All of me

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas, tem alguém por aqui ainda? Eu espero que sim... Já começo me desculpando com a demora vergonhosa em terminar essa fic que eu amo tanto, mas foi um amontoado de coisas acontecendo, enfim.. o importante é que estou aqui de volta trazendo a vocês a despedida do nosso amado Scorpius e a turminha toda. Espero que gostem :)

Eu tinha plena consciência de ser uma pessoa ansiosa, desde que minha mãe inventou aquele tal jantar com praticamente a família inteira da minha namorada, minha paz de espírito se evaporou. Não era que eu estivesse esperando que eles fossem se matar nem nada. Eu só não queria criar nenhuma animosidade séria que levasse a algum problema entre mim e a Rose.

A interação de todos na plataforma, algumas semanas antes, me deu uma ligeira esperança de que podia correr tudo bem. Mas eu não seria Scorpius Malfoy se não me preocupasse.

—Já está pronto, querido? — minha mãe surgiu pela porta do meu quarto.

—Longe disso — eu ainda estava olhando para o meu armário sem saber que roupa se usa para receber a família da sua namorada que não vai muito com a cara da sua.

—Scorpius, não precisa desse nervosismo todo, você sabe que seu pai não vai começar nenhuma briga, não sabe?

—Eu sei que ele pelo menos vai tentar.

Meu pai não era mais uma pessoa dada a esse tipo de conflito, podia ser que na época da escola ele fizesse de tudo para ter uma oportunidade de um embate com os antigos inimigos, porém eram tudo águas passadas. Isso era o que eu mais queria que o pai e tio da Rose soubessem.

—São todos adultos, filho, ninguém vai começar um duelo entre o prato principal e a sobremesa — eu via que minha mãe estava preocupada em me deixar tranquilo.

—Eu sei disso, mãe, eu só não queria que ficasse uma situação chata… — passei a mão pelos meus cabelos, inquieto — eles me receberam tão bem quando estive lá, não queria que fosse um jantar onde cada um estivesse só olhando pra comida.

—Não se preocupe, pode não parecer, mas eu e seu pai somos bons na arte de conversar — ela deu uma risada tranquila que acabou por me contagiar um pouco.

—Vai dar tudo certo, não vai?

—Claro que sim.

—Tem certeza que é muito tarde para cancelar tudo? — olhei em súplica, mesmo sabendo que aquilo seria descabido.

—Malfoys não saem correndo em frente ao perigo, Scorpius — ela empinou o nariz, buscando toda a altivez que uma bruxa criada no meio da alta sociedade sabia ter — pelo menos não esses aqui.

—Tá bom…. — resmunguei — vou me trocar então.

—Te espero lá embaixo, seu pai já deve estar andando em círculos no salão, vou me certificar que o tapete ainda não está com furos — me diverti ao imaginar que meu pai pudesse estar nervoso como eu, mas eu sabia que não era o caso.

Ela já ia saindo quando se virou para dizer mais alguma coisa.

—Coloca o suéter verde, fica lindo em você.

Eu revirei os olhos, afinal já era um bruxo maior de idade e a minha mãe ainda queria dar palpites na minha roupa. Mesmo assim não custava aceitar a sugestão, não é? Eu tinha intenção de passar uma boa imagem, nada muito arrumado para não parecer esnobe, mas também não casual demais para não parecer que não me importava. Era um equilíbrio complicado.

Desci os degraus da escadaria que levava até o salão principal da mansão. A mesa de jantar estava posta impecavelmente, vários lugares arrumado como eu nunca tinha visto. Era difícil aparecer tantas visitas por ali, no máximo minha vó Narcisa, minha tia com a família ou algumas amigas de minha mãe.

Atravessei o cômodo e encontrei meus pais na sala íntima, os dois sentados em um dos sofás conversando algo em voz baixa. Meu pai tinha um copo vazio em uma mão e a mão de minha mãe na outra.

—Você está ótimo, Scorpius — minha mãe interrompeu o assunto assim que viu minha aproximação — não é amor?

—Claro.

—Não liga pro seu pai, ele está nervoso.

—Não estou! — meu pai resmungou e eu percebi que ele estava sim preocupado.

Quem diria! Eu não era o único Malfoy com medo daquela noite.

—Não tem vergonha nenhuma em ficar apreensivo, meu amor — ela se inclinou e deu um beijo na bochecha dele — mas você já viu que consegue trocar palavras cordiais com todos.

—Sabe há quanto tempo eu não falo com o Potter?

—Isso não importa, se ele vier aqui, não vai ser pra estragar a noite.

—Astória, essas pessoas me odeiam.

—Elas podiam até te odiar no passado, mas é isso, passado. Você não é mais o menino que eles conheceram, e eles também não são as mesmas pessoas.

—É verdade, pai — me juntei a conversa, sentando na poltrona de frente pra eles — escutei até alguns elogios quando estive lá.

—Vamos ver — ele deu de ombros.

—Melhor a gente deixar combinado que só eu posso surtar nesse jantar, é a minha namorada que está vindo aqui pela primeira vez, você já passou pela parte de impressionar o seu sogro — consegui arrancar um sorriso do meu pai, e era o que eu queria, ele pareceu relaxar um pouco.

—Vou te dizer que eu tive mais problema com o meu pai do que com o velho Greengrass.

—Então eu estou na vantagem, o meu pai é muito legal — o olhar de carinho que recebi dele era o que eu precisava, meu pai não ia deixar nada sair errado naquela noite — e ele já gostou da minha namorada.

—A Rose realmente parece ser uma menina ótima.

—Ela é maravilhosa, pai! — nem tentei esconder minha cara de bobo apaixonado, a minha maior felicidade era poder mostrar isso para o mundo inteiro.

—Temos um caso grave de paixonite aguda — meu pai disse rindo.

Ele ainda estava brincando com a minha cara quando a campainha tocou. Levantamos todos depressa, eu respirei fundo algumas vezes, tentando afastar um nervosismo insistente.

—Vai dar tudo certo — senti a mão de minha mãe em meu ombro num aperto solidário.

Atravessei os cômodos até a porta da frente quase que hipnotizado, eu não queria deixar minha mente vagar muito por todas as catástrofes que poderiam acontecer. Meu pai foi quem se adiantou e puxou o trinco da porta para abrí-la.

—Vamos entrando todos — ele disse a pequena aglomeração de pessoas que haviam chegados..

—Há quanto tempo, Malfoy — o Sr Potter foi o primeiro a entrar, esboçando um sorriso bem humorado no rosto, aquilo era promissor, certo?

—Uns bons anos — meu pai completou.

Se eu fosse parar para contar há quanto tempo eles tinham terminado a escola, seria realmente mais de duas décadas, tempo o suficiente para qualquer rusga ficar esquecida ao meu ver.

—A casa de vocês é linda — a Sra Potter olhava em volta, aparentemente apreciando a decoração do salão de entrada que foi cuidadosamente escolhida pela minha mãe e em nada lembrava a mansão Malfoy original que mais parecia um mausoléu cheio de cômodos escuros.

—Obrigada, Ginny — minha mãe a recebeu com um sorriso — por favor venham, meu filho me mata se eu deixar alguém passar fome, ele falou tanto de tudo que comeu de bom quando esteve com vocês.

—A comida da vó Weasley é ótima — meu estômago ainda sentia saudade daquela ceia de natal.

—Ah, é que você não experimentou a da minha mãe — Albus decidiu tentar a sorte ao provocar a senhora ruiva, ele já havia me falado bastante das tentativas desastrosas na cozinha, mas aparentemente era um tópico delicado

—Mérlin nos acuda desse destino! — o pai dele pareceu não ter medo do perigo.

—Ouvi um tom de crítica, amor? — a Sra Potter lançou um olhar afiado ao marido, tão parecido com o jeito que a Rose fazia para assustar qualquer pessoa que eu quase ri.

—Jamais.

Minha mãe nos guiou até a sala íntima, onde pudemos ficar mais a vontade. Meu pai trouxe os primeiros drinks da noite, apesar de que eu, Albus e seus irmãos fomos proibidos de tomar.

—Mas, mãe, já somos formados! — Albus resmungou.

—Eu já inclusive fiz 18 anos! — James não escondia a insatisfação.

—Pois espere os 21 e com um sorriso no rosto, mocinho — o tom de voz não permitiu nenhum protesto — eu posso com esses meninos?

—Não pense que o Scorpius é diferente — minha mãe virou o assunto da conversa para mim — Em nossa última viagem ficou pentelhando o tempo todo para experimentar vodka.

—Vocês ainda vão ter muito tempo para isso — o Sr Potter nos contou, o que não pareceu convencer seus filhos.

Nesse momento, a campainha tocou novamente.

—Deve ser a Rose! — pulo para atender, meus pais dizem para os Potter ficarem a vontade e me acompanham — oi, Rose, Sr e Sra Weasley, Hugo.

Minha animação é totalmente perceptível, mas não me importo nem um pouco.

—Olá, querido! — eu acho que nunca ia me acostumar com a Ministra me chamando assim — espero que não estejamos atrasados.

—De forma alguma — minha mãe os tranquilizou.

—O meu pai achou que estava se arrumando para um casamento — Rose revirou os olhos e veio me dar um beijo na bochecha, passando o braço por dentro do meu.

—E que ele era o noivo! — Hugo completou.

—A gente nem chegou direito e já estou sendo avacalhado pelos meus próprios filhos — o Sr Weasley resmungou, arrancando risadas de todos.

—Venham, os Potter já estão aqui — meu pai os chamou, nos levando de volta aos outros convidados.

—Não acredito que o Harry chegou primeiro! — o ruivo se espanta, assim que vê o cunhado.

—Eu tenho relógio em casa, Ron.

—É, mas tem a minha irmã também, e ela não se atém muito ao horário de nada.

—Atrasada e péssima cozinheira, olha a imagem que estão passando de mim — a ruiva protesta, se levantando para cumprimentar a todos.

—Não se preocupe, Ginny, que nós sabemos que não dá pra acreditar 100% na palavra dos maridos — minha mãe a tranquilizou.

—Não? — meu pai tinha uma cara de ofensa fingida no rosto.

—Vocês são exagerados.

—São mesmo — completou a Ministra.

—Temos um complô contra nós — o Sr Potter não parecia nem um pouco preocupado com a situação, o que só dava um tom mais cômico.

Eu já conseguia respirar normalmente, tudo corria bem. Os adultos estavam interagindo, sentados em proximidade, enquanto a ala mais jóvem permanecia junta também.

—Nem me atrevo a tentar contrariar, qualquer coisa que dissermos vai estar errada — meu pai deu de ombros.

—Quem diria que você é uma pessoa tão sensata hoje em dia, Draco — a mãe do meu amigo se admirou, e era exatamente aquilo que eu esperava que acontecesse, que eles conseguissem ver quem meu pai era de verdade, mesmo que com pequenas coisas, ao invés da lembrança manchada que tinham da época da escola.

—A idade ensina uma coisa ou duas — ele riu sem graça.

Minha mãe se levantou para buscar uma das bandejas de canapés que estavam no aparador e eu fui ajudá-la, sendo seguido pela Rose que pegou uma também.

—Que coisa gostosa — o senhor Weasley disse — não sei nem o que é esse treco de rico, mas tá uma delícia.

—Eu falei que a gente sabia tratar bem as visitas, Weasley — era engraçado ver meu pai brincando assim — e são canapés, vê se aprende.

—Olha essa, o Malfoy me ensinando nome de comida, eu to velho mesmo, esse mundo mudou demais.

—Mas mudou pra melhor, não é, pai? — os olhos azui de Rose me mostraram por um segundo apenas que ela também estava nervosa, eu ficava até mais tranquilo, pois assim não me achava tão desesperado.

—Sim, Rose, pra melhor — ele concordou e ali parece que o gelo fino que ainda permeava tudo se desfez de vez.

Não demorou muito para minha mãe anunciar que o jantar estava servido, então passamos para a sala de jantar. Como eu sabia que ela faria, a mesa estava posta impecavelmente, pronta para a série de pratos deliciosos que foram preparados.

Eu nem surpreendi realmente aproveitando a noite ao ver todos os adultos rindo juntos e lembrando de coisas bestas da escola. Algumas histórias nem eu, nem os outros mais jovens tinham ouvido, estava sendo cheio de descobertas.

—Eu não acredito que vocês foram levados para a floresta proibida! — Rose estava horrorizada — isso não deveria ser uma detenção, é absurdo.

—Se a gente parar pra pensar tem muita coisa absurda em Hogwarts — sua mãe comentou.

—Mas, em minha defesa, dessa vez a culpa realmente não foi minha — meu pai levantou as mãos para se isentar — eu só estava no lugar errado na hora errada.

—Só porque queria encrenca, Malfoy — provocou o Sr Potter.

—E qual de nós não queria naquela época, Potter? Parece que era só o que sabíamos fazer… nos meter no que não devíamos.

—Quanto a isso você nem pode negar, amor, no seu primeiro ano você já começou indo atrás de um trasgo.

—Nem vem, eu nunca fui atrás de problema, ele que vinha atrás de mim! — todos da mesa riram, até o Sr Potter acabou se juntando a nós — mas o que não tá nos livros de história era o favoritismo do Snape com esse loiro aí, tudo era “o senhor Malfoy teve um desempenho exemplar” — ele imitou um tom de voz grave que eu supunha ser do famoso ex diretor de Hogwarts que tivera uma grande participação na última guerra.

—Favoritismo? Mas é muita cara de pau, Potter! Quer falar de favoritismo, e o velho Dumbledore? A Sonserina perdeu o troféu no nosso primeiro ano por puro favoritismo a esse par de olhos verdes tão cativantes.

—Harry, você perdeu o argumento de novo — Hermione ponderou — já somos adultos o suficiente para saber que o Dumbledore tinha lá suas parcialidades.

—Fazer o que se eu sou tão cativante?

O jantar correu noite à dento, com os homens se provocando e as mulheres rindo às custas deles. A ministra me perguntou o que eu pretendia fazer agora que tinha terminado a escola, como imaginei que faria e eu fui o mais sincero possível.

—Eu ainda não sei 100%... tem tanta coisa que eu gostaria de fazer, o Ministério trabalha com coisas muito interessantes, é difícil decidir… e se eu decidir errado porque não sabia direito como era aquela carreira e…. — eu percebi que estava tagarelando mais do que o normal e fechei a boca, porém ela ainda prestava atenção em mim, parecendo entender minhas preocupações.

—Você tem toda razão, querido, é importante, para quem tem interesses tão amplos, poder ter um teste de todas as possibilidades — ela parou por uns instantes pensando em algo — Por que não fazemos assim… eu tenho um horário vago na sexta de semana que vem, você pode ir ao meu escritório e eu vou te apresentar a fundo os departamentos do ministério, aí podemos desenvolver um sistema de rotação entre cada função para você acompanhar durante alguns meses até se decidir, que tal?

—Uau! Isso seria… demais! — eu estava tão empolgado, que por mim, começava no dia seguinte mesmo, mas teria que segurar a minha ansiedade

Quanto todos se levantaram para se despedir, eu já considerava aquela noite um sucesso. Todo mundo riu, se divertiu, comemos várias delícias e ainda arriscamos algumas partidas de xadrez bruxo onde eu perdi feio para o meu amigo e meu pai levou uma lavada do Sr Weasley, a revanche já estava inclusive marcada para um almoço na Toca no mês seguinte.

—Deu tudo certo, hein — Rose sussurrou em meu ouvido, ao ficar para trás com a intenção de se despedir de mim — confesso que eu estava meio nervosa.

—E eu então? Mas acho que eles já podem interagir até sem nossa supervisão, não vão se matar!

—Fiquei tão feliz com isso, Scorpy, nossos pais até jogaram xadrez! E meu pai é muito sério com a “arte do jogo” como ele diz.

—Quem diria, milagres acontecem mesmo — eu era a pessoa mais otimista que existia, e nem mesmo eu já havia imaginado interações amigáveis e bem humoradas dos antigos colegas de escola do meu pai com a nossa família.

—Mais milagre do que isso? — ela ficou na ponta dos pés para me dar um beijo rápido, eu podia ouvir a voz dos nossos pais conversando no cômodo ao lado, mas não me importava, não tínhamos que nos esconder mais.

—Isso não teve nada de milagre, foi tudo apenas uma estratégia muito bem bolada pela minha mente visionária — ergui a sobrancelhas na voz mais convencida que eu tinha e recebi um bico de volta, ela ficava tão adorável assim, ou de qualquer outro jeito.

—Então foi tudo parte de um plano, é?

—Sim, começou no primeiro dia que te vi.

—Mas eu só falei absurdos pra você!

—E eu sabia mesmo assim que você seria a garota da minha vida.

—Uma vida é muito tempo.

—Mas se depender de mim, eu fico perto de você enquanto você deixar…

—Sorte sua que isso está nos meus interesses também — ela me deu um beijo que fechou com chave de ouro aquela noite.

Sete anos depois...

—Scorpius, achei que você não ia chegar nunca! — minha namorada resmungou assim que entrei na Toca que já estava apinhada de gente.

—Desculpa, amor, eu acabei tendo que passar no departamento, as coisas saíram do controle ontem, você sabe… — passei a mão nos cabelos exasperado.

A noite anterior começou com um desastre de feitiços que acabaram por envolver trouxas e eu, como um dos representantes do departamento de acidentes e catástrofes mágicas fui chamado para reverter a situação.

—Tudo bem, o Albus ainda estava lá?

—Ele saiu um pouco antes de mim, disse que ia buscar a Laura e já vinha — meu amigo trabalhava junto comigo no esquadrão de reversão de feitiços acidentais, o que era ótimo, pois mesmo depois de terminar a escola, ainda nos víamos todos os dias.

Ele tinha começado a namorar uma medibruxa que veio transferida da França alguns anos atrás e ela conseguia ter os horários mais doidos do que nós dois juntos.

—Tudo foi resolvido, Scorpius? — minha chefe, mais conhecida como minha sogra veio em nossa direção assim que ouviu minha voz e veio me cumprimentar com um abraço.

—Sim, Hermione, aqueles palhaços já foram autuados, e a situação contornada.

—Obrigada pelo trabalho bom de sempre, querido — ela sorriu e nos chamou para nos juntarmos aos outros.

—Até que enfim esse meu genro resolveu aparecer! — o pai da Rose me provocou, mas já tinha um copo de whisky de fogo na mão para me dar.

Aquele não era um final de semana qualquer, era aniversário da vó Molly, então a família inteira, literalmente, estava reunida. Aparentemente só faltando eu e o Albus. Era gente andando de um lado para o outro, alguns ocupados com preparativos de comida, outros com decorações, fora os presentes a organização de cadeiras e mesas que precisava ser feita antes dos convidados de fora da família chegarem.

—No que eu posso ajudar, amor?

—Vamos lá para fora que estão precisando de mais mãos.

Passei pelos cômodos cumprimentando todos que via com saudações calorosas e recebendo os abraços de sempre. Eu já ia há tanto tempo na Toca que todo mundo me considerava parte oficial da família também. Não atrapalhava o fato de que eu ajudava o time dos meninos a ganhar as competições de natal em várias ocasiões também.

Saímos no quintal e se eu achei que dentro da casa estava um caos, ali estava pior.

—Por Mérlin — murmurei.

—Você já devia ter se acostumado com a loucura de datas comemorativas da familia Weasley-Potter.

—Acho que vou me surpreender para sempre, o que é ótimo — ela sorriu para mim, com o mesmo jeito sincero que fazia desde que estávamos juntos, ainda aquecia meu coração todas as vezes.

—Oi, meu amor, você chegou! Estávamos preocupados com a demora — minha mãe me viu pelo meio do emaranhado de mesas e cadeiras e veio me esmagar em um abraço.

—Vai ajudar seu pai a terminar de montar a tenda, por favor.

—Tudo bem.

Se alguém tivesse dito, anos atrás que os Malfoy se integrariam tão bem entre todos aqueles ruivos Weasley, sem contar os Potter, a maioria das pessoas teria gargalhado desacreditadas. Porém, como prova de que o improvável não é impossível, ali estava meu pai de jeans e suéter junto seu antigo inimigo de escola, Harry Potter, tentando desvendar os mistérios de como montar uma tenda enorme enquanto reclamavam do resultado do último jogo de quadribol do time que os dois amavam.

—Mas porra, Draco, aquele lance foi ilegal!

—Eu sei que foi, não estou dizendo que não fomos roubados, só estou dizendo que não teria feito diferença, infelizmente nosso apanhador dessa temporada é inútil!

Eu ainda me admirava de ver aquele tipo de interação descontraída. Eu ter me envolvido com a Rose não fez bem só para mim, ou para ela, mas sim para minha família toda. Desde aquele ano, não passamos mais os natais sozinhos em casa. Almoços de domingo são sempre eventos animados e recebemos muito mais visitas na Mansão Malfoy, que inclusive foi onde uma das primas da Rose se casou no ano anterior. No começo houve um certo constrangimento entre todos, mas que não durou nem o final do primeiro jantar, aquelas pessoas eram realmente incríveis, tornavam todos parte da família.

—Será que os dois aí vão parar de reclamar desse time fajuto e começar a trabalhar? Vou ter que chamar a tia Gin? — eu já tratava todos com toda a intimidade que me pediram, e parecia a coisa mais natural do mundo, eu era o sobrinho de vários tios e tias adotados e adorava cada um deles.

—Não precisa apelar, Scorpius! — o tio Harry sempre tentava evitar conflitos com a esposa, pois ela não era do tipo que deixava barato.

—Mas que história é essa de time fajuto, filho?

—Todo mundo sabe que o melhor time é o Harpias!

—Você só é tendencioso por conta da Rose — ele resmungou.

—Não preciso ser, elas dão de 10 a zero nos outros.

Como era sua intenção, minha namorada entrou para o time feminino de quadribol e ainda estava por lá como estrela, com sua posição cativa de apanhadora e vários títulos nas costas.

—Mas vamos logo trabalhar ou esse aniversário não sai.

Entre trancos a barrancos, a festa foi um sucesso. A vó Molly se emocionou com todos os preparativos da família para ela e fez questão de agradecer a cada um com abraços apertados.

—Obrigada por ter vindo, meu querido — ela me esmagou em seu braços fofinhos.

—Claro, vó, eu não perderia por nada!

—Ia levar um puxão de orelha, se não tivesse vindo, eu ia brigar com a sua chefe por te fazer trabalhar demais.

—Ela não faz isso!

—Olha, mãe, o Scorpius te defende até quando não deve — ela revirou os olhos, fazendo Hermione rir.

—Mas eu fiquei sabendo que você e a Rose tem um anúncio muito importante também! — ela confidenciou no meu ouvido.

—Sabe? — eu fiquei espantado, busquei minha namorada com o olhar e ela assentiu sem graça. Tìnhamos combinado de não revelar nada hoje para não tirar o foco do aniversário da vó.

—Eu acabei contando, ela sabia que eu tava escondendo alguma coisa — ela me olhou se desculpando.

—Podem contar para todos, meus queridos, quanto mais notícias boas, melhor!

—Notícias? Do que a vó tá falando? — o Albus veio para o meu lado, interessado em saber.

—Então….

—Vamos fazer direito — Rose bateu forte as mãos, atraindo a atenção da família, que eram as únicas pessoas ainda presentes nesse final de festa — eu e o Scorpius temos um anuncio a fazer!

—Pelo amor de Mérlin não me diz que eu já vou ser avô!

—Pai! — ela gritou, sem graça.

—Mas se for isso, já posso comprar uma Nimbus 5000 pra ela?

—Já decidiu que vamos ter uma neta, Ron? — meu pai provocou.

—Pode ser um neto também, o importante é gostar de quadribol!

—Mas com uma escolha de vassouras dessa ele vai ter é desgosto, todo mundo sabe que a AirSpeed 3 é a melhor que existe! — os dois adoravam se provocar.

—Você não sabe de nada, Draco eu….

—Querem deixar eles terminarem? — minha mãe acabou com a discussão.

—E não, ninguém vai ter filho! — eu anunciei em alto e bom som.

—Mas o Scorpius me pediu em casamento e eu aceitei — a minha namorada, agora noiva, disse com o maior sorriso que eu já vi na vida.

Foi uma chuva de palmas e felicitações. Todos contentes com a nossa felicidade, ainda mais quando contamos que já tínhamos escolhido nossa casa e em breve poderíamos receber todos lá. Eu não tinha dúvida nenhuma de que encotrei a pessoa certa para passar a vida junto comigo.

Nós amadurecemos muito nesses anos de relacionamento, deixando de ser dois adolescentes apaixonados e ingênuos para nos tornarmos adultos que entendem as dificuldades de estar com alguém e todo o investimento e comprometimento que precisa existir para dar certo.

A verdade era que Scorpius Malfoy ainda amava Rose Granger-Weasley e ela me amava da mesma forma. Eu amava a família dela e amava como a minha tinha se integrado a eles. Se dependesse de mim, esse amor duraria para sempre.

Notas finais
Então é isso, All of Me chegou ao fim! Gostaram de como as coisas se encaminharam? Eu preciso dizer que foi muito gostoso escrever essa fic com um casal tão diferente para mim (até o momento). Eu não esperava me apaixonar tanto pelo Scorpius, mas aconteceu kkk Queria agradecer o carinho de todas vocês que sempre me deixaram comentários lindos, tiveram paciência para esperar até aqui e que sempre foram um incentivo para eu não desistir. As minhas consultoras de plantão tem um lugarzinho todo especial no desenvolvimento dessa fic (e no meu coração) e elas sabem que sem a ajuda delas, com certeza AOM teria ficado abandonada na vida, obrigada meninas! Espero que essa história tenha trazido bons momentos de fofura, diversão e alegria para vocês. Aguardo os últimos comentários lindos e nos vemos nas próximas fics! Bjus da Fe
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!