Alma De Porcelana
4 Capítulo Quatro
Notas iniciais
É o meu antigo namorado John. Tive de deixa-lo para vim morar aqui em Paris. Não, não é verdade que não namoro a cinco anos. A dois meses atrás eu estava namorando. Mas não é mentira que ando carente com isso tudo. Ele me amou como ninguém mais irá.
Quando me pediu em namoro, entrou na festa de aniversário da minha mãe. Ele estava... Simplesmente perfeito aos meus olhos. Lembro-me em detalhes daquela noite. Estávamos todos curtindo a festinha caseira da minha mãe. Começamos a escutar uma musica acústica tocada ao violão.
- Mãe, seu celular está tocando!
- Não é o meu não querida. – Minha mãe escandalosa como era soltou um berro que ecoou por todo apartamento. – Alguém está com o celular tocando?
Começo a andar em direção a porta, da qual ouço o som ficando cada vez mais alto. Todos checam seus celulares. Abro a porta e ele estava lá tocando a nossa música. Glad you Came. Ele parou. Encarou-me com um sorriso nos olhos como quem diz: Surpresa! Retirou um buquê de rosas vermelhas da mochila. Veio até mim, andando com ma sutileza que parecia me fazer flutuar. Ele parou no meio da sala e se ajoelhou:
- Senhor e senhora Weekend, peço vossa permissão para pedir sua filha, dama perfeita, em namoro.
Minha mãe chorando logo fez positiva com a cabeça e repetiu baixinho para si mesma: Sim, sim, sim.
- Então você... — eu o interrompo.
- Sim, sim, até que a morte nos separe. Esperarei quanto tempo for necessário, mas quero continuar e passar minha vida ao seu lado Sam.
Ele me pegou nos braços e me deu um demorado beijo, jogando o buquê para minha mãe. Eu usava um vestido leve de cor verde-água, um salto preto , assim como o que dei para minha mãe, o meu colar “Belive” de sempre e meus óculos. Tentei convencer minha mãe a comprar lentes, mas ela tem um trauma com uma experiência sobre lentes que ninguém nunca sabe como e quando aconteceu. Parece-me ridículo, mas não se discute com a minha mãe! (http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo/set?id=58265097 )
No dia em que embarquei para Paris, ele chegou correndo para se despedir e me entregou um enorme embrulho. Maior que minha mala. Quando abri era um quadro com todas as fotos que tiramos juntos formando um coração. Junto, um panda de pelúcia gigante bordado atrás “Que seja para sempre Sam...”. Tento retornar a minha vida normal sempre, mas nunca terei a chance de ser o que era antes.
No primeiro momento não acreditei que poderia ser realmente ele em minha frente. Parecia tão impossível. Mas era verdade. Corro em direção aos braços de John, mas apenas sinto um vazio e um buraco se abrindo em mim. Era apenas uma ilusão criada pela minha mente. Seco as lágrimas de meus olhos e volto para pintar. Pego minhas tintas. Escolhos tons Pastéis e neutros. Saio pintando vendada, sendo guiada por minhas mãos e colocando na terra tudo que predominava em minha mente. Passo horas, ali, em pé e com os olhos cobertos. Estou disposta a passar toda noite até terminar a tela.
Já são 19h00min quando termino. A noite já caiu. Paro de pintar quando parei de sentir minhas pernas. Ainda assim não está completa. Retiro a venda e vejo o resultado final. Parece-me um homem mais com cara de senhor dançando com uma mulher, aparentemente uma criança. O rosto dela me é muito semelhante a algum outro que já vi... E ele... Não consigo identificar fortes traços em seu rosto. Não sei dizer quem são. Eles dançam em um ambiente em tons de rosa claro e preto. Isso não parece traduzir o que sinto. Mas guardarei caso me lembre de algo mais tarde. Ainda assim consegui descarregar um pouco do peso da minha raiva. Sinto-me leve.
Sente no banco a minha frente, virei a tela para mim e esperei a tinta secar. Fiquei a vendo até descobrir algo. Mas nada. Esperei por volta de 20min. Amarrei a tela novamente, guardei minhas coisas no carona e voei para casa. Já são 20h11min. O trânsito voa em meus olhos e acabo não prestando atenção em nada nem ninguém. Chego em casa em 17 min. A casa está incrivelmente silenciosa. Entro pela porta da cozinha.
- Pai? Pai? Tem alguém em... – Levo um susto ao ver meu pai atrás de mim de braços cruzados, caio para trás e solto um grito. – V-você me assustou.
- Eu vi. – Ele me encara, mas ele relaxa a expressão rígida de seu rosto largando um sorriso. – Mas agora me diga: O que você fez a tarde toda que não me avisou?
- Isto – Retiro a tela e a mostro.
- É muito bonita, mas eu...
- Você não vê nada, não é mesmo? Aparentemente só eu entendo o que eu pinto.
- Deixe-a na sala e suba para seu quarto. Enquanto você morar sob o meu teto me obedecerá e seguirá os meus horários. Está de castigo por ter chegado tão tarde.
- E se eu simplesmente não morar com você? – Ele ignora. Subo correndo. Deito na cama e visto apenas minhas roupas intimas e um moletom por cima. São quase 21h. Retornarei o pedido de Eric.
— Eric?
- Samantha! – Ele se entusiasma tanto que parece que trarei 3 pedidos mágicos a ele.
- Estou de castigo...
- Okay, eu te entendo. Queria falar que eu também não vou poder mesmo. Mas eu tenho outros planos para nós.
- Diga-me!
- Sexta à noite no Joe’s Bar. É um bar para fora da cidade. Fica na beira da estrada no meio do nada. A gente comete as maiores loucuras. É como Vegas. O que se faz lá fica lá!
- Beleza, eu topo.
- E o seu castigo sua rebelde?
- Não dependo do fracassado do meu pai. Ele nem nota quando pulo da janela. De boa... Sexta feira no Joe’s.
Faltam três dias para as loucuras. Preciso perder um pouco a cabeça. Ligo o computador e entro no Tumblr. Abro minha ask Box e vejo que recebi uma mensagem. Em anônimo. “Ainda penso em ti, que seja para sempre.”
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