All of the Stars

1 Capítulo Único - Terraço


Notas iniciais
Minha primeira história original, e também é o meu primeiro One.
Quando escrevi a fic, estava inspirada e gostei muito dos personagens, dependendo pode haver uma continuação.
Não esqueçam de comentar o que mais gostaram ou o que poderia melhorar!
Espero que gostem e boa leitura ♥

Lilian subia as escadas do pequeno prédio devagar. Não tinha pressa para chegar ao topo do edifício.

Em seus braços havia um cobertor cor de rosa velho que estenderia no chão de cimento para poder ver as estrelas.

Chegou ao último degrau e empurrou a porta de metal. O pequeno terraço estava vazio. Uma leve brisa soprou, fazendo Lilian arrumar o casaco em seu corpo.

Estendeu o cobertor no cimento. Não se deitou de imediato para observar o céu. Andou devagar até a mureta e se apoiou lá. Olhou para baixo e viu a rua. Pessoas indo e vindo. Casais entrando e saindo dos restaurantes ali perto. Conseguiu ouvir uma melodia leve, não sabia se era o vento que estava cantando ou era uma música de um dos restaurantes.

Suspirou enfiando a mão na terra seca. Ali já devia ter tido um jardim bonito, pensava enquanto limpava suas unhas sujas. Tacou uma pequena pedrinha na rua e esperava que acertasse alguém para nota-la ali em cima, mas a pedrinha era tão pequena que ninguém devia ter sentindo caindo no alto de sua cabeça.

Lilian suspirou novamente e foi para o velho cobertor cor de rosa deitar-se. Cruzou os braços atrás da cabeça e dobrou as pernas de modo que seu corpo inteiro coube no pedaço de pano.

Começou a viajar pelas estrelas. Observava uma por uma. Tentava decifrar as constelações.

A porta se rangeu. Lilian levantou num pulo e observou um cara sair de dentro dela. Ele estava com um cigarro entre os lábios aceso. Tragou duas vezes até perceber que havia mais alguém naquele terraço.

— Não sabia que tinha mais alguém aqui. — Ele disse, em inglês, arrumando os cabelos dourados com uma das mãos. Agora não estava mais sozinha tão sozinha em Amsterdã.

— Não sabia que mais alguém vinha aqui. — Ela respondeu sentando-se de pernas de índio no velho cobertor. Ele vestia camisa e calça preta junto com um par de botas da mesma cor. Lilian suspirou tentando lembrar se conhecia ele de algum lugar. Conseguiu apenas lembrar de que viu um caminhão de mudanças hoje de manhã. — É novo no prédio?

— Meu irmão se mudou. Só vim ajudar. — Ele deu de ombros e apoiou na beirada. O sotaque britânico era visível em sua voz.

— Entendi. — A meia-loira balançou a cabeça. Queria conversar com o cara, mas não sabia se atrapalhava ou se ajudava. Ainda existia um alerta na cabeça dela que ele poderia ser perigoso.

Eles ficaram longos minutos em silêncio. Ou foram segundos? Lilian não sabia ao certo, mas sabia que foi um tempo até ele perguntar o nome dela.

— Não posso falar com estranhos. — Ela sorriu fazendo ele gargalhar. — O que foi? Seus pais nunca falaram isso a você?

— Diziam. — Ele sorriu de canto cruzando os braços. — Só que pensei que não era mais um estranho para você, já que sou irmão do seu novo vizinho.

— Certo. Sou Lilian. E você?

— Não posso falar com estranhos. — Ele riu tentando imitar a fala da garota. Lilian franziu a testa e voltou a se deitar. — Erick. — Ele disse indo em direção a ela. Demorou para processar que aquele era o nome dele. — Você não é daqui, é?

— Posso ser uma holandesa que fala inglês. — Ela deu de ombros voltando a se sentar. — Mas sou dos Estados Unidos. E você?

— Inglaterra. — Ele jogou o cigarro no chão e pisou para apaga-lo. — Posso me sentar com você?

— Ainda não escolhi se você é um estuprador, assassino, os dois ou alguém normal. — Lilian disse sorrindo e encarou os olhos do garoto. Só agora que ela tinha percebido heterocromatina.

— Certo, você tem razão. — Ele riu sentando perto da porta e olhou para o céu. Lilian seguiu os olhos dele começando a viajar de novo no céu estrelado. — Qual a graça disso? — Ele sussurrou. A garota virou o corpo, apoiando os cotovelos no chão para encara-lo.

— Bem, quando não consigo dormir venho para cá. É relaxante. — Lilian disse com um esboço de um sorriso. — Se não quer...

— Aqui é melhor do que ficar com meu irmão.

— Por que não vai embora?

— Já está tarde.

— Está se desculpando, você não quer ir embora. — Erick percebeu um brilho nos olhos da garota. Ela estava gostando da companhia.

— Talvez — ele sorriu de canto.

Eles conversaram depois, por um longo tempo mesmo. Lilian podia ter certeza disso por causa do sol que estava começando a nascer, ela nem tinha percebido que o céu estrelado havia sumido.

Erick se levantou, tirou um pouco da poeira em suas calças e sorriu:

— Se quiser, podemos repetir a conversa hoje de noite. — Ele abriu a porta e sumiu. Lilian continuou deitada, olhando o céu rosado começando a ficar azul claro.

Ficou imaginando se ele iria aparecer depois como tinha sugerido.

A loira levantou rápido, enrolou o cobertor cor de rosa velho de qualquer jeito e saiu correndo atrás de Erick para falar que adoraria ter a companhia dele mais uma noite.

O pequeno prédio estava vazio e silencioso, todos ainda estavam dormindo. Correu para a porta da frente e viu apenas a padaria abrindo e a rua ganhando movimento.

Lilian estava concluindo que ele era igual as estrelas: só aparecia de noite.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!