Almas-Vagantes
20 Capítulo XX – Vultos e Fumaças Negras –
Notas iniciais
Um eclipse dominava egoísta o céu de Sky Gray. As nuvens negras como carvão cercadas por um céu negro-alaranjado. Para completar aquela tarde funesta, uma forte tempestade despencou dos céus em cortinas de águas gélidas violentas. Relâmpagos ensurdecedores iluminando o céu fúnebre.
Algo no céu dizia o que estava por vir.
Eis que dez pássaros negros se materializaram no fúnebre céu tempestuoso. As asas negras cortando as cortinas de água da chuva. Mas os corpos desses pássaros não eram nem de longe animalescos. Esses fúnebres pássaros continham corpos humanos cobertos por vestes negras e máscaras excêntricas. Na verdade nem sequer eram-se pássaros que voejavam pelo céu tempestuoso daquela tarde com eclipse. Eram anjos negros.
Anjos chamados de Dark Birds.
— Qual és a missão, Supremo Mestre? – Indagou um dos anjos negros que usava uma máscara de espantalho.
— Trucidar a todos os habitantes não mágicos de Sky Gray! – Ordenou o líder dos anjos, cujas asasnegras eram grandes em demasia comparada as outras.
—Sim Supremo Mestre! – Confirmou em uníssono todos os demais anjos negros.
Uma chuva de golpes mágicos circulares diversos jorrou dos céus. Cada golpe lançado por um anjo negro. Cada golpe circular de um elemento da natureza. Bolas de fogo azul, água fervente, rocha e ar chocaram-se violentamente contra telhado de casas e asfaltos malcuidados. Um estrondo ensurdecedor resultante surgiu no horizonte. Diversas casas se aniquilaram em uma explosão de chamas azuis. Fendasfeitas pelas esferas de ar se materializaram em meio a asfaltos negros. Não satisfeitos, mandaram mais uma chuva de golpes elementares em casas e ruas. A destruição preencheu Sky Gray.O pânico correu solto pelas ruas.
Casas deflagrando a cada segundo por gigantescas rochas despencadas do céu em um estrondo ensurdecedor. Pessoas se desfazendo em cinzas por chamas azuis. Água fervente derretendo árvores e pessoas em pânico. De repente Sky Gray se preencheu pelo apocalipse.
Asfaltos perfeitamente sólidos se abriam em dois como se gigantescas mãos separassem-nos. Telhados voejavam a cada explosão de chamas azuis. Não adiantava tentar fugir. Sky Gray se preencheu de habitantes desconhecidos correndo em pânico para tentar sobreviver sequer mais um segundo fúnebre. Mas logo quando se achava que tinha escapado da morte, derretia-se como velas no forno.
Em minutos centenas de casas estavam em chamas azuis. Telhados antes em perfeita conservação, agora destroçados, irrompendo em chamas azuis; jardins que antes continham bem cuidados gramados vívidos preenchidos de flores perfumadas, agora continham gramados sombriamente carbonizados sem flor alguma; asfaltos limpos e sólidos se demudaram em crateras e raches; Relâmpagos desciam do céu calculosamente no meio de diversos telhados; Pessoas antes minimamente felizes se escondendo em casa do iminente fim, agora finalmente presenciavam o que receavam...
A morte.
O eclipse ainda se mantinha no céu tempestuoso. Iluminando com sua fraca luz alaranjada a psicótica cidade destroçada. Todavia, dois lugares de Sky Gray se mantinham intactos impecavelmente: A fúnebre praça central de Sky Gray e a Escola Light Of Sky.
POUCO ANTES...
— O senhor não disse que havia resolvido? Professor Rephy... – Indagou Amanda Johnson ao cair da luz novamente.
— RESOLVI SENHORITA! – Vociferou Rephy, o rosto em explosão de raiva. – MAS PARECE QUE DESSA VEZ O PROBLEMA É OUTRO!
— Hm... – Resmungou Amanda.
— E SE NÃO CALAR A MALDITA BOCA! FICARÁ DE SUSPENSÃO ATÉ O ANO QUE VEM! – Ameaçou Rephy possesso. – Pois bem... Já retorno – (levantou-se ainda furioso) – E espero que nenhum vagabundo saía da sala – (fechou a porta com força) – OUVIRAM?
— Sim professor! – Exclamou a turma em uníssono de maneira entediada.
Peter estava distraído naquela tarde de eclipse. Seus pensamentos vagavam ao lado de fora da janela da sala jazida no segundo andar. Gotas de chuva atingiam a janela como balas de revólver. Cortinas de chuva gelada molhavam ruas e árvores bagunceiras. Gotas de chuva se chocavam a esmo nos telhados das casas vizinha. Os olhos negros viajaram dos telhados ao outro lado da vidraça reluzente para o jardim lateral de Light Of Sky.
Eis que algo o perturbou no gramado medianamente longínquo do segundo andar. Abaixo de uma janela destroçada misteriosamente do primeiro andar havia-se uma mensagem escrita a sangue – mesmo de longe, Peter pode ler – no gramado jazia as seguintespalavras:
Frankstein vive.
— Frankstein vive?!— Pensou Peter contemplando a fúnebre mensagem no gramado. – O que isso poderia significar...?
BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!
— Que estampido de tiros de arma de fogo é este?— Pensou Peter assustadíssimo –, QUEM ESTÃO MATANDO NO ANDAR DE BAIXO?
Eis que o corpo de Thanatos se debruçou morbidamente na janela destroçada acima da mensagem. O rosto preenchido de tiros, um dos olhos baleados. Seu sangue negro escorrendo do rosto para o gramado mórbido.
— Este não é... T-Thanatos— Pensou brevemente, mas ao pensar no nome de Thanatos sentiu uma aguda pontada no cérebro. – Eu o conheço?!
O tempo pareceu parar. Peter sentiu uma sensação de nostalgia. Já havia se sentido daquela forma antes. Mas não conseguia se lembrar de quando. O céu se preencheu de feixes azuis provindos de explosões longínquas. Estrondos ensurdecedores atingiram os tímpanos dos presentes.
— O que está acontecendo? – Indagou Peter em meio às explosões ensurdecedoras. Mas ninguém o escutou, as explosões eram constantes.
Todos os alunos entraram em pânico, uns se abrigaram em baixo das carteiras, outros tentaram fugir pela porta que havia sido trancada por fora por Rephy, no fim todos estavam embaixo das carteiras lamuriando. Murmuravam palavras clichês como: “O que vamos fazer?”; “Eu não quero morrer”; “Alguém me salve”. Todos estavam em pânico, exceto Peter.
Peter se levantou de sua carteira e caminhou até a porta. Tentou sem sucesso abri-la. Desistiu e caminhou até as janelas para olhar as explosões. Foi então que percebeu. Anjos com asas negras estavam planando no céu e lançando feitiços elementatus— feitiços que envolvem elementos da natureza – em diversas casas e ruas, matando diversos habitantes de Sky Gray. Caísse do céu: bolas de fogo azul flamejante que despencavam em direção a telhados; Rochas gigantescas que despencavam sobre ruas; Águas ferventes que derretiam pessoas que tentavam fugir de suas casas flamejantes; Relâmpagos que desciam do céu em alta velocidade e destruíam casas com estrondos atemorizantes.
Sky Gray estava em verdadeiro caos.
— Por que a Dark Birds está agindo fora da penumbra...?Por que agora estão matando humanos sem receios? O que será que estão planejando? Isso não é nada bom – indagou Peter mirando anjos negros que mais pareciam pássaros,lançando feitiços elementatus pelas mãos como se fosse extremamente fácil.Os olhos negros de Peter se preencherão de aflição misturada a asco intenso.
Os Dark Birds matavam humanos como se fossem meras formigas indefesas.
Eis que o maldito carrasco chegou. A porta da saleta se abriu com um estrondo e despencou sobre o chão. Os olhos de Peter se esbugalharam.
Quem está ai...? O que você de mim? Vá embora!
Um vulto encapuzado se materializou na soleira. Os cabelos negro-azulados cobrindo os penetrantes olhos negros. A figura sorria de maneira homicida.A figura abruptamente moveu a mão no ar e estralou os dedos.
— Multi-Destroçus— Conjurou a figura sombria.
Novamente Peter sentiu o tempo incidir pausadamente. Tudo a sua volta parecia estar o enganando. Sentiu seu estômago afundar. Não conseguia sequer gritar. Parecia estar em um daqueles pesadelos psicóticos, onde não se consegue correr ou gritar. Todos os alunos sentados nas cadeiras se despedaçaram psicoticamente em um piscar de olhos, como se tivessem sido explodidos por dentro por uma bomba poderosa. Os rostos de aflição se transformaram em massas de carne sangrenta sobre o chão. Suas entranhas enfeitaram as paredes e teto de escarlate. Suas pernas se manterão intactas, continuaram sentadas como se ainda esperassem levantar.
Todos estavam mortos... Exceto Peter.
— O-O QUE VOCÊ FEZ?! – Exclamou Peter a figura, o rosto trêmulo de instantâneo horror. O corpo coberto das entranhas de seus antigos coleguinhas. – QUE PORRA É ESSA?!
— Ora... Ora... – Murmurou a figura encapuzada. – Não se lembra de mim?
A figura retirou o capuz, revelando seu rosto. Cabelos negros com tom de azul cobriam seus olhos negros. Sua pele era morbidamente pálida. Entretanto, o rosto da figura mudou abruptamente. Os olhos negros sematerializaram em olhosincomumente violetas; os cabelos negros com tom de azul se materializaram em cabelos azuis claros.
— E agora? – Indagou a figura. Os olhos violetas penetrantes. – Lembra-se de mim?
A mente de Peter se instabilizou... Sentiu como se alguém estivesse furtando algo de sua mente. Os olhos negros oscilando nas órbitas. Sentiu-se momentaneamente idiota. Então de repente se esqueceu.
O que estou fazendo? De quem é todo esse sangue?
— Acho... Que sim... – murmurou Peter com cara de esquecimento. Esquecendo-se abruptamente que seus colegas estavam mortos a toda volta. – Você não tinha mudado de escola?
— Mudei de escola...? – Sibilou a criatura. – Do que você está falando?!
— Seu nome não é... Hm... Inihs? – Indagou Peter abstruso.
— Chamava-me de Inihs... Mas meu verdadeiro nome é Shini... – Informou a figura teatralmente.
— Não me lembro de nenhum Shini... Somente um Inihs que nem tive tempo de conhecer... – Murmurou Peter abstruso, se esquecendo de ficar chocado com as mortes dos colegas. – Desculpe carnífice... É que eu sofri um acidente e perdi grande parte da minha memória...
— Perdeu a memória em um acidente?... Que mentira deslavada... Isto está com cara do feitiço esqueciatos... Mas por que me apagaram da memória dele?— Pensou Shini. – Acho que terei que o fazer lembrar... Além do que deveria...
— A propósito... Senhor carrasco... Por que matou todos da sala dessa forma? – Indagou Peter em tom despreocupado, como se chacinar uma sala toda fosse como chacinar um formigueiro.
— Bem... – Sibilou Shini achando a pergunta deveras curiosa –, meu mestre me mandou matar todos os alunos não mágicos desta escola... E bom... Orgulho-me em dizer que já matei todos os alunos da escola... Exceto você... Senhor Peterson...
— Então a Dark Birds está matando todos os habitantes não mágicos de Sky Gray... Mas por quê?— Pensou Peter incrédulo. – Quem é o líder da Dark Birds? O que ele planeja?
— Bem... Acho que a sua indiferença pela morte de seus colegas só pode significar uma coisa... Você não continha laços com nenhum de seus malditos coleguinhas... Concorda? – Indagou Shini, sabendo que as próprias palavras eram mentiras.
“Alguém pôs um mecanismo de aniquilamento automático de novasmemórias psicóticas na mente de Peter... Aposto que ele sequer se lembra dos coleguinhas agora...” pensou Shini incrédulo, “mas esse feitiço é demasiado avançado para qualquer mago... Só tem uma pessoa nessa cidade capaz de fazer tal feitiço... Meu maldito irmãozinho...”.
Peter balançou a cabeça.
— Esplêndido!... Enfim... Chega de bate-papo inútil... Está na hora de você se lembrar...
— O que ele quer dizer com se “lembrar”?— Pensou Peter aflito. – De quem é todo esse sangue escarlate a minha volta...? Isso é tão estranho... Tenho a impressão que minha mente está sendo controlada por alguém...
Shini estralou os dedos teatralmente.
— Desfazer-esqueciatos-contínuos! – Conjurou Shini, desfazendo o feitiço de apagamento automático de memorias psicóticas que Swift havia implantado na mente de Peter.
— O quê...? – Murmurou Peter.
Shini estralou os dedos novamente e conjurou:
— Lembrus!
Eis que a sala se embaçou, como se de repente fosse feita de fumaça. Seria miopia?... Incrédulo, Peter massageou as pálpebras, mas sua visão aparentemente não era o problema. Somente ele e Shini se mantinham sólidos. Tudo a volta se materializou em fumaça negra como tinta. Peter mal podia acreditar no que via e sentia. O chão se desfez em fumaça. Estavam caindo em direção ao nada, se penetrando nas fúnebres cortinas de fumaça negra. Shini caindo a sua frente, com expressão de diversão no rosto pálido. Peter sentiu frio congelante no estômago, não conseguia sequer gritar. A queda teve fim. Peter espatifou-se em um chão sólido com um baque surdo. Gemeu de dor e se levantou lentamente, o corpo dolorido pela queda. Abruptamente as cortinas de fumaça se transformaram em paredes e moveis lustrosos. Peter oscilou os olhos pela saleta que misteriosamente havia se materializado a sua volta.
— Onde eu estou? – Indagou Peter examinando a saleta. – Será que... Estou ficando maluco...?
Eis que uma voz desdenhosa a suas costas o respondeu:
— No passado...
— O que você quer dizer com isso? – Murmurou Peter sombriamente. – Viagem no tempo?
— Não... Seu grandessíssimo tolo... – Explicou Shini calmamente. Os olhos violetas descomunalmente penetrantes. – Estamos apenas visitando suas memórias...
— Minhas memórias...? – Indagou Peter abismado. – Mas eu não me lembro desse lugar... Nunca estive aqui...
— Está enganado, Peterson... – Articulou Shini teatralmente. – Você já esteve aqui... Aliás... Esta é a sua casa...
— Se esta é a minha casa... – Murmurou Peter assombrado. – Por que não consigo me lembrar dela...?
— Ora... Ora... Não é obvio...? – Articulou Shini achando graça da expressão abismada de Peter –, você não se lembra desta casa porque apagaram sua memória. Mas como eu sou um excelente amigo... Vou fazer com que você se lembre... Deveria de fato me agradecer...
— Por que apagariam a minha memória? – Indagou Peter suando frio.
— Pergunte ao seu Mestre... Swift...! – Mandou Shini. – Afinal foi ele que apagou suas memórias e implantou um feitiço de controle contínuo da memória em sua mente...
— Swift... Apagou minha memória?! – Indagou Peter confusamente incrédulo.
— Exatamente! – Vociferou Shini. – Mas chega de conversa... Aposto que está curioso pelo motivo de estar aqui? Estou certo?
— Por que você quer que eu me lembre da minha antiga casa? – Sibilou Peter.
— Tem uma coisa no passado que quero que você se recorde!
—Por quê?
— Isto não vem ao caso! – Shini se encaminhou até a soleira daquele cômodo, que provavelmente era uma dispensa. – Siga-me, Peterson Riddle!
Shini cruzou a soleira e Peter o seguiu pressuroso. Ao outro lado da soleira se encontrava uma sala. Os moveis eram rusticamente modernos, estavam um tanto empoeirados. Uma Smart Tv se apoiava em uma cômoda de mármore de fronte a um sofá negro. O chão se preenchia de um tapete persa. As paredes eram de um branco nauseante enfeitada com quadros renascentistas. Peter sentiu que realmente já havia estado ali. Peter analisou cada móvel e poeira a procura de algo nostálgico.
Eis que alguém entrou abruptamente pele soleira de entrada. Um homem corpulento de cabelos loiros e óculos modernos de armação de prata adentrou pela sala.
— Quem é esse... Homem? – Indagou Peter para Shini quando o homem cruzou pela sala, sem parecer estar o vendo, e partiu para cozinha.
— Ora... – Caçoou Shini. – Swift não te mostrou uma foto sequer do seu... Papai!
— Esse é o meu... Pai?
— Já não falei! Pare de questionar! – Vociferou Shini ríspido. – Vai ficar ai parado ou prefere segui-lo até a cozinha?
Peter afirmou com um aceno e seguiu Shini até a cozinha, que também ficava no primeiro andar. Peter cruzou a soleira da cozinha receoso, os olhos negros trêmulos de aflição. O que será que ele quer que eu veja no passado?
“Coisa de boa não deve ser... Seu imbecil de merda!” disse uma vozinha ríspida na sua cabeça.
“Cale a boca babaca!” respondeu Peter igualmente ríspido a vozinha irritante.
Terminada a estranha conversa consigo mesmo, Peter finalmente reparou na cozinha. Nada diferente de uma cozinha de uma casa de classe média. Piso branco encerrado; parede branca como o resto da casa; eletrodomésticos modernos; teto enfeitado com azulejos e uma lâmpada de led; etc.
Eis que abruptamente os olhos de Peter se esbugalharam. Uma bonita mulher de cabelos loiros reluzentes conversa com o homem corpulento de cabelos loiros, que Shini havia dito ser seu pai. Algo o diz...
Esses são os meus pais.
— Já levou o Peter para escola, Querido? – Perguntou a mulher carinhosamente ao homem.
— Claro amor! – Afirmou o homem igualmente carinhoso. – Ele me pareceu um tanto entristecido...
— Deve estar com saudades dos amigos da outra escola...Não acha? Nicolas – Murmurou a mulher.
— De fato não... Ele não tinha amigos na outra escola... – Murmurou o homem sombriamente.
— Não entendo... Será que ele tem depressão ou algo do tipo?
— Talvez...
— Espero que ele conheça bom amigos nessa escola... – disse a mulher esperançosa. – Afinal de contas, a depressão é demasiada covarde em uma luta contra a amizade...
— Te amo Marta... Minha filosofa! – Murmurou o homem com expressão apaixonada.
O homem e a mulher se precipitaram na direção um do outro e se beijaram calorosamente.
Peter se perturbou. Virou o rosto para direção oposto. O rosto manchado em lágrimas de melancolia. Gritou. Sabia que não devia estar vendo. Chorou ainda mais intensamente. Pois sabia o que tinha acontecido a eles. Seus pais estavam mortos.
— O que foi? Senhor Peterson... – Indagou Shini apreciando a melancolia de Peter.
— Por que me fez vir aqui ver os meus pais? Por que você me fez vir? QUE VOCÊ SABE QUE ELES ESTÃO MORTOS?! – Vociferou Peter em prantos de lágrimas prateadas.
— Ora... Ora... – sibilou Shini sombriamente. – Você sequer sabe como seus pais morreram?
— Sei... Eles morreram em um enigmático acidente... – Murmurou Peter interrompendo o pranto momentaneamente.
— ERRADO! – Exclamou Shini teatralmente. – TOTALMENTE ERRADO! PURA ALIENAÇÃO!
— Então como foi que eles morreram?
— Espere e verá! – Afirmou Shini apontando para janela cozinha.
Foi neste momento que Peter percebeu que Shini estava genuinamente certo. Swift havia mentido para ele. Seus pais não tinham morrido em um acidente emblemático. Mas sim da pior maneira possível... Assassinados friamente. Peter correu os olhos pelos rostos de seus pais do passado afetuoso. Uma sensação de aperto atingiu seu coração. Aquela seria a primeira e última vez que ele veria o rosto de seus pais. Peter desejou voltar ao passado e viver com os pais.
“Algo não está certo... Swift não havia dito que eu não conheci meus pais... Se eu não os conheci... Como eles me conhecem nesta lembrança?” pensou Peter se lembrando do dia em que conheceu Swift.
— De que ano é essa lembrança? – Indagou Peter.
— Ora... Ora... 2016... Ou seja, deste ano mesmo... – Articulou Shini teatralmente. O rosto risonho.
— Por que Swift disse que eu não havia conhecido meus pais...? E que ele tinha a minha tutela? – Murmurou Peter mais para si mesmo do que para Shini.
— CALE A BOCA! – Vociferou Shini ríspido. – Agora começa a melhor parte!
Eis que um vulto encapuzado – trajando terno negro e máscara assombrosa – surgiu no meio da cozinha. Marta e Nicolas se assustaram.
— O que você quer aqui? – Indagou Nicolas suspeitando da própria insanidade.
— OOOH! – Resmungou o vulto. – Hello! My friend!... I am Psycho Killer!
Nicolas e Marta abriram a boca com a intenção de dizer algo, mas antes que pudessem dizer algo, de abrupto, Psycho dançou as mãos no ar e estralou os dedos múltiplas vezes.
– Destroçus! – conjurou Psycho com veemência múltiplas vezes.
Peter não podia estar vendo aquilo. Nada na vida tinha aspecto mais repulsivo do que aquela visão. Lentamente, Marta e Nicolas explodiram como excêntricos balões recheados de carne e sangue. Sangue e entranhas se espalharam por toda a cozinha e chão, criando uma macabra cena de filme de horror. Os olhos de Peter se chocaram, os lábios pálidos como rosto, sentiu-se como se nunca mais fosse ficar feliz. Seu coração praticamente parou, batia melancólico a cada segundo em tom gélido e infeliz. Peter caiu de joelhos, expelindo de si um grito de verdadeira infelicidade. Lágrimas prateadas descendo pelo rosto infeliz com ardor. Shini parecia feliz.
— Ainda não acabou! Agora ele regenera seus pais com regenerus, arrasta o corpo deles e destroça-os novamente em outro cômodo, assim em diante... Até que toda a casa se enche de entranhas escarlates pelas paredes e chão... Não é interessante? – Murmurou ele sombriamente.
— Me... Tire... Daqui... Eu não... Quero... Mais... Ver isto...— Cochichou Peter sombriamente, a voz trêmula de melancolia. A cabeça mirando o chão, lágrimas prateadas pingando no piso branco. – ME TIRE DAQUI PORRA!
Shini soltou uma gostosa gargalhada e inclinou a cabeça na direção de Peter. Apreciou a melancolia de Peter por breves minutos e estralou os dedos.
Tudo começou a se mover como se estivesse com efeito de velocidade aumentada. Psycho arrastou o corpo de Nicolas regenerou o corpo de Nicolas e Marta rapidamente... Arrastou um por um rapidamente... Os destroçou em cada cômodo rapidamente... E partiu... O dia passou rapidamente pela janela... Um eclipse escureceu o céu...As mobílias, as paredes, o piso, absolutamente tudo se desfez em fumaça negra... De repente Peter não estava mais na cozinha... Estava no seu antigo quarto que fora apagado de sua memória.
Um Peter do passado adentrou a soleira antes que o Peter do presente percebesse... Os olhos psicóticos ao visualizar seus próprios pais mortos em sua própria... O Peter do passado se movia de maneira psicoticamente rápida. Tudo passava pelos olhos de Peter com velocidade assustadora – como se estivesse assistindo a um filme em velocidade rápida através dos seus olhos–, mas ainda assim, a cada cena do passado longínquo, a cada rosto, Peter recuperava cada vez mais suas memórias aterrorizantes.
Reviuuma Varleny fantasmagórica o tratando com intenso amor... Reviu Inihs o chutar na costela no meio do pátio de Light Of Sky... Reviu Thanatos o curando... Reviu a si mesmo destroçando o braço de Thanatos em espiral... Reviu a si mesmo caminhando pelas ruas repletas de almas-vagantes agourentas... Reviu-se na casa excêntrica de Inihs... Reviu Inihs queimando seus pais em chamas azuis... Reviu Inihs disseminando 1000 volts no seu eu do passado... Reviu Inihs se transformando em Shini e revelando suas asas negras... Reviu Shini voejando com ele pelos céus e depois o soltando no Rio de Hades... Ouviu Shini pronunciando múltiplas vezes de modo agourento as palavras “Psycho Killer”... Reviu a si mesmo afastando as águas do rio... E após viu Swift agarrando seu corpo inconsciente na margem do Rio de Hades.
Finalmente tudo se desfez em fumaças negras novamente. Sua visão estava embaçada, só se via partículas de cores e formas. E após lentamente entrou em foco. Estava de volta a sua sala no presente.
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