Almas Perdidas

2 Encontro na escuridão


"O Bem que praticares em algum lugar é teu advogado em toda parte"

—Chico Xavier

12:46 — Separação

Após refletir por alguns segundos, Leandro veio com uma resposta.

— Eu... Eu concordo com a Amelia, se nos separarmos vamos perder menos tempo.

— Perfeito! Era exatamente o que eu estava pensando! — Disse Amelia.

Sebastian riu e balançou a cabeça.

— Tudo bem... Então, você vai pelo caminho da direita, enquanto Amelia e eu vamos pela esquerda. Nós nos encontramos aqui de novo em meia hora.

Naquele instante, Leandro se espantou.

— Espera... Por que eu é que tenho que ir sozinho?

Sebastian riu novamente.

— Você é quem tomou a decisão. Nada mais justo, não acha?

Amelia olhou para Leandro e riu.

— Vamos lá, Leandro... Você é corajoso, não é?

Leandro baixou a cabeça.

— Certo... Meia hora então.

Leandro acendeu o iluminador de seu relógio de pulso para checar a hora. O grupo decidiu investigar os dois caminhos por trinta minutos e depois se reencontrarem no mesmo lugar. Leandro foi pelo corredor da direita, enquanto Amelia e Sebastian foram pela esquerda.

13:05 — Encontro

Leandro seguia sozinho pela escuridão do corredor. Era possível enxergar apenas o que sua lanterna iluminava.

— Não, isso não está certo... Eu não acredito que essas crianças teriam ido tão longe nessa escuridão...

Enquanto caminhava, Leandro falava consigo mesmo.

— Mas se esse for o caso... Pra onde elas foram?

No momento em que Leandro terminou essa frase...

— Socorro!! Alguém me ajude!!

O grito de uma garota quase fez Leandro derrubar sua lanterna. Imediatamente, ele correu em direção à voz.

— Quem está aí?!

— Me ajude... Por favor...

Leandro continuava em direção à voz que vinha de mais à frente no túnel. Até que alguns segundos depois, a luz de sua lanterna iluminou alguma coisa que estava encolhida no canto de uma das paredes. A silhueta tomou a forma de uma pequena garota.

— Meu Deus!! Você está bem?!

Leandro se abaixou em frente à pequena garota, de longos cabelos castanhos.

— Eu... Eu estou com medo...

— Tudo bem, eu estou aqui! Qual o seu nome?

— La... Larissa...

Aquele nome fez Leandro se lembrar de algo... Larissa era uma das crianças que desapareceram na caverna. Ela tinha 14 anos e era irmã de George.

— Larissa... Larissa Menezes?

— Si... Sim...

Leandro se levantou e estendeu sua mão para ela.

— Você consegue se levantar?

Larissa pegou na mão de Leandro e se levantou sem muitos problemas.

— Hum...

— Está tudo bem? Você se machucou? — Perguntou Leandro.

— Não... Acho que não...

Leandro deu um leve sorriso. Se ele encontrou uma das crianças, era sinal de que as outras não podiam estar longe.

— Venha comigo. Eu estou com outros dois policiais, e nós nos separamos para procurar por vocês, e... A propósito, onde estão os outros?

Larissa se assustou.

— ...Hum?!

— Você não veio pra cá sozinha, não é? De acordo com as informações que recebemos, você veio com outros dois garotos para essa caverna... Os nomes deles eram... George e Fabrício, não é?

Larissa fez uma cara triste.

— Sim...

— Ok! Vamos voltar, eu tenho que falar com meus parceiros novamente. Você pode andar?

— Posso...

Leandro sorriu e acenou positivamente. Os dois voltaram em direção ao cruzamento onde Leandro e os outros haviam se separado.


13:30 — Reunião

Quando Leandro e Larissa voltaram para o cruzamento, Amelia e Sebastian já estavam esperando.

— Uau, até que enfim você voltou, Leandro... Nós estávamos... Ei!!

Amelia se espantou ao ver Larissa ao lado de Leandro.

— Ei, você encontrou uma das crianças?! — Perguntou Sebastian.

Leandro e Larissa se aproximaram. Larissa estava meio escondida atrás de Leandro.

— Sim, essa é a Larissa... Eu a encontrei no túnel, mas felizmente ela não está ferida.

Amelia sorriu.

— Perfeito! Mas... E quanto aos outros?

— Infelizmente, ela era a única... — Respondeu Leandro.

Amelia respirou fundo.

— Certo... Vamos levá-la para fora da caverna enquanto continuamos a procurar...

— Não!!

O grito de Larissa assustou a todos.

— Eu... Eu não quero ir pra fora...

Sebastian estranhou.

— ...Hã?

— Larissa... Aqui é perigoso... Nós temos que te deixar em segurança... — Disse Leandro.

Larissa voltou a fazer sua cara triste.

— Eu... Eu quero ajudar...

— Ajudar? — Perguntou Sebastian.

— Eu quero encontrar meu irmão...

Amelia cruzou os braços.

— Larissa, o nosso dever é fazer com que todos saiam em segurança dessa caverna...

— Não!! Eu não quero sair antes de encontrar meu irmão! Vocês não podem me obrigar!!

O visual triste de Larissa deu lugar ao de uma garota determinada. Sebastian suspirou.

— ...O que você acha, Leandro? — Perguntou Amelia.

Leandro refletiu.

— ...Certo. Mas se percebermos algum perigo, vamos te levar pra fora imediatamente, tudo bem?

Larissa acenou positivamente.


13:40 — Questões

— Então... E quanto à vocês? — Perguntou Leandro.

Sebastian arrumou seus óculos com o dedo.

— Sem sorte. O caminho que seguimos não tem saída.

— Em outras palavras, não tem nada desse lado. — Completou Amelia.

Leandro olhou novamente para o caminho onde encontrou Larissa.

— O caminho que eu segui continuava em frente.

— Perfeito, então é pra lá que nós vamos. — Disse Sebastian.

Amelia se aproximou de Larissa.

— Larissa... O que aconteceu com o resto do seu grupo?

A pergunta de Amelia parece ter assustado Larissa.

— Eu... Eu não sei...

Amelia e Sebastian se entreolharam.

— Você não sabe? Teriam vocês se perdido na caverna? — Perguntou Amelia.

Larissa não respondeu.

— Vocês tiveram alguma briga ou algo do tipo? — Perguntou Sebastian.

Larissa não respondia. Apenas ficava de cabeça baixa, com um olhar triste em seu rosto.

— Hum... Eu acho que ela não está em condições de responder... — Disse Amelia.

Leandro se aproximou de Larissa.