Notas iniciais
Como eu deixei claro nas Notas Iniciais, essa história não foi criada por mim, NÃO É MINHA. Apenas tarduzi e arrumei o que teria que ser arrumado. Mas espero que gostem.

Depois, os gritos começam.

As pessoas estão se aglomerando em torno de nós. Tobias envolve seus braços em volta de mim. Protetor. Como se soubesse o que veria a seguir. Uma pistola dispara. Há silêncio, seguido por um ruído agudo. Todo mundo se vira e vê Evelyn, com um olhar selvagem em seus olhos, segurando uma arma sobre sua cabeça.

- Ouça! — ela grita, olhando fixamente para Tobias. — Eu vou lhe fazer perguntas e tudo o que quero é que responda a verdade! – Ficamos todos em silêncio. — Agora, o que diabos foi isso?

- É verdade! — Tobias grita de volta. E posso enxergar uma espécie de surpresa em sua voz. — É a informação que você queria destruir!

- E quem lhe deu permissão para mostrar esse vídeo? — Evelyn agora está com a arma apontada para o peito de Tobias. Sinto um calafrio em minha nuca.

- Eu não preciso de permissão! Eu sou um Líder da Audácia! — ele retruca. Os membros da Audácia que nos cercam gritam, esmurrando o ar ou batento com os pés no chão de mármore.

Há outro disparo para o alto. Logo em seguida, silêncio.

- Bem, não mais. Eu sou a Líder do novo governo. E qualquer pessoa que se recusa a minha decisão será executado! — Ela levanta um grito em meio a multidão. Um homem, de cabelos escuros e colete preto. Um membro da audácia.

- Você não tem poder sobre nós! – grita ele, antes de Evelyn levantar a arma e atirar. O homem se desfaz no chão. Morto.

- Agora eu posso ser levada a sério — ela diz. – E, com isso, meu primeiro trabalho como Líder será livrar Chicago de Beatrice Prior. Afinal, isso tem a ver com os Prior.

Seus olhos estão em mim. Mas não estão como costumavam estar – duros, mas hesitantes -, agora há uma espécie de vontade. Uma vontade que não pode ser controlada. Mas, de certa forma, que desejo seria esse? Sua boca se estica em um grande sorriso, e tenho que me segurar para não se soltar dos braços de Tobias e socá-la.

Novamente, Tobias aperta seus braços em torno de mim, mais forte dessa vez.

- Se você quiser matá-la – agora ele está de frente para Evelyn, se colocando entre mim e a arma. — Vai ter que me matar também — diz ele.

Outro sorriso.

- Bem, nós todos temos de fazer sacrifícios — diz ela. Vaca! Ela mataria seu próprio filho para me matar?

Ela move a mão, calculando a direção do tiro. A ama está direcionada a Tobias, e eu começo a entrar em pânico. Enquanto ele permanece completamente imóvel, ela puxa o gatilho, e o que acontece agora é completamente inesperado. Caleb corre e nos empurra para fora do caminho. A bala acerta seu peito, e ele caí.

- Caleb! – Meu grito é estrangulado, e não penso em controlar o desespero quando corro e me jogo ao seu lado. As lágrimas derramam sobre o meu rosto, caindo em sua camisa obscurecida por uma mancha escura, depois vermelha. Ele pode ser um traidor; ele pode ter ajudado alguém que queria me matar; mas ele ainda é meu irmão, ele ainda é a minha família.

- Tris, está tudo bem. Você vai ficar bem... você tem que sair daqui – sua voz está fraca e sai quase um rosnado. O rosto está pálido, e se contorce por um momento.

- Não! Eu não vou! Não vou deixá-lo! – É dificil descrever o que sinto. Uma dor que surpreende todas as outras. Um monstro feroz apertando minha garganta e me empedindo de respirar.

Caleb contorce o rosto pálido mais uma vez, tendo dificuldade para olhar a sua direita. Neste momento, Tori está com uma arma apontada para a cabeça de Evelyn. Onde ela havia encontrado? Eu não sei. Mas receio que não tenha sido uma boa opção, já que todos os sem-facção estão com as armas apontadas para ela.

- Mais um movimento e eu atiro nela! – Tori grita, então olha para baixo, para mim, e faz um aceno com a cabeça.

Olho novamente para Caleb, sua boca está branca como os dedos das mãos sobre a ferida no peito.

- Tris... Tris, escute... Você tem que sair daqui.

- Para onde eu vou? – É o que consigo dizer, em meio aos soluços.

Caleb para por um momento, tentando procurar ar suficiente para prosseguir.

- Eu achei uma saída subterrânea na Sala de Controle da Amizade. Ela vem de uma comunidade diferente. Fora da nossa. Além da cerca. – Ele para, as veias de seu pescoço estão mais visíveis. – O Vídeo está pedindo para os Divergentes encontrá-los, e você pode fazer isso. Tudo o que eu sei, é que se continuar indo para o norte, a partir da Sede da Amizade, você vai alcançá-los. Mas não sei quanto tempo isso vai levar. — diz ele.

- Quatro? — Caleb aperta os olhos e os fixa ao meu lado. Eu não havia percebido, mas Tobias está ao meu lado, ajoelhado.

- Sim? — Tobias diz.

- Por favor, tome conta da minha irmã... – E sinto que ele está distante.

- Eu faria isso... mesmo se você não pedisse – a voz de Tobias soa com calma, diferente de mim, que por outro lado estou desabando em lágrimas.

Caleb contorce os lábios, e posso ver o gesto como um sorriso. Um último sorriso. Caleb para, sua cabeça cai de lado e sua boca se abre. Ele se foi.

Caleb. Meu irmão. Meu amigo. O garoto que me advertia quando eu fazia perguntas de mais durante o jantar com nossos pais; o garoto que me olhava torto quando eu rejeitava ceder meu lugar a um membro mais velho de qualquer facção que fosse; o garoto que... o garoto que se sacrificou por mim.

Não consigo me controlar, estou chorando, engasgando com as lágrimas, com cebeça apoiada em seu peito encharcado. Eu não quero acreditar.

Eu não quero.

Sinto a mão fria de Tobias pousar em meu ombro, e isso me faz voltar a realidade.

O que ele disse ainda está passando por minha cabeça, mas para no exato momento em que seus olhos se apagam. Há outras pessoas lá fora, pessoas fora da cerca, e eu devo encontá-las. Encontá-las por Caleb. Encontá-las para o bem desta Sociedade. Eu devo isso a todos.

Eu olho para Tobias, que agora está olhando ao redor, provavelmente para a saída mais próxima. Eu me levanto e pego sua mão. Finalmente sua cabeça para, em direção a uma porta escura á alguns metros de nós.

- Tori, você tem que segurar por mais alguns minutos – ele diz, olhando para Tori, que está mais vermelha que um pimentão. Com Evelyn agarrada até o pescoço e a arma apontada em sua nuca.

Tori assente com a cabeça, então nós corremos.

A sala que entramos está escura, e Tobias precisa bater nas paredes até encontrar um sinal de luz. Quando finalmente encontra, corre até os enormes armários que circulam todo o cômodo.

- Acho estamos no lugar certo.

Ele empurra uma gaveta, revelando algumas caixas. Eu não sei de onde tirou, mas está com uma bolsa escura na mão. Ele empurra uma caixa – um Kit de Primeiros Socorros — na bolsa, juntamente com quatro grandes garrafas de água que tirou de uma mini-geladeira ao canto. Ele pega uma outra caixa, com o nome “Sprimentos” na frente.

Há uma batida na porta.

— Quatro! Tris! — É Uriah. Eu olho para Tobias, ele hesita por um momento e então vai até a porta. Uriah, Zeke e Christina entram na sala. Tobias tranca a porta em seguida.

- O que você está fazendo? — Christina pergunta. Ela está mancando, lembro de quando foi alvejada e isso me leva a alguns minutos atrás. Quando Caleb foi baleado no peito. Tento respirar.

- Tirando Tris daqui — diz Tobias, preocupado com a bolsa.

- Espere... eu? E você? — Eu pergunto, minha voz sai fraca.

Tobias balança a cabeça, discordando.

- Eu tenho que ficar aqui. Mas eu prometo que vou voltar a encontrá-la. Em breve.

- Não, eu não vou deixar você aqui. — digo rapidamente. Agora estou bem próximo a ele, olhando fixamente em seus olhos azuis.

- Tenho que resolver alguns assuntos com Evelyn. Descobrir o que quer... Logo depois vou atrás de você. Não vou deixá-la sozinha, Tris. Você tem que confiar em mim. — diz ele, ele me dá a mochila. Ele aponta para uma jenela. Volto a olhar para ele, depois para Christina, Uriah e Zeke. Percebo seus olhares de tristeza. Corro e abraço Christina.

- Seja forte — sussurra ela enquanto me afasto. Percebo uma lágrima escorrendo por sua bocheca.

— Eu vou, mas vou perder a vocês — eu digo.

- Não. Nós vamos atrás de você com o Quatro. Mesmo que ele recuse — diz Zeke, olhando diretamente pata Tobias. Tenho que sorrir.

- Não se esqueça de nós, Tris — diz Uriah.

Há um breve silêncio, então vejo Tobias se aproximar.

- Nunca. – digo.

Ele me abraça com força e enterra o rosto no meu pescoço. Em seguida se afasta e me beija. Quando se inclina para trás, encosta sua testa na minha e sussurra:

- Seja corajosa, Tris.

- Eu te amo – É o que consigo dizer. E ele volta a me beijar. Ele tira alguma coisa do bolso e ofereçe a mim. É um medalhão dourado, há a gravação de um dos meus corvos sobre ele. Ao abri-lo, vejo meu nome em uma das partes, e na outra há uma bússola.

- Eu tinha feito isso quando estávamos na Amizade. – ele explica. — Nunca pensei que precisaria usá-lo.

Fico analisando o material por um momento. É duro e gelado, lindo e bem detalhado.

- Obrigada. — eu digo e o beijo de novo. Quando me afasto, percebo que Christina, Uriah e Zeke está nos encarando com um sorriso no rosto.

Tento caminhar em direção a janela, mas isso parece díficil, então Tobias me segue até ela. Ele me levanta até o parapeito e eu paro novamente, para encará-los.

- Tchau – eu digo. E então salto.

O impacto é duro, e machuco meu joelho. Mas não dou atenção a dor. Logo em seguida, estou correndo.

Notas finais
E aí? O que acharam? Bom, qualquer erro, qualquer coisa que chame atenção me falem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.