Allysson Grey Vs Escola de Rock
12 Sem chão.
Notas iniciais
N: Allysson.
Eu não queria acreditar no que estava acontecendo comigo. Logo eu?! Grávida?! Como assim?! É claro que vocês devem estar curtindo isso, mas eu não estava. Pelo menos não na hora. Depois que eu vi aquilo com meus próprios olhos, me levantei e fui para minha cama acordar daquele pesadelo e deixei Cris lá, com aquele sorriso todo bobo de pai de primeira viajem. Cris foi até o quarto e se deitou atrás de mim. Ele me abraçou e disse:
_Deveríamos festejar agora.
_Se quiser pedir uma pizza pra você, fique à vontade. Não estou afim de comemorar.
_Pensei em algo melhor do que...
Me sentei na cama com uma das pernas esticadas e a outra dobrada pra cima e o interrompi impaciente: _Olha, eu já disse que não queria essa criança, ok? Eu tenho medo do que pode acontecer.
_Allysson, já falamos sobre isso. Eu te amo! Estou muito feliz por tudo o que está acontecendo. Você está gerando uma vida dentro do seu ventre e isso é lindo!
_É assustador.
_É um milagre.
As últimas palavras me fizeram lembrar da oração que fiz quando ia sair de dentro do banheiro. Então me deitei, puxei a coberta até os ombros (pra não dizer axilas) e mantive meu braços de fora: _Melhor eu dormir. Boa noite, amor.
_Boa noite, meus amores._ ele acaricia minha barriga e se deita ao meu lado. Sacou porque o plural, não é?
Nem me liguei no que ele falou. Dormi como uma pedra, e quando acordei, quis acreditar que aquilo tinha sido um sonho ruim. Não era um sonho. Havia outro ser humano se desenvolvendo dentro de mim. Ao menos eu tinha Cris ao meu lado. Era meu marido e sempre estaria ao meu lado, e eu ao lado dele.
Me levantei naquela segunda feira com mais sono do que quando fui dormir. Quando sai do banheiro, fui direto para a cozinha. Nada de coca dessa vez. Acho que poderia fazer mal para o bebê. Preparei um café com leite e quando iria pegar um pedaço de bolo na geladeira, senti os braços de Cris em minha cintura:
_Bom dia, querida.
_Bom dia._ respondo com desânimo.
_Como foi a noite?
_Mal dormida.
_A minha foi perfeita._ ele diz com um sorriso enorme e beijando minha bochecha _Onde está o refrigerante?
_Cris! Achou que eu ficaria com desejo por ele durante todos os nove meses?
_Sim, eu achei.
Rimos um pouco. Eu havia me esquecido de minha mãe por um tempo. Acho que estava feliz com a ideia de ser mãe, mas só fiquei por um breve momento. Eu me virei e o beijei nos lábios, logo depois pedi:
_Posso passar?
_Claro!
Fomos até a mesa e nos sentamos. Cris, antes de me acompanhar, pegou o bolo de cenoura que uma vizinha havia nos feito e dado. Não vou menti, o pedaço que eu peguei não foi muito pequeno. E depois da primeira garfada, perguntei:
_E agora? O que faremos?
_Agradecemos pela oportunidade e pelo privilégio de ter um filho!
_E se acontecer comigo que aconteceu com minha mãe?
_Não vai. Eu juro.
_Você não pode ver o futuro! Quem te garante?! Você sabe o que pode acontecer em nove meses?!
_Eu tenho fé em Deus que a sua hora ainda não chegou.
_Cris, só estou dizendo que...
_Allysson, pare de falar essas coisa, tá?! Eu não quero você preocupada com qualquer coisinha.
Me levantei e sai. Liguei para Pamela e perguntei se eu poderia ir na casa dela. Então eu disse ao Cris que iria vê-la e saí. Quando cheguei, ela me recebeu empolgada e bem animada.
_Ruiva! Entra! Que bom que veio!
Entrei quieta e fechei a porta. Caminhei lentamente até o sofá dela e ela se sentou ao meu lado.
_Bom dia, Pamela.
_Enfim você abre o bico! Bom dia! Acho que sei o que faz aqui...
_Você disse que queria ser a primeira a saber.
_Então..._ mostrei o teste para ela, que sorriu com empolgação dizendo _Verde é a cor mais linda que existe!
_Não exagere.
Ela me abraçou e deu um grito que chegou a me assustar!
_Não acredito! Não acredito! NÃO ACREDITOOOO!!!!
_Hey! Pare de gritar!
_Vou ser titia!
_Como assim “titia”?
_Deixa eu ser a tia dela, ruiva!
_Tudo bem, ele te chama de tia, mas nada de “meu sobrinho” pra você.
_Somos amigas, me deixe, por favor?!
Suspirei e disse: _Tudo bem!
_Ah!!!! Eu vou titia!
Quando voltei para casa, percebi que Cris não estava lá. Logo encontrei um bilhete dizendo: “Precisam de mim na gravadora. Tive que ir. Te amo, Ally e filhote dentro ela. Rsrsrs”. Apenas revirei os olhos pela frase final e deixei minha bolça na mesa e decidi ligar para o meu pai... se eu conseguir fazer uma ligação para o Brasil. Um toque: nada. Outro: nada. O terceiro me fez imaginar a reação dele ao descobrir que será avô. Ao quinto toque uma voz feminina e grave fala:
_Oi?
_Nanda? O que faz aí?
_Allysson! Como vai?!
_Meu pai está?
_Foi ao banheiro. Eu estou aqui visitando e adivinhe quem liga?! Que bom falar com você! Novidades.
_Eu queria apenas dar as novas ao meu pai.
_Que novas?
_Ele vai ser vovô.
_Ally! Que incrível! Deus te abençoe! Estou tão, mas tão feliz por você...
_Não fique. Eu nunca quis um filho. Eu mesma não estou feliz.
_Ally, não diga isso! O que vai dizer quando ele for mais velho?
_E se eu não o ver mais velho?!
_É claro que vai! Pare de pensar no que aconteceu com sua mãe!
_Pastora, eu já disse que não queria esse filho.
Ela começou a cantar _ “Certo dia uma jovem bem jovem me disse: Fernanda, estou grávida, e agora?”
_Eu conheço essa..._ não pude interromper.
_ “Suas mãos eram negras e frias Tremiam suavam, buscavam as minhas mãos”._ ela prossegue.
_Lá vamos nós...
E a ouvi cantar o resto:
“Ela me revelou que chorava e pensava em aborto Ela me revelou que chorava e pensava em morte Ela me revelou que chorava e pensava no cara Sozinha, chorava.
Eu sei como difícil pode ser A dor de quem não fez por merecer, Eu sei o que é querer e não poder O que é sonhar com uma criança em meu ventre Falei do sonho que era conceber Contei quantos perdi sem merecer Chorei, e implorei em oração Não mate essa criança inocente Ela foi escolhida dentro do teu ventre.
“Eu sou a voz que você nunca ouviu Mamãe, o beijo que nunca te traiu Eu sou e quero ser como você Serei seu maior presente, me deixa nascer!””
https://www.youtube.com/watch?v=nQcY-OW0Olo&list=RDnQcY-OW0Olo#t=38
_Nanda, eu não vou fazer uma loucura dessas!
_Espero!
_Ficou louca?!_ ouço ela rir na linha _Não sou nenhuma assassina!
_Tudo bem, mas você conhece minha história. Sabe que essa criança em seu ventre é...
_... “é um verdadeiro presente”, eu sei.
_Então esquece o que aconteceu com sua mãe e coloque seu filho, seu futuro e o dele nas mãos de Deus.
_Já estão.
_Seu pai está chegando, vou passar pra ele.
_Valeu.
_Filha?_ ouço sua voz depois de alguns segundos.
_Oi pai!
_A pastora Nanda disse que tem novidades.
_Sim. Sim, eu tenho.
_O que houve?_ uma lágrima escorre em meu rosto.
_Eu vou ser mãe!_ afirmei, sei lá porque, sorrindo.
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