Almas Perdidas
6 Do outro lado
"Obstáculos são aquelas coisas medonhas que você vê quando tira os olhos de seu objetivo."
—Henry Ford
16:45 – Refúgio
Após o confronto com Leandro, Luke correu por uma série de corredores na caverna. Até que após alguns minutos, entrou em uma pequena área aberta onde haviam dois homens esperando.
— Pessoal... Voltei...
Um dos homens estava sentado em uma pedra. Tinha cabelos castanhos iguais aos de Luke. O outro estava encostado na parede. Usava uma jaqueta vermelha e um grande lenço em volta do pescoço, que cobria parte de sua boca.
Assim que Luke se aproximou, o homem que estava sentado se levantou e foi até ele.
— Luke!!
— Não se preocupe, Ricardo... Eu estou bem...
— O que foi aquela explosão?! Eu fiquei desesperado!
— Já disse que estou bem!
Luke se afastou de Ricardo e se aproximou do outro homem, que continuava encostado na parede, com os braços cruzados.
— Alex, você tem certeza que esses explosivos são o suficiente para explodir a delegacia?
Alex respondeu ainda de braços cruzados.
— Sim. É o suficiente. Mas você se lembra da condição que eu dei para te ajudar, não é?
— Sim... Você só vai me ajudar se eu prometer que ninguém vai se machucar, certo?
— Exato. Não somos criminosos, e sim justiceiros! Eu jamais conseguiria os explosivos pra você se sua intenção fosse machucar alguém! Lembre-se disso.
Ricardo se aproximou dos dois.
— Luke... Por que você demorou tanto?
Luke se virou para Ricardo.
— Ricardo, eu sei que como meu irmão mais velho, você está preocupado comigo... Mas acalme-se, por favor!
— ...Tudo bem... Mas o que aconteceu lá fora afinal?
— Eu encontrei com um policial.
Ricardo e Alex se espantaram.
— Um... Policial!? – Gritou Ricardo.
— Sim... Mas não é por causa da gente... Eles estão procurando por crianças que desapareceram nessa caverna. – Disse Luke.
Alex pensou.
— Então há crianças e policiais por aqui...? Temos que dobrar nossos cuidados.
— Isso não é bom... – Disse Ricardo.
Luke caminhou até um dos cantos onde havia uma grande caixa fechada.
— Temos que esconder isso aqui até garantirmos que não tem mais ninguém nessa caverna.
— Mas como vamos saber quando estaremos sozinhos? – Perguntou Ricardo.
— Isso exige um plano... – Disse Alex.
17:00 — Estratégia
Alex deu um estranho sorriso e fez um gesto fechando sua mão com força.
— A partir de agora, nós teremos que usar as sombras para nos escondermos... Não podemos deixar que encontrem nossa fortaleza, ou nossa missão estará arruinada! E para isso, teremos que vasculhar a caverna e analisar a situação. Lembrem-se: A vitória é garantida quando você tem total conhecimento do inimigo!
Ricardo olhou para Alex.
— Então... Temos que nos separar, certo?
Alex cruzou os braços e encarou Ricardo.
— Precisamente!
Luke pensou.
— Certo... Eu consegui nocautear um dos policiais, mas haviam mais... No entanto, eu...
Ricardo se assustou e interrompeu Luke.
— O... O que você fez?!
— Ele apontou a arma para mim! Eu não tinha escolha!
Ricardo pensou em argumentar, mas apenas respirou fundo e deixou de lado.
— E tem as crianças também... Pode ser um problema... – Disse Luke.
Ricardo olhou para o túnel.
— Então... Como faremos?
— Dois de nós iremos explorar os túneis. Enquanto isso, o outro fica vigiando a base! Simples assim! – Disse Alex.
Luke olhou para o túnel.
— ...Eu vou. Eu já encontrei com um dos policiais afinal.
— Mas você não pode ir sozinho... Alguém tem que ir com você. – Disse Ricardo.
Luke olhou para Ricardo.
— Ricardo... Espere aqui, Ok? Alex e eu vamos explorar o túnel.
Ricardo acenou positivamente.
— Tomem cuidado...
Alex cruzou os braços.
— Não se preocupe, Ricardo! Eu protegerei Luke com minha própria vida!
Após tudo decidido, Alex e Luke caminharam em direção ao túnel.
17:10 — Criança
Luke e Alex seguiam pelo túnel escuro. A lanterna de Luke era a única luz no caminho. Alex cobriu a boca com seu lenço.
— Esse lugar está dominado pelas trevas... Eu sinto que a qualquer momento podemos encontrar com alguma ameaça... – Disse Alex.
— Não seja tão paranóico...
— Não é paranóia, Luke... Guerreiros sempre possuem um instinto especial!
De repente, Luke parou.
— Espere... Você ouviu isso?
Alex ficou atento.
— ...O quê?!
— Veio dali!!
Luke correu para o fim do túnel. Alex o seguiu. De repente, alguma coisa surgiu em frente aos dois...
— Ei... Quem está aí?! – Gritou Alex.
Encostada na parede, sentada no chão estava uma garota.
— É... É uma das crianças? – Perguntou Luke.
— Ela está machucada?!
Luke se ajoelhou.
— Ei, você... Qual o seu nome?
A garota levantou a cabeça e olhou para Luke.
— La... Larissa...
— Você pode se levantar? Está machucada? – Perguntou Luke.
Larissa se levantou.
— Eu... Estou bem...
Alex cobriu sua boca com o lenço e olhou para Larissa.
— Esse lugar não é adequado para jovens garotas como você... O que faz aqui?
— Eu... Me perdi dos meus amigos...
— Amigos...? Quer dizer as crianças perdidas que aquele policial mencionou? – Perguntou Luke.
— Si... Sim...
Alex cruzou os braços.
— Isso é ruim... Luke, temos que decidir o que fazer com ela...
Luke olhou para Larissa.
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