All of me

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Será uma miragem? NÂO! É mesmo um capítulo novo de AOM ♥ Pessoas lindas do meu coração, eu peço muitas desculpas por esse atraso absurdo, viajei por vários dias de julho e não consegui me dedicar à história. Agora os finalmentes da minha pós estão se aproximando e as horas ficam mais complicadas, mas aqui estou eu! Prometo a vocês tentar ao máximo cumprir o cronograma de sempre e podem ficar tranquilos que essa fic não será abandonada. O ultimo capítulo terminou numa parte muito tensa, o que será que a ruiva mais teimosa de Hogwarts vai fazer??? Então, para aqueles que não desistiram de me esperar. espero que gostem :)

—Rose? — aquela ruiva não admitia erros com facilidade, na verdade ela não admitia erros, ponto final. Portanto, ninguém podia me julgar por ter ficado surpreso com a declaração dela e perdido o poder de processar meus pensamentos por alguns instantes. Aquilo era tão “não Rose”!

Olhei, ainda paralisado enquanto ela se virou de costas para mim e trancou a porta com um balançar da varinha que ela havia puxado do bolso. A verdade era que eu não sabia o que esperar daquela situação. Durante todos os anos em que eu a conhecia, a Rose nunca tinha sido exatamente previsível, muito longe disso. Entretanto, vê-la voltar a atenção para mim, prender os olhos nos meus e respirar fundo, como se estivesse tentando conjurar toda a coragem do mundo, estava longe de qualquer coisa que eu imaginava que ela pudesse fazer.

—Eu estou prestes a falar um monte de coisas que não são fáceis para mim, mas você — ela aponta pra para mim, a voz baixa assumindo tons de acusação — você também tem culpa.

—Eu? — levei a mão ao peito, uma defesa involuntária. Eu não sabia o que ela queria dizer com aquilo, mas estava interessado em descobrir, até porque o rosto dela não carregava nenhum tipo de sentimento ruim que parecesse real. Isso começou a aumentar os meus estoques anormalmente grandes de esperanças, mas eu ia me controlar, podia muito bem ser que o que ela tinha a falar terminasse apenas em outra briga.

—Sim! Porque eu estava quieta no meu canto, Scorpius! — ela continuou, dando alguns passos para frente, se colocando bem próxima de mim — Quieta e tranquila, vivendo a minha vida, mas você estava sempre nas beiradas sendo… sendo você!

—Eu tinha por acaso que ser qualquer outra coisa?

—Não, mas você era tão insistente! — ela chacoalhou os braços, revirando os olhos e eu conseguia ver como aquilo a deixava exasperada — Me olhando com esses olhos prateados e esse sorriso bobo… até que me fez querer olhar de volta!

—Eu nunca escondi o que eu sentia, Rose… Quem esconde as coisas é você! — eu não estava disposto a eximi-la de nenhuma parcela de culpa também, mas tive que me controlar para não me focar apenas no fato de que ela tinha assumido que passou a querer prestar atenção em mim.

—E como eu ia fazer de outra maneira? Você se infiltrou na minha vida… um sonserino, um Malfoy.

—Nunca te forcei a nada — rebati, não perdendo nem tempo de acobertar a ofensa que aquilo soou aos meus ouvidos.

—Claro que não! — ela balançou a cabeça reforçando a negativa — nem precisaria porque eu fui de bom grado, abri espaço para você conquistar tudo o que eu não queria dar, mas não era nada dentro dos meus planos… — a voz dela foi morrendo e ela desviou os olhos dos meus o que só se somavam como conclusões ruins ao meu ver.

Se resumia àquilo que eu tinha imaginado mesmo: ela não queria alguém que fosse da minha casa, alguém que fosse da minha família. Qualquer esperança que pudesse ter começado a brotar dentro de mim mais uma vez, morreu instantâneamente. Nada iria mudar. Mas pelo menos eu deixaria tudo em pratos limpos, ela teria que dizer tudo em alto e bom som.

—Então o problema sempre foi esse mesmo? Tudo por causa da minha família? Da minha casa? — tentei esconder um pouco o tom de mágoa da minha voz, porém eu tinha quase certeza de que o sentimentos estava estampado no meu rosto.

—Sim. Não era o que eu queria para mim. Não era o que eu achava que esperavam de mim — ela colocou a mão no peito, os olhos ainda grudados nos meus, uma tentativa inútil de fazer aquela razão descer pela minha garganta.

—Bom, então a conversa pode terminar por aqui. Já entendi. — aquilo ia se tornar exatamente o que eu não precisava ouvir. Toda a minha esperança se esvaiu e eu fechei a cara, pronto para ir embora — Esses problemas eu não posso consertar, porque nunca vou ser outra coisa que não um Malfoy ou um aluno da sonserina. — declarei conformado, de que adiantava insistir naquilo que não se podia mudar?

Com o coração pesado, eu dei as costas a ela — mais uma vez — e me adiantei para alcançar a porta que significaria uma separação definitiva. No entanto, antes que eu chegasse à saída, me surpreendi novamente. A sensação dos dedos dela se fechando em torno do meu pulso tiveram a capacidade instantânea de me parar no lugar. A Rose não estava me deixando partir dessa vez! Mas eu não estava com humor de aceitar qualquer coisa de maneira fácil.

—Para, Scorpius, você que não vai embora agora, vai escutar até o final — ela puxou minha mão em direção a si e eu acabei me virando para mais uma vez encará-la, sem deixar passar o fato de que os dedos dela ainda me seguravam, mesmo com a minha parada.

—Eu não quero escutar um milhão de itens da sua lista de porque eu sou inadequado ou porque você não me quer por perto — rebati, nas entrelinhas eu pedia para que ela me contradissesse, ou talvez fosse apenas um desejo descabido.

—Não é nada disso, para de ser teimoso! — finalmente ela encerrou o contato entre nós, jogando ambas as mãos para cima, ao completar sua reação exasperada que quase me fez rir de tão absurda.

—Eu, teimoso? Olha quem fala! — apontei para ela, sem nenhum pudor de acusá-la do que realmente ela era — porque mesmo que eu ficasse pra escutar cada um desses itens, você ainda não ia me convencer que nunca sentiu nada por mim, Rose, a teimosa é você que nunca quis admitir! — acabei me alterando um pouco e a minha voz saiu mais alta do que o normal.

Percebi que ela se encolheu ligeiramente com o meu arroubo, porém eu ia continuar a minha sessão de verdades, não fossem as três próximas palavras que calaram todas as minhas.

—Você está certo — a voz dela não era mais do que um sussurro, ela tinha os olhos grudados no chão e eu tive que me controlar para não pedir para ela repetir, pois eu devia estar ouvindo coisas….

—Estou? — arregalei os olhos, nem me importando de conter a surpresa com a declaração.

Ela deixou um suspiro escapar por entre os lábios, parecendo juntar forças para continuar o que tinha começado. Quando seu rosto voltou a me encarar, porém, era uma expressão muito mais familiar que encontrei: decidida e confiante.

—Eu falei que você ser quem você é era o problema, mas não foi o único — ela já tinha toda minha atenção, não tinha mais a menor possibilidade de eu ir embora sem saber o que existia por trás daquela frase — porque como eu ia continuar justificando isso na minha cabeça depois de te conhecer direito? Mesmo que eu repetisse “mas ele é um Malfoy” você nunca se mostrou nem um pouco parecido com o que esse pensamento negativo deveria carregar. Os Malfoys deveriam ser frios, arrogantes, mentirosos, enganadores. Nada disso é você. Até a minha família percebeu…

—Eu tenho que me desculpar por isso?

—Claro que não… mas eu não estava preparada para isso. — ela fez uma pausa, passando a mão pelos cabelos, num gesto pouco usual, antes de continuar — Você me rodeou de carinho, atenção… sempre foi responsável, honesto, bem humorado…. então você tem razão quando diz que eu fui teimosa, porque eu gostava de tudo isso, adorava, mas não me permiti reconhecer. E toda vez que você falava sobre “nós” eu fugia do assunto…

Ela estava nervosa, eu percebia nas pequenas falhas que saiam em sua voz. Para todas as outras pessoas podia até ser imperceptível, mas não para mim. Eu a conhecia bem demais. Eu sabia que ela não mordia os lábios com tanta frequência e que ela nunca precisou entrelaçar os próprios dedos para mascarar a instabilidade das mãos. Toda essa reação, aliada às palavras que ela tinha acabado de dizer, me faziam concluir que talvez as coisas não estivessem perdidas como eu achava inicialmente. Talvez a ruiva que me olhava, quase de forma hesitante, tivesse finalmente se dado conta de tudo que eu vinha tentando fazê-la enxergar há anos. Porém, eu precisava de mais explicações.

—De que valeu ser teimosa então? Se você gostava de estar comigo?

—É aí que entra a minha parte complicada… você me assusta, Scorpius.

—Eu… — eu a olhei magoado, mas ela me interrompeu antes que aquele pensamento pudesse se desenvolver na minha mente.

—Não, não assim! — ela chacoalhou as mãos e deu um passo à frente, se aproximando de mim. — Você rouba o meu controle com uma facilidade que nem percebe, só que pra mim tudo tinha que estar dentro do meu domínio. O que eu não conseguia mais quando tinha você no meio. — ela apontou o dedo indicador em minha direção, quase tocando o meu peito — Você achava que eu sentia de menos quando na verdade eu sentia demais. E isso me aterroriza. Parecia que todas as partes da minha vida tinham sido influenciadas e eu tentei negar o máximo que eu pude. E as pessoas começaram a notar e só me assustou mais ainda…

Ela não soube lidar com tudo que sentia. Se assustou com os sentimentos que a minha presença fez surgir. Eu não estive errado ao achar que ela realmente sentia alguma coisa, mas ia muito mais fundo do que eu pensava. Aquilo era tão fácil para mim, que nunca cheguei a imaginar que fosse ser assim para ela. Sempre pensei que era pura teimosia.

—Por que você não falou comigo? — perguntei com sinceridade. Se ela tivesse dito qualquer coisa, eu a teria ajudado a entender a bagunça que havia se instalado em sua cabeça, mas talvez aí entrasse a tal da teimosia.

—Como eu ia falar de algo que eu nem entendia? Eu apenas sentia, me pegava sempre querendo te ver, sempre te buscando nos lugares…. mas eu não queria sentir...

—Tudo porque eu baguncei a sua ordem? — eu queria entender tudo nos mínimos detalhes, mas já estava sendo difícil me manter impassível frente ao que ela me dizia. Há quanto tempo eu sonhava em escutar que ela queria me ver, que sentia algo por mim?

—Você tirou o balanço de tudo! — ela rebateu quase batendo o pé no chão.

—E isso é a sua explicação? Por ter achado que eu queria algo com a Polly? — se estávamos tendo aquela conversa. era para que tudo fosse dito, então eu não deixaria nada passar.

—Naquele dia… — ela parou de falar, pareceu ter desistido do que pensou em dizer.

—Você falou que ia até o fim — usei as palavras dela para mostrar que eu não ia desistir de saber.

—Naquele dia eu estava indo te procurar para falar tudo — ela confessou, dessa vez sem desviar o olhar, e eu senti meu coração acelerando.

—Tudo? — repeti baixinho, incentivando-a a continuar, eu precisava ouvir aquelas palavras.

—Tudo o que você sempre quis ouvir: sim, eu gostava de você. Sim, eu queria você por perto e não, não me importava mais se qualquer pessoa soubesse, mas… — a voz dela morreu, e por um instante eu vi seus olhos ficando distantes, provavelmente se lembrando da ocasião dolorida que a impediu.

—Mas você viu a Polly me beijando — meu coração batia freneticamente em meu peito, porém eu me obriguei a não deixar aquilo transparecer, eu tinha que tentar ser o mais racional possível no momento e deixar de lado o fato de que era a realização dos desejos mais apaixonados que eu tinha.

—Sim, e eu sabia que você não tinha feito de propósito, mas só o que eu pensava era como eu queria arrancar aquela abusada de perto de você e lançar todas as piores maldições que eu conhecia. Eu nem me reconheci, Scorpius, era um sentimento tão forte. Eu fiquei com ciúmes…

Finalmente eu comecei a entender o que houve naquele dia. Era quase estranho ouvi-la dizendo que ficou com ciúmes naquele nível, mas as peças foram se encaixando.

—Mas eu nunca quis nada com ela! — confirmei mais uma vez o óbvio.

—Eu sei! Está vendo como é? Por isso você me assusta! — ela vociferou, mais uma vez exasperada. — Não consigo ser racional, lógica, sensata, nada das características que eu prezo tanto.

—Preza mais do que ser feliz?

—Eu achava que sim…

—Não acha mais? — dei um passinho discreto à frente, minhas mãos formigavam para tocá-la, e agora menos de um passo nos separava.

—Naquele dia, eu fiquei tão atordoada com a maneira que aquela situação me deixou que saiu tudo errado! Eu estava brava comigo mesma e acabei jogando tudo em você. O ciúmes tomou conta das minhas respostas e eu fiz o que sempre faço: brigar, me afastar.

—Você podia ter me procurado.

—Você me conhece bem demais pra saber que isso era a primeira e a última coisa que eu queria fazer. Além do mais, você tinha ido embora, todo o nosso contato desapareceu… como eu ia saber se você ainda pensava em mim? — a pergunta foi feita num tom que me dizia que ela precisava da resposta e eu não tinha condições, e nem queria, negar isso a ela.

—A resposta está pendurada no seu pescoço — eliminei de vez o restante dos centímetros que nos separavam e peguei, delicadamente, o colar de dentro da gola da camisa dela. Foi uma aposta, eu não tinha certeza de que ele estaria lá, mas acabei acertando.

—Então o presente foi seu mesmo… — a voz dela saiu baixa, e eu percebi como os olhos azui se fixaram nos meus lábios, nem dando atenção à mão que segurava o pingente.

—Você sabia? — aquilo me deixou curioso.

—Não exatamente… — ela disse sem graça, antes de completar — mas eu queria que fosse.

Eram todas as reações que eu sempre quis. Ela admitiu coisas que há algum tempo pareciam que nunca sairiam de seus lábios. Mas se eu tinha aprendido algo com a nossa última briga, era que eu não deixaria mais nada sem ser dito. Deixei o pingente cair mais uma vez em seu pescoço e foquei toda a minha atenção em seus olhos, passando ao máximo a seriedade que eu dava à situação.

—Rose, eu vou ser bem claro e sincero sobre o que eu quero, porque não vou deixar nada ficar meio dito se for para chegarmos em alguma conclusão, tudo bem?

Ela não respondeu, mas concordou com a cabeça.

—Só quero que você faça o mesmo.

—Tudo bem.

Foi a minha vez de fazer uma pausa e juntar toda a minha coragem. Aquele era o momento de colocar as cartas finais na mesa. Seria tudo ou nada e eu não consegui evitar uma pontadinha de medo, mesmo depois de ouvir as coisas que ela disse.

—Eu sei que fui eu a terminar tudo, mas você sabe muito bem o que eu sinto por você. Isso não desaparece de uma hora pra outra, Rose. Fiquei chateado, magoado e sem certeza de nada. O problema é que eu olho de longe e não consigo saber o que passa na sua cabeça, detesto isso! — fiz uma pausa, respirando fundo antes de continuar — Eu não quero ficar longe, não quero ter que me contentar com olhares escondidos e notícias de terceiros. Só que eu não quero as coisas do jeito que eram também. Eu preciso olhar pra você e saber o que somos. Se pra você não dá, tudo bem, eu vou ter que aceitar e me acostumar de vez com a distância, mas se nessa conversa toda você está me dizendo o que eu acho que você está me dizendo, então eu quero o pacote completo.

Ela ficou em silêncio. Absorvendo todas as minhas palavras. Os segundos pareceram suspensos no ar enquanto eu aguardava a resposta dela. Eu queria tanto, precisava tanto, que ela desse o braço a torcer dessa vez, que nem percebi que estava prendendo a respiração.

—E o que você acha que eu estou dizendo com essa conversa? — ela levantou a sobrancelha e eu percebi a sombra de um sorriso nascendo no canto da boca dela.

—Nada disso, Rose, não vou facilitar essa parte pra você — chacoalhei a cabeça, deixando uma pitada de humor se embrenhar nas minha recusa.

—Seu malvado — ela resmungou e franziu a testa, mas eu vi no brilho de seus olhos que ela não estava brava, estava apenas brincando comigo.

Eu sentia o clima ficando mais leva a cada instante, era como se tivéssemos tirado um peso enorme das nossas costas. Peso esse que havia nos separado por mais tempo do que ambos gostaram.

—Você não vai me convencer quanto a isso — cruzei os braços e me mantive firme.

—Não? — o tom de desafio agora estava escancarado. Não me mexi quando senti a ponta dos dedos dela deslizando pelo meu braço até que a mão dela se acomodou na curva do meu pescoço — Nem se eu disser que eu gosto de você? — ela ficou na ponta dos pés para sussurrar bem próximo ao meu ouvido.

—Hum… o que mais? — provoquei tentando parecer impassível, mas não consegui manter a fachada e já estava sorrindo por inteiro.

—Ou que eu me apaixonei por você muito antes de sequer me dar conta? — a outra mão dela veio se juntar ao meu pescoço.

Aquilo era realmente verdade? Ela tinha acabado de dizer que era apaixonada por mim? Se fosse um sonho, eu não desejava acordar mais. Me livrei de vez da tentativa de frear meus sentimentos e a prendi num abraço. O corpo dela se grudou ao meu, a mesma perfeição de encaixe de sempre. Meus olhos deviam estar soltando fogos de artifício e a minha cara provavelmente parecia a de um bobo apaixonado, mas eu não me importava nem um pouco.

Foram dias difíceis depois da nossa briga, mas agora eu sabia que havia sido difícil para ela também. Ela finalmente me mostrou os medos e inseguranças que a mantinham afastada e eu não deixaria mais que isso acontecesse.

—Você é muito boa nisso de convencer — murmurei

—Eu gosto de você e sinto saudades desde o primeiro minuto que você fechou a porta daquela sala e me deixou pra trás. Saudade de como você me faz rir, da manha toda para conseguir um beijo, do jeito que você me olha, até de como você me distrai dos trabalhos que eu deveria fazer — a voz firme me hipnotizou por completo com as palavras exatas saídas dos meus melhores sonhos — Você sempre enxergou uma Rose muito melhor do que a de verdade, mas quando você estava comigo, eu quase conseguia acreditar que eu podia ser essa pessoa, essa versão melhor de mim. Muito mais alegre, despreocupada, carinhosa…

—Você é tudo isso, Rose só, por algum motivo que eu desconheço, não vê — eu a interrompi e tirei uma mecha dos cabelos vermelhos que vieram se alojar sobre os seus olhos, colocando-a para trás da orelha dela, aproveitando para fazer um carinho que ela recebeu com um suspiro.

—Por isso que você não pode ir pra muito longe — ela disse baixinho, os olhos ainda focados em mim.

Obedecendo ao pedido, apoiei a minha testa na dela e me alegrei ao ver o sorriso satisfeito que enfeitava seu rosto.

—Então, deixa eu ver se entendi isso direito: você gosta de mim?

Alguma parte mais calejada da minha mente dizia que aquilo não podia estar acontecendo, que em alguns minutos a Rose daria uma gargalhada e diria que a cena não passou de uma brincadeira. Porém, era aquela boa e velha alma esperançosa que tinha a certeza de estar presenciando uma mudança definitiva entre nós. A mudança que eu sempre quis.

—Você está abusando, não acha? — aquela era a Rose que eu conhecia e amava, sempre com a língua afiada.

—Gosta ou não gosta? — repeti, ansioso por confirmar meus anseios.

—Gosto — ela revirou os olhos, me fazendo rir com a familiaridade do gesto. Podia até ser que ela houvesse confessado os sentimentos, mas a Rose não seria a Rose se aceitasse tudo facilmente. Porém eu não seria eu se não insistisse.

—Quanto?

—Muito — ela concedeu, e eu não esperei nem dois segundos para fazer a pergunta que estava mais urgente na minha garganta.

—Tanto que aceita ser minha namorada?

—Não.

A resposta me pegou de surpresa e eu me afastei para encará-la, ficando ainda mais confuso quando vi que ela sorria.

—Tanto para pedir que você seja o meu namorado.

—Sim! — respondi imediatamente, eu não precisava pensar.

Eu deixaria para depois a ação de ficar embasbacado com essa atitude dela, no momento tudo que me passava pela cabeça era aproveitar o fato de que sonhos se realizam.

—Isso foi rápido — ela riu com gosto e eu me juntei a ela.

—Não adianta voltar atrás, eu já aceitei, somos namorados, abracei-a para mais perto de mim, dando força às minhas palavras.

—Eu não quero voltar atrás, só quero ir daqui em diante — sem falar mais nada, ela me puxou para si e colou os lábios nos meus, dando início ao beijo do qual eu tinha tanta saudade. O toque foi delicado, lento, como se estivéssemos nos certificando de que tudo ainda tinha o mesmo gosto.

Mas não tinha. Era melhor.

—Eu estava com saudade de te beijar — sussurrei com a boca dela ainda na minha.

—Eu também, e de te abraçar.

Os braços dela se enroscaram em mim, e eu me maravilhei na sensação tão familiar.

—E de bagunçar o meu cabelo? — provoquei.

—Claro — ela respondeu brincalhona, antes de traçar uma trilha de beijos pelo meu pescoço enquanto a mão se infiltrava no meu cabelo.

—Ótimo, porque ele andou arrumado demais nos últimos tempos.

Puxei-a de volta de encontro a mim. Dessa vez a urgência deu as caras e o ritmo mudou completamente. Eu senti que ela pressionava o corpo ainda mais em minha direção e nossas bocas entraram em uma dança frenética que não tardou a nos deixar sem fôlego.

—Nós ainda temos muita coisa para conversar, mas vai ter muito tempo para isso depois — ela disse com a voz entrecortada antes de insinuar a mão por debaixo da minha camiseta e me arrancar um gemido baixinho ao arranhar de leve a pele da minha barriga.

Eu precisava de mais dela e via o mesmo desejo queimando em seus olhos azuis

—Vem — eu me separei ligeiramente dela, puxando-a pela mão.

—A porta está trancada — ela rebateu, se recusando a sair do lugar e se enroscando de novo em mim.

—Mas aqui? — perguntei alarmado, a possibilidade de alguém aparecer ali não era tão remota assim, no entanto era difícil ser coerente quando tinha a garota dos seus sonhos brincando com os botões da sua calça.

—Aqui — foi a única coisa que ela falou antes de não dizermos mais nada.

A distância nos deixou sedentos. Ansiosos por toques e sensações que sabíamos provocar um no outro, então não houve demora nem teatro para que nossas peças de roupa fossem atiradas a esmo pela sala. Nada nos separava além dos tecidos frágeis de nossas roupas intimas. Meus dedos passeavam pela maciez da pele branca que eram as coxas dela, e quando o desejo já latejava nos meus ouvidos, eu a puxei para cima, fazendo-a entender que eu precisava de mais.

Ela enroscou as pernas em volta de mim, e eu rapidamente a apoiei na mesa mais próxima. A loucura de estar fazendo aquilo numa sala de aula qualquer viria mais tarde, naquele momento era apenas excitante demais. Eu sentia as unhas dela me arranhando de leve, os dentes provocando a minha orelha, e não contive um gemido baixo. A Rose me encarou de relance, tempo o suficiente para que eu visse o desejo escritos nos olhos dela também. Sem mais delongas, ela levou os braços até as costas e se livrou do sutiã, me dando uma bela visão dos seus seios que eu não perdi tempo em explorar, fazendo-a ofegar do jeito que eu amava.

Ela se inclinou ligeiramente para trás, a fim de me dar melhor acesso, ao mesmo tempo em que os dedos se enroscaram na minha cueca, empurrando-a para baixo. Terminei de me livrar da peça e fiz o mesmo com a última que ainda a cobria. Voltei a beijá-la, dessa vez deixando minhas mãos explorarem suas pernas, chegando ao ponto que pulsava de desejo. Assim que eu insinuei um dos meus dedos para dentro dela, escutei o gemido involuntário que ela deixou escapar. Ela mordeu meus lábios que a beijavam quando iniciei um ritmo ligeiro ao acariciá-la.

Era excitante por si só vê-la tão entregue nos meus braços, com todos os muros deixados de lado. O jeito como ela me puxava para si, como fazia os quadris acompanharem o meu ritmo e a expressão de prazer que eu enxergava nos olhos semicerrados transformavam cada pedacinho de mim em desejo e felicidade. Porém eu precisava de mais. Eu sabia que não faltava muito para que ela atingisse o climax e eu queria estar lá junto com ela, então minhas mãos traçaram um caminho de volta para a cintura dela e antes que ela pudesse protestar, eu estava dentro dela, iniciado um ritmo urgente e roubando de nós dois o pouco ar que preenchia nossos pulmões.

Era como se não tivéssemos passado nem uma semana longe um do outro, todas as sensações tão incríveis como sempre, e foi quase juntos que nossos corpos estremeceram aproveitando todo o prazer que dávamos um ao outro. Gotas de suor deslizavam por nossas peles, os músculos anestesiados e a respiração ainda acelerada, mesmo assim, nenhum de nós queria distância ainda.

Ficamos mais um bom tempo aproveitando cada pedaço um do outro, e por fim, terminamos enroscados no chão, por cima das nossas peças de roupa. Meus braços a envolviam, mantendo-a aconchegada a mim. Da posição em que eu estava, conseguia ver o rosto sereno que tinha os olhos fechados no momento. Era um silêncio gostoso, daqueles que não exigem nada a mais para preencher um ambiente. Alguns minutos se passaram nessa calmaria, o suficiente para que voltássemos ao ritmo normal de respiração e batimentos cardíacos.

Minha mente, porém, não conseguir deixar várias curiosidades que eu ainda tinha para serem sanadas, então decidi começar pela que mais me intrigava.

—Rosie? — eu chemei baixinho, não querendo incomodar se ela estivesse dormindo.

—Hum… — ela resmungou em resposta, se ajeitando devagar para esfregar os olhos e me encarar.

—Se eu te perguntar uma coisa, você promete que me responde?

—Você vai ficar me pedindo pra dizer que gosto de você o tempo todo agora? — ela levantou uma sobrancelha, claramente zombando da minha cara, porém eu sabia que o sorriso era de completa felicidade.

—Não era isso, mas já que você mencionou, pode dizer de novo — dei de ombros como se não me importasse, sem no entanto, enganá-la por um segundo sequer.

—Seu bobo…. — uma risada baixa escapou de seus lábios e ela se esticou até que estivesse bem pertinho do meu ouvido — eu gosto muito muito de você — ela sussurrou e voltou a posição anterior — Pronto, feliz?

—Aham — nem me dei ao trabalho de tentar esconder minha cara de bobo apaixonado e foi a minha vez de me inclinar para roubar um selinho da minha boca favorita.

—Agora me faz a tal pergunta — a Rose pediu.

—Você por acaso foi no meu dormitório ontem?

—Eu…. — ela ficou vermelha e sem palavras.

—Nem precisa responder, as suas bochechas já me disseram tudo — respondi gargalhando.

A ideia no dia anterior tinha me parecido louca demais, porém agora tudo fazia mais sentido e a possibilidade não era algo tão longínquo. Tive que ordenar meu coração a parar de bater tão descompassado com a nova descoberta de que mesmo brigados, ela tinha ido me ver. Não obtive sucesso, claro.

—Eu não acredito que você percebeu! — ela exclamou indignada. Conhecendo bem aquela ruiva, ela achava que tinha sido meticulosa e perfeita em sua execução.

—Percebendo, ué! — ela não ficou muito satisfeita com a resposta, mas eu ainda queria saber a parte mais importante — 0 que você foi fazer lá?

—Nada…

—Nada? — levantei a sobrancelha sem acreditar e ela não conseguiu mais desviar da resposta.

—Eu só… eu só queria te ver e era a minha vez de ficar com a capa e o Al tinha vindo para me dizer a senha naquele dia e… e quando eu vi já estava na porta.

Era tão engraçado a maneira como ela acelerava as palavras quando estava nervosa. Mais um detalhe que me encantava dentre tantos que fizeram com que eu me apaixonasse por aquela teimosa.

—Pera aí, o Albus foi te dizer a senha ontem? Exatamente ontem? — a informação me fez lembrar do momentos em que o meu amigo saiu do nada em meio à nossa conversa.

—Eu não sei se estou certa, mas acho que o meu primo tem bancado o cupido há algum tempo…..

—O que mais ele fez? — a declaração dela me surpreendeu. O Albus sempre fazia questão de dizer que queria se manter longe da confusão quer éramos eu e a Rose. Saber que ele de alguma forma ajudou, só me fez apreciar ainda mais aquela amizade.

—Ele que me convenceu a ir te contar tudo o que eu sentia naquele dia…

—Aquele besta nunca me falou nada! — reclamei, mas não consegui evitar rir. Imaginei o Albus indo dar uma de conselheiro amoroso para a Rose, não tinha como não ser engraçado. Ele realmente gostava muito de nós se se prestou a isso.

—Ele só queria ajudar… eu é que estraguei tudo — por um instante eu vi um vislumbre de tristeza em seus olhos e me apressei para espantá-lo.

—Se teve alguma coisa que você estragou, já conseguiu consertar, então para de se preocupar com isso.

—Você é bom demais pra ser verdade, sabia?

Ela sorriu e se aconchegou mais para perto de mim, apertando o braço em volta da minha cintura.

—Claro que eu sei — falei convencido.

—Agora está inclusive muito humilde! — ela revirou os olhos com a exata expressão que eu já vira tantas vezes quando ela brincava comigo. Era tão bom estar assim de novo.

Eu não queria voltar mais a não falar com ela, não estar por perto. Só queria aproveitar a nova fase em que estávamos. Mais uma vez entramos numa quietude serena. Ambos estávamos cansados, e provavelmente já não era muito cedo, porém outra coisa surgiu em minha mente.

—Rosie?

—Qual é a pergunta de agora, Scorpy? — ela resmungou.

—Eu vou poder dizer pra todo mundo amanhã que você é minha namorada? — não tínhamos falado nada sobre isso ainda e eu me peguei prendendo a respiração ao esperar pela resposta. E se ela dissesse que não queria que ninguém soubesse? Eu podia dizer que não me importava, mas iria me magoar.

—Você por acaso pretende sair gritando pelos corredores? — ela se fez de séria, mas naquele momento eu percebi que ela não esconderia nada.

—Não posso?

—Claro que não, deixa de ser bobo — ela riu me dando um tapinha no ombro.

—Tudo bem, é só andarmos de mãos dadas que vai ter o mesmo efeito.

—Prefiro assim, bem menos embaraçoso do que um escândalo. — ela concordou e eu abri um sorriso enorme para o qual recebi mais uma gargalhada.

—O que você acha que seus primos vão dizer? E o seu irmão?

Eu não estava exatamente apreensivo de que eles não fossem gostar de mim, pois já convivemos bastante, mas era com o Scorpius amigo do Albus e não com o Scorpius namorado da Rose.

—Scorpius, tenho certeza que você sabe que eles tem plena consciência de nós dois, minha família é toda inteligente, sabia?

—Eu sei, mas…

—Além do que, eles te adoram, mais do que a mim algumas vezes — ela fez fico, que eu tratei de desfazer com um beijo.

—Até parece

—Isso que dá, arrumar um namorado adorável, nesse quesito eu fico pra trás

—Você é extremamente adorável! — eu rebati.

—Sou, é?

Era engraçado ver a minha Rose fazendo manha, mas eu me acostumaria rapidinho, pois era apenas um sinal de que agora ela se permitia sentir e pedir carinho.

—Sim, por exemplo quando foi atrás de mim ontem

—Hum… — ela fez cara de dúvida.

—Ou quando resolveu que ia continuar usando o presente que eu te dei, mesmo sabendo que era meu.

—Eu não sabia! Não exatamente…. — ela tentou se defender, mais uma vez meio sem graça.

—Claro que sabia, Rose… e quando você fica assim com as bochechas vermelhas, é mais adorável ainda.

—Tudo bem, tenho meus momentos.

—Só mais uma pergunta….

—Você tem um estoque infinito delas por acaso? — ela passou as mãos pelos meus cabelos que estavam bem mais bagunçados do que nas ultimas semanas.

—Mais ou menos..,

—Tudo bem, vá em frente — ela concedeu, ainda me fazendo carinho.

—Você já sabe a nova senha da minha sala comunal?

O sorriso radiante que ela abriu, me dizia que a minha mensagem tinha sido entregue, eu não dormiria sozinho aquela noite.

Notas finais
Minha vontade era só colocar um coração enorme aqui nas notas finais, pois é assim que eu me sinto toda vez que leio a Rose FINALMENTE confessando o quanto ama o lindinho mais fofo da Terra! Espero que tenha dado para entender de onde surgia tanta hesitação por parte dela. Não sei se consigo achar algo justificável, mas eles são jovens, sem muita experiência de vida e fadados a erros, como todos os seres humanos. A teimosinha se viu aterrorizada com a possibilidade de alguém capturando o coração dela, quando ela achava que não era o que se esperava dela, além do medo de perder o controle de tudo que ela gostava de levar à rédeas curtas... Mas agora está tudo bem, tudo muito bom! Os dois felizinhos. Como será que a familia dela, e o resto da escola, vai reagir às notícias? Aliás, quem aí sacou que o Al vinha bancando o cupido? Não deixem de me dizer todos seus pensamentos e conjecturas nos comentários, estou doida para saber o que vocês acharam. Até o próximo capítulo Bjus PS: os comentários do capítulo passado serão respondidos em breve, achei que vocês prefeririam um capítulo novo do que as respostas hoje :P