Alluring Aboard

6 Capitulo 5 - FINAL


Acordara lentamente. Uma luz sobre um teto branco. Olhara ao redor. Balões coloridos e com mensagens escritas estavam ao pé de sua cama.

Havia um pequeno cano fixado ao seu braço e uma haste de metal sustentando um saquinho de soro.

A TV de 14’ sobre a estante anunciava o ocorrido. Algo que devia estar ocorrendo a todo instante, presumiu.

Não conseguia entender o que o repórter dizia, mas já se acostumara a isso.

Ele estava parado em frente à casa de Ethan. Ao lado rápidas aparições das fotos das vitimas anteriores, e em seguida a foto de Violet.

–Eu sempre detestei essa foto. –desabafou ela ao policial Hichard Jenkes que acabara de entrar no quarto.

–Acho que você está bonita nela. –ele disse sorrindo enquanto tirava o quepe deixando sua calvície à mostra.

Violet riu.

–E então, como está hoje? –perguntou sentando na poltrona azul ao lado da cama.

–Acho que estou bem, me sinto melhor que ontem.

–Isso é muito bom. –disse em voz baixa.

Seus olhares se voltaram novamente para a TV.

Agora a imagem mostrava ambos os âncoras sentados atrás da bancada. A foto de Ethan apareceu ao lado de um deles, mas tinham uma expressão séria no rosto enquanto falavam. Mais séria do que deveria ser, imaginou Violet.

–Não entendo. –ela comentou ainda olhando para a TV.- Nenhuma imagem dele apareceu, quero dizer, nem ao menos uma gravação dele sendo preso ou indo direto pra delegacia. Será que ele pagou para as imagens não serem mostradas? -franziu o cenho. — Ah o que eu daria, só para ver o rosto dele nessa hora... Espero que apodreça na prisão!

–Violet... –chamou ainda em voz baixa. — É por isso que vim hoje aqui. Sobre isso que eu quero falar com você.

Ela retirou os olhos da TV, e o olhou de modo despreocupado.

–O que? Ele pagou mesmo? –ela riu. — Tudo bem... Contento-me só de saber que ele está preso.

O policial ficou em silencio e a encarou.

–Hick? –perguntou agora mais atenta. –O que aconteceu?

–Violet... –ele repirou fundo antes de abrir novamente a boca.

–O que foi que aconteceu? –se endireitou na cama. –Só me diz uma coisa... –sentiu seu lábio inferior tremer- V-vocês o pegaram, não é? –engoliu seco.

O policial permaneceu em silencio novamente olhando fixo para ela. Mas Violet sabia o que isso significava.

– Não... Não, não, não! –sibilou com as mãos coladas a boca. –Como isso aconteceu! –deixou a voz alta ecoar pelo quarto.

–Assim que chegamos ao porão e encontramos o corpo de Raine,havia apenas uma janela quebrada, ele não estava mais lá...

Violet contraíra as mãos no cobertor.

–Nós vasculhamos a casa toda. Encontramos muitas provas, mas...

–Não me interessam as provas! –dizia ainda em voz alta. –Eu estou aqui! Posso garantir o que aquele monstro fez!

–Eu entendo... Mas você está à salva, pode recomeçar a vida nos Estados Unidos ... Vai ficar tudo bem. –pousou a mão por cima da de Violet tentando reconfortá-la.

–Não! Você não entende! –puxou a mão de baixo da dele. –Ele nunca vai parar! Nunca.

Sentiu um aperto no coração.

***

Era outono. As folhas caiam sobre os jardins e os bancos da praça. A calçada era varrida por um senhor de cabelos brancos, usando um avental cinza onde dizia South Portland bookstore.

Fazia pouco mais de três meses que havia se mudado para Maine, próximo à New Hampshire.

Assim que se recuperou, saíra de Stavanger da mesma forma na qual havia partira de Jersey: O mais rápido possível.

Mesmo tendo vivido o maior pesadelo de sua vida, tirara várias lições de tudo aquilo, e uma delas é que você não pode esperar muito tempo para fazer as coisas acontecerem em sua sua vida, mas acima de tudo saber o jeito e o momento certo de fazê-las acontecer.

Não explicara tudo ao seu pai, mas o pouco que ele conseguira entender estranhamente bastara.

Dissera também que mesmo com o acontecido, ainda desejava sair de casa, criar uma nova vida, e com certeza merecia.

Dessa vez o próprio Connor havia fornecido os telefones de pessoas que ele conhecia e que poderiam ajudar Violet.

E lá estava depois de alguns meses. Instalara-se em Maine e estava morando provisoriamente em um apartamento de cinquenta metros quadrados, próximo a igreja.

Conseguira também um emprego numa livraria perto de casa, cujo dono era aquele mesmo senhor que varria a calçada todas as manhãs, e que lhe contratara na mesma hora.

A cidade era pequena e apesar de se assemelhar muito à Jersey, havia algo diferente no ar. Não eram apenas as pessoas simpáticas que a cumprimentavam sempre que passava pela rua, ou pelo clima sempre ensolarado e de brisas leves.

Era algo além. Algo além do que pensara sentir assim que chegara à Noruega.

Um sorriso que poderia permanecer fixo em seu rosto por um longo tempo. A sensação de liberdade eufórica que parecia se renovar a cada dia.

E agora sentada na tranquila e pacata lanchonete da cidade, percebera que aquela paz era a que queria sentir desde sempre.

Sentira o gosto do café e seu aroma suave percorria pelo ambiente.

A música regional e singela tocava. Sorriu sem motivo algum enquanto via a sineta da porta tocando sempre que alguém entrava. Mães e pais rindo com seus filhos enquanto entravam. Um jovem adolescente encostando a bicicleta na entrada para entregar o jornal da manhã. Uma moça de cabelos ruivos e com um vestido leve e floral procurava um lugar nos estofados vermelhos da lanchonete enquanto um homem alto usando um boné dos Giants se aproximava para escolher também um lugar.

A garçonete agora pousava o prato com a torta de cereja sobre o balcão. Enquanto o homem sentava ao seu lado retirando o boné e deixando parte de seu cabelo loiro escorrer sobre o olhos.

O bebê da mulher ruiva chorava, mas bastara à mãe fazer um leve carinho em sua cabeça de cabelos ralos para que parasse de chorar e esboçasse um pequeno sorriso.

A torta parecia deliciosa, pegou o garfo ao lado e então a garçonete voltou, parou na frente do homem e perguntou qual seria o pedido.

–Um caramelo macchiato, por favor. –disse ele.

Violet fixou o olhar inquieto para o prato, para a torta que ainda não havia sido tocada. Balançou a cabeça no mesmo momento achando graça na sua ideia maluca e passageira.

As palavras do policial Hichard de que tudo ficaria bem, surtiram em sua mente . Aprendera a esquecer o medo daquela fase terrível.

Olhou novamente para o homem ao seu lado, para confirmar que tal pensamento era tolice.

O homem retirou os óculos e os colocara perto do boné.

A luz brilhou, e por baixo da armação metálica de seus óculos uma enorme cicatriz ficou à mostra. Uma cicatriz que passava pela sobrancelha e chegava até o inicio da maçã do rosto.

Violet largou o garfo, deixando um barulho estridente ecoar assim que tocou o prato.

Ele girou o rosto levemente em sua direção, ergueu uma das sobrancelhas e então esboçou um sorriso lateral. O mesmo sorriso.

Suas mãos se estremeceram e seu coração disparou.

O pesadelo a achara e estava perto...

Muito perto.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!