Notas iniciais
Capitulo dedicado as minhas sonhadoras Rayla e Fabi...

Coloco o pé na estrada de chão e tento dirigir em alta velocidade. Mas a estrada da minha casa ao centro é de terra e repleta de buracos, o que infelizmente me faz andar mais devagar. Chegando ao centro vou direto para a faculdade. Estamos no primeiro mês de aulas e já estou chegando atrasada...

Tudo correria bem do centro para a faculdade se o trânsito não fosse tão caótico de Paris. Ainda não me acostumei. Os carros aparentam passar entre os outros como espíritos. Tudo não passa de uma imaginação fértil e uma visão destorcida em meio ao caos.

Chego com todos os membros no lugar certo (por mais incrível que pareça). Deixo a moto em uma vaga no estacionamento externo perto a um poste. Dou um suspiro de alivio e volto a respirar normalmente. Retiro as luvas que uso para dirigir e as coloco na bolsa, da qual também retiro meu lacre e passo pelo pneu da moto e prendo no poste ao lado.

Para confirmar minha teoria sobre o trânsito de Paris, vejo que prendi em algo que rasgou a perna da minha calça. Quando termino de prender a moto ao poste, vejo o estrago que ficou.

- Grande merda! Mais uma calça rasgada. – Sussurro baixinho para mim mesma ao ver a calça.

Resolvo ignorar e sair correndo. Subo a escadaria central tão depressa que em meus pés faz parecer uma esteira. Entro correndo no silencioso corredor da minha área da faculdade. Porta 28, Professor Jason Weekend.

- Perdão o atraso professor, a estrada da minha casa não estava muito boa.

- Perdoo apenas desta vez, na próxima dê um jeito de vir mais cedo ou não entrará em sala de aula. Entre e sente em uma carteira.

- Obrigado, com licença.

Estudo em uma das poucas aulas em Inglês que Paris tem a oferecer. Seguindo a lógica, a maioria das aulas são em Francês.

Não gosto de ser o centro das atenções, nunca. Infelizmente, com o meu atraso, a única carteira restante era bem ao meio da sala de aula. Onde os “espertinhos” normalmente sentam. Logo no inicio da nossa aula ele já vieram com as malditas conversas sobre suas vidas sexuais.

Por favor! Acho que eles não possuem maturidade o suficiente para falar sobre isso. Eles estão com os nervos á flor da pele e só falam sobre isto. Prefiro sempre ignorar quando o assunto começa. Falam como se tivessem muita experiência.

As aulas da manhã acabaram. Agora temos o horário de almoço. Possuo 1h30min até a próxima aula. A galera que sentou perto de mim possui 30min a mais. Eles gostam de faltar a ginástica que é logo depois do almoço. Quando somos mandados para as salas de aula ele vão jogar sinuca em um Salão de Jogos pago aqui perto.

Eles me encontraram na fila do Buffet.

- E ai Sam? Suportando essa coisa toda de aula? Vou ser sincero, achei você muito bonita e intelectual e...

- Ok, ok. Pode ir parando por ai interesseiro! Eu já sei o que quer. – Eu o interrompo já prevendo o que queria.

- Como assim? Eu só queria saber...

- Se eu te daria frente na fila do almoço, certo?

- Certo. Você me pegou!

- Haha! Eu sabia o tempo todo. Entra aqui, vem. – Ele me lança um sorriso amigável e pula as cordas tomando uma postura de “superior” assim que passa por mim. Dou um risinho discreto. – Respondendo a pergunta inicial, ao contrário do que você pensa, sim eu estou achando uma porcaria. Eu gosto do conteúdo e de estudar, mas, eu quero ser artista logo e pular esta fase da minha vida.

- Nossa! Realmente inesperada resposta! Mas nenhuma resposta vai ser mais inesperada quanto essa: Eu realmente te achei bonita.

Sinto meu rosto queimar em vermelhidão. E fico envergonhada só de trocar olhares com ele. Finjo esquecer o elogio e sigo falando:

- E você garanhão? Vem de Londres bancando o galã?- Falo com um tom de voz irônico.

- Bom, na verdade eu sou de Forks nos USA. Mas me adaptei facilmente já que estou acostumado com o frio e as chuvas de lá.

- Sério mesmo que você é Americano como eu?

- Okay. E você acha que eu vou acreditar mesmo que você é.

- Pode anotar porque é verdade. Sou de Chicago. Mas diferente de você, eu não sou adaptável a nenhum lugar. Apesar de ser chuvoso e nublado em Chicago também, eu não consigo gostar inteiramente daqui. – Eu perco o olhar e o desvio para baixo. – E eles?

- São da Inglaterra, a maioria veio de Londres. Muito clichê. Gosto deles. Eles sabem se divertir de verdade, assim como nós.

- Nós quem? E-eu e v-você não... – Começo a gaguejar.

- Como assim quem? Nós Americanos!Quem você...

- Nada, esquece. Estava com a cabeça em outro lugar.

- Tudo bem, esquecido está! Não nos apresentamos formalmente, Eric.

- Samantha. Agora se mova seu lerdo!

-Como?

-Não sou só eu quem está pedindo para sair da fila!

Ele olha por meu ombro e vê a fila de pessoas revoltadas. Voltou e olhou para trás e percebe que travou a porta, distraído com a conversa.

Notei algo estranho em seus olhos negros. Um olhar profundo e escuro, como se caçasse minha alma. Quando me vi já estava envolvida por ele. Ao longo da conversa sentia algo me puxando à direção contrária, me puxando para ele. Seu sorriso me convidava a me manter aqui junto a ele. Passando-me a mensagem que meu lugar era ali, naquele momento, nós dois congelados no tempo. Agora passo aquele momento vezes e vezes na minha cabeça tentando compreender o que ocorria, o que sentia. Suas risadas eram tão boas e reconfortantes que me faziam rir junto. Seus cabelos negros me faziam...

Neste momento o observo se juntar a mesa dos britânicos. Ele chega rindo contagiando a todos. Quando se senta ele larga a bandeja e nossos olhares se cruzam. Neste momento sinto tudo aquilo que eu não podia sentir. Eu não posso estar apaixonada.

Notas finais
Meus lindos estão apaixonados *-*