All of Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
—O que é o amor pra você, Al? –Rose me perguntou de repente enquanto estávamos sentados em um dos vagões do Expresso de Hogwarts. Eu desviei os olhos da janela e a encarei demoradamente, pensando se deveria ou não responder.
—Amor é quando eu chegava em casa e a minha coruja voava direto pra mim. –a ruiva fez cara de indignada e eu logo emendei minha resposta. –Amor é quando meus pais trabalham duro para que possam me criar. –Rose não mudou sua expressão o que me fez me esforçar em pensar em algo melhor. –Amor é a brisa que dá nas pessoas, melhorou?
—O nome disse não é amor, é maconha. –olhamos para a porta e nela tinha uma garota encostada na mesma nos encarando com um sorriso zombeteiro. Seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo, tinha olhos azuis que tinham um brilho desafiante, um sorriso bonito e sarcástico e até onde eu podia perceber tinha uma estatura baixa.
—Melissa! –Rose pulou do banco onde estava e se jogou em cima da menina, a abraçando. Minha prima era uns 5 centímetros mais alta que a morena. –Enfim, estava pesquisando o que era o amor para cada um. O que é o amor pra você, Mel?
—O amor, é? –Melissa ajeitou a franja que estava solta e franziu o nariz indicando que estava pensando. Eu observava os seus movimentos com atenção e logo desviei o olhar para que Rose não reparasse que eu já estava começando a encarar Melissa. –Amor é quando aquela pessoa especial sorri e você automaticamente sorri por ela, mesmo que ela não esteja sorrindo pra você ou até mesmo esteja vendo uma foto dela sorrindo.
—Agora resolveu ser meiga, Melissa? –alfinetei e a garota me mostrou a língua. Eu sorri de canto e levantei. –Vou procurar o Scorpius e o Zabini porque já deu a hora deles aparecerem.
—Com o senso de direção que você tem Potter, evita se perder. –com esse último comentário da Melissa, eu fechei a porta e reprimi um riso e a vontade de voltar e retrucar.
O caso era que eu e Melissa simplesmente éramos ótimos como amigos, em segredo nos correspondíamos por cartas para que o nosso acesso e contato não ficasse tão restrito somente à Rose, que era quando nós nos encontrávamos.
Houve um passado entre nós que acabou dando em nada. Vários corações quebrados pelo caminho e uma amizade que foi difícil de manter.
Ela se parecia comigo em muitas coisas e isso acabava criando um conflito entre nós, porque afinal, agíamos da mesma forma, mas não admitíamos que agissem dessa forma conosco. Éramos complicados.
Encontrei os meninos enfurnados em uma cabine no final do trem e eu entrei também, já pegando a conversa por alto.
—Fala sério cara, Andrea Collins não tem todo esse corpo que você está falando. –Zabini reclamou em alto e bom som.
—Claro que tem, Zabini. Já viu aqueles peitos? –Hugo fez mímica com as mãos “interpretando” os peitos da Collins.
—Ele só não quer concordar porque é amarradão na Dominique e simplesmente ela não tem nada. –Scorpius retrucou e sorriu marotamente.
—Olha quem fala, Malfoy! –Thomas gritou e se levantou. –Quem é fica por aí suspirando de amores por Rose Weasley? Sem contar que os cabelos deverá ser o único fogo que encontrará nela.
—Olha como ela fala da minha irmã, Zabini. –Hugo cruzou os braços como se bancasse o irmão sério.
—Não dá para negar que a Rose é uma tábua. –resmunguei e me joguei ao lado de Scorpius. Todos os olhos se viraram pra mim e imediatamente um sorriso sacana surgiu no rosto de cada um dos meus amigos.
—Falou aquele que quer ficar com todas possível... –Scorpius começou.
—Que se diz homem por isso... –Hugo prosseguiu.
—Mas sabemos que é amarradão em uma certa menina, mas não admite isso por nada. –Thomas finalizou.
Arqueei a sobrancelha direita e fiquei pensando em como eu me meti no meio daqueles loucos. Por fim, eu me levantei e limpei a garganta como se fosse fazer algum tipo de anúncio.
—Meus caros amigos, sou Albus Potter e todos sabem como Albus Potter é. –ajeitei a jaqueta de couro que estava usando e sorri. –Pego todas, mas não me apego a ninguém. Melissa é apenas alguém que conheço.
—Claro que é, Potter. – Hugo comentou colocando um sapo de chocolate na boca. –Afinal, mesmo que você se aproximasse dela, você só a magoaria. Você é tão lixoso que não poderia se aproximar de uma menina como ela.
—Assim você me ofende, Hugo. –comentei, cruzando os braços.
—Sabe que essa é a verdade, primo, mesmo que você realmente gostasse dela, o que eu não acho que seja o caso, você nunca poderia cuidar dela. Mas no que isso importa pra você, não é mesmo? Metade das meninas de Hogwarts ainda caem por esse teu jeito cafajeste. –gargalhamos e eu o chutei.
O trem logo parou e já nos preparamos para sair, pegamos a única carruagem que encontramos nos esperando e como surpresa quem estava dentro era minha prima e suas amigas, e isso incluía Melissa.
Scorpius alargou o sorriso quando se deparou com Rose, mas tentava reprimir isso de todo o jeito. O loiro tentava ao máximo não ser tão caído pela ruiva, sempre que a via se aproximava de qualquer maneira e puxava assunto apenas para ver se causava alguma reação na minha prima.
Em geral, apenas ficamos falando coisas descontraídas só para que não deixássemos o silêncio pairar, mas quando entramos na escola cada um de nós tivemos que ir para nossas casas. Da mesa da Sonserina eu conseguia ver Melissa conversando com alguma menina da casa da Corvinal, e quando menos esperei seus olhos encontraram os meus e naquele breve espaço pareceu que estávamos nos comunicando, falando algo que ninguém em volta conseguiria entender. Desviei o olhar um pouco constrangido, coisa que não acontecia com frequência e voltei a conversar com Scorpius.
Ao final do jantar me larguei na minha cama e só pensei que eu queria desmaiar e dormir até ser noite do outro dia, mas o Malfoy chamou minha atenção.
—Albus, sei que é meio estranho perguntar isso, mas a Rose está com alguém?
—Hm, não que eu saiba. –retruquei olhando para o teto do meu quarto.
—Certo. Boa noite. –o loiro virou para o lado e possivelmente, depois de uns minutos, considerei que estivesse dormindo.
Com a preguiça penetrada até nos meus ossos eu me ergui com dificuldade e tirei a camisa e antes que eu pensasse em ir dormir, ouvi um pio de coruja e me aproximei da mesma, pegando uma carta que ela trazia consigo e um pacote.
“Corujas se cansam de voar daqui pra lá, está aí algo mais prático do que exercitar o voo da minha coruja, Potter.
M.A.“
Franzi o cenho para a carta e abri o pacote que havia sido embrulhado de qualquer jeito (Melissa não era uma menina de muitas habilidades). No pacote havia um caderno de couro com páginas amarelas e que não havia nada escrito nas mesmas, não entendi o que era aquilo. Olhei para a coruja e mostrei o caderno para ela.
—O que diabos sua dona me deu? –reclamei com a coruja e apenas recebi um pio como resposta. Coloquei um pouco de comida para o animal e deixei a janela aberta para que ela pudesse sair quando bem entendesse. Voltei para a cama e abri o caderno, minha surpresa foi ver letras caprichadas aparecendo aos poucos.
“Fico surpresa que descobriu como abre esse caderno”
Eu ri baixo e peguei uma pena e um tinteiro que estava do lado da minha cama.
“Agora eu não posso zombar, você realmente fez jus à sua casa.”
“Sou cheia de surpresas, Potter, faço o que eu posso. “
Sem perceber, eu sabia que ela estava sorrindo, apesar de eu não estar a vendo. Em relação a ela, nada o que eu entendia se aplicava, ela falava às vezes como menino, tinha assuntos sem nexo. Mas havia algo nela, algo que todas aquelas meninas lindas e gostosas ainda não haviam me mostrado. Acho que era um pouco de personalidade e originalidade.
“Então, já viu Matadores de Vampiras Lésbicas?”
“Você tem problemas, garoto, sem mas!“
Eu sabia que eu nunca poderia a ter, que nós nunca daríamos em algo, mas aqueles momentos roubados que tínhamos, apesar de estarmos longe, era algo que eu simplesmente não me sentia capaz de perder.
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