Minha doença não era novidade, havia me atrapalhado muito, mas estava sob controle. Não estava? Você deve ter percebido os sinais de alerta antes de mim. Pela experiência com seu pai, imagino. Talvez eu não quisesse notá-los: de que vale uma bailarina incapaz de colocar-se de pé?

Você sempre viveu como quem tem pressa, mas acompanhei seus olhares transformando-se a cada visita ao hospital. Olhares calmos, opacos, não mais estelares, olheiras, mãos e lábios trêmulos.

Apesar disto, para me confortar, quando eu não conseguia mais falar ou mover-me, você tocava a viola; sem dizer-me que você sempre preferiu o violino.