abaixo da árvore do quintal, da qual fora objeto de suicídio de meu pai, e eu a disse enquanto a abraçava calorosamente:

— Eu te amo, mãe.

— Também te amo filho.

Minha vida escolar finalmente estava em paz. Mas continuava solitário. Mas eis que algo chamou minha atenção. Alguém não era monocromático como os outros. Ela era colorida, assim como eu. Quando meus olhos a viram pela primeira vez se vidraram naquele rosto fino como de uma boneca, pálido como farinha. Seus olhos verdes cintilavam mirando o céu. Sua roupa elegante se esvoaçava com o vento daquele dia magnificamente ensolarado. Ela vestia o tradicional uniforme feminino de Light Of Sky. O uniforme era composto por uma saia cinza elegante e uma camisa branca com listras azuis nas mangas e o logo de Light Of Sky no peito (Um leão com no lugar de cabeça um sol, tendo abaixo das patas as palavras “Light Of Sky” escritas em letras prateadas). Ela estava sentada sobre a grama abaixo de uma árvore que jazia ao jardim lateral da escola. Aparentemente era tão solitária quanto a mim. Suas mãos brancas delicadas seguravam rosas brancas da qual ela tinha arrancado da coletânea de rosas brancas que o diretor de Light Of Sky, cultivava ao lado da escola. Eu tinha ido ali pela primeira vez, precisava respirar um pouco de ar puro.

Mas como resultado eu não respirei ar fundo nenhum, pois ao vê-la meu coração bateu como doido e minha respiração se prendeu. Observei-a sem perceber o tempo passar. Sem dar-me conta fiquei observando-a o recreio todo.

Provavelmente estava boquiaberto.

Não me pergunte se eu estava ou não, porque nem mesmo eu sei se estava ou não. Quando sino do recreio soou, foi quando despertei do transe. Mas quando o som do sino atingiu meus ouvidos, também atingiram o dela, ela mirou-me seus olhos verdes abruptamente e ela sorriu para mim. Assustei-me e me virei de costas, tentando fingir que não estava observando-a. Mas provavelmente ela havia percebido. Corri até minha sala.

Meus pensamentos se preencheram por ela, me impedindo de dormir na sala naquele dia. Seus olhos verdes se reproduziam múltiplas vezes. Meu coração se esquentava quando pensava nela.

Eu estaria apaixonado?

Mas ainda havia um problema, como alguém como eu, um nerd antissocial, sem amigos e desprovido de bom papo, poderia ter alguma chance com alguém como ela.

Na saída, me senti feliz. Pela primeira vez em anos podia não me preocupar com surras depois da aula. Mas para minha desventura, James havia escolhido outra vitima. Duvido que você adivinhe quem ele escolheu. Quem mais era tão excêntrico quanto a mim? Quem mais era antissocial? Ela.

Não podia permitir que eles a espancassem. Quando passava a frente do beco da qual eu geralmente era espancado, pude ver. Eles, todos eles, espancavam-na com violência e covardia. Elas não tinham se arrependido, tinham apenas trocado de vítima. Mergulhei naquele beco com raiva. E espanquei-o. Jamais havia feito nada do tipo na minha vida. Eu havia aprendido aquelas técnicas de soco com James. Anos de surra me ensinaram diversos golpes. Quebrei o queixo de James de tanto espancá-lo. Aquela sensação de espancar alguém era assustadoramente boa. Eu senti-me poderoso e superior. Eles correram do beco aos gritos.

— Qual desculpa vai inventar para seu pai agora? James – Disse eu me sentindo poderoso. – Vai dizer que quebrou o queixo por acidente, que escorregou na rua e caiu de queixo sobre o chão? Você é imprestável! Nunca mais... – Completei ofegante. –Machuque... Alguém mais fraco... Que... Você...

James levantou de um salto e correu desesperadamente aos prantos. Senti-me um pouco arrependido por ter feito tal coisa. Mas ao vê-la despejada sobre chão, ensanguentada e machucada, senti-me entristecido e enraivecido. Seu rosto estava roxo e seu nariz delicado sangrava.Os olhos quase fechados de dor molhados de lágrimas. Coloquei as mãos em suas costas e levantei-a, mantendo-a ao meu colo.

— Onde você mora? – Perguntei.

Quem... É... Você?— Disse-me ela com voz fraca, sua voz era suave e reconfortante.

— Me chamo Senn Hitachi!

Ótimo... Senn... Hitachi...— Disse-me ela com a voz etérea e bem fraca. – Moro... Na... Rua gramados cinzentos... N° 12...

Era tarde e o sol já começava a se pôr. Levei-a até sua casa em meu colo. Devo admitir que aquele foi o momento mais feliz de minha vida. Havia acabado de cometer um feito heroico e estava carregando a pessoa mais linda do mundo em meu colo.Toquei a campainha da casa de n° 12. Quem atendeu foi o pai dela. Totalmente preocupado.

— Minha filha... O que aconteceu com ela? – Disse ele chorando ao vê-la.

— Estavam espancando-a... – Respondi com olhar triste. – Então eu a salvei e a perguntei onde morava... Desculpe não ter impedido isto...

— Não sei como poderei agradecer a você... – Ele me lançou um olhar de profunda gratidão e a pegou de meu colo. – Muito obrigado, muito obrigado... Desculpe não ter nada valioso para recompensá-lo, mas posso convidá-lo para jantar um dia em minha casa, se desejar...

Recusei, mesmo com as insistências dele. Disse adeus e ele me abraçou.

Notas finais
“Senn Hitachi, um dos membros de uma misteriosa organização, adora escrever. Em sua biografia narra a sua melancolia em vida e a morte de seu querido irmão, John Hitachi. E sua vida escolar.Quais desventuras ainda jazem em sua vida?” “A historia de Senn Hitachi continuará no próximo capitulo.”