Almas Acorrentadas

4 Será que era para mim? Não, não poderia ser...


Notas iniciais
Boa leitura!!

Idiota.

Isso que eu era.

O fato de pensar nela de 1 em 1 segundo, estava me deixando um caco. E se o mesmo estivesse acontecendo com ela, nunca iria me perdoar. Mas será que eu havia feito à coisa certa? Será que era isso que toda pessoa faria?

O que ela havia me dito me deixou irritado, como se ela me pedisse para não desistir, mas quem era eu para fazê-la chorar? Nunca iríamos ficar juntos. E duvido que uma garota tão linda não tivesse um namorado.

Se ela soubesse o que eu realmente sinto, como ela ia me ver? Como um covarde. Com certeza, e estava começando a me ver da mesma forma. Irritado, e de certa forma arrependido. Mas e se eu não houvesse feito isso, e estivesse brincando com os sentimentos dela?

Eu não entendo o que sinto por ela. Será este tal de amor, que falam tanto? Nunca senti algo como isso. Mas depois de ler todos aqueles livros e letras de musicas. Pergunto-me se realmente é isso. Não queria que ela voltasse aqui, minha mente me proibia de vê-la. Mas meu coração chamava a desesperado, como uma pessoa que morresse de sede no deserto clamava por água.

“Elliot, esta bem? Não sai desse escuro faz 3 dias. Não esta comendo, esta?”, perguntou Sonia, sua voz soava com um tom de preocupação.

“Estou...”, minha voz saiu fraca, mas não estava com vontade de falar nada. A verdade é que mesmo odiando o fato de mentir para Sonia, já que ela me ajudava tanto, mas a verdade era que eu não comia desde que eu pedi para Elisabeth não voltar, considerava-me um idiota por ter feito aquilo. E quanto menos eu durasse, melhor.

“Por via das duvidas, vou deixar esse pedaço de pão. Vê se come pelo menos isto...”. Ela respondeu, colocando um pratinho de porcelana branco, com um pedaço de pão Francês.

Esperei ela sair, e fui ate onde ela havia deixado o prato. Peguei o pedaço de pão e tirei um pedaço com a mão, e comi. Mas quando coloquei na boca, tinha um gosto amargo. Engoli o pedaço e olhei para o lado da minha cela. Estava sozinho, no escuro. Àquela hora do dia, a luz não entrava mais pela pequena janela. O que fazia tudo ficar negro. Quando vi os olhinhos vermelhos de um bichinho ao meu lado. Devia ser algum tipo de rato. Não seria nenhuma surpresa, bichos desse gênero viverem ali também.

“Quer esse pão para você?”, o ratinho se aproximou e eu continuei conversando com ele e logo ele pegou o pão e me deixou sozinho, “Isso, pega logo, leva para a ratinha que você gosta, e fiquem contentes juntos. Ate um rato é mais livre que eu, isso de certa forma é um saco...”.

“Mesmo estando trancado, não precisa ficar sozinho...”, disse uma voz doce e sensual, me cortando.

“Acredite, preciso sim. Não tem outro jeito, sempre foi assim, e vai continuar sendo!”

“Não quer mudar?”, isso me fez virar para o lado e olhar quem estava falando comigo. Elisabeth. Vi apenas os olhos fortes, atrevidos, com um tom de arrogância. Como se mesmo que seus lábios não pronunciassem uma só palavra naquele momento, seus olhos diziam para mim “Eu lhe disse que não devia desistir tão rápido, mas você é teimoso, seu idiota”.

“Okay, ganhou. O que quer?”, disse levantando, ou quase. Pois cai e segurei na parede, suja de limo, o que foi quase como inútil, para tentar me deixar de pé. Mas logo segurei na grade da cela e fiquei parado na frente dela. A pessoa que eu menos queria ver no mundo. Mas trair a mim mesmo, pois vê-la fez meu coração disparar.

“Esta pálido, tia Sonia te viu? Você esta acabado...”.

“Por que veio mesmo depois de pedir para não vir?”, não queria dizer isso, estava feliz por vê-la. Mas ao mesmo tempo chateado, talvez quanto menos eu a vesse o que sentia por ela iria diminuiria, mas ela foi me ver, depois de eu pedir, implorar, para não me ver mais. E aquilo me deixou irritado.

“Não gosto de seguir regras, sabe...Talvez estivesse com certa saudade de vossa Arrogância. Custava falar que esta feliz em me ver?”

“Não gosto de mentir”, disse sorrindo.

“Sabe, vai ser o meu baile de formatura...”.

“Com quem vai?”

“Esse é o problema, por isso vim aqui. Não consigo dormir esses últimos dias...”.

“Sei como é...”.

“Pois então”, disse ela se sentando ao chão, do lado da cela, e fazendo sinal com a mãozinha, para que fizesse o mesmo. Parecia que ela sentia minha dor por ficar parado, tentando manter todo o resto de minhas forças, para que não caísse de novo. De certa forma sentar iria ser um alivio. Sentei ao seu lado. Com apenas a grade nos separando. Olhei sua roupa. Eram vermelhas, vestido de corte estranho, combinando com a bota, o batom e a luva de renda. O que me fez rir.

“O que esta rindo?”

“Da ultima vez, estava com um vestidinho rosa, e caia muito bem em você. Talvez devesse usar aquele tipo de roupa ‘Princesinha’”.disse com um sorriso irônico no rosto.

“Hum, idiota”,disse ela fazendo bico, e bateu no meu ombro. Mesmo sendo fraco, quase me fez cair para o outro lado. Pois estava muito cansado. E ela me segurou pela camisa. Coloquei as mãos na grade e ela ainda segurava a gola de minha camisa, com olhos assustados. “Desculpa...”, ela foi cortada por minha tentativa, que ate agora não sei de onde tirei coragem, de beijar seus lábios. Sua boca era pequena e macia, de certo modo, estava com medo de machuca-la. Ela bateu as mãos no meu peito no começo, mas logo parou e agarrou minha camisa, me puxando para mais perto. Passei o braço pelo espaço da grade e segurei sua cintura. Ela se afastou e colocou a mão em minha boca. Eu virei o rosto e fiquei olhando para o lado. Não conseguia a encarar mais.

“Esta tudo bem”, ela garantiu, mas sua voz falhava. Soltei-me dela, e encostei na parede fria, e tombei a cabeça para trás.

“Acho que não devia ter vindo, eu pedi...”.

“Que droga Elliot!”, ela disse em um tom mais alto, irritada, me cortando.

“Desculpe, não sou perito em nada desse tipo, alem do mais achei que estivesse chateado por eu ter tentado algo com você...”, sua fala me interrompeu. Ela estava sentada de costas para cela, depois do ocorrido, mas virou o rosto para que eu a visse e fazendo bico falou em voz de desaprovação:

“Ahhh, queria que tivesse menos grade...”.

“Você o que?”, disse surpreso, e sem ação.

“Volto depois, olha a hora. Se minha mãe sonhar que eu sai de casa ela me mata...”. Disse ela levantando, e batendo as mãos no vestido. Tirando toda a poeira que havia no chão.

“Quando volta?”, perguntei sem perceber. Mesmo ela não tendo ido ainda, já tinha uma espécie de saudade.

“Daqui a uns dias, pense em mim fofo”, disse ela rindo, mostrando todo seu jeito desastrado e destruindo a imagem de garota sexy, no mesmo momento.

“Louca”, disse rindo. Ela beijou dois dedos da mão e os fez tocar meus lábios, logo ficou vermelha e saiu pulando. “Tome cuidado...”. Disse por fim, mas talvez ela já estivesse longe o bastante para me ouvir. Não sei o porquê, mas senti como se ela tivesse virado para trás e sorrido. Mas estava escuro demais para ver qualquer coisa. Fiquei pensando o porquê de ela ter ido falar sobre o baile. Estava com certo ciúme de quem ela ia. Mas pela voz, parecia me convidar. Mas impossível, eu entendi errado.

Ate à próxima.

Abraços Elliot.