Almas Sombrias
9 Eu queria apenas beija-lo! Mas não podia...
Notas iniciais
-Quer que eu te deixe em casa Laryssa? -Perguntou meu pai e segundos depois bocejou.
-Se não for muito incomodo... -Disse Lary, meu pai mal disse "claro que não" e ela já foi pegando seus pertences.
Algumas horas depois meu pai pegou o volante do carro e Lary foi para o banco de trás. Minha mãe, Aria e Mike estavam no hospital.
Minha mãe dormia profundamente nos bancos da recepção e Aria que estava ao lado de minha mãe dormia com sua cabeça apoiada nos ombros de Mike.
E a partir de agora, a noite consumia o hospital.
Duas semanas se passaram, eu fui melhorando aos poucos, no domingo da ultima semana eu recebi alta... Mas a seguinte pergunta me torturava até nos melhores dias: O que realmente ocorreu naquela noite? Terá sido um sonho? Uma ilusão? Mas naquela noite, quando minha alma ainda estava lucida e meu corpo desacordado, uma coisa muito estranha aconteceu.
Minha alma estava no sofá e meu corpo estava na cama, algo entrou no quarto, era uma pessoa, de preferencia uma mulher, eu não pude ver seu rosto, a unica coisa que não pude deixar de notar era o fato daquela pessoa ter ASAS! Não exatamente asas, e sim asas de anjo, elas não eram exatamente perceptíveis, elas estavam meio que transparente, mas brilhavam, o que dava de perceber... E essa mulher fez algo, eu não pude ver, pois brilhava muito, algo com as mãos que me fez voltar ao meu corpo, mas quando eu finalmente abri os olhos: ONDE ESTAVA ELA? Isso tudo me faz voltar ao que eu falei antes, O que realmente ocorreu naquela noite? Terá sido um sonho? Uma ilusão? Eu não sei, mas não posso contar a ninguém. Iriam me chamar de louca ou pior!
Aquele realmente foi um dos piores dias da minha vida.
-Filha você tem certeza que está tudo bem? Eu posso ir ao trabalho sem me preocupar? -Pergunta minha mãe, logo em seguida colocando o outro par de brincos.
-Claro mãe, eu só preciso de um pouco de descanso... -Digo ajeitando uma das minhas muletas.
Meu celular vibra, e começa a tocar Really Don't Care — Demi Lovato, na tela apareceu o número de Aria.
-Filha você está realmente bem? O atestado só vai até sexta e hoje já é quarta! -Meu pai pergunta arrumando a gravata.
-Ah, claro pai! -Retribuo com um sorriso que quase rasgou minha boca. -Ah, Aria? Oi desculpa, eu não pude falar rapidamente, desculpe! -Falo, segundos depois pego um copo de suco de laranja.
-Haha, sem problemas Vic! Eu só queria saber se você está melhor! -Pergunta.
-Sim, mas infelizmente eu não consigo pegar o copo de suco com você no celular! -Reclamo, nós damos uma gargalhada juntas e ficamos conversando um pouco, até que chega a hora de desligar.
-Filha, já estamos indo! Não esqueça de colocar o arroz no fogo! -Disse minha mãe entrando no banco de passageiro e logo depois meu pai entra para o banco de motorista.
-É casa, agora é só eu e você... -Falo, segundos depois tiro minhas moletas, minha mãe cismava que eu deveria usa-las... Mas eu não via motivo para tal ato. -Vamos ver... -Abro a geladeira, pego um misto e um copo de suco.
Pego meu delicioso suco e o misto, ligo a TV e começo a comer, aquilo era tão relaxante, a não ser pelas dores que ainda me restavam.
[...]
Alguém bateu na porta.
Meus olhos abriram-se lentamente, boa parte do suco estava caído no sofá.
-Merda! -Eu me desespero, como o suco pôde cair todo ali? Droga!
Pego minhas moletas e saio lentamente, abro a porta demoradamente e para minha surpresa...
-Avan? -Fico perplexa, como aquele garoto aparecerá 7:30 da manhã na porta da minha casa? Ele estava fardado, estava bonito.
-Aaaah... Vic? -Ele abri um sorriso sedutor na sua face, com seus dentes brancos e seus olhos que me deixavam com um ar de "Quero transar com você".
-O que você faz aqui à essa hora garoto? -Pergunto, nós ficamos nos encarando por alguns segundos e ele finalmente responde.
-Bem, eu soube que minha parceira de física estava doente, então resolvi vir te fazer uma visita! -Ele respondi, ainda do lado de fora de minha casa.
-Hoje é dia de escola sabia? -Resmungo.
-Jura? Nem tinha percebido! Claro que sabia Victoria! -Ele era tão lindo sendo irônico.
-Então você se perdeu no caminho para a escola? -Encaro.
-Eu não iria encontrar você lá, então não teria sentido eu ir! -Meu coração dispara, ele falou mesmo que se eu não fosse para a escola, não teria sentido ele ir? Ele estava sendo ironicamente doce.
-Isso é errado! -Eu realmente não deveria ter dito aquilo!
-Não para mim. -Respondi diretamente.
-Eu fiz uma bagunça bem melosa ali no sofá, eu preciso ir! -Entro fechando a porta, mas ele coloca o pé, impedido-me.
-Eu venho até aqui conversar com você e é assim que você me recebi? -Agora, ele me da outro sorriso, desta vez maior que o outro.
-Você não pode fazer isso! -Encaro.
-Você não pode fazer qualquer tipo de serviço, você recuperou-se não faz nem duas semanas! -Exclama.
-E você não pode fazer isso por mim! -Tento fechar a porta novamente, mas ele põe e pé. -Dá pra parar? -Já estava ficando irritada.
-Não enquanto você não me deixar entrar... -Ele continua encarando-me com seus olhos lindamente lindos.
-Você não vai desistir né?
-Não. -Direto e curto.
-Certo, então entre. -Avan parecia ser um garoto de confiança, obviamente ele não iria me fazer qualquer mal.
Ele entra.
Vai até o sofá, observa bem a bagunça que eu fiz e logo em seguida faz algumas perguntas...
-Onde tem um pano? -Pergunta.
-Ahh, na cozinha, espere um segundo. -Vou até a cozinha e pego o primeiro pano que encontro.
Dou a ele, logo ele começa a secar, eu fico meio sem jeito, ele estava fazendo o meu trabalho.
-Esse é pra casar! -AI DROGA! Eu pensei tão alto que acabei falando.
Ele dá um sorriso e virá o olhar para mim.
-O que você disse? -Pergunta.
-Ahh, hum, nada! Você quer refrigerante? -Mudo o assunto rapidamente.
-Sim, se não for incomodo. -Ele fala voltando a limpar o sofá.
Vou até a cozinha pego os copos e coloco um pouco de Coca-Cola para ele.
-Aqui, estáááááááá... -AI MERDA, EU TROPEÇO NO VASSOURA QUE ESTAVA DO LADO DA PORTA DA COZINHA!
O refrigerante cai na blusa de Avan.
-OH DROGA! PERDÃO, PERDÃO! -Eu pego o primeiro pano e começo a enxugar sua blusa.
-Oh, pare, não tem problema! -Ele se afasta, vira as costas e... AI MEU dEUS! AVAN TIRA A CAMISA! SUAS COSTAS MUSCULOSAS, SEU PEITORAL GRANDE... FORMA-SE UM NÓ EM MINHA GARGANTA, UM FRIO NA BARRIGA, MEU CORAÇÃO QUERIA SAIR PELA BOCA!
-Eu não queria ser indiscreto, mas... -Ele fala algo com desculpas, eu não conseguia escutar depois do "mas", só olhava seu peitoral musculoso.
Em um piscar de olhos, Avan fica tão perto de mim, que posso sentir sua respiração, ele chega mais e mais perto... Até o segundo em que fita-me com seus deliciosos olhos negros e me entrelaça em seus braços grandes e fortes, ele primeiro me da um beijo na testa, depois no nariz e logo depois vai chegando até perto da boca, no canto esquerdo, agora no direito e quando ele vai beijar o centro... Para de repente.
Ele me levantou e sentou-me na mesa. Eu fiquei sentada e ele em pé, ele passa a mão em minhas coxas, da outro beijo na minha testa. Eu o abraço, sinto a sua costa quente, seus braços grandes e musculosos, eu queria mais.
Mas não podia, não com Avan, o estranho da sala, como podia beija-lo ou até mesmo ter outros pensamentos, sem nem mesmo conhece-lo.
-Vamos com calma... -Falo.
Por que eu disse aquilo?
-E se... -Ele não para, beija meu pescoço suavemente, logo depois beija meus ombros.
-V-Você realmente precisa parar... -Digo, afasto suas mãos grandes da minha cintura. Desci demoradamente do balcão, nós ficamos um ou dois minutos nos encarando.
Ele pega um papel do bolço da sua calça e coloca dentro do meu sutiã.
Eu coro.
Nós mal nos conhecíamos e já havia tanta intimidade.
-Você sabe onde me encontrar. -Fala por fim.
O levo até a porta e por fim, posso suspirar novamente.
Curiosa, abro o papel e vejo: Ali estava o endereço de Avan Gilbert.
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