Almas Presas

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Hey estive pensando. Então criei um painel no Pinterest com alguns personagens da Fic. Assim, ao meu modo de imaginar eles. se quiserem ver... https://br.pinterest.com/llsantosh2o/personagens-almas-presas/

Havia saído de casa bem cedo, precisava respirar o ar frio da manhã, sentir o vendo no rosto enquanto pedalava até a biblioteca de Tulane, aonde Katherina e Caliel me ordenaram a ir.

Eu estava um pouco deprimido hoje, acho que o sonho havia me perturbado demais, me sentia como se tivesse apanhado e meu corpo todo reclamava a cada movimento. Conseguia me parecer ainda mais despojado e desleixado do que antes; cabelo molhado caído na cara, suéter azul escuro por cima de uma das minhas 9 camisetas cinza, calça preta e um tênis qualquer.

Estava nítido o meu animo hoje, até mesmo para Kath, que me olhou erguendo uma sobrancelha de maneira curiosa.

— Hey e aí?

— Caramba Greg, você tá meio acabado, não que você nunca estivesse sido, mas tá demais hoje – Caliel me abraçou pelos ombros rindo e me sacudindo.

— Continuo mais charmoso que você ainda – rebati.

— Quando as senhoras vão se sentar e fazer as finas e me escutar? – Kath realmente era muito autoritária.

A obedecemos

— Então, o que vocês queriam me dizer, que era tão importante e urgente?

Se entreolharam

-Ontem, fomos até a casa de Florenzza...

— Como assim? – os interrompi – eu nem sei aonde fica, ela nunca me disse... como vocês...

— Sem interrupções irmão! – Caliel colocou a mão na minha cara, me silenciando.

— Então como eu dizia, acontece que ela não é quem você pensa.... digo o apartamento dela é cheio de coisas estranhas, imagens e objetos... coisas do tipo que minha bisavó contou, você se lembra, do biso Fredericko – me observou pra ver a reação – mostre as fotos Caliel.

— Vocês estão loucos, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Quem garante que este seja mesmo o apartamento dela?

— Era o endereço que descobrimos na sua ficha da faculdade.

— É cara, até eu acreditei depois que vi uma imagem desenhada na parede, que era igual a que você encontrou naquele livro do satã.

— Mas e daí, talvez ela tenha hábitos estranhos, o que acaba sendo bem normal. O que vocês querem? O que acham que Florenzza é? Por favor, não tô dizendo que sua bisa é louca, nem nada disso. Porém toda essa cidade parece acreditar em tudo.

— Greg, é sério, você pode estar correndo perigo, se estivesse com seu juízo normal saberia que estamos certos. Tu tá enfeitiçado por ela e não quer enxergar.

— Parem com isso. Quem pensam que são? Talvez eu seja assim, vocês também não me conhecem – levantei e saí parando no meio do caminho – eu já era perturbado demais pra quererem me tornar assim de novo – praticamente gritei no meio da biblioteca, atraindo alguns olhares rudes, corri e esbarrei em um rapaz e o derrubei. Não o ajudei.

*

— Caramba esse cara é amigo de vocês? – disse o garoto.

— Oi? Ah, sim... pelo menos era – Kath respondeu.

— Ele deixou cair isso, eu acho. – o garoto mostrou um cordão bonito prateado com uma pedra amarelada.

De repente, esse mesmo rapaz desconhecido encarou o objeto e começou a tremer, sua cara ficou contraída, como se estivesse sentindo grande dor. Ficou ainda mais pálido, respirando pesadamente e desmaiou em cima da nossa mesa.

Quase não tinha ninguém ali, para fazer um tumulto, mas Caliel e Katherina eram suficientes.

— Ó meu Deus! O que vamos fazer?! O garoto está... morto? O que faremos? – Kath tremia.

— Acho que ele não morreu não. Tenta dar uns tapas na cara dele.

Katherina deu batidinhas no rosto do rapaz e o fez chacoalhar, mas ele não acordava.

— Ele não quer acordar, chame alguém!

— Talvez deva bater um pouco mais forte – Caliel deu um baita tapa na fase do menino, que ficou vermelho na hora. Mas funcionou.

— Que isso! – o rapaz gritou de cara fechada, levantando da mesa e levando a mão no rosto.

— Você desmaiou aqui, e nós o acordamos.

Ele parou o olhar no nada, até que suas memórias voltaram e novamente seus olhos pousaram no cordão encima da mesa, e um arrepio passou por sua espinha.

— Sim... o garoto, eu senti... ele, ele tem o mal, como se... isso – apontou para o objeto – isso tem uma energia ruim, só consigo ver a loucura, gritos, fogo, choro e escuridão em volta... cinzas – fecha os olhos e balança a cabeça tentando esquecer o que viu.

Kath se arrepiou e apertou o braço de Caliel, atraindo seu olhar.

— O que foi isso? Quem é você cara?

O garoto que vestia roupas chiques, de cabelo loiro encaracolado e comprido, que o fazia parecer um querubim de Miguelangelo, piscou como se voltando ao normal.

— Ah sim, me desculpe. Eu tenho certas visões as vezes, acontece com menos freqüência hoje, já aprendi as controlar, mas é que foi muito forte. Sou Benjamim, prazer. – esticou a mão num cumprimento.

— Okay – Caliel segurou sua mão – Sou Caliel Petrova, espero que tu esteja bem cara. E essa é Kath.

Benjamim a cumprimentou, mesmo que ela sendo relutante em apertar sua mão.

— Deveriam ajudar o amigo de vocês.

— Se pelo menos ele quisesse nossa ajuda.

— As vezes não compensa pedir permissão.

*

— Alô Greg

— Preciso te encontrar. Onde você está?

— O que aconteceu? Estou em casa...

— Ótimo! Me diz o endereço, que vou até aí.

Silêncio

— Você não está usando o cordão que te dei?

— Oi?... sim estou – procurei no pescoço – na verdade estava...

— Você o perdeu? – senti o desafinar de sua voz.

— Não, acho que ... me diz seu endereço.

— Encontre o cordão e eu te vejo no Illusion’s – desligou.

Encarei o celular, sem entender nada.

Infelizmente teria que refazer meu caminho e voltar à biblioteca.

Eles ainda estavam ali. Caliel e Kath, além de um garoto estranho.

— Greg? – Caliel chamou a atenção deles.

— Resolveu acreditar na gente?

— Não Katherina. Eu sinceramente não quero que isso continue, eu só vim procurar o cordão que Florenzza me deu. Acho que o perdi aqui, vocês o viram?

— Então foi ela que te deu isso? – o rapaz estranho o empurrou de dentro de um estojo – não deveria usá-lo... tem algo de ruim envolto nele.

— Quem é você? Por que todo mundo resolveu agir estranho agora? – peguei o cordão e saí – eu nem te conheço cara.

*

— Com toda certeza existe algo de muito errado com o Gregorius, ele não era assim...

— A mudança se chama Florenzza. Quer saber, não vou deixar pra lá não. Greg vai ter que voltar ao normal, nem que eu tenha que bater na cabeça dele com um tijolo – Katherina levantou e saiu atrás dele.

— Ei Kath, me espera – Caliel pegou as coisas da amiga. – Me diz Benjamim, não existe nada mais impulsivo que uma garota, não é?

— Pois é, não brinque com um ser que sangra todo mês, e não morre!

Caliel o olha um pouco duvidoso, se tinha realmente ouvido isso e o outro dá de ombros gargalhando.

-Essa foi muito boa. Completamente pirado. Gosto de você cara!

Riram mais.

Notas finais
É isso aí. O Ben será um personagem fixo.