All of the Stars
2 Parte 2
Notas iniciais
I can hear your heart
On the radio beat
They're playing 'Chasing Cars'
And I thought of us
Back to the time,
You were lying next to me
I looked across and fell in love
So I took your hand
Back through lamp lit streets I knew
Everything led back to you
So can you see the stars?
Over Amsterdam
You're the song my heart is
Beating to
So open your eyes and see
The way our horizons meet
And all of the lights will lead
Into the night with me
And I know these scars will bleed
But both of our hearts believe
All of these stars will guide us home
(All of the Stars — Ed Sheeran)
Oliver Queen
Isso não podia estar acontecendo. Felicity não podia desistir de nós assim, e como ficam nossos planos e sonhos? Eu a havia pedido em casamento, eu estava compromissado com ela. Eu queria um futuro, filhos com ela, nós dois acordando juntos todas as manhãs. Ela era a única mulher com a qual eu me imaginava tendo uma vida normal, construindo uma família. Essa era a minha promessa e eu realmente pensei que ela tinha acreditado nas minhas palavras, eu pensei que ela também esperaria pelo momento certo. Eu sei que esse relacionamento não era o usual, skype e telefonemas nunca seriam capazes de substituir a sensação de estar realmente ao lado de quem você ama. Eu não vou mentir tinha dias em que tudo era simplesmente horrível e eu desejava jogar o computador na parede. Dias em que tudo o que eu queria era tê-la em meus braços e abraça-la fortemente e eu era obrigado a me contentar a ver a imagem dela pela tela de um computador. Mas eu esperava que o nosso amor fosse capaz de superar toda essa distância, eu só precisava de um pouco mais de tempo para resolver tudo... Eu não imaginei que fosse perdê-la assim tão rapidamente.
Eu não aceitaria isso, precisava fazê-la mudar de ideia. Precisava ir para Londres, Felicity tinha que entender que eu a amava e que a minha vida sem ela era como um céu constantemente nublado, ela era o meu sol, trazia luz e calor para os meus dias. E quando a noite chegava, ela era a estrela mais brilhante do céu, aquela que sempre me guiava, sempre estava ali cuidando de mim.
A simples ideia de não vê-la mais me apavorava. Como eu poderia ser feliz sem ouvir sua doce voz pela manhã? Como não sentir meu coração acelerar dentro do peito todas as vezes em meus olhos se perdiam no céu azul que eram os dela? Como não dormir abraçado à ela e acordar pela manhã sentindo seu corpo quente enroscado no meu? Minha vida seria apenas uma coleção de momentos monótonos e sem qualquer tipo de emoção.
Não que agora que tivesse uma vida realmente animada, era mais uma espécie de semi-vida, tudo estava num constante estado de espera, até o momento em que eu a encontrava e então eu realmente vivia e sentia. Algo se despertou em mim quando eu a conheci ela deu vida ao meu coração que nunca soube o que era amar verdadeiramente até conhecê-la, eu nunca soube o que é se importar tanto com alguém que você sente uma necessidade absurda de colocar a felicidade dela acima da sua. Eu não estava preparado para abrir mão desse sentimento, para abrir mão dela.
Por mais que eu odiasse o fato dela ter terminado comigo assim tão subitamente, eu a entendia, não podíamos mais viver dessa forma, com um oceano entre nós, não era certo o que eu a oferecia. Algumas horas entre uma conferência e outra, alguns feriados, pedaços de tempo comigo. Eu via o quanto ela ficava triste todas as vezes que eu tinha que deixá-la e Deus sabe o quanto isso era difícil para mim também. Eu odiava ter que ir embora, quando tudo o que eu mais queria era mantê-la em meus braços para sempre.
Eu nunca pedi para que ela escolhesse, eu sabia o quanto ela amava o emprego dela se sentia realizada, eu não seria um machista que pediria para ela abandonar tudo isso e ficar comigo. Mas hoje eu percebo o meu erro, eu deveria ter escolhido, eu deveria ter mostrado à ela o quando ela é importante para mim. E amar quase sempre significa fazer alguns sacrifícios, e eu faria isso por ela agora. Esperava que não fosse tarde demais.
Eu teria que conversar com minha mãe, e explicar minha decisão. Eu esperava que ela entendesse que eu não podia mais viver assim.
Tentei ligar para Felicity mais uma vez, porém foi em vão. O celular continuava dando caixa postal. Será que ela o havia desligado porque não queria falar comigo? Lutei contra a vontade de deixar uma mensagem, mas eu não poderia dizer isso assim, eu precisava olhar em seus olhos e dizer que eu amava demais, e que se a distância era o problema eu faria não ser mais.
Tomei um banho rápido e me vesti com um de meus usuais ternos, coloquei a mala sobre a cama e fui colocando desajeitadamente alguns pares de roupas, sem escolhê-los propriamente. Tentei ligar para o número fixo da casa dela, rezando que eu tivesse a chance de ouvir sua voz outra vez, de dizer que eu estava indo por ela, Mas o número chamava e ninguém atendia, eu podia imagina-la ali, ao lado do telefone vendo o meu número e escolhendo não me atender. E isso doía.
Eu não tinha dúvidas que Felicity me amava, eu sentia isso em cada toque dela em cada beijo repleto de amor que ela me dava. Eu via esse sentimento transbordando em cada lágrima que ela derramava quando eu tinha que partir. Porque eu nos forcei a viver assim?
Isso tinha que acabar, toda a dor que essa distância entre nós criava tinha que ir embora, toda a tristeza que eu nos forcei a sentir, eu não queria mais isso. De agora em diante seria apenas amor, eu me certificaria disso.
Assim que cheguei a Queen Consolidated me deparei com meu assistente compenetrado em alguma tarefa no computador. Sorri ao me lembrar de que Felicity me fizera demitir a secretária anterior, que nunca me repassava os recados e sempre usava roupas decotadas demais. Felicity fizera questão de me ajudar a selecionar a nova candidata para o cargo, e em razão disso meu atual assistente era um homem, Jerry.
— Bom dia Jerry — Disse me aproximando — Eu preciso que você pare o que quer que esteja fazendo e reserve um voo para Londres hoje, o mais rápido possível.
— Devo agendar sua volta para que dia? — Perguntou-me, num tom neutro.
— Sem volta. — Respondi, e percebi que ele ficou um pouco chocado com minha resposta.
— Mas temos reunião do Conselho... — Começou a dizer apavorado.
— É apenas isso, Jerry. — Finalizei indo direto para a minha mesa onde redigi minha carta de desistência da presidência da Queen Consolidated rapidamente. Assim que passei por Jerry ele me informou que havia reservado o meu voo para as 14:00, eu chegaria à Londres à noite. Agradeci enquanto ele me entregava o comprovante, ele me olhava de um modo estranho, senti que ele sabia que eu não iria mais voltar.
Me dirigi apressadamente para a sala da vice presidência, onde minha mãe Moira Queen estava sentada atrás de uma mesa analisando pilhas de papeis. Hesitei alguns instantes antes de entrar, tentando tomar coragem de dizer tudo à ela. Não porque ela desaprovaria minha decisão, de modo algum, assim como minha irmã Thea ambas se encantaram com Felicity assim que a conheceram e ficaram animadíssimas quando eu disse que a havia pedido em casamento. Meu receio era outro, meu pai havia morrido há três anos em um acidente de barco com a amante Isabel, e isso teve o poder de abalar a minha família. Minha mãe custara a se recuperar, e eu acabei assumindo todos os negócios e responsabilidades. Eu tinha medo de deixa-la agora e ela não conseguir cuidar de tudo isso sozinha. Mas eu precisa fazê-lo, não tinha outra alternativa.
— Mãe? — A chamei, e seus olhos se ergueram das folhas para o meu rosto. Respirei fundo tomando coragem -A senhora esta ocupada?
— Entre, filho, eu nunca estou ocupada para você. — Disse-me com um sorriso, que logo foi substituindo por uma expressão preocupada. — Algo esta errado? Você está com o mesmo semblante de quando quebrou o vaso que sua avó me deu de presente de casamento.
— Você nunca gostou daquele vaso, eu te fiz um favor. — Retruquei.
— Isso é verdade, mas esse não é o ponto. O que você precisa me contar? — Questionou-me com um olhar intenso, e eu me senti como um adolescente que tem medo de contar a mãe que iria repetir o ano. Mas eu não era mais um adolescente, eu era um homem consciente das próprias decisões.
— Esta é a minha desistência da Presidência da Q.C. — Entreguei-lhe a carta.
— Hum.- Ela falou lendo por alto a folha, percebi um pequeno sorrisinho teimando em aparecer em seus lábios.
— Só hum? — Eu precisava de uma explicação maior, queria saber que a minha decisão não a estava magoando.
— O que eu posso dizer, Oliver? Você é um homem feito e livre para tomar as próprias decisões. Não é mais um menino que eu precise puxar as orelhas. — Afirmou, seus olhos brilhavam para mim de uma forma diferente.
— Você esta desapontada comigo? — Insisti.
— Desapontada? — Repetiu como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo. — Nunca. Mas devo dizer que estou surpresa.
— Surpresa? Por quê?
— Eu imaginei que você desistiria disso muito antes, no momento que você conheceu Felicity para ser exata. Eu vi o quanto aquilo te fez feliz, quanta luz ela trouxe para sua vida. Ela colocou um sorriso constante em seus lábios... — Sorri ao perceber que minha mãe havia notado cada pequena mudança que Felicity fizera em mim. — Eu não sei como vocês tem conseguido fazer isso à distância, mas um relacionamento não deve seguir assim, quando duas pessoas que se amam dessa forma tão intensa quanto vocês, devem ficar juntas. Por Deus Oliver! Você a pediu em casamento, porque a está fazendo esperar tanto? — Disse a última frase num tom de reprimenda.
— Eu tenho uma obrigação com a Queen Consolidated, eu não podia jogar tudo isso em suas mãos. — Expliquei. Minha mãe por sua vez se levantou da cadeira e veio até mim, parando em minha frente.
— Você me subestima, filho, não se preocupe com a empresa eu darei um jeito. — Falou despreocupadamente e sorriu para mim, levando uma de suas mãos até meu rosto e olhando-me intensamente, soube naquele momento que as palavras que se seguiriam seriam realmente importantes — Eu preciso que você entenda algo: Você não tem nenhuma obrigação Oliver, a não ser, ser feliz. Isso é tudo o que exijo de você.
— Obrigado, mãe. — Agradeci aliviado por ela entender e aprova a minha decisão, aproveitei que estávamos próximos e a envolvi em um abraço apertado, tentando passar naquele abraço o quanto eu era grato a ela. Me afastei e minha mãe me lançou um olhar orgulhoso enquanto eu saía da sala, me distraí e acabei trombando com minha irmã que estava entrando.
— Até mais, Speddy. — Falei dando-lhe um pequeno beijo em sua bochecha, e saindo dali apressadamente.
— Aonde ele vai com tanta pressa? — Ouvi minha irmã perguntar, e quando virei para responder notei que minha mãe estava à porta me observando.
— Felicity. — Minha mãe respondeu como se aquela fosse a resposta óbvia.
— Oh, já não era sem tempo. Diga a ela que quero ajuda-la a escolher o vestido Oliver. — Ouvi minha irmã dizer e apenas ri e me concentrei em ir para casa o mais rápido possível.
****
Eu olhava o relógio impacientemente, já eram 12:55, eu deveria chegar ao aeroporto até 13:00 ou eu poderia perder meu voo. Me arrependi de ter contratado um serviço de motorista particular, pensei que seria a forma mais rápida de chegar lá. Estava quase ligando para a empresa e dispensando o serviço e indo no meu próprio carro.
Porém, providencialmente a campainha tocou no exato momento em que eu pegava meu celular. Respirei fundo, tentando mandar para longe a lista de impropérios que eu gostaria de dizer ao motorista. Mas brigar agora só me atrasaria ainda mais. Puxei minhas malas e fui abrir a porta, estanquei imediatamente.
Não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Felicity estava bem ali, ainda mais linda do que a última vez que a vi. Em seu rosto havia um sorriso radiante que fazia meu coração acelerar dentro do meu peito. Precisava ter certeza de que aquela não era uma miragem, por isso não deixei que ela falasse nenhuma palavra e simplesmente a puxei pela cintura, forçando nossos corpos a ficarem o mais próximos possíveis e pressionei meus lábios nos dela num beijo passional. Ela correspondia o meu beijo com avidez, os braços dela rodearam o meu pescoço me puxando ainda mais para perto e aprofundando o nosso beijo, nossas línguas buscavam o gosto uma da outra, a mão dela puxava o meu cabelo curto e pareciamos não ter o suficiente um do outro. Uma parte do meu cérebro ficou exultante com isso, não se beija alguém dessa forma quando você pretende terminar com ele.
Alguns momentos depois nossos lábios se afastaram buscando por ar, e eu finalmente pude encarar seu belo rosto com atenção: os olhos azuis dela brilhavam tanto que as mais belas estrelas do céu sentiriam inveja da luz que irradiavam. O semblante dela era de pura satisfação, ela parecia feliz e isso me fazia feliz também.
— Você sabe fazer uma mulher se sentir bem vinda. — Disse mordendo o lábio inferior e eu não resisti a vontade de beija-la mais uma vez. Tomei seus lábios nos meus dessa vez mais calmamente, saboreando o momento deixando minha língua tocar seus lábios cheios, eu poderia beija-la pelo resto da minha vida — Oliver! Feche a porta pelo menos. — Me repreendeu entre o beijo. E eu o fiz, soltei-a a contra gosto e permiti que ela entrasse e fechei a porta, quando voltei para ela notei novamente o imenso sorriso em seu rosto, ela me confundia, por que ela estava aqui se havia terminado tudo entre nós?
— Eu pensei que você tivesse me deixado. — Desabafei., o sorriso dela desapareceu e as sobrancelhas se uniram demonstrando o seu desentendimento. Ela ia me dizer algo, mas seus olhos se fixaram nas minhas malas no canto da sala e ela pareceu desapontada.
— Você está indo viajar. — Constatou, lançando para mim seus olhos azuis cheios de tristeza.
— Sim, eu estava. — Confirmei.
— Bom eu posso ficar num hotel então... — Começou a dizer meio sem jeito, olhando para os próprios pés.
— Felicity! — Chamei-a, ela realmente acreditava que eu seria capaz de deixa-la aqui e iria viajar? Eu precisava fazê-la entender que ela era a prioridade na minha vida. Que eu a havia escolhido. — Eu estava indo para Londres.
— Você estava? — Perguntou surpresa erguendo seus olhos para mim.
— Meu voo sai as 14:00. Era uma passagem só de ida. — Ressaltei.
— Oliver, isso o que isso significa? — Perguntou claramente emocionada.
— Significa que eu a amo e não posso mais esperar para passar todos os meus dias ao seu lado! — Expliquei a puxando novamente para os meus braços e me deliciei com o sorriso que surgiu em seu rosto com as palavras que eu disse. — Significa que eu deixei a posição de CEO e agora posso passar todos os meus dias fazendo o que eu realmente amo: beijá-la.
— Oliver... Você desistiu de toda a sua vida para ficar comigo? — Perguntou parecendo um pouco culpada.
— Não, eu desisti de todo o resto para ficar com a minha vida. — Expliquei levando uma de minhas mãos até seu rosto e deixando uma leve caricia ali. Felicity pendeu a cabeça em direção ao meu toque e suspirou emocionada.
— Oliver eu não queria que você abrisse mão de nada por mim. — Falou.
— Mas eu quero! Não entende? Eu quero estar com você acima de tudo. — Esclareci — Eu só preciso saber se você quer isso também. Devo confessar que depois da sua mensagem terminando tudo entre nós eu não esperava que você viesse para Starling. — Disse ainda não compreendendo o que ela fazia aqui, talvez tivesse vindo devolver o anel de noivado, e imediatamente estremeci com esse pensamento.
— O quê?! — Alarmou-se. — Oliver eu nunca terminei com você! — Justificou-se urgentemente.
— Você terminou. — Afirmei — Eu ainda tenho a mensagem — Peguei meu celular e mostrei a ela a gravação.
— Oh! Parece que minha mensagem cortou a frase final. — Disse assim que terminou de ouvi-la.
— Então qual era a última frase da mensagem? E porque você está aqui? — Questionei.
— Você não vê? — Ela falou como se fosse óbvio — Eu escolhi ficar com você, eu desisti de tudo em Londres! Essa distância estava nos matando, era doloroso ficar longe de você. — Sorri ao perceber que nós dois havíamos tomado a mesma decisão — Antes eu conseguia viver assim, mas como eu disse na mensagem algumas coisas mudaram, eu poderia viver em Londres e você aqui, eu sobreviveria, embora fosse ser miseravelmente infeliz cada instante longe de seus braços. — falou aninhando-se em meu peito e escondendo o seu rosto ali — Mas não somos apenas eu e você mais Oliver. E uma família precisa ficar junta.
Confesso que demorei alguns segundos para entender o que Felicity me dizia, ela ergueu seu rosto para mim observando a minha reação. Eu olhava em seus grandes olhos azuis emocionados, eu não conseguia expressar em palavras o quanto eu estava feliz. Um filho, uma pequena vida, um pedacinho de nós dois crescendo ali.
— Nós teremos um bebê. — Foi tudo o que consegui dizer com a voz embargada, tudo em mim transbordava emoção.
— Sim nós teremos. — Confirmou sorrindo, e eu a peguei no colo beijando-a, colocando naquele beijo toda a felicidade que eu sentia com aquela notícia. Eu já podia imaginar, uma pequena garotinha ou um garotinho com seus cachinhos loiros andando pela casa chamando "papai, papai", poderíamos morar no subúrbio em uma casa aconchegante e um grande jardim. Eu me sentaria com Felicity na varanda em uma manhã de domingo qualquer, e apreciaria o fato de estarmos juntos e termos uma bela família. Eu estava absurdamente ansioso pela vida que viria, por todo o para sempre que eu compartilharia com a mulher que eu amo.
Eu nunca disse a Felicity, mas na noite em que eu a pedi em casamento, a noite em que vimos uma estrela cadente eu também fiz um pedido. Pedi à estrela que nós fossemos imensamente felizes, e bem, parece que meu pedido foi atendido.
FIM
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