Domingo, 09 de Agosto. (Continuação)
Inibida e receosa Ally sorri para Douglas, Nick fica a olhando:
— Vamos para a mesa da piscina. — Sugere. — Se esfriar mais entramos!

— Pode ser! — Carina responde.

Carina é uma jovem linda de 20 anos, porém o fato de ser mais velha que Douglas não atrapalha a relação dos dois, muitas vezes ela parece ter 30 por causa de toda a sabedoria e outras vezes 15 por causa da fofura. Seu cabelo ruivo laranja a ilumina e os olhos negros chama atenção, junto com a pele bronzeada levemente. Uma moça carinhosa e decidida.
No jardim eles preferem sentar no sofá perto da lareira, Douglas fica abraçado com sua namorada e Ally senta no sofá da frente com Nick sentado ao lado dela:
— Então, como foram às férias de vocês dois? — Douglas pergunta tramando.

— Foi... — Ally olha para Nick. — Foi...

— Foi bipolar. Momentos bons e ruins.- Responde a encarando de volta.

— Que momentos ruins? — Carina questiona.

— Teve um com o primo do Nick, outro quando eu briguei com ele, quando eu e Philippe caímos, quando o Philippe... Quando ele... Morreu. — Engole às lágrimas. — Quando a Felícia escondeu a Luna e eu quase a matei! — Diz.

— Nossa! — Exclama Douglas. — Quem é Luna? — Curioso.

— É minha gatinha! — Sorri.

— Ah!

— Own, gatinha?! — Carinha ressalta. — Como ela é?

— Ela é branca com as patas pretas, tem os olhos azuis e o nariz rosa! — Responde encantada.

— Own, que fofa! — Acentua.

— E as partes boas? Quais foram? — Indaga os encarando.

Nick e Ally se olham inibidos:
— Teve quando brincamos com Joaquim, quando cavalgamos, e... — Gagueja sem resposta.

— Quando se beijaram, não foi? — Insinua carismático.

— Bem...

— Sim. — Nick se impõe. — Os beijos foram bons! Muito, na verdade!

Envergonhada Ally o olha:
— Nick! — Resmunga.

— O que foi? Vai me dizer que não gostou de me beijar!? — Frisa sério.

— Você... — Gagueja vermelha.

— Tadinha, ficou vermelha! — Carina destaca rindo doce.

— Não fique assim Ally, foram quantos beijos? Cinco, oito?

— Quatro, mas um não conta.- Responde Nick.

— Só? Você perdeu seu charme Nick! — Ri debochado. — Na festa do começo do ano você ficou com 13, em 1 hora! — Relembra.

O celular de Ally apita, ela abre a mensagem:
— Isso faz tempo! — Se defende.

— Mas você beijou 5 garotas no intervalo, antes de começar as férias. Isto não faz muito tempo assim! — Acentua.

— Tenho que ir embora, até mais! — Ally diz se levantando.

— O quê? — Nick resmunga. — Embora? Ally! — A chama vendo caminhar.

Ele se levanta indo atrás dela:
— Ally, o que houve? — A para.

— Preciso ir embora! — Insiste. — Nos vemos amanhã na escola! — Puxa o braço.

— Como assim? — A segura novamente. — Me explica o que aconteceu!

— Nick... Eu...

— O que houve? — Toca seu rosto.

Sentindo o toque doce dele em seu rosto ela entra em transe:
— Ela está louca por ele!— Carina sussurra para Douglas enquanto vêem a cena.

— Eu sei. E ele está louco por ela!— Responde baixo.

— E... Eu... — Uma lágrima escorre pelo rosto dela.

— Diz! — Nick pede meigo. — Por que está chorando?

— Não quero falar disto! — Exclama. — Me deixe ir embora!

— Ei, vocês dois. — Carina grita. — Voltem para cá, vamos conversar, nos conhecer! — Sugere.

— Fique conosco! — Ele a pede. — Iremos mudar o assunto, se é isso que lhe incomoda!

— Está bem, e eu lhe conheço bem, às coisas que fez não me incomodam.

— Então venha! — A puxa pelo braço.

Sentados novamente o clima parece estranho:
— Então, do que vamos falar? — Douglas se impõe. — Hum, fale um pouco de você Ally, o que gosta de fazer?

— Ler! — Sorri.

Muitas conversas aleatórias nascem, umas sobre Ally, outras sobre Carina, outras sobre Nick e Douglas, e no meio das risadas e expressões alegres se percebe que um laço de amizade começa a formar-se. O encantamento de Nick por Ally se nota quando ele fica a admirando falar com os olhos brilhantes e sorriso bobo, assim como se nota os olhos vibrantes e as mãos tremendo dela ao ver Nick tão perto e atraente.
— Devíamos sair, nós quatro juntos! — Carina sugere no meio da conversa.

— Sim, ótima ideia amor! — Douglas concorda. — Já sei, vamos para a inauguração do Ice Cookie Segunda 17!

— Ice Cookie? — Ally indaga.

— É uma loja que vai vender sorvete especializado em sabores de biscoitos. Todos os sorvetes vem com pedaços do cookie. A inauguração é às 19h00, vamos?

— Ok. Iremos! — Nick responde e encara Ally.

— Está bem. Bom, está na nossa hora, temos que ir! — Informa.

Vão os deixar na porta:
— Tchau Doug, Cari! — Nick os abraça.

— Tchau, foi bom conhecê-los de verdade! — Ally sorri meiga.

— Digo o mesmo Ally! Tchau para vocês, até na escola! — Douglas se despede e vão embora.

— E você? Vai jantar conosco? — Nick pergunta.

— Bom, na verdade quero ir para casa! — Informa tímida.

— Ok, vou pegar o carro!

— Vou falar com Nane e sua mãe!

— Ok.

Após falar com elas Ally o encontra no portão:
— Seu carro! — Exclama surpresa por ver o carro preto dele.

— Sim, peguei na revisão. Entre. — Abre a porta por dentro.

O mesmo silêncio típico se tem no caminho:
— Estava com saudades disto! — Ele exclama.

— Do que? — Pergunta distraída.

— Deste silêncio e de dizer, chegamos! — Para o carro.

— Ah! — Sorri leve. — Bem, obrigada, nos vemos amanhã! — Impulsiona abrir a porta.

— Espera! — Pede. — Me diz o porquê de você querer ir embora naquela hora!

— Nick...

— Confia em mim! — Toca seu cabelo.

— A minha família voltou a me julgar fortemente! — O olha. — Eu fui na casa da minha tia Clara ontem, para visitá-la e minhas outras tias estavam lá. Começaram a me importunar como antes, me chamar de peso, bastarda, fardo... Bem, a minha tia pediu para mim ir embora e voltar outro dia. Quando estávamos conversando hoje ela me mandou uma mensagem dizendo que eu podia ir lá, que não tinha perigo de alguém aparecer. — Uma lágrima cai. — Eu tenho que ir na casa dela escondido porque não sou bem-vinda nesta família, não tem lugar para mim pelo ponto de vista deles, eu... eu cheguei a conclusão de que os odeio, odeio o fato de serem tão preconceituosos e desprezíveis, e... e eu não me sinto ruim com isto, não me sinto ruim quando admito o fato que odeio a minha família, porque é como se eles não fossem! — Conta. — Eu sou... Meu coração não é bom! Ele sente ódio!

— Ally, eu já lhe disse, você não é ruim, e jamais será! — Toca seu rosto. — O fato de você sentir tal sentimento é mais que compreensivo, você sofre na mão deles desde sua adoção. Olhe para mim! — Ela o olha. — Você é a pessoa mais doce e bela que conheço, não se julgue desta maneira. Ok?

— Está bem! — Sorri.

— Bom, agora tem que descansar! — Beija sua bochecha

Ao tocar sua bochecha ele para o rosto perto da boca dela e o clima muda completamente. Eles ficam ofegantes e tensos:
— Nick! Não faz isso! — Ela pede baixo o vendo se aproximar para beijá-la.

Ele morde a boca e beija no canto dos lábios dela:
— Tenha uma boa noite! — Sussurra conquistador sem perceber.

— Você também! — Se mexe rápido e desce do carro.

Como adora fazer e ver, ele a espera abrir a porta de casa e entrar.

Segunda, 17 de Agosto.
Douglas e Carina encontram com Ally e Nick em frente à Ice Cookie para a inauguração da loja, que acontece pontualmente às 19h00 da noite. Muitos sorvetes saborosos, cremosos e diferentes são distribuídos, sabores variados. No balcão pensando em que sorvete comprar para Nane e Sophie Nick prova mais um sabor e começa a tossir, puxar a gola da camisa e soar frio:
— Nick, você está bem? — Ally pergunta o vendo estranho.

— Não sei, não me sinto muito bem. Minha garganta está arranhando e estou com muito calor. — Diz passando a mão na testa.

— Com licença moça, este sorvete é de que? — Pergunta para a moça do balcão.

— É de chocolate com canela! — Responde.

— Canela? Droga! — Ele reclama pálido.

— Como assim 'droga'? Nick! — Se preocupa.

— Eu sou alérgico a canela Ally! — Comunica.

— O quê!? — Indaga.

— Mas não é forte como a sua alergia, não vai me matar! — Brinca.

— Que... Droga! Você precisa ir ao hospital! — Começa a desesperar.

— Não exagere. — Encosta no balcão.

— Fique quieto, vou chamar o Douglas! — Pede saindo.

— Ally, não faça drama! — Tenta gritar.

No hospital ele recebe um antialérgico e quando os efeitos passam toma um pouco de soro por ter vomitado assim que entrou no quarto para ser atendido:
— Você está preocupada com ele? — Carina pergunta para Ally.

As duas estão sentadas num banco no corredor, Douglas está fazendo companhia à ele:
— Eu... Eu fiquei sim, mas já está passando. — Diz tímida.

— Ele está bem! — Exclama.

— Sim, está! — Respira aliviada.

— O quanto gosta dele? — Indaga curiosa.

— Gostar? Eu? — É pega de surpresa. — Eu...

— Ora, vamos, não minta para mim. Diga! Prometo que não conto nem para o meu namorado! — Beija os dedos.

— Bem... Estou tentando parar de mentir. Então... — Hesita. — O Nick faz meu coração explodir, como um vulcão em erupção! — Acentua envergonhada.

— Own! — Admira. — E como é beijá-lo?

— Eu perco o chão, quase sinto que vou desmaiar. É muito bom sentir os lábios dele, e quando me segura forte! — Fica vermelha. — Eu... Eu sou uma tonta!

— Ora, claro que não, está apaixonada, não tem nada de tonto nisso, pelo contrário, é muito bonito e fofo! — Acentua meiga. — E quando pretende se declarar para ele?

— Me declarar? — Questiona.

— Sim, um dos dois precisa criar coragem e fazer isto! — Reforça.

— Um dos dois?! — Resmunga confusa.

— Ele foi liberado! — Douglas diz chegando perto delas.

As duas param de conversar:
— Vamos para casa! — Ele conclui.

Ally sorri torto pensando no que Carina disse. Ao sair do hospital Nick sente falta de algo:
— Onde está meu carro? — Olha para os lados.

— Ficou no Ice Cookie, viemos no meu! — Douglas diz abrindo a porta do motorista.

— Bom, então me leve para lá. Vou pegá-lo para deixar Ally casa. — Ele a olha e recebe o olhar de volta.

— Não prefere que eu a deixe em casa? — Questiona.

— Não, eu faço isto! — Frisa entrando no carro.

— Ok então.

Eles se despedem de Douglas e Carina ao chegar na loja e partem em direção para a casa dela:
— Ficou preocupada comigo? — Ele pergunta parando o carro.

— Hã... — Engole seco." — Não minta Ally." — Pensa. — Sim, fiquei! — Tenta parecer normal.

— Interessante! — Morde a boca.

Ally pensa em perguntar sobre o que Carina falou, "um dos dois", mas decide deixar quieto, acha que vai se expôr:
— Bem, obrigada por me trazer! Agradece abrindo a porta do carro. — Nos vemos na escola!

— Até a escola Ally! — Sorri.

No caminho para casa ele pensa em Ally, lembra de como ela não soube esconder a preocupação.

Nos dias seguintes da semana neva bastante, algumas praças e ruas são interditadas, até toda a neve ser tirada.

Sexta, 21 de Agosto.
Para a segurança dos alunos a escola os libera mais cedo, Ally vai direto para a casa de Nick com ele.
Chegando eles vêem que Nane está na sala vendo TV e Sophie conversa no celular estressada:
— O que houve? — Nick pergunta para a avó.

— Foi um problema com o projeto mais importante do mês da sua mãe. Não sei se vai ter jantar hoje, estamos sem empregada e sua mãe não falou nada até agora! É melhor saírem para comerem algo, só vamos fazer compras amanhã! — Comunica calma.

— Hum, ok. — Coloca a bolsa em cima do sofá. — Vamos Ally!

— Para onde? — Confusa.

— Sair!

Ele a leva para uma pista de patinação no gelo ao ar livre onde tem vários estabelecimentos arrodeando:
— Nossa, que legal! — Exclama admirando.

— Sim. Bom, primeiro vamos comprar algo para se agasalhar, esquecemos nossos casacos. — Diz.

— Okay.

Eles entram numa loja com várias plantas e começam a olhar os casacos pendurados no cabide:
— Será que tem deste mesmo casaco na cor vermelha? — Resmunga para Nick.

— Não sei, pergunta para aquela moça de touca! — Aponta.

— Hum, deixa pra lá. Vou levar este mesmo! — Desiste.

— Pergunta logo! — Insiste sério.

— Aish. Okay! — Frisa séria e caminha até ela. — Com licença moça, vocês tem deste casaco na cor vermelha?

— Não sei, não trabalho aqui! — Responde de costas.

— Ah, desculpa. — Pede saindo.

— Mas me responda você, ainda gosta de vermelho tanto assim?! — Ela questiona se virando.

— O quê? — A olha. — Oh Meu Deus! — Resmunga de boca aberta.

Ally corre e a abraça forte:
— Baby! — Chora enquanto a aperta da mesma intensidade que é sua saudade.

— Oi minha bebê! — Lágrimas caem de emoção.