Notas iniciais
Oulá jovens que talvez leiam isso. Assim, eu não vou parar de postar a história até porque eu amo escrever e amo aperfeiçoar minha escrita e isso se faz como? Escrevendo mais. Só que eu sei que há pessoas lendo isso aqui, mas não sei se estão gostando ou não porque não comentam. Eu acho uma palhaçada ficar fazendo aquilo de: "x comentários eu posto mais um novo capítulo", mas eu acho também vacilo não comentarem. Espero que gostem desse capítulo e eu não pretendo estender muito essa história.

Um mês exato havia se passado desde que nós havíamos dado certo, e aquilo era simplesmente bom demais para ser verdade. Apesar de que na última semana nossas conversas pararam consideravelmente, nem passávamos as madrugadas conversando, era como se nós estivéssemos nos esgotado. Nós atingíamos céus e mares apenas com as personalidades que a gente continha. Nós éramos um infinito que ninguém conseguia entender, e na verdade, nem nós mesmos. Ele céu, eu mar.

E então a loucura da pressão decaiu sobre mim.

–Melissa! Melissa, o que há? –Sam correu até mim e começou a me sacudir. Eu estava em choque, estava sentada olhando para a parede estática demais para pensar em qualquer coisa. –Sam... — resmunguei e isso fez com que ela parasse de me balançar e se colocasse na minha frente. –Eu não consigo mais levar isso adiante. –comentei começando a chorar e ela me abraçou com força. Havia muitas coisas se passando pela minha cabeça: meu irmão mais novo estava preste a ser expulso de casa por causa das suas ações, meus pais acabaram descobrindo que eu estava me envolvendo com o Potter e não paravam de mandar cartas desesperadoras, afinal, uma puro sangue tem que se misturar com os seus e não com um mestiço, mesmo que esse mestiço seja filho de Harry Potter. Eu já não conseguia equilibrar meus amigos e Albus, não havia um dia que eles reclamavam que eu estava me envolvendo com o Potter e que daria algum tipo de merda. E mesmo quando eles não falavam nada, seus olhares falavam tudo.

Quando eu já estava calma o suficiente, eu me levantei correndo e só tive tempo de pegar a capa porque sabia que no lado de fora estaria nevando, Sam não conseguiu me puxar e me prender, ela sabia que eu faria alguma asneira. No meio do caminho para a Sala Comunal da Sonserina eu fui vestindo a capa e um pouco antes de chegar às Masmorras me deparei com Albus e seus amigos.

–Albus, eu preciso conversar com você. –as gargalhadas pararam e o moreno apenas ficou me encarando sério. Ele concordou com a cabeça e sem nenhuma palavra, nós nos retiramos e fomos para o mais longe que conseguimos de todos, que por acaso era a Torre de Astronomia.

–Fala. –a voz dele estava grave e seu rosto estava sério, provavelmente ele sabia.

–Não dá mais. Eu não consigo. –soltei tudo de uma vez e quando pensei que me sentiria mais livre para respirar, me senti mais sufocada. –Não dá para seguir com algo que nem conversar a gente consegue.

–Concordo. –eu segurava todo o meu choro, me sentia incapaz de chorar na frente dele. Era exatamente isso, na frente dele eu me recusava a demonstrar fraqueza. –Sentimentos não unem pessoas, não é mesmo?

–Não, não unem. Essa é uma das poucas coisas que nós concordamos. –segurei na grade de proteção da Torre porque sentia que meu chão estava sendo tirado de mim. Levantei os olhos e percebi que ele estava passando a mão nos olhos e que os mesmos estavam vermelhos, ele também queria chorar e aquilo me desarmou.

–Bem, deu pra ver que nós não damos certo juntos e que todos estavam certos. –resmunguei.

–E se nós não damos certo juntos e nem separados, o que a gente faz? –aquilo me pegou completamente desprevenida e eu cravei meus olhos nos dele. Meu céu.

–Eu não sei. –com isso ele apenas concordou com a cabeça e colocou as mãos no bolso.

–Eu tenho aula agora, se não se importa, vou-me embora. –sem nem esperar eu falar alguma coisa ele se retirou e meus joelhos cederam e eu cai no chão. Na mesma hora as lágrimas que eu fiquei segurando por dias despencaram, o arrependimento me bateu na mesma hora como se estivesse me lembrando do quão burra eu sou. Meu coração pesava toneladas dentro do meu corpo e eu sabia que não havia lágrimas o suficiente que eu pudesse chorar.

Não me senti capaz de descer e encarar a todos, ainda mais quando eu deveria contar o que havia acontecido. E por fim, eu só conseguia gritar e chorar sozinha naquela Torre, como se assim eu pudesse afastar toda e qualquer incerteza que estava me assombrando. Mas o pior de tudo, que apesar de todo o meu caos interno, eu nunca deveria ter se quer rompido com ele, porque eu sabia que era ele que trazia a minha paz, era ele que me trazia de volta todos os dias e eu não teria mais isso.

(...)

Os dias se passaram e se amontoaram em semanas, eu e Albus quase não conversávamos e eu sabia o motivo. Eu havia rompido, eu havia sido a primeira a desistir e Albus não era do tipo que perdoava, ainda mais quando isso envolvia seu sentimental, que era a sua parte mais protegida.

Meus amigos, basicamente, comemoraram meu término com ele, disseram que assim era melhor e que havia garotos melhores por aí que saberiam cuidar de mim. Mas, eles também haviam notado a mudança que caiu sobre mim, eu já não era mais a mesma. Eu andava mais quieta, quase nunca parava para ficar com ninguém e se possível, me trancava no dormitório e passava o dia na cama.

E mesmo assim eles não se sentiam sensibilizados com o que estava acontecendo.

–Você deveria arranjar um macho, Melissa. –Carlos comentou por acaso, ele estava rindo e todos estavam sentados na mesa da Corvinal para me fazer companhia. Nós estávamos almoçando e a comida já não tinha mais gosto nenhum pra mim. –Iria te dar um jeito.

Todos riram, teoricamente deveria ter sido uma piada interna que todos nós compreendíamos, só que eu não tinha humor pra isso.

–Eu não preciso disso. –comentei baixo. –Sabe que eu não consigo.

–Mel, nós sabemos de quem você gosta. –Miguel comentou de maneira suave e eu deixei que ele completasse a sua frase. –Mas você é linda, é inteligente, engraçada, organizada. Você realmente algo melhor, por que ele?

Porque ele era a minha luz quando tudo não fazia sentido, ele era a minha gargalhada quando a tristeza se tornava mais forte, ele era o sopro fresco que eu precisava quando nada mais parecia ser o que era. Ele era uma parte ruim, mas que carregava uma parte boa. Ele era aquele que eu queria.

Mas nada disso eu falei.

–Por favor, não falem mais dele. –falei antes de levantar. –Não quero que falem mal ou bem, vocês não tem o direito de comentar sobre ele.

Sai andando com passos firmes e rápidos para fora dali, não queria encará-los, não queria encarar o mundo e a cada dia que se passava estava se tornando mais difícil de respirar. Eu não conseguia encontrar um meio de me erguer e isso só complicava cada dia mais as coisas, eu sabia que precisava contornar a situação.

Quando eu já estava perto na porta eu acabei esbarrando justamente com Albus Severus Potter e era como se eu precisasse extravazar, como se eu precisasse gritar com ele.

–Realmente tudo acabou? –perguntei tentando controlar ao máximo minhas lágrimas, mas sabia que meus olhos estavam marejados.

–Não tem mais volta, Melissa. Acabou. –Albus respondeu me encarando firmemente e quanto mais tempo eu o encarava, mais eu sentia algo se quebrando em mim.

–Você não se lembra de nada?

–Claro que eu lembro, sempre vou lembrar. Mas agora acabou. –o sonserino ajeitou a postura e eu puxei o ar com dificuldade. Todos do Salão Principal pareceram ter se calado e todas as atenções estavam em nós dois.

–Por que não quer voltar se realmente lembra de tudo? –essa era o tipo de pergunta que eu sabia que não deveria ter feito, que simplesmente escorregou pela minha língua e saiu.

–Porque eu não gosto mais de você. –por um breve instante tudo rodou, meus pulmões se sentiam incapazes de puxar ar e meus olhos não conseguiram se focar em nada, mas aí então quando eu olhei diretamente para aqueles olhos azuis claros como o céu na primavera, e eu percebi que estavam escuros, foi quando notei que ele estava mentido.

–Você pode mentir pra todos, mas nunca pra mim. –retruquei antes de recolher as últimas forças que me restavam e me retirar dali a passos rápidos. Corri o mais rápido que consegui, mas antes olhei para trás e o olhar que o moreno me lançou foi tão desolado quanto o meu.

(...)

Eu me escondi na Floresta Proibida e estava sentada ali, no meio da neve, sem sentir absolutamente nada. Toda a imagem do almoço estava passando pelo minha cabeça o tempo todo, se repetindo diversas vezes em diversos ângulos, como se ter presenciado uma única vez não fosse o suficiente.

Eu já não aguentava mais chorar e a minha cabeça doía só pelo simplesmente fato de pensar em chorar ainda mais. Eu já havia cuidado de diversas dores e já havia passado por uma pior, mas eu não conseguia me lembrar como eu havia feito isso.

–Melissa. –eu olhei rápido para trás e por um instante pensei que fosse Albus que estava ali, mas estava redondamente enganada. Era o Hugo.

–Oi Hugo. –sussurrei e esperei que ele se aproximasse. Hugo se sentou do meu lado e me abraçou de lado para poder me esquentar e me consolar.

–O que eu vou dizer, eu não deveria, mas achei que fosse necessário. –o ruivo começou. –Nenhum de nós deveríamos ter nos metido no relacionamento de vocês, o tornando mais instável do que poderia ter sido. Nós enchemos a cabeça de vocês dois, tanto seus amigos quanto eu e os meninos. –ele puxou o ar e esperou que as palavras surtisse algum efeito em mim, mas como nada aconteceu ele apenas resolveu prosseguir. –Albus não volta porque sabe que te faz sofrer de todos os jeitos, sempre havíamos falado isso pra ele e ele tomou isso como verdade. Ele quer te proteger.

Depois disso, Hugo Weasley não falou mais nada, apenas ficou quieto esperando que meu momento de luto passasse. Não havia palavras, não havia gestos que eu fizesse que fosse trazer Albus Severus Potter de volta, bem lá dentro eu sabia que ele faria isso. Eu sabia o que eu tinha que fazer e nada disso envolvia o Potter, o que eu teria a passar a fazer a partir de então era me lembrar que eu tinha uma vida e que eu deveria primeiro ajeitá-la, me ajeitar, para depois resolver um sentimental quebrado.

Você é meu céu, Albus e eu sei que eu sou o mar que te afoga. E é quando você chora que nós nos aproximamos, pois suas lágrimas de céu tocam minha pele de mar.

Notas finais
Então, o que acharam?