All of Me
8 Capítulo 8
Notas iniciais
O tempo nunca havia sido nosso aliado, ele escorria pelas nossas mãos e se afastava o quanto antes para não ter que nos dá satisfação. O tempo era tipo de força que não nos permitia ter o prazer de escolher, ele decidia o que fazer conosco, decidia quanto tempo estaríamos contigo e ele simplesmente decidia o que eu e o Albus tínhamos que esperar.
–Albus, pela última vez, você tem que saber como conjurar um patrono. –nós estávamos nos jardins fazia cerca de três horas e o sonserino simplesmente não conseguia fazer um patrono, e quando conseguia o patrono não conseguia adquirir uma forma e logo desaparecia.
–Me deixa respirar um pouco, Alphen. –ele reclamou e se sentou. Albus colocou a mão na cabeça e ficou em silêncio. Eu me aproximei dele e me sentei ao seu lado, claro, sempre mantendo uma distância cuidadosa do rapaz.
–Por que é tão difícil pensar em boas lembranças? –indaguei baixo e não o encarei, queria que ele pensasse que estava sendo um momento seu solitário e em paz.
–Não é difícil, só é complicado. Eu penso em coisas boas e logo as ruins invadem. –pelo canto dos olhos percebi que ele havia levantado a cabeça. Eu olhei na direção do moreno e percebi pelos seus olhos que ele estava perdido, e como aquilo me doeu.
–Vamos, levante-se. Eu vou te guiar. –o moreno me olhou com cara de incrédulo, mas eu logo estendi a mão para ele e ele a aceitou sem fazer nenhuma pergunta. Eu o virei para que olhasse o lago que se estendia na nossa frente e então me aproximei dele. –Você está vendo o lago, Albus? –ele acenou com a cabeça concordando. –Bem distante do lago, mais distante, mais para o fundo, olhe mais para longe e veja que lá no final água do lago e as nuvens do céu parecem se tocar, mas não estão se tocando. Agora quero que fique olhando pra lá e me permita colocar uma memória em ti.
–À vontade. –seus olhos que antes estavam desfocados, receberam um brilho e eu não consegui reprimir um sorriso.
–Agora você está andando por Hogsmeade, não está prestando atenção em muita coisa e então você vê um cachorro, ele parece perdido e corre ao seu encontro. Você está encantado por ele, ele aceita suas brincadeiras e você parece estar se divertindo. –a varinha começou a produzir aos poucos um patrono, mas como eu já havia dito, ele não conseguia tomar forma, até porque a lembrança era muito fraca para esse tipo de coisa. –Vamos, Albus, continua pensando. Se falhar, eu lhe guiarei de volta pra cá.
Então, o patrono começou a tomar forma, tinha patas e um focinho, e começou a correr de um lado a outro. Eu estava quase o chamando quando percebi que aos poucos aquele pequeno cachorro estava sumindo.
–Albus, lembre-se. Lembre-se daquele dia no parque de diversões. –eu sabia que não deveria ter comentado sobre, mas era uma das lembranças que eu compartilhava com ele e eu precisava o guiar de algum jeito. –Eu estava feliz, você não estava?
O cachorro ganhou sua forma e se estabilizou, eu fiquei o olhando e depois eu sorri. Toquei o ombro do garoto e ele olhou na minha direção, quando o encarei, por um instante eu não havia entendido o que se passou pelos seus olhos, mas então eu indiquei com a cabeça para o cachorro.
–Melissa! –ele gritou e depois riu. –Melissa, eu consegui. –o cachorro mexeu com ele e ele riu mais alto ainda. Olhando aquela cena por fora eu só conseguia sentir meu coração me puxando para mais perto dele, mas eu ignorava isso. Albus virou pra mim e me levantou, o que eu não esperava que fizesse. –Finalmente eu consegui. –ele nos rodou e depois parou. –Obrigado, Mel. –Albus me desceu aos poucos e me colocou no chão na frente dele, eu não conseguia desviar meus olhos dos seus, me sentia incapaz de fazê-lo.
–Disponha, Al. –sorri para o garoto e ele me presenteou com um sorriso maior.
–Albus, o que está acontecendo? –e então a realidade decaiu sobre nós. Nós nos afastamos rapidamente e eu olhei em volta, tentando não olhar na direção de Bianca Houck, namorada de Albus Potter.
–Nada, Melissa só estava me ajudando com um feitiço. –a garota me olhou torto o que fez com que eu levantasse a sobrancelha direita por causa da ousadia.
–Vou deixá-los a sós. Estou indo. –sorri rapidamente para o sonserino e comecei a andar de volta para o castelo o mais rápido que conseguia. E uma coisa que eu só reparei bem depois, o cachorro havia sumido.
(...)
“Ela ficou brava?”
“Você sabe como ela é, acha que ainda há alguma coisa entre nós. Vive reclamando sobre o tempo que passo contigo.”
“Eu deveria me afastar?”
“Não, está tudo bem. Uma hora ela vai ter que entender o que está acontecendo.”
Eu fiquei um pouco olhando para o caderno, pensando na próxima coisa que eu teria que escrever, mas quando eu estava molhando a pena no tinteiro, tornou a aparecer escritas.
“E o garoto da Durmstrang?”
“Ainda estamos conversando, ele quer se encontrar comigo.”
“Você gosta mesmo dele, Mel?”
“Eu poderia aprender a gostar, mas tem algumas coisas atrapalhando.”
“Entendi.”
O tempo não teve pena de nós... Foi a única coisa que eu pensei em dizer. Nosso sétimo ano estava para acabar, faltavam pouco menos de duas semanas para tal e eu não saberia se conseguiria manter o contato com ele. Faria o possível e o impossível, porque quando o assunto era Albus Potter, eu sabia que eu teria que cuidar dele.
Eu cobri o rosto com as mãos e me encolhi um pouco. Eu estava na Sala Comunal da Corvinal e já deveria ser duas horas da manhã, não havia movimento nenhum por ali e até mesmo a fogueira estava apagada.
“Último dia de aula, me encontre nas corujas.”
Eu disse um breve sim e então fechei o caderno, sem ter mais coragem para continuar conversando com ele. Eu deitei no chão e fiquei olhando para o teto, meus pensamentos estava uma bagunça e nada parecia se endireitar. Pensei que quase seis meses atrás nós estávamos juntos e que as coisas mudaram radicalmente. Nós conseguimos voltar para a nossa normalidade, mas demorou, ainda mais que toda vez que eu me aproximava a namorada estava por perto e não me deixava nem falar com ele, ela até que evoluiu bastante, pois agora poderia até falar oi.
Todos demoraram muito para se acostumar com a nossa situação, porque apesar de nenhum deles terem sido a favor de nós dois, eles perceberam a mudança que criamos um no outro e isso pesou em todos. Mas agora já não havia importância.
Albus, incrivelmente, decidiu se tornar professor e eu me empenharei nas pesquisas de novos feitiços. Caminhos distantes, enquanto ele teria um lugar fixo, eu estaria pelo mundo. Realmente, o destino escolhia coisas por nós que nunca esperaríamos.
Merlin, o que fez conosco?
(...)
Como prometido hoje era nosso último dia em Hogwarts (nosso lar) e eu estava subindo as escadas. Uma música me guiava até o lugar e quando cheguei, Albus estava perto da janela mexendo com um filhote de coruja. Ele estava com uma calça jeans e uma blusa de manga preta, nada muito fora do padrão.
–Eu o encontrei uma vez quando estava treinando quadribol e desde então tomei conta dele, agora ele já vai embora. –Albus sabia que eu havia chegado, mas não olhou na minha direção. Ele soltou a coruja cinza e ela piou pra ele antes de levantar voo e sair pela janela.
–Já está quase na hora de irmos. –comentei.
–Sei bem disso. –ele se virou pra mim e ficou me encarando por alguns minutos antes de falar novamente. –Não quero perder contato contigo, Mel.
–Nem eu, Albus. Você é o tipo de pessoa que quero levar pra minha vida, custe o que custar. –eu fechei meu casaco cinza e desviei o olhar dele. Todos já haviam pegado suas corujas e literalmente, só havia nós dois ali.
–Dança comigo? –eu franzi o cenho e depois ri. Ele se aproximou de mim e pegou minha mão, me puxando para perto logo em seguida. Dançávamos com calma, não olhava para ele, apenas encostei minha cabeça no seu peito e fiquei ouvindo seu coração. Albus encostou o queixo no topo da minha cabeça e seguiu no ritmo comigo.
–O tempo nunca será gentil com a gente, Al. –sussurrei e senti uma lágrima me escapar. Todo o meu corpo gritava por ele.
–Sei disso. Sei bem até demais. –ele me respondeu e me abraçou com mais força.
Eu poderia dizer que nós nos resolvemos, que olhamos um para o outro e nos beijamos loucamente, nos entregando aos nossos corações e ignorando a razão. Mas não foi o que aconteceu. Nós dançamos aquela música usando o peso das nossas almas e depois apenas nos despedimos, pois não sabíamos quando nos veríamos de novo. Saímos de Hogwarts juntos, mas o mundo nos separou.
Havia um futuro na nossa frente e eu tinha medo de enfrentá-lo.
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