Almas Acorrentadas

7 A Traição sempre vem de quem nos menos esperamos.


Notas iniciais
Ola meus amores, estou de volta. Desculpem minha demora. Estarei hoje postando todos os capítulos que faltavam, espero que gostem, bjos.

“A chave antiga que fica na portaria sumiu...Foi esperto, eu não uso aquela chave, desconfiei que você tivesse pegado ela. Me entregue e ficara tudo bem!”, falou Sonia, com uma voz e expressão de ameaça, me sentia perdido, achei que meu mundo ia cair, logo agora que as coisas estão indo bem. Mas a vida é assim mesmo, parece que o universo conspira a nossa infelicidade. Você não pode achar a felicidade por completo, você nunca será feliz o tempo todo.

“Desculpe-me, mas não esta comigo”

“Há, por que não engana outro? Onde estava? Onde escondeu? Ande logo e me entregue!!”

“Estou falando serio, custa acreditar em mim? Apenas uma vez, me de uma chance, eu sei que o que fiz foi errado, mas foi o melhor dia da minha vida, e podia ter mais, me deixem sair, eu prometo que não vou causar problemas para ninguém. A chave não esta comigo...”

“Não é uma questão de causar problema ou não, não é questão de ser louco ou não. A questão é que esta aqui, e deve perecer aqui e...”

“Então pouco importa para você se eu sou louco ou não?? Ate quando ia manter esse teatrinho de boa samaritana?? De que me considerava como filho?? Mostrando-me sua amadinha, me fazendo ‘interagir com gente da minha idade’ ?? Sinceramente, por que me enganou? O que ganhou fazendo isso? Eu quero viver, e eu posso, eu só preciso sair daqui. Ajude-me!”, disse ficando de pé, ao seu lado.

“Sem condições, agora me fale, onde esta a chave? Eu te dou outro livro para escrever se quiser e...”

“Vá se danar!”

“O que você disse?”

“VAI SE DANAR!! Eu não vou falar onde eu escondi, não vou falar nada para você, nem para ninguém, eu não to nem ai para você. Sua falsidade me enoja. Como alguém que faz que sente algo por mim, que tem uma consideração faz isso? Some da minha frente, antes que eu te mostre porque eu vim parar aqui...”, disse sorrindo e erguendo a sobrancelha, comecei a dar risada, ela queria me desafiar, me olhou como se tivesse muito poder, e eu não soubesse no que estava metendo. Que eu achava que o fio vermelho da bomba desarmava tudo, mas mal sabia que ele era o responsável pela explosão.

Talvez eu me arrependa do que fiz e disse, um dia talvez. Mas a vida não é feita de “talvez” e sim de “eu tenho que fazer”, para viver você tem que ocupar espaço, você tem que atrapalhar. Quanto mais você fazer bagunça, quando mais você lutar pelo que ama, melhor. Você luta pelo quer, e recebe felicidade em troca. Isso é viver. Apenas concordar, sem arrependimentos, com arrependimentos apenas do que não fez, é apenas existir.

Não queria existir, eu queria viver. Ela me fez querer isso, eu a amava, eu lutaria por ela. Ela era meu premio do passado, do pretérito e do futuro. Eu sei o que aconteceu ontem, não tem mais como voltar, eu não sei direito o que minhas escolhas resultaram lá na frente, eu não sei o que eu to fazendo. Eu não sei como vai ser meu futuro. E quer saber? Eu não quero saber. Quando chegar a hora eu descubro. Afinal, a vida é muito sem graça, e eu estou tentando colocar ação nessa merda.

...

Sonia me empurrou, parando perto da grade. Eu apenas sorri e chutei o chão, ela foi para trás e caiu em um buraco que havia lá. Ela estava no meu território, ninguém conhecia ali melhor que a mim. Ela não tinha chances.

“Estou avisando, sua ultima chance de me entregar a ...”, disse ela no chão

“Para que? Se eu entregar eu ganho o que? Passar a vida inteira aqui? Vivendo como rato de laboratório? Realmente, eu não preciso disso, consigo fazer sozinho. Você não manda em mim!”, acabei a frase rindo.

Ela estava assustada, eu estava assustado comigo mesmo, talvez ali era meu lugar certo. Ela havia feito barulho, veio gente ao encontro da sela, e tentaram abri lá a força, já estavam quase conseguindo, mas eu não conseguia a parar de rir. Dobrei-me de tanto que ria. Dois homens me seguraram, e um aplicou uma injeção no meu braço, eu não me lembro de mais nada, lembro que antes de minha visão ficar negra, quando ainda estava turva vi um homem ajudando Sonia a se levantar. Lise estava lá, assustava, ao lado de Simone, que não tinha mais a feliz expressão no rosto, Lise estava chorando e eu resmunguei algo, que a fez sorrir e chorar mais, algo como “A chave lembra?...”

...

Acordei em uma sala toda branca, com uma luz forte no meu rosto. Estava cansado como se não dormisse e comesse há dias, me senti como um vampiro a luz solar. Talvez o baile de Lise já tivesse acontecido. Sentia-me culpado, por tudo que eu fiz e não fiz. Sabia que estava ali há dias.

Tentei levantar, mas não consegue, estava fraco e quando consegui erguer minha mão vi que estava acorrentada, talvez meu corpo inteiro, sabia que estava sendo observado, sabia que haviam fazendo experiências, meu corpo estava cansado, morto.

Queria gritar, mas não tinha forças. Comecei a rir e a chorar. Aquela risada que eu sempre dava quando tinha raiva de mim, que tinha quando o que eu mais queria é que alguém me socasse ate a dor sumisse, que alguém me matasse, porque se não fosse tão fraco, ate eu mesmo faria.

Alguém abriu a porta, era Lise. Ela estava mais pálida que o de costume, e seus olhos estava tristes e cansados, os dias estavam exaustivos, e eu havia piorado ainda para ela. Os problemas e a repressão da mãe deviam estar piores depois que ela soube de mim...bom, será que ela sabia?

Vi uma mulher, loira, e alta, cabelo Chanel, entrar na sala, usava um conjunto executivo. Ela empurrou Lise e ficou perto de mim.

Eu estava imóvel, meu olho, sem vida, estava semicerrado, e saia água sem parar, por causa da grande quantidade de luz da sala pálida. Lise se aproximou e me olhou. Passou a ponta dos dedos, da mãozinha delicada, nos meus. Eu sorri. Ou melhor, tentei...

A mulher me olhou feio e disse:

“Pronto, agora vamos embora”, sua voz era pesada, me senti como se voltasse ao passado, ao lado do meu irmão ou meu pai.

Talvez Elisabeth não fosse muito diferente de mim, talvez se ela não tivesse condições estava ali comigo...ela aguentaria? Eu não suportava pensar nisso. Resmunguei algo. Ela abaixou um pouco, estava chorando, eu senti as lagrimas quentes caindo em minha mão. Ela abriu minha mão e colocou uma chave, depois a fechou.

“É hoje”, ela sussurrou em meu ouvido, me deu um beijo na testa. E foi embora.

A mulher ficou olhando por um tempo para mim. Mas depois foi embora. Sem dizer mais nada.

Eu tinha que fazer algo, eu tenho, eu preciso. Ela não pode ser a única. Eu tenho que lutar pelo nosso amor, eu já a faço sofrer o suficiente.

Abraços Elliot.