All you need is Love
2 O começo de tudo
Notas iniciais
A chuva caía sem perdão na noite fria. A menina ruiva resolve parar um pouco para dormir. Descendo de seu cavalo, ela pega sua mochila pois estava faminta. Debaixo da copa de uma árvore gigante, ela e seu cavalo se deitam. Com uma maçã numa mão, ela alimenta seu amigo. Come a metade de um pão, pois sabe que a viagem será longa. Estava vestindo muitas roupas, então não se sentiu desconfortável no chão.
– Você precisa descansar também, George — ela acaricia a crina do cavalo.
Sem sono, ela recosta-se no tronco. E então, ela se lembra das palavras de seu pai. Lágrimas escorrem pelas bochechas rosadas e salientes. A cada lágrima era um aperto no coração. Até que então, ela cai no sono.
~•~
A menina acorda com a tênue luz do dia. George já estava acordado, tentando caçar um pássaro. Ela ri. Estava recolhendo seus pertences quando ouve barulho de trotes. Com seus anos de experiência junto a sua irmã, ela consegue subir com facilidade na árvore. Não se preocupa com George pois sabe que ninguém se importaria com um cavalo perdido.
O cavalo era preto penetrante, com uma crina reluzente. Um garoto, tinha dez anos no máximo, estava montado nele. E parece que ele também era muito esperto, pois percebeu que o cavalo ainda estava com a cela. Olhou para cima, pelas árvores, e encontrou Angie.
Eu não vou descer, não importa o quanto ele incista, pensava ela.
Como se tivesse lido sua mente, ele nem mesmo tentou persuadi-la a descer, apenas pegou uma adaga e ameaçou esfaquear o cavalo.
– Não! — gritou Angeline, apavorada.
– Então dessa! — gritou ele de volta.
Angie desceu. O garoto tinha cabelos morenos, pele clara e olhos incrivelmente azuis.
– Andrew! — gritou o garoto — eu achei uma coisa!
– Eu não sou uma coisa! — retrucou Angeline.
O garoto arregalou os olhos. Ela parecia ser mais nova que ele, mas era bem esperta. Logo depois Andrew chega em seu cavalo. Ele era muito parecido com o garoto: cabelos morenos, pele clara, olhos azuis. Devem ser irmãos, pensava Angie.
– Qual é o seu nome? — pergunta Andrew.
– Hum... — Katherine dissera que não se pode falar com estranhos. Nesse caso, ela teria que mudar de identidade.
– Hum? — o mais novo pergunta.
– Izabella... Campbell — mentiu ela.
– Bom, Izabella, nosso trabalho é levar todas as crianças que achamos para a Vila — mente Andrew.
– Espere — ela se lembra de uma coisa muito importante — o cavalo vai conosco, certo?
Ela aponta para George.
– Não — respondem em uníssono.
– Então nada feito — ela cruza os braços.
– Você é quem sabe, menina — diz o garoto que a encontrou.
Andrew cochicha algo no ouvido do garoto.
– Idai que ela se encacha perfeitamente na descrição que Natalie deu? — pergunta o menino.
– Luke! — seu irmão lhe dá uma cotovelada.
Certo, pensa Angeline, então o nome do meu "herói" é Luke.
~•~
– Mamãe? — pergunta Angie, assustada com o que via.
Sua mãe estava em frente à uma casa, pendurando algumas roupas. Ela vira-se e um sorriso se alarga de orelha a orelha.
– Angeline! — a moça larga as roupas que tinha nas mãos e corre ao encontro com a filha. — vocês a encontraram!
– Angeline? — pergunta Luke, confuso. — Não, não, o nome dela é Izabella.
– Izabella Campbell — lembra Andrew.
– Sim, claro. Sou Izabella, babaca — diz Angie em tom sarcástico.
– Angeline, cade a sua irmã? — pergunta a mãe.
– Ela sabia que, se viesse, o perigo viria junto — a ruiva responde.
– Bom, vamos para dentro, você precisa de um banho! — brinca a mãe, porém uma lágrima desce-lhe no rosto e ela logo afasta-a.
Enquanto a mãe guia a menina, ela ouve os dois garotos cumprimentando uma mulher loira, mais ou menos da idade de sua mãe.
– Depois que Angeline tomar banho, será a vez de vocês, ouviram!
– Sim — eles respondem em uníssono.
Natalie abre uma porta de madeira e dentro há um simples banheiro.
– Quando você terminar de tomar banho, estarei no quarto, está bem? — diz a mãe, tranquilamente.
A menina assente. No minuto em que a porta se fecha, ela percebe que sua mãe deixara uma muda de roupas. Ao tirar sua roupa suja, ela coloca seus pés dentro da banheira. A água estava quente e acolhedora, perfeita no inverno. Após terminar de lavar seu cabelo, a água já havia ficado gelada. Se secou e depositou a toalha no cesto. Vestiu sua roupa: um vestido beje, com mangas compridas e vermelhas, junto com uma saia longa com a camada superficial vermelha e a camada interior branca.
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Foi até o quarto, como mandou sua mãe, e lá estava ela, sentada numa cadeira de madeira clara. Pediu que sua filha se sentasse na cadeira em frente a penteadeira.
Enquanto a escova passeava pelos curtos cabelos da menina, Angie olhava para seu reflexo. O espelho refletia uma garota de pele clara. Seus cabelos, ruivos, não chegavam aos ombros. O azul de seus olhos era intenso. Seus lábios eram finos e se curvavam num pequeno sorriso; ela adorava quando a mãe penteava seu cabelo, se sentia segura.
Caminharam pela casa até chegar no jardim. O sol estava se pondo, e o céu se tornou uma de mistura amarelo, laranja e azul. A mãe sentou-se na grama verde e úmida e ela também.
– Filha — Natalie pergunta -, você não quer conversar um pouco? Quer dizer, em relação a tudo isso.
– Essa será a nossa nova casa? — pergunta a menina.
– Sim
– Sem a Katie? — os olhos da garota começam a lacrimejar.
– Sim — responde a mãe com um olhar consolador.
Angeline entra em desespero e as lágrimas não param de cair. A mãe põe os braços envolta dela, lutando contra as lágrimas.
– Mamãe... — diz Angie em meio a soluços.
– Já passou, querida, já passou — a mãe perde a batalha e lágrimas derramam sobre rosto — você não está sozinha. A mamãe está aqui com você, meu amor. Está tudo bem.
Mas não estava.
~•~
A menina não falara uma sequer palavra. Quando todos estavam indo para suas camas, Natalie foi fazer uma última tentativa.
– Filha? — as palavras suaves tranquilizaram Angeline.
– Katie me deu antes de partir — ela levanta o braço e um colar está entre seus dedos finos.
Era apenas uma corrente de prata.
– Dei para Katherine dois colares, e disse-lhe que se eu não estivesse mais aqui, ela tomaria conta de você por mim, e ela que teria que dar um colar para você. Provavelmente ela esqueceu-se de dar o pingente quando lhe deu a corrente.
Ou não, pensou Angie.
– Mamãe, aonde eu vou dormir?
– No quarto de Luke e Andrew — ela responde — preparei uma cama para você.
Com um suspiro, ela sobe para seu quarto. Ao abrir a porta, percebe que o quarto não é tão ruim assim. Caminha em direção à sua cama e percebe que Lily se encontra em cima do travesseiro. Dentro de duas camadas de cobertores, sua mãe lhe dá um beijo na testa.
– Com o passar do tempo você personaliza este lugar — isso faz a menina sorrir — boa noite, Angie.
– Boa noite, mamãe.
Com o ruído da porta se fechando, o garoto audacioso sabe que é a sua deixa.
– A bebezona ainda dorme com ursinho de pelúcia, é? — ele fala em tom de gozação.
– E você, chorão, ainda precisa dormir com o abajur aceso? — ela mostra a língua.
– Calem a boca, vocês dois — Andrew resmunga — boa noite.
– Boa noite — eles respondem em uníssono.
E a ruiva cai no sono.
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