Almas Acorrentadas
8 Nada cai do céu
Estava cansado, ate de mais. Sabia que aquele lugar era perigoso, cada dia que eu passava ali, não era só um dia perdido da minha vida. Era o mais próximo ainda da morte.
Para falar a verdade, por mim, eu desistiria. Deixaria tudo como estava, e morreria daqui uns dias. Mas quando eu pensava nisso. A imagem de Elisabeth, vinha em minha mente. E eu desistia da ideia na hora, e pensava, como eu poderia ter aquele tipo de pensamento.
Sentia certo nojo de mim. Já fazia minutos, ou horas. Não sei. Aquela sala em que estava era quase mais confusa do que minha cabeça. Estava pensando agora, no jeito mais fácil e pratico de sair dali. Era hoje o baile dela. Em que ela estava tão preocupada por dias.
Eu comecei a pensar, desde que ela havia saído da sala. Se eu e ela não estávamos acorrentados, pelas correntes do destino. Se eu e ela não estávamos, destinados a sofrer. Mas será que depois de todo esse esforço, valeria a pena? Eu a conhecia pouco, e eu sei que ela diria o mesmo de mim. E se ela se desaponta se por minha causa? Não acho que fui ou sou, o tipo de garoto que a mãe dela gostaria para ela. Ou ate mesmo ela.
Ate quanto às pessoas são destinadas a coisas sem sentindo. Por futuros incertos? Ou será que é algo muito maior que isso? Que achamos que estamos fazendo nossas escolhas, mas na verdade tudo esta decidido? Se esta decidido, por que ninguém me da uma dica do que eu deveria fazer?? Sentia-me perdido.
Não havia como eu mudar meu passado, e estava preso a ele. E não era a melhor pessoa, ou melhor, não sou, a melhor pessoa que alguém poderia conhecer. Meu jeito irônico, que não lembrava nem mais como era um sorrisso verdadeiro, não foi criado nas grades. Eu nunca fui santo, eu podia trabalhar e ficar na minha. Mas isso não garante, que eu nunca havia ofendido ninguém, nem que fui um bom menino sempre.
Eu sempre pensei apenas em mim, e culpava os outros por fazerem o mesmo. Eu sou egoísta, e hipócrita. A minha vida, nunca foi um mar de rosas, mas eu nunca machuquei ninguém porque eu gostava, eu fazia porque eu precisava. Mas a partir de quando parou de ser necessário e começou a ser divertido?
Eu não gostava do que era, porque isso me definia. Eu não gosto do que sou. Mas posso mudar, por mim, por ela. Talvez eu colocasse os seus desejos na frente dos meus. Sei que isso não significava amor. Mas o que sentia por ela, não era apenas isso.
Eu não sei o que ia acontecer comigo se eu tentasse sair dali. Mas eu não poderia ficar deitado, esperando. Nada cai do céu. Eu tinha que levantar e conquistar com minhas próprias mãos.
Elliot.
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