All of me
20 Velhas amizades
Notas iniciais
Estava chorando de soluçar no banheiro feminino. As meninas faziam de tudo para me acalmar.
– Nicolas é um idiota,esquece isso. Disse Geysa.
– Ele não tinha o direito de dizer aquilo,era uma coisa minha.
– Dizer que você ficou com meu namorado? Relaxa eu não liguei,sei que vocês tinham algo no passado. Disse Jordana.
– Não é nem por você, Jordana. É que isso faz parte do meu passado, coisa minha,não gosto que fiquem falando da minha vida por aí. Todo mundo ouviu e isso foi ridículo.
– Daqui a pouco esse povo idiota esquece. Fofocas vem e vão,já esqueceram até do meu chifre. Disse Rana.
– Isso é o que você acha. Respondeu Jordana.
– Cala a boca. Disse Rana e Gey ao mesmo tempo.
Saí do último box do banheiro enquanto as meninas estavam espalhadas pelo o ambiente com a porta trancada,não queria que ninguém visse como eu estava mal. Lavei meu rosto e me sentei no chão e elas vieram me abraçar, menos a Jordana. Respirei fundo e ouvi alguém batendo na porta. A Jordana perguntou quem era e para minha surpresa.
– É o Ian. Preciso falar com a Rebeca.
– Deixa ele entrar. Respondi secando minhas últimas lágrimas. — Quero falar com ele sozinha meninas. Poderiam me esperar lá fora?
– Claro. Disse Rana. E as outras apenas concordaram e saíram.
Depois que o Ian entrou e trancou a porta,eu me levantei para pegar papel. Ele ficou parado me olhando esperando eu secar meu rosto vermelho e provavelmente inchado de tanto chorar.
– Podemos conversar? Perguntou.
– Sim. O que quer?
– Antes de tudo,um abraço da minha melhor amiga. Ainda ocupa esse cargo?
– Acho que sim. Disse sorrindo.
Ele me puxou para um abraço apertado e confortável, eu senti falta daquele abraço. Depois de alguns minutos abraçados me soltou e deu um beijo em minha testa.
– O que eu faço com você hein. Disse com um sorriso tímido. — Não posso te largar dois minutos que você já arruma confusão.
– Você sabe que não foram dois minutos.
– E você sabe que eu nunca vou te abandonar. Disse me abraçando novamente.
Sentamos no chão e eu fiquei com a cabeça encostada em seu ombro e ele iniciou uma conversa.
– Vamos,me diga como foi a sua primeira vez.
– Como você sabe disso?
– Maiquel não aguentou guardar segredo por muito tempo. Convenhamos que ele nunca soube fazer isso. Respondeu rindo.
– Aaah claro. Olha,não foi a oitava maravilha do mundo,mas não foi um bicho de sete cabeças. Aconteceu. E o seu relacionamento com a Jordana?
– O que tem ele?
– É de verdade? Perguntei e ele me olhou confuso. — Necessariamente quis perguntar se você realmente gosta dela. Disse tentando sair da corda bamba.
– Sim,nosso relacionamento é de verdade. E eu gosto dela sim. Que estranho né? Disse soltando uma gargalhada alta e gostosa de se ouvir
– Eu gosto de te ver sorrindo. Seu sorriso é lindo. Disse meia sem graça por dizer isso na cara dele.
– Ei,não fica com vergonha. Sou seu amigo esqueceu?
– Não esqueci. Que tempo louco,ontem eu só era a novata e hoje estou causando uma grande confusão.
– Você me lembra a Scarllet. Não do modo negativo. Mas ela chegou assim aqui,assustada,e com medo de tudo e de todos e com o passar do tempo,se tornou uma das pessoas mais importantes para mim e para o Nicolas.
– O que ela fez de tão ruim? Perguntei e ele fechou a cara quase que no mesmo minuto. — Se não quiser falar não tem problema.
– Ela nos enganou,da mesma maneira que ela me falava coisas lindas e fazia planos comigo,ela repitia com o Nicolas,até que não deu mais para esconder o que eu sentia e fui correndo contar para o Nick,quando ele me disse que amava ela e queria tudo com ela,entramos em conflitos,depois de muita briga ela foi para Miami com outro e nos deixou.
– Que vadia. Porque ela voltou?
– Eu não sei,quero distância dela. Tenho mais pena do que nojo dela,não importa muito agora.
– Quando eu soube que ela foi na casa do Nick,eu não sei o que aconteceu, me subiu uma raiva sem igual.
– Você sentiu ciúmes. Normal.
– Não sinto ciúmes. Era apenas raiva dela.
– Você o ama,não é mesmo? Por isso sente ciúmes. É normal sentir ciúmes quando se ama alguém.
Respirei fundo e respondi.
– Mesmo ele não merecendo. Sim. Eu o amo. E sim vou admitir que eu estava com ciúmes.
– Ele vai se desculpar com você. A gente quase saiu na porrada no refeitório por você,e eu disse umas poucas e boas para ele.
– Vocês brigaram por minha causa? Não vou aguentar isso de novo.
– Apenas discutimos. Ele sabe que está errado. E se ele não vier pedir desculpas,eu arrasto ele até você e faço ele pedir. Disse acariciando a minha bochecha.
– Obrigada. Disse
– Pelo o que? Perguntou
– Por tudo. Pela conversa. Por voltar a ser meu amigo. Por tudo. Desculpa por trantornar o seu namoro, sei que está sendo barra pra Jordana,deixar você correr atrás de mim e tudo mais.
– Você é minha amiga Rebeca, ela tem que entender. Disse arrumando seu cabelo e se levantando. — Agora vamos,já perdemos uma aula e não quero perder o último período. Disse me estendendo a mão e me ajudando a levantar.
Me olhei no espelho e tentei ficar apresentável, mas sem sucesso. Destranquei a porta do banheiro e verifiquei se havia alguém no corredor para que o Ian pudesse sair sem ser visto. Caminhamos até a sala em silêncio, apenas um empurrando o outro em forma de brincadeira. Quando chegamos quase em frente a porta ele me parou e disse.
– Sorria,independente de você estar um lixo,mostre para ele que você tem valor e que você é linda e pode arrumar outra pessoa em questão de horas que deixaria ele no chinelo. Ok?
Assenti e segui para a porta e abri e dei de cara com um professor mal humorado.
– Senhorita Matter e Senhor Ewerling, o que trazem os senhores a minha humilde aula?
– Viemos estudar,professor. Respondeu Ian.
– Estão atrasados. 40 minutos para ser exato. Respondeu o professor com raiva e classe sem falar um "aí" sequer.
– Tive que resolver um problema no comitê de boas vindas,e pedi para senhorita Matter me ajudar. Não a culpe por isso,ela estava apenas me ajudando.
– Podem entrar,mas o diretor irá saber disso.
– Mande ele passar no comitê depois. Disse sentando no seu lugar e eu no meu.
– O que foi isso? Perguntou Rana.
– Ian sambando na cara do professor. Disse Geysa.
– Ai gente,deixa isso pra lá.
– Está melhor? Perguntou Jordana.
– Estou sim. Ian conversou comigo. E depois eu quero conversar com você, tudo bem?
– Claro. Respondeu ela sem graça.
Nicolas não parava de me encarar. Ele me olhava como se pudesse ver a minha alma. Isso me dava medo. A aula passou sem mais delongas
Estava caindo um temporal lá fora,eu como sempre desavisada não levei guarda-chuva. Rana disse que iria embora com a Geysa e Maiquel pra evitar que eu perdesse tempo com ela e esquecesse de mim, que menina louca. A chuva do lado de fora parecia um dilúvio e todos os alunos sumiram num passo de mágica, ninguém queria pegar chuva e de quebra um resfriado,fiquei no banheiro um certo tempo até a chuva passar um pouco e nada dela dar uma trégua. Me dei por vencida e fui para o estacionamento, tinha ainda alguns carros que provavelmente deveria ser de algum professor. Até que eu vi o dele. Nicolas ainda não tinha ido embora. O que será que ele estava fazendo? Fiquei um ano procurando a chave do meu carro na minha mochila e não achava nem a base de oração. Até que alguém chegou por trás de mim e falou.
– Precisamos conversar.
Eu virei assustada com a mão no peito e reconheci a pessoa em menos de 5 segundos.
– Não pode ser outra hora? Estou um pouco ocupada se não percebeu. E eu não quero ficar resfriada.
– Não pode ser outra hora,Rebeca. Eu preciso que você me perdoe agora. Nesse instante.
– Na base da marra não se conquista nada,Nicolas. Muito menos o amor de alguém.
– Rebeca,eu te amo,ok? E eu sei que fui um completo idiota antes do intervalo e durante ele,mas eu te amo e ficar brigado com você é um castigo. Me perdoa.
– Nossa,muito rápido esse seu arrependimento. Droga. Perdi minhas chaves. Disse e voltando em direção a escola novamente para procurar na sala.
– Aonde pensa que vai?
– Na sala procurar as minhas cha... Quando ele levantou um chaveiro idêntico ao meu,eu não aguentei e corri para bater nele com todas as minhas forças. Essa hora eu estava completamente molhada,mas não me importava eu estava queimando de raiva. Comecei uma "briga" sozinha dando socos e tapas em seus braços e ele ria como se algo engraçado estivesse acontecendo.
– Você eu um idiota,eu te odeio. Quando eu completei a frase ele me imobilizou e me beijou. Aí se foi o meu juízo perfeito. Já não senti aquela raiva quando aquela língua quente pediu passagem e invadiu a minha boca querendo travar uma batalha com a minha. E eu deixei,me deixei levar novamente pelos encantos do Nicolas. Ele me soltou e partiu o beijo e sorriu e eu automaticamente sorri de volta para ele.
– Me perdoa. Eu estava com raiva de você ter ficado com ele e ter me escondido. Eu te amo.
– Eu preciso pensar. E preciso ir embora também.
– O tempo que precisar. Toma. Disse entregando as chaves do meu carro e seguindo para o seu. Ele sorriu o trajeto inteiro até o seu carro e eu sorri ao entrar no meu e seguir para minha casa.
Estava tremendo de frio,mesmo com o aquecedor do carro ligado. Estacionei em frente a minha casa e saí correndo para dentro de casa. Quando abri a porta vi malas arrumadas, como se alguém fosse viajar e me assustei por tinha 6 malas.
– Querida,o que houve com você? Perguntou mamãe assim que me viu toda molhada.
– Eu peguei chuva da escola até o estacionamento,a minha vaga era um pouco longe.
– Vá tomar um banho, e depois volte para cá,temos que conversar.
Segui para o banheiro e fui largando tudo pelo caminho,tênis, bolsa, casaco, tudo que eu podia me livrar naquele momento. Depois de um banho relaxante eu me troquei e coloquei uma roupa aconchegante. Desci para sala pois o assunto me parecia ser sério.
Quando cheguei encontrei o papai junto com a mamãe na sala e adivinha o que aconteceu? O número de malas aumentou,de seis foram para 10. Sim aquilo me assustou bastante.
– O que está acontecendo? Vamos nos mudar novamente? Porque todas essas malas?
– Não querida. Não vamos nos mudar. Sente-se que vamos te explicar. Disse meu pai
– Ontem de madrugada,seu pai recebeu uma ligação, da clínica que sua vó, minha mãe estava internada. A melhor do Rio de Janeiro. Eu sempre quis que ela viesse morar com a gente,mas ela sempre disse que queria ficar no Brasil. Na ligação o médico disse que ela teve uma parada cardíaca e não resistiu. Minha mãe caiu em prantos no meio da sala agarrada ao meu pai que nada dizia,só afagava os cabelos loiros de dona Adriana. — O motivo das malas é que eu e seu pai vamos para o Brasil, acertar as contas,planejar o funeral e etc. Só que vamos ficar um mês lá, sua avó tinha muita coisa em seu nome,tem também seu testamento e tudo mais. Precisamos saber se você vai precisar que alguém cuide de você, uma empregada talvez. Eu posso ligar antes de ir para o aeroporto e contratar uma.
Eu estava chocada com toda aquela informação. Minha avó morreu,meus pais vão ficar fora por um mês, meu Deus,me ajuda.
– Não precisa contratar ninguém. Eu me viro sozinha,eu prometo. Só me liguem todos os dias para contar como foi e como vai ficar tudo por lá e eu vou contar o que vai acontecer por aqui,OK?
– Filha,qualquer coisa você liga para nós, não importa o horário, você sabe que se precisar é só gritar. Disse meu pai se levantando e ajudando a minha mãe a se levantar e eles foram em direção a porta.
– Nosso vôo sai em uma hora,fica em casa e descansa, faz uma sopa porque você vai pegar um resfriado por conta da chuva. Disse minha mãe.
E quando uma mãe diz que vai acontecer,se prepara porque vai. Fui para o meu quarto dormir e pensar no que fazer nesse mês que eles vão ficar fora.
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